Sessão 4
Capítulo 35: Uma Estrela Chamada Oportunidade
Alicia Hainal.
Filha de um antigo senhor, dotada de uma legitimidade sem precedentes em relação a Endre, que nascera de uma concubina.
Seu sangue também a ligava aos Shazad, uma família do centro do país.
O sangue Shazad, que remontava à avó materna de Alicia, significava um laço inquebrável de confiança entre as duas famílias.
Mas o conceito de política, como praticado pela nobreza, era algo além da humanidade.
Porque o sangue deles era azul.
"Declare!"
Shazad decidiu que o ganho imediato era mais importante do que o sangue distante.
Endre havia prometido.
Porque dissera que entregaria coisas que nenhum vassalo prudente ousaria prometer.
Shazad aceitou a proposta e entregou o cavaleiro desonrado a Alicia.
Alicia foi enganada, e Bayezid foi ridicularizada.
O confronto não foi honroso.
"...Ainda não acabou."
E no meio desse campo de batalha desonroso, onde todos haviam se calado, houve um que se ergueu em silêncio.
Josef, da família Bayezid.
Um jovem que, sem intenção, tornara-se o representante do Norte neste duelo manchado pelas casas do Centro.
Ele se levantou pesadamente.
"Solicito um breve adiamento para que possamos discutir esta situação entre nós."
Sua voz não era alta, mas suficiente para cortar o silêncio do salão.
Compreendendo a ira nas palavras de Josef, o sacerdote apenas enxugou o suor da testa, impotente.
"Assim seja."
"Obrigado, sacerdote."
Os olhos de Josef, ardendo com um brilho sombrio, buscaram alguém.
Um homem lá embaixo, com olhar determinado.
Endre Hainal.
"O cavaleiro do lado de Alicia se retirou, Lorde Josef, e embora eu compreenda seus sentimentos, este duelo terminou!"
"Tem certeza de que este é um duelo honroso?"
As brasas haviam esfriado, mas ainda guardavam calor por dentro.
Agora era a voz de Josef.
"Não pretendo simplesmente aceitar o resultado que vocês decidiram."
"..."
A declaração firme de Josef deve ter atingido um ponto sensível.
Aquele momento marcava o início de um confronto entre o Centro e o Norte que até então passara despercebido.
"Como posso convencê-lo...?"
Com a vitória próxima, Endre gritou triunfante, mas seu ímpeto enfraqueceu.
Porque viu algo ardendo nos olhos sombreados do homem à sua frente.
"Bayezid..."
A palavra ecoou na mente de Endre enquanto encarava os olhos negros como azeviche de Josef.
O Norte deve pagar.
Seja com honra ou com desonra.
"Acelerar o duelo."
Josef pensou.
O melhor tornara-se impossível, mas o pior precisava ser evitado.
"Não permitirei que a honra de Alicia seja manchada por esse ato desonesto."
Uma honra que nem sequer podia ser provada.
Era uma desgraça que não podia ser descrita apenas com a palavra desonra.
Portanto, Josef escolheu encerrar o duelo aqui e agora, de um modo ou de outro.
Uma interrupção desajeitada seria fatal, e um duelo inconcluso arruinaria Alicia de forma irreparável.
Nesse ponto, apenas uma derrota absoluta poderia evitar um resultado ainda pior.
Só então seria possível planejar o futuro.
"...Há mais alguém que deseje representar Sir Jubert? Se houver, aceitarei o pedido."
Josef virou a cabeça ao ouvir as palavras do sacerdote para olhar Alicia, mas ela apenas segurava o peito ofegante, pálida.
Mal conseguindo se manter, Alicia acabara de sofrer um golpe severo.
Se terminasse assim, ela nem sequer poderia provar sua honra.
"Alguém..."
Josef pensou enquanto olhava para a atônita Alicia.
Ainda bem.
Eu não escrevi isso, mas aceitei de bom grado.
"Tenho um substituto."
Um duelo é algo honroso.
Portanto, apenas aqueles que provaram ser dignos ou a quem uma pessoa honrada confiou essa honra podem pisar em um campo de batalha honroso.
"Quem é?"
Eu falo em nome do honrado.
Quem, então, empunhará a espada por mim?
"..."
Josef ficou imóvel, passando a mão pelo rosto, e olhou para seu escudeiro, Vlad.
Ele estava assentindo.
"Bayezid colocará um novo duelista no lugar de Jubert da família Shazad, que decidiu se retirar."
As pessoas não puderam deixar de ficar perplexas com as palavras de Josef.
Quem ele enviaria numa situação dessas?
"Eu, Josef da família Bayezid, um guerreiro honrado, nomeio para defender a honra da Lady Alicia..."
Josef parou no ponto mais alto, em vez de Alicia.
Seu dedo apontou para alguém.
"Vlad de Shoara."
"...!"
Em silêncio atônito.
Todos os presentes viraram a cabeça para seguir o dedo de Josef.
Uma figura à qual ninguém prestara atenção, que ninguém sequer havia considerado.
O único homem que, portanto, podia entrar no campo de batalha de forma honrosa.
Vlad de Shoara, escudeiro do cavaleiro Zayar.
"Uh..."
O garoto loiro para quem Josef apontava apenas piscou, sem saber o que fazer.
O garoto estava no ponto exato onde o Centro e o Norte se encontravam.
Vlad confirmou sua identidade, levando Endre a protestar furiosamente contra a aparente injustiça.
"Ele não é cavaleiro, não merece isso!"
"Duelo honroso não é exclusivo de cavaleiros; qualquer um capaz de empunhar uma espada pode participar."
"O oponente é um cavaleiro! Colocar um escudeiro contra um cavaleiro é uma desonra a Arnstein!"
"Você!"
Josef bateu o pé, cortando as palavras de Endre, e cuspiu palavras ardendo de fúria.
"Você fez isso pensando na honra de Bayezid?"
O senhor inclinou a cabeça; o usurpador salivava de ganância.
"Você zomba de Bayezid com águas tão rasas!"
Apenas Josef, da prestigiosa família Bayezid do Norte, podia manter-se ereto e orgulhoso. Seu sangue era o mais honrado.
"Eu garanto a honra dele!"
E ele estava mais do que qualificado para garantir a honra de qualquer um.
"Eu o substituirei, por favor, aceitem."
"Uh, um…"
Josef não estava errado. Se ele garantisse, até mesmo um simples escudeiro poderia desafiar para um duelo.
"De acordo?"
Endre lançou um olhar rápido aos cavaleiros atrás de si, então assentiu como se pouco importasse.
"Se é isso que deseja fazer, eu compreendo."
O que um simples escudeiro poderia fazer? Mesmo que o rapaz fosse cavaleiro, Pablo de Arnstein não era alguém fácil de enfrentar.
"Aceitamos sua proposta, Lorde Josef."
"Então, que o duelo comece."
O campo já era desigual, mas Josef acabara de incliná-lo ainda mais. Uma pequena torção, executada por um jovem chamado Vlad, mas suficiente.
Ele não buscava vitória desde o início.
"Eu só preciso ganhar tempo."
Josef viera a Deomar para garantir algo seguro. Um homem chamado Josef de Bayezid sempre estava preparado para o pior.
Ele só podia esperar que o garoto resistisse.
"Hmm. Hmm. Mmm."
[Acalme-se, Vlad.]
Vlad tentou se manter calmo diante da situação repentina, mas não era fácil.
"Agora, eu preciso duelar?"
"Sim."
"E contra um cavaleiro?"
"Sim. Respire e se acalme."
Zayar ajustava a armadura de Vlad, tornando-a o mais firme possível. As pessoas não conseguiam tirar os olhos de Vlad — um cavaleiro desempenhando deveres de escudeiro era uma visão incomum.
"Eu não… vou morrer, certo?"
"No pior dos casos, eu intervenho."
"E qual é o pior dos casos?"
"…"
Vlad firmou a espada enquanto observava Zayar ajustar as correias de sua armadura sem responder. Ele sempre fizera isso, mas no fim parecia que só podia contar consigo mesmo.
"Vlad."
"Lorde Josef."
Josef, que descera do assento elevado, forçou-se a controlar a respiração agitada e abraçou Vlad.
"Oh-oh-oh… Lorde Josef. Não precisa fazer tudo isso."
"Dê-me dez minutos."
"O quê…?"
Para os outros, parecia que ele estava encorajando seu escudeiro a enfrentar o campo de batalha cruel, mas havia um diálogo secreto entre eles.
"Eu já tinha um plano desde o início. Já dei ordens a Vordan."
"Dez minutos… Isso será suficiente?"
Vlad sabia. Josef não era um homem que agisse por impulso em um acesso de raiva.
"É melhor se você resistir."
Ao ouvir a resposta de Josef, Vlad virou a cabeça e olhou ao redor. Não havia sinal do cavaleiro velho, gordo e sempre depreciado.
"Entenda, eu lhe devo algo."
"A quem?"
Em vez de responder à pergunta de Josef, Vlad fixou os olhos na mulher sentada sozinha no ponto mais alto.
Ele cruzou o olhar com os olhos marejados dela, que piscavam incessantemente.
"Eu farei o meu melhor para resistir por dez minutos, se conseguir."
"Tenha cuidado."
Era uma resposta fora de contexto, mas sabendo que Vlad frequentemente falava sozinho, Josef apenas assentiu.
Isso é pesado demais para ele. Ele tem motivos para estar nervoso.
Vlad inclinou levemente a cabeça em direção à mulher de cabelo água-marinha, com os olhos brilhando em lágrimas.
"…"
Ele se arrependia de tê-la confundido com uma criada e de ter invadido o túmulo de seus pais.
E agradecia por ela não ter dito nada.
Então, farei o melhor que puder.
"Representantes de ambos os lados, aproximem-se!"
O que importa para um cavaleiro são primeiro as ordens de seu senhor, depois sua própria honra. Vlad aceitou o peso de cumprir as ordens de Josef e defender a honra de Alicia.
"Após…"
Com passos vacilantes, o garoto, carregando uma honra brilhante, ainda que emprestada, entrou no campo de batalha.
Todos o observavam — aliados, inimigos e até os não envolvidos.
O mundo observava o garoto.
"Sou Vlad de Shoara."
Vlad de Shoara.
Um nome escrito no mundo por um sacerdote fiel, com a permissão de Deus.
O garoto ofereceu seu nome ao mundo por sua própria vontade.
Hoje, o garoto merecia brilhar.
Porque, pela primeira vez na vida, empunhava a espada por alguém além de si mesmo.
Traduzido por Moonlight Valley
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