Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 4

Capítulo 32: Os Espíritos Estão Mais Perto do Que Imaginamos

Tudo o que resta são memórias.

Talvez seja por isso que sejamos tão obcecados em deixar marcas.

Se você olhar para os vestígios deixados, como cicatrizes, vai se lembrar daquele dia.

Mas o garoto não conseguia formar uma única memória do nome de sua mãe.

Então continue esquecendo.

"Eu queria que minha mãe tivesse feito algo assim."

[...]

Uma colina isolada acessível apenas pela mansão.

Ao pé da árvore da qual se dizia que vozes eram lembradas, estão enterrados os túmulos da família Heinal.

Parecia um lugar improvável, mas o garoto precisava vir.

Porque era um contrato.

"..."

Olhando para as fileiras de lápides brancas, o garoto pensou em sua mãe.

A mulher que o havia protegido sozinha no perigo dos becos sucumbiu.

Era um destino predestinado, o início de outra tragédia.

Talvez a tragédia mais triste do mundo seja a realidade de passar veneno aos próprios filhos.

O garoto de olhos azuis cresceu ingerindo um veneno que as lágrimas de sua mãe não puderam lavar.

"Deve ser difícil."

A lápide branca mais próxima.

Parecia a mais recente de todas ali, e estava coberta por folhas espalhadas pelo chão.

"…"

Por algum motivo, o garoto ergueu a palma da mão e a passou sobre a lápide.

A cada movimento, a pedra parecia revelar-se e expor um nome esquecido.

"É cortesia básica cumprimentar os donos da terra."

[Eu não disse nada.]

Sentindo um frio desnecessário, Vlad deu uma desculpa pelo que acabara de fazer, mas a voz compreendeu.

Todos nós temos momentos em que de repente sentimos vontade de fazer algo fora do lugar.

"Então, eu vou rezar."

[Hmm.]

"Bem, você também não vai conseguir cavaleiros para olharem para você."

[Obrigado.]

Vlad desembainhou sua espada, como fizera ao rezar com Riemann, e apontou-a diretamente para as árvores na colina.

Uma brisa suave de primavera bagunçou os cabelos loiros do garoto.

As lápides brancas devolveram o olhar à oração do garoto, mas Vlad permaneceu em silêncio.

Embora ciente de possíveis olhares indiscretos, Vlad tropeçou nas palavras que aprendera com o jovem sacerdote.

Era uma oração para alguém de quem se lembrara ao ver aquele lugar.

[...]

A voz benevolente contemplava a árvore de sua memória.

Havia coisas flutuando no ar.

Acho que a árvore era menor naquela época.

Foi quando.

Sinto que vim com alguém.

Quem era.

Não lembro.

A voz fazia parecer que agora estava preso em uma névoa densa.

Ele lutava para encontrar a borda da memória que parecia estar logo ali.

[…Posso pegar seu corpo emprestado por um momento?]

"Só um momento."

E, em vez de recuperar suas próprias memórias, pôde sentir a voz olhando através dele por uma névoa tênue.

Havia algo diante dele.

"Então."

Vlad relaxou todo o corpo como de costume, fechou o olho direito e abriu o esquerdo.

Logo sua visão começou a desfocar, e ele entrou na sensação de observar a si mesmo.

[Hmm.]

Não seu próprio mundo, mas o mundo visto pelos olhos de outro.

"…O-O que é aquilo?"

[Parece que me reconhece.]

Havia algo visível através dele.

Uma colina isolada, árvores cercando as lápides.

Um benefício fácil.

E havia algo enorme enrolado na árvore.

Era uma gigantesca serpente branca pura, irradiando uma luz brilhante.

[Um espírito.]

"..."

Olhando para a serpente, grande como uma árvore, Vlad apenas tentou manter a compostura.

Seus lábios estavam secos.

"Ultimamente, tenho visto coisas estranhas demais."

Vlad engoliu em seco, com o coração batendo diferente de quando viu o verme gigante.

Elementais não eram permitidos em seu mundo.

Mas agora ele estava vendo um, através do mundo da voz.

Talvez a intenção de Josef de mostrar o vasto mundo a Vlad agora fizesse mais sentido.

"Acho que ela está olhando para mim."

[Está olhando para mim dentro de você.]

Uma serpente branca, enrolada na árvore, observando Vlad.

Era tão grande quanto a árvore em que se apoiava, o que tornava a cena quase irreal.

"..."

Mas Vlad não sentia pressão alguma ao encarar a serpente que exalava presença colossal.

Talvez fosse isso que a serpente branca quisesse.

"Ela está descendo?"

[Não acho que vá morder.]

Lentamente, desceu da árvore, roçando nas lápides.

Sssss...

A serpente aproximou-se devagar.

Mas mesmo vendo algo desconhecido e enorme, Vlad não sentia ameaça alguma.

Não vai me ferir.

Os olhos brilhantes da serpente lhe asseguravam isso.

As pupilas arredondadas eram como as de um chefe de família acolhendo um visitante.

A serpente branca se aproximou.

Seus olhares se encontraram.

A árvore que abraçava as lápides sacudiu seus galhos.

A colina encheu-se de calor, como uma brisa primaveril.

Era um mundo maravilhoso.

"Quem é você?"

Mas então ouviu uma voz atrás de si.

"Hã?"

O som de alguém chamando fez Vlad parar e abrir o olho direito.

Desapareceu.

E, assim, estava de volta ao seu próprio mundo.

"Hã?"

A serpente branca que há pouco preenchia sua visão dispersou-se como fumaça.

Com um simples piscar, o mundo da voz desapareceu sem deixar vestígios.

De volta ao seu próprio mundo, Vlad sentiu como se tivesse sonhado.

"Quem é você? Este é um lugar onde ninguém que não pertença à Casa Heinal deveria estar."

"..."

Vlad virou-se, esfregando o olho esquerdo, que ainda se recusava a focar.

"Hmm."

[Hmm.]

Na borda de sua visão ainda desfocada estava uma jovem mulher.

Ela tinha cabelos cor de água-marinha.

Uma mulher de beleza tão impressionante que até Vlad, acostumado a ver cortesãs belas a vida toda, soltou um leve suspiro de admiração.

"Se não responder, vou chamar alguém."

"Oh, eu sou..."

Vlad ainda tentava decidir o que dizer; sua mente não havia se reorganizado completamente.

Normalmente, as desculpas fluíam dele como ouro líquido, mas acabara de ver algo incompreensível e precisava de tempo para organizar os pensamentos.

"..."

E sua expressão acabou colocando-o naturalmente no papel de um garoto inexperiente com os costumes do mundo.

A cor bonita do cabelo, o rosto amigável e o comportamento aparentemente inocente, ainda que involuntário, fizeram a mulher de cabelos água-marinha baixar a guarda um pouco.

"Desculpe."

Vlad pensou.

Certamente era descortês fazer aquilo, parado ao lado dos túmulos de nobres.

Se aquela mulher dissesse algo errado, Josef poderia se meter em problemas.

Se ela perguntasse por que ele fizera aquilo, ele não teria uma boa resposta.

"Posso ajudar em algo?"

"Sim?"

"Você não é uma serva aqui, cuidando do túmulo?"

Então Vlad decidiu tentar silenciá-la.

Fazendo-lhe um pequeno favor.

Os olhos de Alicia se arregalaram diante das palavras de Vlad.

Foi um choque.

A primeira vez em sua vida.

'Como se atreve!'

Como membro honorária da família nobre e agora chefe da família, o que Vlad fazia naquele momento beirava o desrespeito.

Mas o perspicaz Vlad tinha um bom motivo para seu comportamento.

Ou melhor, era tão perspicaz que interpretou errado.

Alicia vestia roupas simples de serva.

Em cada mão carregava um balde e ferramentas para limpar as lápides.

De fato, como Vlad dissera, ela estava ali para cuidar dos túmulos dos pais.

Era um dos poucos momentos em que Alicia, sem ter a quem recorrer, podia encontrar consolo.

Por isso, suas roupas não poderiam ser mais enganosas.

"Na verdade, eu já limpei um pouco antes; as folhas estavam acumulando."

"Você limpou...?"

Ao ouvir que Vlad havia limpado um pouco a lápide de seus pais, Alicia não pôde deixar de conter a raiva por um instante.

Por que alguém sem vínculo algum com seus pais limparia o túmulo deles?

"Senti que era cortesia básica cumprimentar os donos da terra."

"Ah..."

Alicia assentiu involuntariamente ao ouvir as palavras de Vlad.

A aura que o garoto exalava era bastante nobre, e a presença da identificação que carregava acrescentava credibilidade.

Além disso, por algum motivo, a colina parecia especialmente acolhedora naquele dia.

Alicia confundiu aquele conforto com algo vindo do garoto.

"Deixe-me ajudar."

"Hã?"

Alicia segurou o próprio balde e olhou confusa para Vlad enquanto ele subia na base da lápide.

O garoto loiro arrancava ervas daninhas e polia a pedra com habilidade, como se já tivesse trabalhado ali muitas vezes.

Alicia não conseguiu conter um pequeno riso ao vê-lo exagerar os gestos, como se quisesse mostrar que estava se esforçando.

"Então me faça um favor; pode manter silêncio sobre hoje? Vou apanhar se Sir Zayar descobrir o que aconteceu."

"Eu vi você polindo..."

Vlad franziu a testa ao ver Alicia virar o rosto.

"Coisas boas nem sempre são fáceis."

Vlad estava acostumado a viver cercado por cortesãs deslumbrantes e a ver Madame Marcella todos os dias, então a presença de Alicia não o impressionava.

Ele apenas esperava que Josef e Zayar jamais descobrissem os acontecimentos de hoje, então limpava as lápides diligentemente.

Os métodos dos becos já não funcionavam.

Ao menos não em plena luz do dia.

"Não contarei."

"Muito obrigado."

Diferente de Vlad, que se contorcia por dentro, Alicia o observava com uma sensação nova.

O fato de ele não demonstrar qualquer tipo de bajulação.

Até mesmo o incidente constrangedor de tê-la confundido com uma serva.

Esse homem, Vlad, era um tipo de pessoa que Alicia jamais tinha encontrado antes.

"...."

Observando as costas do estranho garoto enquanto limpava em silêncio a lápide de seus pais, a expressão de Alicia suavizou.

Na colina onde fora buscar consolo, Alicia conseguiu liberar a ansiedade que vinha acumulando há tanto tempo.

O cabelo loiro do garoto brilhava suavemente sob o sol do entardecer.

Era uma cor maravilhosa.

✦  ✦  ✦

Ao descerem a colina no crepúsculo, Vlad sentiu subitamente como se alguém o chamasse e virou-se.

"....?"

Mas não havia nada além das lápides impecavelmente polidas e da árvore que parecia sempre ter estado ali.

Se Vlad tivesse olhado através do mundo da voz, e não de seu próprio mundo, teria visto uma paisagem diferente.

Só porque não se pode ver, não significa que não exista.

Assim como memórias que não são visíveis continuam existindo no coração.

Ssssss.

Uma serpente branca enrolada na árvore.

E vaga-lumes cintilantes, iluminando a encosta escura, aproximavam-se furtivamente da serpente.

Em outro mundo, naquela noite, pequenas estrelas brilhavam nas colinas escuras, não no céu noturno.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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