Sessão 3
Capítulo 29: Mostrar Valor é Algo Valioso
"O que está acontecendo...?"
O instrutor, embora não fosse um cavaleiro, era um homem experiente em muitos aspectos.
Ele havia servido à família Bayezid como cavaleiro por muitos anos, lutando e sobrevivendo a inúmeras batalhas.
Peter valorizava tanto sua experiência que lhe confiou o papel de tutor para treinar os escudeiros, e por isso ele vinha treinando os escudeiros da família Bayezid havia quase uma década.
Mas, mesmo para um homem que treinava escudeiros há tanto tempo, os eventos de hoje eram nada menos que constrangedores.
"Por que só temos isso hoje?"
O instrutor perguntou com uma voz confusa enquanto observava os escudeiros reunidos no quartel.
Ficou surpreso ao perceber que nem sequer metade deles estava presente.
Será que tinha acontecido algum acidente?
Intoxicação alimentar?
Ou uma rebelião contra mim?
Muitos pensamentos cruzaram a mente do instrutor.
"Por que vocês estão aí parados como idiotas? Não tem uma única pessoa que possa me responder?"
Ao ouvir o grito do instrutor, todos os olhares se voltaram naturalmente para um único ponto.
"Fale, Vlad."
Ali estava um garoto loiro, com o lábio rachado e vários hematomas feios espalhados pelo corpo.
"Parece que eles estão doentes."
"O quê?"
O instrutor arqueou uma sobrancelha diante da resposta pouco convincente de Vlad.
"Algo os está incomodando, e parece que não vão sair por um tempo."
O instrutor não conseguiu evitar a perplexidade diante da resposta.
"Doentes?"
Não podia ser.
Não fazia sentido que não apenas um, mas mais de uma dezena daqueles garotos indisciplinados de ontem tivessem adoecido de repente.
"..."
Sentindo que havia algo errado na resposta de Vlad, o instrutor voltou o olhar para os escudeiros reunidos.
"Nada."
Sobanin.
E nenhum dos escudeiros que costumavam estar com ele.
Os únicos vassalos reunidos ali agora eram aqueles que não eram próximos de Sobanin e os que haviam seguido os cavaleiros na última caçada a monstros.
"Eles brigaram?"
Às vezes, sim.
Quando se tem um grupo de garotos com fogo demais correndo nas veias, é normal que ocorram algumas brigas aqui e ali, e, a cada alguns anos, uma confusão grande o suficiente para ser chamada de briga generalizada.
"E eles estão bem?"
Mas desta vez era um pouco diferente.
Os homens restantes não eram exatamente problemáticos, e todos pareciam bons demais para terem se envolvido em uma luta.
Mesmo piscando várias vezes e observando com atenção, o único que parecia ferido era Vlad, o escudeiro mais novo.
"Não pode ser."
Por um instante, um pensamento cruzou a mente do instrutor.
Era a única possibilidade que explicava completamente o que estava acontecendo.
"Você fez isso sozinho...?"
[Kura: Talvez? kkkkkk]
O instrutor deixou escapar a conclusão que veio naturalmente à sua cabeça, mas a resposta que recebeu foi apenas desdenhosa.
"Hoje não tem muita gente. Podemos praticar um pouco mais de equitação?"
"Claro..."
O instrutor olhou para Vlad, que evitou a pergunta com naturalidade, e percebeu.
É você.
'E mais de uma dezena, todos sozinho.'
Isso nunca tinha acontecido antes.
Em mais de uma década, o instrutor jamais tinha visto um escudeiro enfrentar um grupo de mais de dez homens sozinho.
Isso está fora das especificações.
Ele engoliu em seco, sentindo a tensão apertar sua garganta.
"...Sim."
Diante de um garoto que sabia não conseguir controlar, tudo o que pôde fazer foi assentir.
✦ ✦ ✦
Uma reunião rotineira entre os cavaleiros aconteceu mais uma vez.
Eles se posicionaram frente a frente ao longo de um amplo tapete vermelho, com Peter sentado no assento mais alto.
Sem intenção explícita, os apoiadores de Josef estavam de frente para os de Rutger, enquanto os neutros permaneciam do outro lado.
"Reorganizamos a escala de trabalho para acomodar a ausência de Lutger e os cavaleiros que em breve partirão para uma missão."
Um cavaleiro idoso estava um degrau abaixo de Peter.
Seus cabelos e barba eram grisalhos, mas sua voz permanecia clara e firme.
De fato, os cavaleiros respondiam a cada olhar que ele lançava.
Um homem que, com a permissão de Peter, comandava todos os cavaleiros da família Bayezid.
Alguém que realmente merecia essa posição.
"Portanto, espero que reconfirmem suas atribuições."
Antalas, Capitão da Ordem de Cavaleiros da família Bayezid.
A reunião seguiu em seu ritmo.
"O próximo item da pauta é a distribuição dos artefatos sagrados enviados pela Igreja."
Antalas, com seus sentidos aguçados, percebeu uma mudança sutil no ambiente.
"Suponho que isso seja algo positivo."
Mas ele não tinha intenção de apostar nisso.
"..."
"Hmm."
O grupo de Zayar, que por algum motivo parecia relaxado, e o grupo de Rutger, que transmitia uma severidade contida.
Antalas havia notado essa guerra silenciosa de olhares, mas, dessa vez, decidiu deixar passar.
Por uma vez, achou que poderia fazer algo para elevar o moral dos cavaleiros da facção de Josef.
Embora Zayar e Vordan fossem os únicos dois cavaleiros de Josef ainda em atividade.
"Por fim, se alguém tiver alguma sugestão, fale agora."
"..."
Ao ver que o breve silêncio dos cavaleiros indicava que não havia mais nada a dizer, Antalas inclinou a cabeça em direção a Peter, sentado no assento mais alto.
"Disse tudo o que precisava ser dito."
"Bom trabalho."
A reunião havia terminado.
Restava apenas a ordem para dispersar o salão, a menos que algo mais acontecesse.
Mas, em vez da ordem que deveria seguir, instalou-se um silêncio estranho.
"...?"
No exato momento em que os cavaleiros sentiram que algo estava errado, Zayar percebeu o olhar de Peter pousando sobre ele.
Com um leve sorriso de significado desconhecido.
✦ ✦ ✦
"Sir Zayar!"
Alguém bateu em seu ombro enquanto ele atravessava a multidão de cavaleiros.
"O que foi?"
"Como se você não soubesse."
Gregory sorriu, sua barba se contorcendo em torno do rosto.
"A história já se espalhou."
"Que história?"
Vendo Zayar mexer no tapa-olho e fingir ignorância, Gregory sorriu como se não pudesse evitar.
"Dizem que o escudeiro de Sir Zayar tinha um poder incrível e derrotou todos os escudeiros sozinho."
"Ele fez isso...?"
Zayar agia com uma mistura de conhecimento e dúvida, mas Gregory não pareceu se ofender.
"Bem, acho que dessa vez vale a pena fazer alarde."
Enquanto isso, os cavaleiros que seguiam Josef pouco inflaram o peito.
O homem que serviam, Josef, não era uma figura brilhante como Rutger, e com apenas cinco cavaleiros, era difícil conquistar algo.
A maré de poder estava mudando, e tudo o que podiam fazer era suportar para sobreviver.
Mas hoje, pela primeira vez em muito tempo, eles podiam se manter firmes.
"..."
"Você trouxe um cachorro raivoso que não sabe em quem não morder."
Os cavaleiros estalaram a língua e passaram, mas Zayar apenas observou em silêncio.
Com um leve traço de desdém no rosto.
"Tenho um bom olho para pessoas. Eu disse, ele vai longe."
"Eu disse para ele dividir uma refeição ou algo assim."
"Ele é um cavaleiro e tem um bom caráter."
"É tão gentil que representa os outros."
"Você pode ir vê-lo. Embora ele possa ser um pouco difícil e desafiador."
Zayar mexeu no tapa-olho enquanto ouvia Gregory.
Zayar era um homem que raramente demonstrava alegria ou qualquer outra emoção.
Mas, mesmo sem dizer em voz alta, ele sabia que achava Vlad afortunado.
Sozinho, ele havia derrubado catorze deles, um feito que certamente faria Josef sorrir.
"Você merece isso."
Afinal, um cavaleiro do seu calibre havia trabalhado tanto que era justo receber uma recompensa.
Com esse pensamento, Zayar se dirigiu ao escritório de Josef.
✦ ✦ ✦
No estúdio de Josef, em um canto tranquilo da mansão.
Ao chegar, Zayar anunciou sua presença em voz baixa.
"Entre."
Com a permissão do dono do aposento, Zayar agarrou a maçaneta, girou-a e entrou.
"Está tudo bem?"
"Estou bem."
Ali estava Josef, com os olhos ainda mais escuros e uma aparência cansada.
No centro do cômodo, havia uma grande caixa.
"Meu pai enviou um presente para Vlad."
Percebendo o olhar atento de Zayar, Josef revelou a identidade da caixa.
"Não são amendoins de novo, né?"
"Não... Ele se lembra bem daquilo."
Tendo sido atingido uma vez por Zayar, Vlad não cometeu o mesmo erro outra vez.
Zayar naturalmente lançou um olhar desconfiado para a caixa enviada por Peter.
Vlad era alguém que não dava para pegar desprevenido.
Em mais de um sentido.
"Eu já conferi. Pode ficar tranquilo."
Aliviado pelas palavras de Josef, Zayar abriu a caixa no centro do estúdio.
"Oh..."
Enquanto a caixa era aberta, Vordan, que estava ao lado, não conseguiu conter uma pequena exclamação.
"Armadura..."
Dentro havia um conjunto de armadura meticulosamente trabalhado.
Peitoral, ombreiras, proteções para pulsos e joelhos, e até calçados.
Era uma armadura de couro fina demais para ser enviada a um simples escudeiro.
"..."
Mas, ao contrário de Vordan, que exclamava admirado, Zayar apenas observava a armadura com olhos sérios.
A luz do sol refletia no couro negro e se espelhava no olhar que Zayar lançava à armadura.
"Couro de orc."
"Não é o melhor couro, mas serve."
"Isso também é couro de orc cinzento."
"Sim..."
Zayar retirou cuidadosamente a armadura acinzentada e a examinou de perto.
Qualquer um que empunhasse uma espada se importava muito com seu equipamento.
Mas Zayar não inspecionava a armadura por mera curiosidade.
"Fazia tempo que eu não via isso."
"Imagino que você soubesse."
O que Peter havia enviado era uma armadura de orc cinzento, encontrada apenas no norte.
Por isso, armaduras feitas com couro de orc cinzento eram um símbolo dos guerreiros do Norte.
Zayar encarou a armadura com um olhar profundo.
"Onde você acha que ele notou isso?"
"Não sei. Quer capturá-lo e torturá-lo?"
"Ah!"
Vordan exclamou, finalmente entendendo a conversa.
"Então era uma armadura de orc cinzento!"
Vordan baixou a mão, como se tivesse se dado conta de algo, e se aproximou da armadura que Zayar segurava.
"Fazia muito tempo que eu não via uma. Eu via bastante quando era líder de esquadrão."
"Porque os escudeiros de hoje são todos piores do que naquela época."
Somente agora cavaleiros de todas as regiões do continente vinham atraídos pela reputação da família Bayezid, mas, em gerações anteriores, eles haviam ascendido com cavaleiros formados em casa.
Antalas, o atual líder dos cavaleiros, era alguém que havia começado do zero.
Os cavaleiros daquela época eram conhecidos entre os nortistas como a Geração Dourada da família Bayezid.
É uma história antiga agora.
"Ele conquistou a aprovação do meu pai em menos de um mês desde que chegou aqui, então diria que já provou valer o investimento."
"Sim."
Zayar respondeu, colocando cuidadosamente a armadura de volta na caixa.
"Não acho que nenhum dos escudeiros consiga se igualar a ele, pelo menos por enquanto."
"Já ouvi essa história. Já se espalhou."
Josef desviou o olhar e encarou Zayar.
Seus olhares se encontraram, e ambos sorriram espontaneamente.
Nosso julgamento não estava errado.
"Bom."
Josef abriu a última gaveta de sua mesa e retirou uma carta.
"Sofremos uma grande perda, mas não podemos deixar que isso nos detenha."
Josef abriu o envelope e entregou a carta a Zayar.
"O que é isso?"
"O próximo passo."
Lendo a carta, Zayar assentiu às palavras de Josef.
"Tudo bem. Ultimamente, isso tem se acumulado em cima de mim."
Ao ouvir as palavras de Zayar, Josef virou-se para Vordan.
"Prepare-se."
"Para onde vamos?"
Enquanto o garoto loiro da Mansão Bayezid provava seu valor, o jovem de olhos escuros também lutava para se reerguer.
E, com isso, uma carta.
Era um convite, mas também um passo rumo a uma oportunidade para Josef.
"Vamos para Deomar."
As nuvens inchadas no céu azul derivavam para o sul.
Traduzido por Moonlight Valley
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