Sessão 4
Capítulo 37: A Honra é Alcançada Por Poucos
Vlad de Shoara
"…"
Uma serpente branca enroscada em uma árvore, sozinha em uma colina deserta.
Invisível no mundo da criança, ela escutava em silêncio, de olhos fechados.
Drip-.
A serpente branca, brilhando com uma luz radiante, se alongou lentamente enquanto ouvia os sons vindos da mansão.
Drip-
Embora fosse claramente um som desconhecido, naquele som havia os traços de alguém que ela imaginara por muito tempo.
Então a serpente ergueu a cabeça, satisfeita com o som.
Tão alto quanto o céu.
"…!"
Então, abriu bem a boca e emitiu um som que ninguém ouviria.
Aquele som solitário, embora começasse do chão, foi ouvido apenas pelo céu.
Shoot!
Estava chovendo.
Eram respostas à voz da serpente.
Satisfeita, sentindo as gotas de chuva, enquanto a paisagem se estendia de forma semelhante à época em que repousava sobre uma árvore no passado.
As pequenas nuvens convocadas pela serpente se reuniram, cobrindo o sol de hoje.
A chuva, descendo das nuvens que cercavam o sol, era uma chuva quente de primavera.
Estava chovendo apenas para a criança.
✦ ✦ ✦
Todos permaneceram em silêncio.
Tung-
Eles sequer soltaram um suspiro, apenas contemplavam o espetáculo diante deles.
"Huh!"
Gotas vermelhas de sangue espirraram.
Caíam do punho cerrado do garoto.
Uma espada comum, segurada com força como se nunca fosse soltar.
Um brilho carmesim fluía por ela.
A vontade do garoto se manifestava através dela.
"O que diabos..."
Todos estavam atônitos com o que testemunhavam.
O movimento do garoto loiro cortou a espada do cavaleiro.
Boom-boom-boom.
E, talvez fosse ilusão, mas havia o som de uma espada chorando.
[…]
Não era o som da Voz na alma do garoto.
O som vinha da espada sem adornos que ele empunhava, manifestada com os sonhos de um velho e as lágrimas de uma criança, mas ressoando através da determinação do garoto.
A espada do garoto estava chorando.
"Eu não ensinei isso a você!"
Zayar, observando a cena, tocou inconscientemente o curativo, demonstrando surpresa.
Vlad estava nervoso. Embora ansiasse progredir, não conseguia deixar de ver as pegadas dos fortes bloqueando seu caminho.
O garoto queria correr rápido porque ansiava ver o fim, mesmo ainda não podendo avançar.
Ele não deveria. Um salto forte só é possível a partir de um chão sólido.
Então, aquilo surgiu como uma medida temporária para acalmar a impaciência de Vlad.
"Eu ensinei o básico, e você já está fazendo isso!"
Antes que percebesse, ele estava roubando e usando algo que não era seu.
Estava aprendendo e usando coisas que não lhe haviam sido ensinadas.
Isso não deveria ter acontecido.
Um mestre atônito, uma multidão maravilhada, uma mulher preocupada.
"..."
Até mesmo Josef, que havia escolhido uma derrota certa em prol do resultado esperado.
No silêncio carregado pelas razões de cada um, dentro do salão, apenas o som do choque de espadas podia ser ouvido.
Clang-!
A espada do garoto, fina como um fio, embora perdendo o corte, estava cheia de firme determinação.
Eu vou avançar.
Em direção àquelas coisas brilhantes que não me eram permitidas.
"…"
Pablo permaneceu em silêncio enquanto observava o garoto dar um passo após o outro em sua direção.
Poderia ter acabado a qualquer momento, mas não acabou.
A oscilação que o garoto demonstrava ainda estava misturada com intenção.
Clang-Clang-Clang.
E a espada chorava.
Pablo observava a espada do garoto, ouvindo seu choro, mais claro por estar mais próximo.
"Não pode ser."
Ele não tinha certeza, mas era um pressentimento.
Não esperava que despertasse ali, mas às vezes sementes jovens criam raízes onde não deveriam.
E se aquilo que ele pensava fosse correto.
"Venha!"
Pablo precisava cumprir seu dever como cavaleiro.
Porque havia jurado fazê-lo.
Determinado, Pablo desferiu sua espada contra Vlad com toda a força.
Não foi um golpe para subjugar o garoto.
Foi para encará-lo.
O mundo do garoto acabara de florescer.
Desde o momento em que ouviu o choro da espada, a ideia de um duelo havia desaparecido da mente de Pablo.
O que ele estava prestes a fazer era dever de cavaleiro, e honra.
"Pare!"
A espada do garoto gritava a cada golpe descendente do cavaleiro.
Faíscas pingavam dela a cada contra-ataque do garoto.
"O que é isso?"
"A espada está brilhando?"
Enquanto a multidão observava atônita, um brilho tênue emanava da espada do garoto.
Uma espada reluzente.
Sabendo o que aquilo significava, os cavaleiros começaram a se levantar lentamente.
Zayar, o mestre de Vlad.
Duncan, o velho cavaleiro ensanguentado.
Colin, que havia acabado de provar a derrota.
"Acho que ele não é comum..."
E até mesmo Jubert, que dera início a toda aquela confusão.
Todos, amigos e inimigos.
Porque todos eram cavaleiros.
Valorizavam aquilo.
O arrastar das cadeiras enquanto os cavaleiros as afastavam se misturou ao som de espada contra espada.
A espada do garoto estava brilhando.
Estava prestes a adquirir sua própria cor.
Tudo o que é jovem e inocente neste mundo merece florescer.
Possibilidade é algo belo, e aqueles que conseguem expressá-la em seu próprio mundo são preciosos.
Por isso é preciso proteger o momento.
Porque é isso que significa ser um cavaleiro.
"Escudo! Tragam meu escudo!"
Pablo gritou com urgência ao finalmente perceber a luz que emanava do garoto.
Atendendo ao grito urgente, seu escudeiro pegou o escudo e o lançou para a arena.
"Venha!"
Pablo de Arnstein.
Clang!
Sua espada e escudo colidiram com um som estrondoso.
Um brilho amarelo vibrante começou a envolver seu corpo, partindo de seu olho esquerdo fechado.
"Eu sou Pablo de Arnstein!"
O grito de Pablo ecoou pelo salão.
Para que todos os presentes ouvissem.
Ele havia olhado para o garoto e dito que ele não era digno.
Este campo não é honroso, e isto não é um duelo.
Por isso não quis dizer seu nome.
"Diga-me seu nome, garoto!"
Mas agora, com o escudo erguido, gritou seu nome em alta voz.
Para um garoto tão digno quanto ele, que agora se tornara honrado o suficiente.
"Eu sou..."
Em sua mente desfocada, Vlad caminhou por uma memória que se apagava.
Por becos escuros, além de uma forja com uma estrela brilhante à frente.
Por sua própria casa, agora destruída, até um lugar antes repleto de coisas brilhantes.
Um caminho, uma diferença.
Ao longo dele, luz e escuridão se separavam.
Separar oportunidade de acaso.
Onde você nasce, escolhe sua vida.
Eu percorri esse caminho.
Uma criança entrou em um lugar onde nunca estivera antes.
Em direção ao lugar brilhante.
Um garoto que nasceu onde não merecia estar, mas caminha para onde reluz.
Ele provou seu valor.
Então ele grita.
"Eu sou Vlad de Shoara!"

Com um pequeno grito do garoto, a espada começou a se envolver em luz.
Enquanto os mundos portadores de espadas observavam, uma nova flor floresceu.
"...!"
A chuva caiu do céu pelo garoto.
[Kura: Um detalhe muito legal, é que no Manhwa, não temos essa parte da serpente invocando a chuva de uma forma detalhada assim. Só falam que a safra melhorou do nada.]
Embora a jovem semente estivesse enraizada em uma lama venenosa e imunda, nunca deixou de olhar para cima, nunca deixou de alcançar as estrelas.
Por isso pode crescer em direção à luz aqui e agora.
"Venha! Vlad de Shoara!"
Um brilho intenso começou a preencher o salão, criado pela colisão do mundo recém-desabrochado com o mundo sólido.
Com aquela luz, uma única flor finalmente floresceu.
As raízes da flor que o garoto criou eram de um branco intenso.
O caule da flor que ele criou era de um verde flexível.
E a cor das pétalas da flor do garoto era.
"Haaaaah!"
O azul da lua minguante.
A luz azul do luar filtrou-se através da aura criada por Pablo.
O garoto que tomou honra emprestada fez a lua se erguer hoje.
Vlad de Shoara.
Um novo mundo floresceu hoje.
✦ ✦ ✦
"Obrigado."
Pablo disse, envolvendo o garoto com os braços.
Voltado para o garoto cujos olhos, ainda que esbranquiçados, não haviam soltado a espada até o fim.
Sangue vermelho escorria pela ponta da espada do garoto enquanto ele se agarrava a ela para salvar a própria vida.
Uma homenagem ao garoto que acabara de despertar para o mundo, para aqueles que entendiam.
Aqueles que não entendiam apenas começaram a comentar sobre a espada que subitamente brilhara.
"Isso é... aura!"
Endre gritou, os olhos fixos no garoto à sua frente, avançando para o centro do salão.
"Não é permitido usar aura em duelo! Vlad de Shoara está desqualificado!"
Homens movidos pelo lucro veem uma bela flor diante de si e pensam no fruto que ela dará quando murchar.
A aparência de Endre combinava com alguém digno da lei.
Ao grito de Endre, algumas pessoas que começavam a compreender assentiram.
"Aura, é aura."
"O escudeiro foi capaz de usar aura?"
"Um escudeiro de Bayezid, sim. Agora que penso, a cor da armadura que ele usa é..."
Quando perceberam a identidade do brilho que emanava da espada do garoto, ergueu-se um leve murmúrio debatendo o que haviam visto.
"..."
Um homem desceu silenciosamente.
Embora não dissesse uma palavra, todos os presentes voltaram a atenção para ele.
Sua presença era forte, e ele a merecia.
Josef, da família Bayezid.
Um homem de sangue nobre colocou-se diante do cavaleiro que trouxera seu escudeiro.
"Obrigado."
Ele curvou-se profundamente em gratidão.
"Agradeço por cumprir seu dever como cavaleiro perante meu escudeiro."
"Foi apenas meu dever."
Entregando Vlad a Zayar, que o seguira, Pablo curvou-se em uníssono com Josef.
"Sacerdote."
Depois de agradecer a Pablo por ter feito o possível para quebrar a casca de Vlad, Josef virou a cabeça e falou calmamente ao sacerdote.
"Foi aura?"
"Foi, sim."
À resposta do sacerdote, Josef assentiu com rigidez.
Desqualificado, então.
Já que as regras daquele duelo proibiam o uso de aura ou evitar matar.
Mas...
"Então deixe-me fazer mais uma pergunta."
Josef perguntou, lançando olhos frios ao usurpador babante sentado à sua frente.
"Qual é o conceito superior, as regras do Duelo Sagrado ou a disciplina do Mestre da Espada?"
"...Oh, sim."
O sacerdote suspirou, tocando a testa como se soubesse o que estava por vir pela pergunta de Josef.
Mestre da Espada.
Um título honroso que apenas um pode portar, reconhecido há séculos.
E com esse título honroso vinha uma disciplina que apenas um homem na história da humanidade carregou.
Era uma disciplina que todos os cavaleiros devem seguir.
"Não cabe a mim decidir... aqui e agora."
O sacerdote que presidia o duelo ergueu as mãos em rendição.
"A disciplina de um Mestre da Espada é honra e dever, e também implica realeza. É uma área que eu, como seguidor da Vontade Divina, não ouso decidir."
"...É mesmo?"
Josef sorriu diante da resposta do sacerdote.
Então era assim.
"Endre Hainal."
Endre, com uma expressão sutil de que as coisas estavam prestes a se tornar estranhas, respondeu ao chamado de Josef.
"O que está acontecendo?"
Josef pensou enquanto encarava Endre, que o olhava confuso.
Eu pedi tempo, e você criou uma oportunidade.
Pedi que escolhesse o menor de dois males, e você me trouxe o segundo melhor.
Então aproveitarei a oportunidade que você me deu.
"O duelo está suspenso."
Antes mesmo de Josef terminar, rachaduras começaram a se formar no rosto de Endre como barro seco.
Suspenso.
Uma palavra que não era desqualificação, nem derrota, muito menos desistência.
Josef agora dizia que adiaria o resultado do duelo.
"Mas que diabos."
"Disciplina e regras."
Disse o homem de olhos escuros com um sorriso tão escuro quanto as sombras.
"Ninguém aqui pode dizer o que tem precedência, e acredito que devo relatar o ocorrido à capital, onde residem a Santa Sé e a família real."
Pablo ergueu seu escudo por vontade própria para cumprir seu dever como cavaleiro.
Desde o momento em que ergueu o escudo, o que acontecia ali não era mais um duelo honroso.
A disciplina do Mestre da Espada.
Pablo jurou segui-la para se tornar um cavaleiro, e hoje ajudou a despertar um novo mundo como alguém já pretendia há muito tempo.
Honra ou dever.
Ninguém ali pode responder isso.
Os nobres que podem responder a essa pergunta não estão ali, mas na capital imperial de Brigantes.
"Até que uma decisão clara seja tomada lá, proponho que o resultado de hoje fique suspenso."
Endre permaneceu de pé, a boca aberta, incrédulo.
Não importa mais o que saia daquela boca.
Porque Josef não tinha a menor intenção de ouvir qualquer palavra que viesse dela.
Porque aquela era uma oportunidade que ninguém havia notado, e ele próprio não a previra.
✦ ✦ ✦
Tudo o que é jovem e inocente neste mundo merece florescer.
Possibilidade é algo belo, e aqueles que conseguem expressá-la em seu próprio mundo são preciosos.
Todos aqueles que portam as espadas da honra.
Jurem em meu nome.
Que cumprirão seu dever.
Como Mestre da Espada, e rei fundador...
... Eu, 'Frausen,' declaro esta como minha primeira disciplina.
Traduzido por Moonlight Valley
Link para o servidor no Discord
Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.
Apoie a Novel Mania
Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.
Novas traduções
Novels originais
Experiência sem anúncios