Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 5

Capítulo 44: O Rei do Solo

A silenciosa manhã no convento.

A luz do sol que passava pela janela iluminava o chão do refeitório feito de pedras cinzentas.

"Dizem que há um escudeiro na família Bayezid que está ficando famoso."

"Ouvi dizer que ele usou aura em Deomar?"

Embora fosse um convento feito de pesadas pedras cinzentas, a atmosfera não era tão opressiva, talvez por causa da conversa animada das jovens que ainda não haviam se tornado freiras.

Além disso, os rumores que circulavam dentro do convento eram suficientes para aquecer o ambiente.

"Mas dizem que esse escudeiro é incrivelmente bonito."

"Cabelos loiros e olhos azuis. Talvez seja de origem nobre."

Por causa das histórias sobre alguém que estimulava as fantasias cor-de-rosa das jovens garotas.

'Cabelos loiros?'

A garota de cabelos vermelhos, que estava agachada escovando o chão, ouviu as palavras que escaparam da conversa das garotas ao lado.

"Ele usou aura tão jovem, então com certeza pode se tornar um cavaleiro."

"Talvez no futuro ele se torne um cavaleiro que represente o Norte."

'...Isso não pode ser.'

Zemina, que havia aguçado os ouvidos para ouvir, perdeu o interesse nas histórias extravagantes que chegavam aos poucos até ela.

Cabelos loiros, olhos azuis e um garoto sonhando em se tornar cavaleiro.

Embora tivesse ouvido palavras próximas a Vlad, no momento em que todas aquelas coisas se juntavam, a possibilidade de ser ele diminuía claramente.

O garoto que mal havia escapado do beco não poderia estar prosperando assim tão rápido.

Já seria bom se ele estivesse vivendo com saúde.

Toc—

Zemina sorriu por um momento ao pensar no garoto loiro.

Algo caiu ao lado dela.

"Ei, ruiva."

"..."

Uma das garotas que estava tagarelando se aproximou de Zemina, largou a vassoura que segurava e disse:

"Você faz o resto. Nós já fizemos o suficiente, não foi?"

"É isso mesmo. Você nem contribui com o fundo de apoio. Está comendo de graça, afinal."

"Você vai ter que trabalhar o resto da vida só para pagar o que recebeu naquele dia. Seja grata por estarmos te dando uma oportunidade."

As garotas riram alto, como se tivessem dado um bom golpe.

No entanto, Zemina não reagiu, continuando silenciosamente com suas tarefas.

'Elas estão certas.'

As garotas estavam certas.

De fato, não havia ninguém ali contribuindo com dinheiro para que ela pudesse viver confortavelmente. Se o convento não a tivesse acolhido naquele dia, ela nem sabia o que teria acontecido.

Certamente não teria sido melhor do que agora.

"Afinal, você vai passar a vida inteira aqui. Não há nada para fazer lá fora e não há ninguém para te ajudar. Então não é melhor se acostumar com o trabalho daqui desde já?"

"..."

Isso também era verdade.

Mesmo que Zemina saísse dali, não teria para onde ir.

A tragédia do ninho destruído não havia sido vivida apenas pelo garoto.

Como qualquer outra pessoa, a garota que sobrevivera nos becos não era do tipo que cedia facilmente a provocações ou bullying, mas decidiu suportar por enquanto.

"Bem, então estamos indo."

"Termine tudo antes do almoço!"

Se ela agisse como normalmente agia, seria expulsa do convento.

Se isso acontecesse, ela não teria coragem de encarar Madame Marcella, que se sacrificou por eles naquela noite.

"…Ainda bem que aprendi isso antes."

Zemina, que também já havia cuidado da limpeza na loja, sentou-se sozinha no refeitório e começou a esfregar o chão como se nada tivesse acontecido.

No entanto, a memória daquele dia não desaparecia, não importava o quanto esfregasse.

A cena da mulher que a empurrou para dentro dos muros do convento e a arrastou para a escuridão puxando seus cabelos.

Eles não deveriam tê-la mandado embora daquele jeito.

"Ugh..."

Então a garota empurrou a vassoura com mais força.

Ela queria empurrar para longe as memórias que não desapareciam.

Uma garota engolindo lágrimas novamente em seus grandes olhos.

Os cabelos vermelhos da garota, ainda não totalmente assentados, balançavam desajeitadamente sobre seus ombros.

 

✦  ✦  ✦

 

"Você realmente experimentou aura, não foi?"

"..."

Era uma voz animada, mas para quem a escutava não era nada agradável.

Se aquela voz continuasse tagarelando sem parar, seria ainda mais insuportável.

'Ela não cansa?'

Vlad mal conseguia manter o equilíbrio na carroça que balançava para frente e para trás.

Havia uma mulher ao lado dele conduzindo um cavalo e falando com ele o tempo todo.

"Como você pode usar aura e ainda assim não saber montar um cavalo? Mesmo que a ordem seja invertida, isso não muda demais?"

"…Bem, sabe como é… na vida, todo tipo de coisa pode acontecer."

Vlad virou a cabeça para olhar a mulher que continuava falando com ele.

Cabelos negros como a noite, olhos negros como a noite e até orelhas negras que se mexiam.

"O que está olhando?"

Presas brancas apareceram entre seus lábios levantados.

Eram afiadas demais para serem chamadas de presas humanas.

Vlad não gostava daquelas presas.

Os cavaleiros de Rutger riam alto ao lado deles enquanto ouviam a discussão.

Talvez ele tivesse virado alvo deles por causa do incidente do amendoim.

'Apenas aguente.'

Ele precisava aguentar.

Embora não fosse intencional, de certa forma aquilo era uma confusão que ele mesmo havia causado.

O garoto havia suportado uma vida inteira de zombarias como aquela.

'É assim que parece porque saí em umas férias que não deram certo.'

Ainda assim, até o suspiro fervendo dentro dele era uma tarefa inevitável.

Atualmente, Vlad e Potree estavam seguindo Rutger.

Quando Vlad disse que estava ali de férias, Rutger sugeriu que fossem caçar falcões juntos.

"Se você também não vier desta vez, vou mandar duas caixas de amendoim para Josef."

"..."

Não era exatamente uma ameaça ameaçadora, mas como alguém com um histórico, Vlad não teve escolha a não ser aceitar.

O chefe da família Kanoor, que generosamente o havia alimentado com carne, estava olhando para ele com olhos sinceros.

Do ponto de vista dele, era uma oportunidade perfeita para aproximar Potree e Rutger.

"Os homens-fera sempre falam tanto assim?"

"Você está discriminando uma raça agora?"

Se ela fosse uma criada comum, ele talvez tivesse dito calmamente para ela calar a boca. No entanto, ela não era esse tipo de pessoa.

Ao lado de Peter, o chefe da família Bayezid, estava Lagmus, um mago e conselheiro.

E ao lado de Rutger estava a garota de orelhas negras e pontudas.

Ela, que mexia as orelhas negras, era uma maga.

"Não provoque demais, Dorothea. Afinal, ele é um convidado emprestado."

"Aquele pirralho faz uma cara de nojo toda vez que me vê."

"Qualquer um faria se fosse provocado desse jeito."

A forma como ela respondia a Rutger com a cauda negra balançando, completamente diferente de como tratava Vlad, não era nada agradável do ponto de vista dele.

'Gata maldita.'

Além de parecer um gato, seu comportamento também lembrava os gatos que Vlad detestava. Ele apenas franziu a testa em resposta.

"Acho que aqui está bom."

"Com os arredores tão abertos, deve ser possível ver de qualquer lugar."

"De fato."

Rutger parecia finalmente ter chegado ao destino, olhando ao redor e examinando os arredores.

"…?"

Ele apenas observava a área.

Os falcões que seriam usados na caça nem sequer haviam sido retirados das gaiolas.

"Aí está."

"Estou vendo."

Como se procurassem algo com insistência, Rutger e seus cavaleiros finalmente encontraram o que buscavam e apontaram naquela direção.

'Hmm.'

Vlad também observou casualmente a direção para onde apontavam.

Embora estivesse distante e um pouco embaçado, havia pessoas caminhando pela pradaria.

Pessoas vestidas inteiramente de branco, da cabeça aos pés.

Eram sacerdotes.

"Encontrar um grupo de peregrinos assim... que sorte."

"Sim, isso também deve ser destino."

'…Parece que eles vieram aqui de propósito.'

Ouvindo Rutger e seus cavaleiros conversarem alegremente, Vlad percebeu que aquela caçada tinha outro propósito.

"Levantem a bandeira. Mostrem nossas intenções e tranquilizem eles."

"Entendido, Lorde Rutger."

Assim que Rutger fez um gesto, um cavaleiro ao lado dele tirou uma bandeira e a ergueu em um mastro, como se estivesse esperando por aquilo.

Parecia que tinham trazido os mastros apenas para isso.

"Então vamos caminhar devagar e procurar nossa presa?"

Mesmo falando de caça, ninguém ali parecia estar se preparando para isso.

Eles simplesmente caminhavam pela colina, aparentemente protegendo os peregrinos que caminhavam lá embaixo.

Os peregrinos devem ter visto a bandeira de Rutger, pois também levantaram uma bandeira em um mastro e começaram a se mover.

Os símbolos erguidos no alto dos mastros.

O símbolo da bandeira era semelhante ao emblema gravado no cartão de identificação de Vlad.

Quando o grupo começou a se mover lentamente, Vlad pulou rapidamente da carroça e se afastou de Dorothea.

Era melhor evitá-la se não pudesse enfrentá-la.

"Ugh, estou enjoado."

"Você está bem, Vlad?"

Talvez fosse por causa da carroça sacolejante em vez de uma carruagem, mas seu peito continuava batendo forte.

"Está com vontade de vomitar?"

"Nem tanto."

Mesmo se sentindo mal, Vlad seguiu a sugestão da voz e arrancou uma folha próxima, colocando-a na boca.

[Guarde esta erva na memória. Ela tem um leve efeito estimulante.]

'Quem é esse cara...?'

Toda vez que a voz falava, Vlad se surpreendia novamente.

Seu conhecimento e percepção superavam não apenas os de nobres bem educados, mas também os de cavaleiros experientes.

'Um dia eu vou descobrir.'

Vlad pensou que o tempo eventualmente revelaria a identidade da voz.

Mastigando a erva amarga, ele olhou para a vasta pradaria abaixo.

Mesmo que nem tudo estivesse correndo perfeitamente, pelo menos a paisagem o agradava.

A imensa pradaria aberta se estendia até o horizonte.

Vlad respirou fundo, sentindo-se revigorado apenas com a vista.

"Huh?"

De repente, sua atenção foi atraída por um grupo que se movia à distância.

Algo se movia rapidamente.

Tum-tum—

"Um bando de cavalos selvagens."

Rutger também os notou e franziu a testa enquanto focava no bando correndo em direção a eles.

Era uma visão magnífica, mas não algo que o deixasse feliz.

Situações inesperadas como um bando de cavalos surgindo de repente eram problemáticas, especialmente quando se escoltava alguém.

"Mas por que estão indo para o sul?"

"…É verdade. Nesta época, os cavalos selvagens costumam migrar para o norte, não para o sul."

A observação do cavaleiro estava correta.

Na estação em que as pradarias floresciam, os animais geralmente migravam para o norte, onde o capim fresco brotava.

No entanto, o bando de cavalos selvagens avançava para o sul, em direção ao grupo e aos peregrinos.

E estavam correndo em velocidade máxima.

Tum-tum—

À medida que o bando se aproximava, o coração de Vlad batia violentamente.

"Hmm..."

Vlad, assim como Rutger, ficou no alto da colina observando os cavalos correndo, lembrando-se de uma experiência semelhante.

Cavalos selvagens cheios de vitalidade, com músculos se contraindo enquanto galopavam livremente pela pradaria — uma visão capaz de provocar admiração.

Mas naquele momento ninguém estava admirando.

Em vez disso, todos observavam preocupados, tentando entender para onde eles iam.

"Parece que estão indo em direção aos peregrinos."

"Os movimentos estão estranhamente urgentes, como se estivessem sendo perseguidos..."

Tum-tum—

Vlad apertou o peito, tentando acalmar o coração acelerado.

"…?"

Seus olhos se encontraram.

Embora a figura estivesse borrada à distância, parecia que Vlad havia cruzado o olhar com o líder do bando que avançava.

Uma criatura completamente negra.

Embora fosse impossível que realmente estivessem se olhando, os dois claramente trocaram um olhar.

"..."

Vlad não conseguia explicar, mas parecia que o cavalo negro estava tentando se comunicar com ele.

Parecia.

"Lorde Rutger!"

Um dos cavaleiros, percebendo algo suspeito no comportamento dos cavalos, aproximou-se apressadamente.

"O que está acontecendo?"

"A terra está tremendo!"

Tum-tum—

Até o garoto que encarava o cavalo conseguia sentir.

Os cavalos selvagens estavam aterrorizados.

Krrrrrr—

Assim que o cavaleiro terminou de gritar, o chão tremeu como em um terremoto.

Os peregrinos à frente caíram no chão assustados.

Kraaaaaa—

Junto com o tremor, um grito gigantesco ecoou pela pradaria.

O chão se abriu em uma fenda, e algo enorme emergiu dali.

Hiiiiing—

Preso na convulsão da terra, o cavalo negro que liderava a corrida soltou um relincho miserável.

"É um Death Worm!"

Os cavalos selvagens foram brutalmente despedaçados por dentes selvagens.

O sangue dos pobres animais caindo como chuva.

"…!"

Enquanto o coração de Vlad continuava batendo violentamente, o que o envolvia não era o calor do sangue, mas uma sensação gelada.

O bando de cavalos estava fugindo.

Eles estavam pedindo ajuda.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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