Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 3

Capítulo 30: Dragrões Existem no Sul

Uma mansão branca cercada por uma floresta.

Atrás da velha mansão, uma colina escura erguia-se à distância.

Uma única árvore e muitas lápides.

A brisa da primavera roçou suavemente os cabelos da mulher, mas ela permaneceu imóvel.

"..."

Sentada ao lado de uma pequena lápide, puxou os joelhos para perto do corpo e fitou silenciosamente a mansão.

O lugar onde nasceu e foi criada.

O lugar onde deveria continuar vivendo.

E o lugar que deveria ter sido seu.

A mulher encarava a mansão.

Lágrimas se formavam em seus olhos, e sua visão começava a embaçar, mas ela não desviou o olhar.

As lágrimas não escorreram.

Ela apenas ocultou sua presença em silêncio.

Com o luto que deveria ter sido derramado.

O tempo de chorar havia terminado.

Ele chega para todos.

✦  ✦  ✦

"Oh, meu coração anda batendo fora de controle ultimamente."

Gott disse, mastigando carne seca sem necessidade ao lado de Vlad, que girava o pescoço de um lado para o outro para se aquecer.

"Não é alguma doença?"

"Não sei. Só sinto que tem algo estranho. Não consigo me concentrar, é esquisito."

"Como uma brisa de primavera."

"Talvez porque faz um tempo que não saio."

Perguntas sem sinceridade, respostas sem sinceridade.

Mas não importava.

Eles só estavam falando porque queriam mover a boca mesmo.

"Quanto falta?"

"O cocheiro disse que mais três dias."

"Mas não é você o cocheiro?"

"Sou o assistente do cocheiro."

Apesar de viajarem de carruagem, era uma jornada tediosamente longa para um jovem em pleno vigor.

"Aí vamos nós!"

"Estamos partindo. Capitão."

"Uh-oh."

Vlad se levantou do assento, fazendo um barulho que só um idoso faria.

"Mas não posso pegar um pedaço daquele presunto, ou seja lá o que for?"

"Não, esse é meu."

Gott sussurrou para Vlad, mas ele simplesmente se afastou sem olhar para trás.

"Por isso eu disse pra ter dado uma mordida quando ainda não era meu."

Diante da resposta de Vlad, Gott soltou a amargura do peito junto com a carne seca que mastigava.

O vento estava quente, e o tempo, ensolarado.

O grupo seguia para o sul ao longo da primavera.

✦  ✦  ✦

Cidade de Deomar.

A única cidade sob o controle do domínio do Barão Hainal.

Sua localização ficava tão ao norte do centro que até Sturma, a terra natal da família Bayezid, podia ser alcançada em uma semana de carroça, com bom tempo.

"Ela é famosa pelos limões."

"Limão não é uma fruta que cresce no sul?"

"Sim, por isso mesmo eles são tão procurados."

Equilibrando-se no clima mais ao norte capaz de produzir limões, o principal negócio da cidade era a produção da fruta, e os produtos secundários feitos a partir dela também eram conhecidos.

"Eles colhem os limões quando os outros não estão vendendo e os vendem quando não há mercado. Não produzem muitos por causa do clima, mas escolhem o momento certo."

"Oh."

É assim que eles vendem.

É assim que se aumenta o valor da mesma mercadoria.

Os olhos de Vlad brilharam, e ele assentiu diante da explicação de Josef.

Estar na companhia do falante Josef era, às vezes, um desafio, mas o conhecimento e as observações que ele compartilhava eram uma grande fonte de alimento para Vlad.

"É uma ótima cidade pra nós, do norte, que nunca provamos essa fruta. Além disso, é uma das portas de entrada para o centro de tudo."

Josef observava as pontas dos dedos de Vlad enquanto cortava o presunto.

"Por isso ela é tão importante para os nortistas."

Vlad pareceu ver algo vermelho cintilar nos olhos negros de Josef.

"Já chega."

"É mais difícil do que parece porque eu estou com uma faca."

Boom.

Josef estalou a língua e virou o rosto diante da explicação de Vlad.

"Então é por isso que Sir Zayar está se movendo?"

"Isso mesmo."

Naquele momento, o grupo seguia para Deomar, a cidade do Barão Hainal.

Eles haviam recebido um convite de Alicia Hainal, a herdeira legítima da família.

"Uma crise é uma oportunidade, especialmente quando não é a sua."

Mas o convite dela, embora aparentasse ser um convite, na verdade era um pedido de ajuda.

"O mundo da nobreza é tão complicado."

"É complicado quando você o olha de forma complicada, e simples quando você o olha de forma simples."

Zayar resmungou, agarrando a fatia de presunto que finalmente lhe foi oferecida.

"No fim das contas, é só uma disputa pela terra de Deomar."

"E entre famílias que compartilham o mesmo sangue."

"É uma tradição antiga da nobreza disputar com quem tem laços de sangue."

Enquanto dizia isso, havia uma amargura difícil de esconder no rosto de Josef.

"..."

Ao ver aquela expressão, Vlad apenas se concentrou em cortar a próxima fatia de presunto.

Cada um carregava um fardo que precisava suportar sozinho.

O mesmo valia para Alicia, que havia convidado Josef para seu território.

Atualmente, ela estava no meio de uma disputa pela sucessão.

Como qualquer conflito, a disputa sucessória da família Hainal estava se transformando em uma batalha caótica e sem fim.

"Mas é raro," disse Josef, "porque é um assunto de família."

O tio de Alicia, Endre Hainal, afirmava que sua sobrinha não era filha de sangue de seu irmão, mas fruto de um caso extraconjugal.

Não se sabia se ela realmente havia nascido fora do casamento, mas o que era certo era que, se Alicia desaparecesse, ele seria o próximo Barão Hainal.

Alicia, a única filha do falecido Barão Hainal, mas com uma base frágil por ser mulher.

A única maneira de resolver os problemas iminentes era provar sua inocência em um duelo honroso organizado pela Igreja.

Mas até isso era apenas o caminho que Endre desejava que ela seguisse.

"Vou aproveitar essa oportunidade para quitar minhas dívidas com a Casa Hainal. É uma ideia com a qual meu pai concordou."

"Entendo."

Vlad olhou para Zayar através da janela da carruagem.

Um cavaleiro de tamanha reputação que Alicia Hainal o havia convidado pessoalmente para confiar-lhe sua honra.

"Isso é ótimo."

Fama e habilidade não eram necessariamente proporcionais.

Um cavaleiro que viajava muito teria mais oportunidades de construir um nome, mas um cavaleiro como Zayar, que se concentrava nos assuntos internos da família, teria menos chances.

"O que você está olhando, seu mal-educado?"

"..."

O julgamento de Zayar se distorceu mais uma vez diante do olhar suspeito que seu escudeiro lhe lançou.

"Por que você acha que só os cavalos me odeiam?"

"Só os cavalos te odeiam?"

"..."

Todo cavaleiro sabe montar um cavalo. Provavelmente não existem escudeiros que não saibam montar. Até Gott, que conduzia a carruagem à frente, sabia montar.

"Eu talvez… consiga montar um cavalo caro, talvez…"

"Sou eu quem deveria montar o cavalo caro. Eu sou mais valioso que você."

Vlad apenas pôde abaixar a cabeça em silêncio enquanto Zayar franzia o rosto, como se aquilo fosse uma justificativa válida.

Não era só porque ele não ousava encarar.

'Não entendo.'

'Meu coração está disparado como se eu tivesse corrido uma maratona.'

'É uma sensação que tenho tido muito ultimamente.'

"É por causa de todas as broncas?"

Com Josef falando sem parar à minha frente e Zayar ao meu lado, havia motivos de sobra para pensar nisso.

Pressão mental é a raiz de todos os males.

Tump, tump, tump.

Vlad respirou lenta e profundamente, tentando acalmar o coração, mas desta vez não seria fácil.

"Eh?"

E não eram só os batimentos de Vlad que faziam sons estranhos.

"O chão está tremendo."

Não apenas Vlad, mas Josef também começou a ficar rígido ao sentir as vibrações.

Não era o tipo de tremor que se sente quando se está em movimento.

Tudo ao redor estava tremendo.

"Pare!"

Do lado de fora, Zayar também sentiu algo estranho e interrompeu a marcha, olhando rapidamente ao redor.

"As árvores estão tremendo."

Vlad olhou pela janela e percebeu que as árvores ao redor estavam sacudindo.

A súbita mudança da situação fez todos prenderem a respiração.

Ddddddddddd-!

Com um rugido alto, o chão começou a tremer violentamente.

"Terremoto!"

"Todo mundo desça dos cavalos!"

"Heeeeeeeee-ing"

Os cavalos, sensíveis às fortes pancadas vindas de seus próprios cascos, começaram a empinar descontroladamente.

"Maldição!"

Vlad rapidamente envolveu Josef com os braços e chutou a porta da carruagem para abri-la enquanto o solo tremia e os cavalos se agitavam.

Vlad sentiu um grande pânico diante daquela situação inédita, mas agiu por instinto e ajudou Josef a sair da carruagem.

"Aaaah!"

"..."

Ele o envolveu com os braços e deixou que caíssem no chão.

Mas o Josef protegido permaneceu calmo, como se nada tivesse acontecido.

"Sua preocupação é admirável," ele disse, "mas não fique tão assustado."

"O quê?! É um terremoto?"

"Não, não é. Provavelmente é…"

Ddddddddddd-!

Antes que Josef pudesse terminar a frase, os tremores atingiram o auge.

O estrondo era tão forte que, mesmo parado, dava para ver a terra se erguendo do chão.

"Acabou."

"...Ufa."

Tinha durado apenas alguns minutos, mas as forças de Vlad se esgotaram, e ele rolou para o lado, afastando-se de Josef.

Tinha durado apenas alguns minutos, mas as forças de Vlad se esgotaram, e ele rolou para o lado, afastando-se de Josef.

"Eu nunca tinha sentido um terremoto antes."

"Isso não é um terremoto."

"O quê?"

Vlad soou incrédulo ao ver Josef se levantar, sacudindo a poeira como se não fosse grande coisa.

"Olha."

Vlad virou a cabeça na direção que Josef apontava.

"Hã?"

Ele conseguia ver o solo se movendo na planície distante.

Parecia uma toupeira cavando debaixo da terra.

Mas estava se movendo a uma distância enorme, então, mesmo que fosse uma toupeira, teria que ser gigantesca.

"É um verme gigante. Um resquício de um dragão caído. Eles são nativos do oeste, mas nesta época do ano seguem para o centro do país em busca de alimento."

"Um verme remanescente de um dragão caído?"

Vlad o olhou como se não entendesse nada, e Josef percebeu que lhe devia uma explicação.

Porque o garoto, uma massa de possibilidades, mas carente de tudo, era um recipiente que jamais poderia ser preenchido.

"Ele vem dos dragões. É como um terremoto, só que os humanos não podem controlá-lo."

"Dragão…"

"Tecnicamente, os restos de um dragão caído."

Com essas últimas palavras, Josef se afastou, deixando o grupo em alvoroço, conferindo seus equipamentos.

"…."

O garoto permaneceu parado, observando algo que se movia sob o solo, avançando.

Ele não conseguia deixar de observar, embora seus olhos lacrimejassem naturalmente por causa da poeira que ainda não havia baixado.

"Incrível."

Pela primeira vez em sua vida.

Algo que nunca veria se estivesse preso em um beco.

Os batimentos de Vlad desaceleraram à medida que aquilo se afastava.

O mundo do garoto estava se expandindo.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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