Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 3

Capítulo 27: As Regras dos Becos Não se Aplicam

Thud-thud-thud.

O cavaleiro de um olho caminhava pelo corredor da mansão, perdido em pensamentos.

As pessoas que passavam rapidamente baixavam a cabeça, evitando contato visual com a expressão severa de Zayar.

Ele nunca foi alguém conhecido por criar um clima relaxado, mas ultimamente parecia ainda pior.

'Se ao menos alguém pudesse me dar uma ou duas mãos.'

Zayar estava passando por dias particularmente corridos.

Além de suas funções habituais de proteger Josef, ele precisava supervisionar a esgrima de Vlad e vários treinamentos. Ocasionalmente, também era chamado por Oksana para relatar as condições de Josef e de Vlad.

Era inevitável, já que um dos cinco cavaleiros sob o comando de Josef, Rodrick, havia morrido na recente batalha de subjugação, e os outros dois tinham se ferido ao proteger Josef.

Restando apenas Vordan, a responsabilidade de treinar Vlad caiu sobre Zayar. Não era uma tarefa fácil, especialmente considerando o temperamento difícil de Vlad e a necessidade de guiá-lo com cuidado.

'Criar alguém não é uma tarefa simples.'

Zayar suspirou por dentro ao pensar em Vlad.

O novo garoto loiro de quem agora era responsável não era fácil de lidar desde o início e exigia muita atenção.

'Eu deveria ter treinado ao menos um escudeiro antes.'

Enquanto caminhava pelo corredor, Zayar afrouxou o pescoço rígido, arrependendo-se de não ter preparado um sucessor mais cedo.

Mas Zayar não reclamava. Não fazia parte de sua natureza e, além disso, seu senhor, Josef, era o mais ocupado de todos.

Qualquer um que quisesse se manter acima da superfície precisava lutar.

Embora caminhasse apressado por conta de sua agenda cheia, Zayar ouviu uma voz chamando-o de longe.

"Sir Zayar, para onde está correndo com tanta pressa?"

"....isso."

Zayar reconheceu o homem acenando no fim do corredor e franziu a testa.

"Não acha que está demonstrando desprezo demais no rosto?"

"Para ser honesto, estou com bastante pressa."

"Está bem, está bem."

"Claro, se você está cuidando dos assuntos do Lorde Josef, deve estar mesmo muito ocupado."

Zayar tentou encerrar rapidamente a conversa mencionando sua falta de tempo, mas Gregory, o cavaleiro que bloqueava seu caminho, não parecia disposto a deixá-lo ir tão facilmente.

"Há algo que queira dizer?"

"Bem, apesar de ocupado, você parece bem."

"Eu disse que estou ocupado."

Zayar sentiu a frustração ferver ao ver Gregory bloqueando seu caminho em meio à correria, mas não o confrontou de forma imprudente. Gregory era um dos cavaleiros neutros.

Todos os cavaleiros da família Bayezid priorizavam as ordens do Lorde Peter, mas suas alianças políticas se dividiam entre dois caminhos principais: o filho mais velho, Rutger, ou o segundo filho, Josef.

Decidir quem seria o próximo líder e a quem apoiar era uma questão crucial.

Para ser devidamente aproveitado como cavaleiro, não bastava apenas ter habilidade; era essencial escolher bem o seu senhor.

"Um cavaleiro do calibre do Sir Zayar já deveria ter recebido e treinado um escudeiro. Honestamente, acho que já está até atrasado. É o que penso."

"..."

No entanto, o cavaleiro Gregory à sua frente não era alguém que estivesse no meio, escolhendo lados.

Era apenas tão livre e excêntrico que, mesmo entre os cavaleiros, era chamado de esquisito, e ninguém o escolhia.

"Crie bem o seu escudeiro."

"O nosso Potree já cresceu demais, até demais. Precisa perder um pouco de peso."

"O que você está tentando dizer?"

Ao ver o olhar de Zayar se aguçar, Gregory interveio rapidamente para evitar que a irritação dele aumentasse.

"Vlad, foi o nome que você disse? Aquele garoto parece bem útil."

"Ele foi escolhido pelo próprio Lorde Josef."

"Tem uma personalidade masculina e um espírito forte."

"O que você quer dizer?"

Gregory foi direto ao ponto.

"Como você sabe, se meter nos assuntos dos escudeiros é algo um pouco inadequado para cavaleiros. É apenas para evitar conflitos desnecessários."

"De fato."

Agora entendendo o que ele queria dizer, Zayar acariciou o queixo e olhou para Gregory.

"Vlad parece estar se dando bem com o nosso Potree ultimamente..."

"Aquele garoto não tem amigos. Ele vive apenas para satisfazer o próprio paladar."

"Apenas deixe os dois andarem juntos..."

Até mesmo o mais digno dos cavaleiros às vezes precisava fazer um pedido a alguém.

"Ainda assim, ele é filho do meu primo. Não posso simplesmente deixar que seja maltratado aqui. E pedir ajuda a outros não deu em nada."

"De graça?"

Entendendo em parte a pergunta de Zayar, Gregory riu e estendeu a mão.

"Se as coisas derem certo, você me deve um favor depois. Nada perigoso ou difícil."

"Hmm..."

De qualquer forma, o que Gregory pedia não era algo que Zayar precisasse fazer pessoalmente. E uma das razões de ele estar tão ocupado era justamente aquele garoto.

"Bem, vou tentar."

Zayar, que estava sem ajuda havia bastante tempo, apertou levemente a mão de Gregory sem muita hesitação.

"Mas ele não me escuta."

"Oh, ele vai se tornar alguém importante."

Foi Gregory quem riu com uma expressão exagerada diante das palavras de Zayar.

"Ele realmente não escuta."

"Uh huh. Esse garoto vai se tornar alguém grande de verdade."

Gregory, que ria de forma exagerada, agora parecia levemente surpreso.

"Bem, se ele vai se tornar um grande cavaleiro, precisa ter convicções fortes."

"Ele é só teimoso."

Os cavaleiros, que compartilharam preocupações enquanto apertavam as mãos, seguiram caminhos opostos com corações leves.

'Mas ele vai fingir que escuta, certo?'

Após se separar de Gregory, Zayar pensou consigo mesmo.

'Se não escutar, eu faço ele escutar.'

Ele lhe daria uma bela pancada, se fosse necessário. Afinal, o garoto teria que se dedicar a Josef por sete anos.

✦  ✦  ✦

"Heh!"

Vlad, que havia acabado de segurar as rédeas e estava prestes a montar, soltou um grito estranho e caiu no chão de terra.

Puhahaha-

O cavalo que o derrubara sacudiu a cabeça e começou a se agitar de forma descontrolada.

Whoa!

Calma! Calma, seu desgraçado!

Os tratadores chamados para a aula tentaram acalmá-lo, mas o cavalo estava tão assustado com algo que começou a sacudir o corpo e correr desenfreado.

"Ah, droga!"

Desviando do cavalo que erguia ameaçadoramente as patas dianteiras, Vlad rolou rapidamente para longe.

Era uma confusão, mas melhor do que levar um coice.

Heeiiing-

Assim que Vlad caiu próximo, o cavalo pareceu recuperar a calma, como se nada tivesse acontecido.

'Esse desgraçado?'

O temperamento de Vlad ferveu ao observar o cavalo, que normalmente se comportava bem até ele segurar as rédeas, agora agitado.

"Vlad! Afaste-se!"

"Instrutor, só mais uma chance..."

"Não. O cavalo se assustou. Além disso, você nunca cavalgou antes. Agora é arriscado demais."

Observando o instrutor mantê-lo afastado, Vlad murmurou xingamentos em frustração.

'Droga! Eu já deveria estar lá em cima!'

Vlad se sentiu patético e arrependido. Embora os outros talvez não entendessem, ele sabia o quão precioso era cada minuto daquele treino.

As aulas oferecidas aos escudeiros da família Bayezid envolviam apenas técnicas avançadas, coisas que dificilmente seriam ensinadas em outros lugares.

Perder uma oportunidade tão valiosa, repetidas vezes, dia após dia, fazia Vlad ferver de frustração.

'Droga!'

Cavalos, assim como a maioria dos animais, simplesmente não obedeciam a Vlad, e alguns colegas não resistiam em zombar dele.

"Achando que pode se tornar cavaleiro sem nem saber montar?"

"Ele já deveria ter aprendido o básico de equitação há muito tempo."

Alguns escudeiros que gostavam de provocá-lo andavam próximos a Sobanin. Estavam tão agrupados que Vlad ainda não podia lidar com eles.

"..."

Embora tivesse vontade de revidar imediatamente, Vlad decidiu se conter por enquanto. Era verdade que ele não havia lidado bem com o cavalo, e agir por impulso poderia causar problemas a Josef.

Ele não podia sobrecarregar Josef, o único que cuidava dele.

'Preciso me recompor.'

Em vez disso, planejou aproveitar uma oportunidade para pegá-los de surpresa e espancá-los onde ninguém soubesse.

Um punho cerrado podia transmitir intenções sem que fosse preciso dizer uma palavra.

Assim como os escudeiros que desviavam o olhar e fingiam não vê-lo.

'Mas por que eu não consigo?'

Vlad passou a mão pelos cabelos de forma rude e se sentou perto de onde os escudeiros estavam reunidos.

"Sobanin!"

"Como esperado!"

Assim que se sentou, viu Sobanin montar graciosamente um cavalo e saltar obstáculos.

Embora não quisesse admitir, ver Sobanin, que montava desde a infância, fez a frustração de Vlad ferver.

'Droga, ele monta desde criança, é óbvio que é bom nisso...'

Vlad tinha talento e confiança suficientes para liderar um grupo de mercenários, mas, diferente dos outros ali, não havia sido preparado desde pequeno.

Tudo o que esses escudeiros não tinham era experiência em combate real. Uma vez que a adquirissem, poderiam lidar facilmente com mercenários medíocres.

Exceto alguns como Potree.

"Você está bem, Vlad?"

"Não fale comigo. Quero ficar sozinho."

"Uh, tá bom."

Embora Potree tentasse confortá-lo, a resposta ríspida de Vlad o deixou constrangido, e ele não teve escolha senão voltar para o seu lugar.

'Eu ainda vou te montar.'

Vlad lançou um olhar furioso ao cavalo que o derrubara, os olhos ardendo de frustração.

Heeeying—

Sem saber que tal postura apenas deixava o cavalo ainda mais assustado.

✦  ✦  ✦

"O problema não é o cavalo."

"O quê?"

Após a aula de equitação, os escudeiros se dispersaram para fazer suas próprias coisas.

"Quero dizer, não é culpa do cavalo. Você nem conseguiu montar."

"É, isso é verdade."

Vlad seguia os tratadores enquanto eles levavam os cavalos, se perguntando se conseguiria mais uma tentativa.

"Não sou um especialista em cavalos, mas, normalmente, as pessoas ao menos conseguem subir."

"Você está discutindo comigo?"

"Não. Escuta."

Gott ergueu o balde que carregava e continuou falando.

"Os cavalos da família Bayezid são bem treinados. Eles não têm medo das pessoas."

"Mas?"

"Mas quando você se aproximou, ele entrou em pânico e disparou. Isso é estranho, independentemente da habilidade de montar. Outras pessoas também acharam estranho."

"...Droga."

Vlad relembrou cenas em sua mente.

'Porque tudo que anda sobre quatro patas me odeia.'

Já era assim há algum tempo.

Cães, gatos, pássaros.

Sem exceção, a maioria dos animais entrava em pânico quando Vlad se aproximava. A ponto de até Zemina zombar dele, dizendo que devia ter cometido algo terrivelmente errado em uma vida passada.

Para começo de conversa, para tocar algo como um gato, era preciso montar uma armadilha, capturá-lo e só então se aproximar, então não havia como refutar.

"...Parece que cavalos são iguais."

Vlad se sentiu sufocado, imaginando que até cavalos o evitavam.

Não era uma questão de gostar ou não; era algo que precisava ser feito.

"Mas eu não consegui montar o cavalo do Sir Zayar?"

Na noite em que fugiram dos mortos-vivos, Vlad lembrava claramente de ter montado o cavalo de Zayar, mesmo que Gott estivesse conduzindo.

"O Sir Zayar monta um cavalo caro, sabia?"

Quando Gott disse que, por conta do pedigree, ele não se assustaria facilmente, Vlad abaixou a cabeça novamente.

'Não posso simplesmente dizer: 'só consigo montar cavalos caros'.'

Lamentar o que não podia ser feito não resolveria nada.

De qualquer forma, o dia estava perdido.

"Vamos."

"Não vai montar hoje?"

"Perdi o interesse."

Em vez de montar um cavalo sem necessidade, Vlad decidiu que era melhor se preparar para um sparring com Zayar e voltou para o campo de treino.

Enquanto pensava em retornar, seus ouvidos captaram uma voz familiar.

"Hmm."

Ele poderia ter ignorado e seguido em frente, mas lembrou da ênfase de Jorge em prestar atenção a movimentos estranhos e decidiu seguir o som.

Perigo e ameaças sempre pareciam estar por perto.

Seguindo o som, Vlad atravessou os corredores escuros da mansão.

Thud!

Splatter!

E ali, diante dele, se desenrolava uma cena que Vlad havia visto incontáveis vezes quando vivia nos becos.

"Tenho te deixado em paz ultimamente, porco!"

"Deve estar feliz com o novo amigo."

"De qualquer forma, seus bastardos imundos brincam juntos. Sempre grudados."

Ali, cercado por Sobanin e seus seguidores, estava Potree, chorando miseravelmente.

'É isso que dá ser um frouxo.'

Um gosto amargo subiu à boca de Vlad ao ver Potree sendo espancado e chorando sem conseguir falar direito.

"...As pessoas são iguais em qualquer lugar."

Os que vivem bem e os que não vivem.

No fim, todos eram apenas pessoas que sobreviviam pisando nos mais fracos.

Vlad encostou-se na parede da mansão e fechou os olhos.

"..."

Intervir ou não?

Nos becos, era fácil decidir rapidamente.

Se alguém da família como Zemina, Harven ou Jorge estivesse sendo espancado, Vlad agiria sem hesitar, houvesse laço pessoal ou organizacional. Aquela era a regra dos becos.

Mas quem estava sendo espancado ali não era alguém ligado a ele.

Eram apenas conhecidos, na melhor das hipóteses.

"...Mas isso me faz sentir péssimo."

Normalmente, Vlad teria ido embora sem pensar duas vezes, mas agora permanecia ali, imerso em pensamentos.

Ele deveria se levantar pelos outros?

Onde ficava a linha entre os outros e ele mesmo?

E ele era alguém que deveria se levantar pelos outros?

"...É complicado."

O garoto ainda não havia percebido que, à medida que seu mundo se expandia, ele poderia abraçar mais coisas.

Enquanto os gritos tristes de Potree ecoavam ao redor, a reflexão de Vlad se aprofundava.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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