Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 4

Capítulo 31: Nem Todas as Portas Estão Abertas

"Ela está esperando lá dentro."

"Estou pronto."

Josef e os cavaleiros entram seguindo a orientação dos guardas.

"Você pode esperar aqui."

"...Tudo bem."

Mas Vlad, o escudeiro, não pôde entrar com eles.

"..."

A porta do salão se fecha junto ao manto ondulante de Josef.

Aquele lugar ainda não era um espaço permitido a Vlad.

Como sempre, apenas pequenas coisas eram permitidas ao garoto.

'É uma continuação do tédio.'

Ele não sabia quanto tempo a conversa lá dentro iria durar, mas Vlad não tinha escolha a não ser esperar ali.

Não poder usar seu próprio tempo como quiser.

Essa era a tristeza inevitável daqueles que estavam presos a algum lugar.

'Vamos dar uma olhada ao redor.'

O garoto, que quase se deixou afundar em um sentimento melancólico por um momento, balançou a cabeça e deixou que sua curiosidade pelo novo lugar viesse à tona.

Mesmo estando preso, ainda seria possível observar o que estivesse por perto.

Uns dez passos?

Ao entrar em um lugar desconhecido, Vlad sempre investigava ao redor.

Mais precisamente, era o hábito de procurar uma rota de fuga, um comportamento que vinha do instinto de um marginal de beco que precisava cuidar da própria vida a qualquer hora e em qualquer lugar.

'É menor que a mansão dos Bayezid.'

Como sentira desde o momento em que entrou, a mansão de Deomar era pequena e parecia antiga.

Talvez fosse errado compará-la à mansão de uma poderosa família condal, mas mesmo no julgamento de Vlad, que vivera nos becos, aquela não era uma mansão grande.

Embora não parecesse assim à primeira vista por estar bem organizada, dava a sensação de que poderia rapidamente se tornar uma bela casa abandonada se a manutenção fosse negligenciada por pouco que fosse.

'Acho que não é só isso.'

Mas era visível aos olhos de Vlad.

Poeira acumulada em cada canto do corredor.

Como se indicasse um período extremamente turbulento, rachaduras se espalhavam lentamente em lugares que o olhar comum não alcançaria.

"Hmm."

"..."

Vlad calculou aproximadamente o raio de movimentação permitido com base nas tossidas do servo que aguardava com ele e, a partir daí, começou a se familiarizar com o ambiente caminhando dentro do espaço que lhe era permitido.

Os corredores eram estreitos e sinuosos, fáceis de se perder.

Observando o papel de parede com cores diferentes aqui e ali, parecia que algo como molduras havia sido removido recentemente.

Pelo modo como a velha criada resmungava enquanto levantava o balde, parecia que funcionários haviam sido dispensados há pouco tempo.

'Parece que não têm dinheiro.'

Por meio de detalhes que só eram perceptíveis para quem olhasse com atenção, Vlad conseguiu captar um pouco da situação ali.

Esse território, famoso por seus limões, atualmente enfrentava problemas financeiros.

'Não será só perda de tempo?'

Ele não conhecia a história completa, já que não lhe haviam explicado em detalhes, mas ao menos o fato de Josef ter vindo pessoalmente significava que havia algo a ser obtido.

Algo que ele poderia relatar ao pai, Peter Bayezid, e usar para construir seu próprio prestígio.

No entanto, da perspectiva de Vlad, parecia difícil conseguir ao menos uma moeda de ouro reluzente dali.

'Ele que se vire.'

Afinal, ele era apenas uma semente.

Embora estivessem no mesmo barco, seus papéis eram completamente diferentes, então não havia motivo para se preocupar com aquilo.

Ainda que não tivesse o direito de se importar.

Enquanto vagava por um tempo para aliviar o tédio.

[hum-hum-hum-]

A espada em sua cintura chamou Vlad com um som curto.

"hmm."

Vlad virou a cabeça rapidamente para ver se alguém o estava observando e, ao confirmar que não havia ninguém além do servo, segurou o cabo da espada com naturalidade.

No momento em que tocou a espada simples, sem ornamentos, para ouvir a voz que só podia ser ouvida ao segurá-la.

[Acho que me lembro de ter vindo aqui.]

"...oh."

Vlad soltou uma curta exclamação sem perceber.

✦  ✦  ✦

"Muito obrigada por ter vindo até aqui, Lorde Josef Bayezid."

"O chamado do sangue é mais importante do que qualquer coisa. Se é uma crise para parentes legítimos de sangue, então é claro que devemos responder."

Uma mulher sentada no lugar mais elevado daquele salão.

"..."

Uma jovem mulher de cabelos tristes, cor de água-marinha, aguardava Josef sentada na cadeira reservada apenas ao chefe da família.

Embora fosse jovem e bela, as roupas que vestia pareciam pesadas e o assento em que estava sentada parecia um fardo — uma sensação que provavelmente não era apenas de Josef.

"Por favor, dê meus cumprimentos à Lady Oksana também."

"Certamente."

Eles compartilhavam sangue entre si.

Embora fossem mais que primos de oitavo grau pelo lado materno, Alicia e Josef tinham esse tipo de relação.

Era uma relação que, se distante, era distante, e se próxima, não tão próxima — mas se o que cada um desejava fosse o mesmo e houvesse algo a oferecer, isso não passava de uma justificativa suficiente.

"Meu pai, o Conde Bayezid, já deu permissão. O que resta é apenas a decisão de Alicia."

Assim que a breve formalidade terminou, Alicia fechou os olhos por um momento ao ver Josef ir direto ao ponto.

Os cílios trêmulos pareciam mais escuros hoje.

"..."

Responsabilidade, medo, receio de um futuro incerto.

Enquanto Alicia tremia lentamente pressionada por tudo isso, o velho cavaleiro ao seu lado segurou silenciosamente sua mão.

"...Eu já decidi."

Mesmo quando todos lhe viraram as costas, Alicia fortaleceu sua determinação ao olhar para o velho cavaleiro que lhe entregara sua espada.

Eu sou a dona deste lugar.

Preciso encontrar meu lugar.

"Será como o Conde deseja."

"Obrigado."

Josef inclinou a cabeça e sorriu diante das palavras de Alicia.

Com isso, poderia dar o primeiro passo rumo ao que havia planejado.

"Se a vitória no duelo me for concedida."

No entanto, a mulher de cabelos azul-claros era firme.

Naquela situação em que tudo ainda era apenas uma promessa, ela não havia recebido nada em troca.

"Claro."

Josef respondeu à observação quase histérica de Alicia apenas com um sorriso tranquilo.

"A espada da família Bayezid sempre promete vitória. Alicia."

Com as palavras de Josef, o cavaleiro de um olho só colocou silenciosamente a espada à frente.

"..."

Observando o velho cavaleiro que protegia a mulher.

Embora lhe restasse apenas um olho, a energia contida nele tinha força para esmagar centenas.

O cavaleiro prometia vitória pela força.

Um cavaleiro que deseja proteger e um cavaleiro que deseja tomar.

Um jovem que precisa fazer uma promessa a uma mulher que terá de entregar.

No maior salão daquela mansão, os olhares de quatro pessoas se entrelaçaram de maneira intrincada.

✦  ✦  ✦

"Acho que não podemos subestimá-la."

"Ela parecia instável, mas manteve o equilíbrio. Dá para ver o temperamento de uma líder."

"É o que parece."

Enquanto caminhava pelo corredor, Josef refletia sobre o encontro com Alicia.

Pelo pedido de ajuda urgente, pensaram que ela já estivesse encurralada, mas ela não soltou a iniciativa até o fim.

Significava que não havia desistido.

"Ainda assim, nossas ações não mudarão."

Josef disse, olhando para Vordan, que o acompanhava em silêncio.

"Prepare-se para o caso de algo acontecer, como planejado."

"Sim. Lorde Josef."

Há utilidade para todos.

Esse também era o motivo de Josef carregar Vordan, que ainda não era nem meia espada.

Quando Zayar abriu a porta da sala preparada para Josef, Vlad estava ali, sozinho, esperando seus companheiros.

"Já voltaram?"

"Sim. Deve ter sido entediante."

Josef sentou-se em uma cadeira da sala e soltou um longo suspiro.

"Estou cansado."

Ao dizer isso, uma sombra escura estava assentada sob seus olhos.

Foi uma viagem de mais de uma semana e, além disso, enfrentou Alicia sem tempo para descansar.

Era uma situação bastante dura para Josef, de corpo frágil, então agora era hora de se estabilizar.

"Vlad."

"Sim, Josef."

No entanto, o motivo de terem vindo de Sturma até Deomar era obter lucro.

Agora que os benefícios pretendidos haviam sido confirmados na conversa anterior, era hora de cuidar dos ganhos menores também.

"Você pode se mover livremente a partir de agora."

"Sozinho?"

"Sim. Pode levar o tal Gott com você."

Josef instruiu Vlad a circular o mais livremente possível dentro do permitido e ver o máximo de coisas que pudesse.

"Claro, no dia do duelo você terá de auxiliar Zayar."

"Bem, seria bom se dissesse isso."

Josef ficou pensativo ao observar o garoto coçar a cabeça como se não entendesse muito bem a ordem.

Um garoto vestindo a armadura que seu pai lhe deu por cima das roupas que sua mãe lhe deu.

Josef abriu a boca enquanto olhava para o garoto que não hesitava em depositar expectativas nos donos da família Bayezid.

"Quanto menos eu me mover, melhor. Não há nobres de alto escalão aqui que eu precise conhecer, e todos estão me observando."

Deomar era a cidade da família Hainal, mas considerando apenas o status, ninguém ali poderia se comparar a Josef, o filho legítimo da família Bayezid.

Na verdade, todos ali provavelmente estavam mais ávidos para conhecer Josef do que Alicia.

Do ponto de vista de Josef, sendo fraco, isso não era apenas inútil, mas inconveniente.

"Pense no motivo de eu ter trazido você aqui. Você ainda não sabe montar um cavalo."

"..."

Havia um bom motivo para Josef ter tirado Vlad do treinamento.

Ele ainda tinha muito a aprender.

"O duelo de honra é um espetáculo difícil de presenciar se você não for vê-lo de perto. Além disso, o duelo de honra que ocorrerá em Deomar desta vez é uma luta em grupo, não um combate individual."

Normalmente, um duelo de honra significava dois espadachins escolhidos por cada representante se enfrentando, mas também havia casos em que era realizado como combate em grupo, como no presente caso.

Um julgamento ocorrido dentro da própria família, repleto de suspeitas e sem provas concretas.

Além disso, sendo um duelo onde tudo estava em jogo, os dois Hainal decidiram adotar o mesmo método para superar essa situação complicada.

"Há cavaleiros com origens tão diversas aqui em Deomar. Você deve sentir o que sentir ao vê-los."

"Entendido."

Era óbvio que mostrar uma vez seria mais marcante do que explicar dez vezes.

Já que havia decidido criá-lo adequadamente, Josef achava desejável expandir o mundo de Vlad por meio de várias experiências, se possível.

"Você precisa se aquecer e treinar à noite, então não vá por aí apanhar como um idiota."

"...Não sou tão idiota assim."

Se Josef era a cenoura, Zayar era o chicote.

Era um aviso para não agir de forma imprudente, mas inevitavelmente sempre havia um espinho nas palavras de Zayar.

"Não. Você já perdeu a confiança em mim."

"..."

Vlad abaixou a cabeça, parecendo abatido pela crítica, mas Zayar ficou chocado ao vê-lo assim.

'Quando ele abaixa a cabeça desse jeito, eu fico sem ter o que dizer.'

Zayar sabia.

Mesmo que o garoto à sua frente fingisse estar assustado, na realidade não havia nada de errado.

A pressão de Zayar faria outros escudeiros chorarem, mas Vlad apenas a aceitava e compreendia.

Ameaças falsas não tinham efeito sobre esse garoto.

"Muito bem. Reporte-se a mim todas as noites e, se notar qualquer movimento incomum, me avise imediatamente."

"Sim. Lorde Josef."

Depois de especificar as instruções para Vlad, Josef lhe disse para voltar ao quarto e descansar, já que estava ficando tarde.

"..."

Vlad saiu da sala, deixando para trás o olhar desaprovador de Zayar.

Caminhando pelo corredor desconhecido em direção aos aposentos dos servos, Vlad parou por um momento.

Uma lua brilhante iluminava o corredor pela janela.

Seguindo a luz com o olhar, havia uma colina baixa acessível apenas pelo interior da mansão.

[Lembro-me daquela árvore.]

No topo da colina havia uma árvore de galhos finos e secos.

Uma voz pobre, que nem sabia de quem era, dizia que se lembrava daquela árvore sob o luar.

Era primavera plena, mas as noites ainda eram frias.

Mas, por algum motivo, Vlad se sentia aquecido ao olhar para a árvore naquela colina.

Os galhos balançando ao vento pareciam acenar para ele.

"Acho que preciso de um lugar para rezar depois de tanto tempo."

O garoto firmou um contrato, tendo a lua daquela noite como testemunha.

Você me dá uma espada

Eu lhe dou memórias.

Até agora ele só havia recebido.

Agora era a sua vez de retribuir.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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