Sessão 4
Capítulo 36: E Então Desabrochou
"Ei, júnior, não encare muito eles", disse Burleigh a Vlad, com a voz fraca como sempre.
"Aquelas pessoas ali se ofendem quando a gente olha para elas."
"..."
O garoto também sabia.
Que as palavras de Burleigh eram verdadeiras.
"É só uma estrada, mas nós não a merecemos."
"Merecer o quê?"
Encostado na parede, entalhando um pedaço de madeira com a adaga, Burleigh levantou o canto da boca e sorriu.
Era um riso que continha uma pequena quantidade de raiva e um sentimento incontrolável de pena.
"Nunca é suficiente, nada."
"Nós nunca temos o bastante de nada."
Burleigh soltou uma risadinha diante da resposta de Vlad.
"Bem, você é insignificante, desqualificado; tem sido assim desde que nasceu, e você sabe disso."
"..."
O garoto não perguntou dessa vez.
Ele apenas virou a cabeça para olhar os prédios reluzentes do outro lado da rua.
Ali, havia faíscas e risadas.
E aquelas eram coisas não permitidas para os que viviam nas ruas.
O garoto sempre foi faminto por isso.
Quando Vlad inclinou a cabeça em cumprimento, ouviu algo chegar aos seus ouvidos.
"…Você não é qualificado."
Pablo, o cavaleiro de Arnstein.
Um cavaleiro conhecido por suas habilidades com o escudo, arremessou o escudo.
"Você não é digno de ouvir meu nome."
"…"
Pablo declarou, jogando o escudo.
Eu farei o meu melhor.
"Isto não é um duelo honroso, desde o momento em que você, bastardo indigno, avançou."
Uma batalha entre escudeiros e cavaleiros.
É algo que os outros zombariam.
E ele era quem estava envolvido nessa absurdidade.
"Você pode ignorar o que o sacerdote disse. Lute com tudo o que tem. Você pode tentar matá-lo."
Josef pisoteou a honra de Pablo para salvar a de Alicia e as próprias chances.
E foi Vlad quem teve de suportar o peso da sua ira.
"…"
Vlad ergueu o olhar em silêncio, um frio no ar que nem mesmo um sacerdote ousaria sancionar.
E perguntou.
"O que me falta?"
"…O quê?"
Pablo ficou momentaneamente surpreso com a atitude confiante de Vlad.
Longe de se intimidar com essa batalha entre cavaleiros e escudeiro, os olhos azuis do garoto ardiam.
Um homem segurando algo honroso, nobre e brilhante em suas mãos.
Eu quero perguntar a ele.
"O que me faz diferente de você?"
Por que todas as coisas boas, belas e brilhantes são sempre guardadas para bastardos como você.
Eu odeio isso.
"Agora, ambos, voltem para seus lugares e…"
Apesar da contenção do sacerdote, os dois permaneceram presos no contato visual, sem se mover um centímetro.
Um diálogo através dos olhos.
Para que isso fosse possível, precisariam ao menos do mesmo zelo, e o garoto estava chegando lá.
Ele podia vir de um lugar sem recursos, mas não terminaria com nada.
"Foi você mesmo quem disse primeiro, você pode fazer qualquer coisa."
"…Bayezid se degradou."
Esse cara é louco.
Ele é arrogante, não sabe quem é e nem com quem está falando.
"Eu vou cortar pela raiz."
Se um dia ele crescer, só prejudicará a honra dos cavaleiros.
Então é melhor esmagá-lo aqui.
"Por favor… voltem para seus respectivos lugares. Por favor."
Os dois caminharam até as extremidades do campo de batalha, atendendo ao pedido do sacerdote, que estava tendo um dia extremamente difícil e, sem perceber, havia implorado.
"Um rapaz fiel."
"Ele tem o básico."
Lá estava ele, segurando a espada e murmurando baixinho, e pensaram que Vlad estava rezando.
Era uma situação suficientemente grave para buscar o favor de Deus.
Mas, como sempre, o garoto não se dirigiu a Deus.
[Se o seu objetivo é apenas resistir, eu não posso ajudá-lo; se você depender de mim, vai desabar em dez segundos, quanto mais em dez minutos.]
'…'
Vlad tinha uma arma secreta: sua voz interior, mas naquele momento não podia usá-la.
[Depois de dez minutos, você deve se abster, não se forçar. Porque da última vez precisou arriscar a vida, mas não desta vez.]
"Eu nem estou pedindo ajuda."
[Se…]
A ajuda da voz era maravilhosa, mas não era dele.
Vlad sabia que, para brilhar plenamente, precisava ter algo que fosse só seu.
"Eu consigo?"
[Só o tempo dirá.]
Vlad estava nervoso, mas a voz também.
O garoto prometeu muito, mas não teve tempo de lapidar.
Treinou o melhor que pôde, mas não tinha experiência.
E agora, antes de amadurecer, precisava enfrentar um cavaleiro.
"Você está pronto, Vlad de Shoara?"
Ele era um verdadeiro cavaleiro, alguém que sabia manejar a aura.
"Aquilo…"
O tempo de arrastá-lo para uma posição de prontidão havia acabado.
Tudo o que restava era o choque das espadas.
"Sim."
Satisfeito com a prontidão de ambos os lados, o sacerdote recuou e ergueu as mãos.
"Este dia, sob o sol, é concedido pelos deuses!"
As pessoas olharam para o campo do duelo com entusiasmo quando foi dado o sinal para o início.
"…"
De repente, não havia mais sinal do garoto onde ele deveria estar.
Um espadachim duelista, especializado em combate corpo a corpo.
Isso combinava com o temperamento do garoto, que sempre gostou de tomar a iniciativa.
"Hmph!"
Um movimento linear de varredura.
Um gesto assertivo que dizia que não deixaria nada ficar em seu caminho.
Portanto, não houve hesitação na espada de Vlad quando ela caiu como um relâmpago.
Havia apenas intenção.
Bum!
O garoto tomou a iniciativa como planejado.
Dada ou tomada, a intenção de Vlad teve sucesso.
"...!"
Foi uma estocada veloz que passaria despercebida por uma pessoa comum, mas Pablo bloqueou a espada de Vlad com facilidade.
'Sempre pense no próximo movimento. A menos que queira atacar uma vez e morrer.'
"...!"
O ataque foi bloqueado, mas Vlad não perdeu o ímpeto.
Como se estivesse esperando por isso, tal como aprendera com Zayar, uma sucessão de ataques começou a cair sobre Pablo.
O constante choque de espadas ecoava pelo salão em intervalos precisos.
Era o sinal de que o duelo avançava, seguindo a corrente do garoto que liderava o ataque.
"...!"
Embora tivesse cedido a iniciativa, não havia pânico no rosto de Pablo.
Ele observava calmamente.
Naturalmente.
Foi apenas um relance, mas Pablo acreditou ter vislumbrado por que Josef enviara esse moleque como oponente.
[ Mire à esquerda, onde o escudo estava erguido, porque a convenção é algo terrível. ]
"Hmph!"
Vlad assentiu, seguindo o conselho da voz e atacando a fraqueza de Pablo.
Era um ataque que poderia ter sido bloqueado com facilidade, mas Pablo sentiu algo faiscando na espada de Vlad.
A espada do garoto era como um lobo voraz.
Como um lobo que sentiu o cheiro de sangue, ela roía sua fraqueza sem cessar.
Fome.
E uma crueldade inata.
Estavam escondidas na espada do garoto.
"É melhor eu acabar com isso agora."
Pablo cedeu a iniciativa diante do ataque súbito, mas sabia que era hora de parar.
O ímpeto do garoto era intenso.
"Que diabos…!"
"Esse garoto nem se cansa!"
Os movimentos rápidos e abruptos de Vlad tinham a mesma extravagância inerente ao seu cabelo loiro.
E as pessoas ficaram hipnotizadas.
Vlad estava sendo levado pelo próprio ímpeto.
Bang! Kang! Kang!
Faíscas voaram enquanto as espadas colidiam.
"..."
Observando Vlad recuar, Pablo permaneceu imóvel, esperando sua oportunidade.
Aproveitando-se do ímpeto de Vlad, mas não da sua falta de maturidade.
"Hmph!"
Ele se firmou e desferiu o golpe.
Com uma força sólida como rocha, capaz de esmagar uma pequena tempestade.
"...!"
Vlad, que vinha atacando sem parar, instintivamente ergueu a espada contra o peso repentino que descia sobre ele.
Quang!
"Fora!"
E, com isso, foi arremessado ao chão.
A força do golpe fez seu corpo quicar assim que tocou o chão.
"Fora!"
Vlad bloqueou com a espada, mas a sensação aguda de ser atingido na nuca por uma pedra o manteve alerta.
Um golpe bloqueado, mas não repelido.
Vlad absorveu toda a força do impacto, mas com seus sentidos treinados, rapidamente se conteve e recuou para abrir distância.
"Phew..."
Seu corpo reagiu, mas sua mente não.
Era o resultado de treinar com Zayar.
[Acorde!]
"…Huh?"
As espadas de treino de Zayar já eram intimidantes o suficiente, mas Pablo claramente possuía um tipo diferente de força.
'Acho que fui atingido por uma pedra.'
Ele apenas bloqueou um ataque, mas o corpo inteiro pulsava.
O golpe não foi apenas forte, foi pesado, e Vlad encolheu instintivamente.
"Acabaram-se os truques?"
"..."
Pablo à sua frente ganhava impulso.
Depois de um duelo que além de desonroso era um espetáculo, Pablo não queria se prolongar.
[Ele está vindo.]
Mesmo sem o escudo, o ímpeto de Pablo era como uma montanha.
"…Onde?"
[Ele quer dominar a distância; você precisa se mover, não importa para onde!]
Pablo, que criara uma defesa sólida apenas com a espada, começou a se aproximar lentamente de Vlad com seus passos montanhosos de costume.
Seria uma honra para Vlad receber tamanha seriedade, mas naquele momento era apenas um avanço esmagador.
[Você precisa esquivar de alguma forma.]
"Isso é mais fácil dizer do que fazer!"
A técnica de espada da Voz, definida por combate corpo a corpo e morte em um único golpe, era inutilizável naquela situação.
'Passos.'
Por ora, ele precisava dos movimentos ondulantes de seu outro mestre, Zayar.
O garoto reproduziu mentalmente os movimentos de Zayar, preparando-se para o ataque de Pablo.
BANG!
"Fora!"
Mas mesmo preparado, há coisas que não se pode deter.
Vlad, que apenas agarrara uma espada, carecia da experiência e da técnica para desmantelar o enorme muro que era Pablo.
BANG!
Quang!
Vlad recuava aos poucos enquanto o som das espadas colidindo era ensurdecedor.
O som ameaçador e o recuo precário que se seguiu deixaram Alicia sem fôlego.
Era uma punição severa demais para suportar, para o garoto determinado, mas derrotado.
[Acorde!]
A voz continuava chamando, mas o choque foi tão grande que Vlad quase perdeu a consciência.
Se aquilo fosse apenas um duelo, ele poderia dizer que já havia provado seu valor resistindo tanto tempo.
Mas o garoto não veio ali para aprender nada.
Ele veio provar algo.
"Não!"
Vlad gritou, agarrando-se à consciência que se esvaía enquanto, de alguma forma, enfiava sua espada desajeitada contra a lâmina que avançava.
Era um último esforço.
Quang...!
Mas a espada de vontade fraca não deu ao garoto qualquer chance.
Chiiiit-!
O choque lançou Vlad até a borda da arena.
"Crunch!"
Sangue carmesim jorrou da boca de Vlad.
Ele já havia perdido a espada, e as gotas de saliva que escorriam por seus lábios se misturaram ao sangue no chão.
"Excelente."
Pablo fora tomado pela ira quando Josef menosprezou sua honra, mas depois de cruzar espadas com Vlad, sentia algo diferente.
Ele era um bom garoto.
Um moleque com potencial.
Embora ainda cedo demais para um duelo formal.
"Volte mais tarde."
Pablo ergueu a espada, preparado para o golpe final.
Vlad observava o ataque com olhos trêmulos e turvos.
[Muito bem.]
Não se ouviram vozes, nem palavras de Zayar, que o preparara, nem de Josef, que lhe dera ordens.
O garoto havia cumprido seu papel.
Agora, podia descansar.
Todos no salão aplaudiram o garoto derrotado, mas determinado.
Tung-.
A espada de Pablo desceu em direção ao garoto.
Com um som surdo.
"…?"
Quando ninguém compreendia o que acontecera diante de seus olhos.
"...!"
Colin sentou-se abruptamente, assustado pelo som, como se despertasse de um pesadelo.
"É ele."
Jubert, que comia nozes enquanto assistia ao ataque impulsivo do garoto, não conseguiu esconder a surpresa.
"…"
Até ver o rosto de Colin gritando em silêncio, Pablo não percebeu por que sua espada havia sido repelida.
Mesmo para um cavaleiro experiente, era informação demais para entender de uma só vez.
"Por que… só vocês..."
Ao ouvir a voz abafada de Vlad, Pablo embainhou a espada e voltou-se para o garoto à sua frente.
Atordoado, com os olhos semicerrados, como se tivesse perdido a razão.
Era como se estivesse sonhando em algum lugar de sua memória.
"Eu também..."
O garoto desqualificado sempre desejou brilhar.
Ele queria habilidade, queria oportunidades, sonhava em ser qualificado.
Em alcançar o brilho.
E agora o garoto mostrou que ele é quem merece brilhar.
Vlad de Shoara quebrando a espada de Pablo, Cavaleiro de Arnstein.
Ele recriou o caminho da espada mostrado por seu mestre.
"Eu também quero estar lá."
O anseio do garoto, pouco a pouco, estava criando seu próprio mundo através de oportunidade, ensinamento e crise.
Estava prestes a florescer.
Uma flor colorida que ninguém jamais havia visto antes.
A espada do garoto estava chorando.
Traduzido por Moonlight Valley
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