Sessão 4
Capítulo 33: Que o Embate Comece
Vlad caminhou rente à parede, passando a mão sobre ela.
Ele fechou os olhos e sentiu as vibrações ásperas sob as pontas dos dedos.
Então, aguçou a audição como se estivesse tentando captar algo.
"..."
Audição aguçada.
Vlad estava procurando alguma coisa, utilizando aquele sentido que Jorge havia reconhecido.
Um som, o ruído de alguém se movendo rapidamente.
Onde os outros cavaleiros estavam.
E como estavam se aquecendo.
"Lá estão."
Assim como Alicia Hainal reunirá três cavaleiros para defender sua honra, Endre, que a acusara de infidelidade, usara suas conexões para reuni-los também.
Um prelúdio para um duelo de honra, usando conexões e influência.
E ali, do outro lado da parede, fora de seu alcance, estavam os homens que decidiriam tudo.
"Pegue isso!"
Vlad saltou para cima, agarrando a borda da parede com as mãos.
Três metros pareciam uma altura intransponível, mas para Vlad, paredes não existiam.
Cuidadosamente, e para que ninguém o ouvisse.
Com aquela sensação que tinha quando roubava dos outros.
Vlad saltou por cima da parede com a agilidade de um gato ladrão, caminhando pelo jardim com uma expressão indiferente.
Se alguém olhasse, pareceria que ele estivera ali o tempo todo.
Clang-Clang
"Ali."
Vlad seguiu o som de armas se chocando.
Josef instruíra Vlad a ver os rostos dos cavaleiros presentes ali.
Embora Vlad tivesse sido o primeiro a ouvir o pedido, não tinha intenção de desobedecer às ordens de Josef.
Na verdade, ele queria vê-los.
Vlad podia contar nos dedos de uma mão o número de cavaleiros que tinha visto na vida.
Jorge, Cavaleiro das prostitutas.
Godin, Cavaleiro da Lua Azul.
Zayar, o Caolho.
'Sir Vordan também é um cavaleiro.'
Vlad, que de mais de uma forma estava ligado aos cavaleiros, ansiava por vislumbrar o mundo que admirava.
Era um hábito de infância seguir coisas brilhantes.
"Hmm."
Vlad decidiu não se aproximar demais, não confiando que pudesse enganar os sentidos dos cavaleiros.
Apenas usou sua visão natural para observá-los à distância.
Seria suficiente ver e perceber algo, como Josef havia dito.
À sua frente, dois cavaleiros cruzavam espadas.
Não violentamente, mas com movimentos suficientes ao menos para aquecer o corpo.
Estavam ocupados se preparando para o duelo do dia seguinte.
"Montante."
O primeiro cavaleiro que Vlad viu era um homem enorme, empunhando uma montante quase do tamanho dele mesmo.
Tinha pele escura, embora não tanto quanto Otar, e parecia ao menos mestiço.
Mesmo à distância, o ímpeto da montante era palpável.
"Espada e escudo."
E o cavaleiro diante dele.
O cavaleiro de pele escura, brandindo sua espada com toda a força que podia reunir, mantinha-se firme na defesa, constantemente aparando a montante e avançando.
Até mesmo aos olhos inexperientes de Vlad, o cavaleiro parecia ter vantagem no jogo de escudo.
"Não parece fácil atravessar, parece?"
"...!"
Vlad saltou ao ouvir a voz ao seu lado.
"Quem..."
"Shhh!"
Alguém rapidamente colocou a mão sobre a boca de Vlad.
Sem tempo para protestar, Vlad foi imediatamente silenciado e arregalou os olhos para seu captor.
"Veio até aqui para ser pego?"
Era um homem com bigode curvado.
Tinha um sorriso amigável no rosto, mas Vlad estava suando frio.
"Que velocidade!"
Ele não conseguia escapar da mão que acabara de fechar sua boca.
Tinha sido subjugado num instante.
"Parece que você sabe bem o que está procurando, mas vamos assistir em silêncio."
Disse o homem de bigode, com um brilho travesso nos olhos.
"Escudeiro de Sir Zayar."
"...Quem é você?"
O homem não respondeu à pergunta de Vlad, apenas puxou um pequeno fruto seco do peito e o entregou a ele.
"Vamos comer e assistir. Um bom espetáculo precisa de comida."
"..."
Vlad não teve escolha senão aceitar os frutos secos que o homem oferecia.
Ele não sabia o que mais fazer.
Não havia como escapar daquele homem.
Olhando para o homem que bloqueava tão habilmente todas as rotas de fuga, Vlad percebeu que não haveria saída fácil.
Ao menos não sem a permissão dele.
[Mal sinto qualquer malícia nele, o que significa que não tem más intenções. Não se alarme.]
A voz tinha uma qualidade difícil de discernir, então Vlad decidiu esperar e observar.
"Pegue algo caro..."
"Hmph. Dinheiro é o que você faz dele."
O homem de bigode curvado entregou a Vlad outro pedaço de fruto seco, satisfeito por ele ter a audácia de falar apesar de estar dominado.
"Você é tão forte quanto ouvi dizer."
"Quer dizer Sir Colin?"
Vlad não o tinha visto pessoalmente, mas Josef lhe contara breves detalhes.
"Para alguém chamado Javali da Região Central. Se ele te pega, seus ossos se quebram."
"Concordo."
Vlad decidiu que poderia muito bem socá-lo, já que não podia escapar.
Se fosse fazer algo, faria com as próprias mãos.
"Acho que o cavaleiro com quem ele está lidando é o mais forte."
"Ah. Pablo."
O homem de bigode respondeu, mastigando o fruto seco.
"Um cavaleiro de Arnstein, uma família promissora do centro do país, não é o meu tipo favorito de cavaleiro."
"Por quê?"
O homem sorriu para Vlad, que de repente se sentiu um pouco mais à vontade.
"Porque ele é entediante. É defensivo."
"Ah."
A família Arnstein era conhecida por seus cavaleiros formarem uma formação fechada, criando uma muralha, e o cavaleiro Pablo certamente possuía essa característica.
"Dou crédito ao jogo de escudo dele. Ele consegue parar qualquer coisa no caminho."
"Hmm."
Seja lá quem for esse sujeito, ele fala demais.
Talvez seja apenas sortudo.
"E o outro cara? Tem mais um?"
Internamente, Vlad esperava descobrir sobre o outro por meio dele.
"..."
Antes que percebesse, o homem de bigode já havia desaparecido.
[Ele desapareceu assim como chegou.]
"Merda."
E então sumiu, como o vento, sem deixar vestígios.
Sentindo perigo, Vlad conseguiu se mover rapidamente para o lado, embora não tão rápido quanto o homem que havia desaparecido sem deixar rastro.
Refazendo seus passos, Vlad saltou a alta muralha e conseguiu retornar à área designada para Alicia.
"Por que há tantos monstros no mundo..."
Mal conseguindo voltar, Vlad se encostou na parede e suspirou.
Era um suspiro de alívio por não ter sido pego, mas também de frustração ao se deparar novamente com a enorme muralha à sua frente.
"Ele era um cavaleiro, não era?"
[De fato, era um cavaleiro, não um mago.]
Muito provavelmente era um cavaleiro, porque se não fosse, seria uma habilidade inexplicável.
"É isso que é preciso para ser um cavaleiro?"
[Sir Vordan é um cavaleiro.]
"Não..."
Vlad, de algum modo drenado de forças, apenas apoiou a parte de trás da cabeça contra a parede, em vez de responder ao absurdo da voz.
"Nem todos os cavaleiros são iguais."
Não era desrespeito a Vordan, mas o garoto tinha um objetivo claro.
O Cavaleiro da Lua.
Quando ainda era um sapo no fundo do poço, recém-saído de Shoara, era um objetivo que certamente superaria, mas a partir do momento em que pisou na luz, Vlad passou a ter consciência do próprio lugar.
Sabendo onde estava, Vlad chutou o vazio inutilmente enquanto contemplava um objetivo que mal ousava pronunciar.
A doçura das nozes ainda em sua boca era desnecessária.
✦ ✦ ✦
Ao meio-dia do dia seguinte.
Embora de tamanho modesto, o salão central da mansão Hainal rivalizava com o de qualquer outra casa nobre.
As pessoas se reuniam em massa.
Cavaleiros com espadas, escudeiros com cavaleiros, e sacerdotes.
E dois Hainal.
Alicia Hainal e Endre Hainal.
Antes tio e sobrinha, mas agora um grande e irreparável abismo se erguia entre eles.
Um ímpeto suave, porém feroz, se formava entre os grupos, divididos exatamente ao meio ao redor dos dois Hainal.
Um duelo de honra, mas com tudo em jogo.
Era o ímpeto de guerreiros prestes a duelar.
"É impressionante."
"Sim."
Até mesmo Vlad, acostumado a testemunhar o poder de Zayar, sentiu um formigamento nervoso que nunca tinha sentido antes, e seus olhos se tornaram ferozes contra sua vontade.
"Veja só. Um duelo de verdadeiros cavaleiros não é algo que se vê todo dia."
"Sim."
"E…"
Em instantes, Zayar duelaria em nome de Josef e Alicia, mas havia apenas um vislumbre de calma no único olho que lhe restava.
"Não sei o que aconteceu ontem, mas não se esqueça de que você ainda é uma criança."
"…"
"Um moleque começa andando. Não correndo."
O mundo é grande, e você é pequeno.
Vlad, que havia visto, sentido e experimentado o intocável, tornava-se impaciente.
É talentoso, mas ainda não lapidado.
Com aspirações elevadas e uma longa estrada pela frente, as palavras de Zayar tocaram uma corda sensível no fundo de si.
"Entendo."
"Nada neste mundo é fácil."
Depois de dizer o que Vlad precisava ouvir naquele momento, ainda que brevemente, Zayar ajustou seu tapa-olho uma última vez e se levantou.
"Vá."
"Ok."
Tendo cumprido todos os seus deveres como escudeiro, Vlad posicionou-se atrás de Zayar e aguardou.
"Alicia Hainal, por favor, entre!"
A porta do vestíbulo começou a se abrir, acompanhada pela voz de um homem idoso que não podia ser identificado como servo ou mordomo.
"Pensando bem, nunca a vi antes."
Ele estava com Josef, um alto nobre, mas Vlad era apenas um escudeiro.
Nem sequer tinha conhecido Peter, o chefe da família Bayezid a quem servia, então não era estranho não ter visto Alicia Hainal, a senhora de Deomar.
Dizem que ela é jovem.
Jovem e bonita, além de mulher e baronesa.
Tudo nela era suficiente para despertar a curiosidade de Vlad, que já tinha idade.
"Todos, preparem-se!"
Uma mulher vestida com trajes ornamentados entrou no salão, escoltada por Duncan, o cavaleiro idoso que, desta vez, enfrentaria Zayar no duelo de honra.
As figuras do lado de Endre no salão simplesmente não se curvaram, mas aqueles que estavam ao lado dela eram esperados fazê-lo, pois ela era a senhora da terra.
Vlad estava prestes a se curvar também.
"..."
Seus olhares se cruzaram.
Com seus cabelos azul-marinho.
A mulher de cabelos azul-marinho que acompanhava Duncan.
Sua expressão, severa e fria, parecia distante demais para ser a mesma pessoa que ele vira naquele dia.
[Agora há uma acusação adicional por insultar um nobre.]
"..."
O olhar de Alicia Hainal pousou por um momento sobre Vlad, que permanecia rígido, sem ousar abaixar a cabeça.
Aqueles grandes olhos se fixaram por um instante na figura do garoto loiro, então passaram por ele, aparentemente indiferentes.
Ela seguiu em direção à única cadeira do salão.
Ao assento do senhor, onde apenas uma pessoa podia se sentar, no ponto mais alto do local.
Vlad observava, perplexo.
E sentiu o olhar feroz de Endre.
Sob a atenção de todos os presentes, a mulher de cabelos azul-marinho tomou seu lugar onde deveria estar.
"Agora que todas as partes do duelo chegaram, vamos prosseguir!"
Começando com as palavras do sacerdote que fora especialmente convidado do centro para aquele duelo.
"Os deuses contemplam este lugar, e o sol nascente de hoje é prova disso!"
As portas do salão se fecharam.
O duelo com tudo em jogo estava prestes a começar.
Um duelo honroso, porém brutal.
Traduzido por Moonlight Valley
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