Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 3

Capítulo 26: O Poder da Carne

"Parece que estão fazendo sparring."

[Kura: Pessoal, sparring é treino, como um duelo entre o cavaleiro e escudeiro.]

Peter, caminhando pela mansão, inclinou a cabeça ao ouvir o som vindo de baixo.

"São os escudeiros?"

"Ao que parece, sim."

Ali, sob a orientação do instrutor, os escudeiros estavam reunidos, trocando golpes com espadas de madeira.

Peter costumava observar em segredo sessões de treinamento como aquelas, conduzidas por cavaleiros ou escudeiros.

Não apenas o patriarca da família, mas também um dos cavaleiros mais proeminentes que representavam o Norte, Peter Bayezid.

O fato de alguém tão renomado, que poderia ser idolatrado por qualquer um, poder observá-los a qualquer hora e em qualquer lugar era uma grande motivação para os escudeiros presentes ali.

"Vamos observar por um momento."

"Sim."

Além disso, aqueles que demonstravam desempenho excepcional durante o treinamento recebiam recompensas para elevar a moral, de modo que os cavaleiros e escudeiros da família Bayezid sempre treinavam com a mesma mentalidade de um combate real.

Tudo estava exatamente como Peter pretendia.

"É aquele garoto?"

"Ouvi dizer que ele tem cabelo loiro."

"Deve ser ele, parece não ser familiar."

Peter, que costumava verificar a situação dos treinos, estava dando atenção especial a um dos escudeiros naquele dia.

"Ele parece organizado."

Um escudeiro de cabelos loiros chamativos chamou a atenção de Peter à distância.

O garoto trazido por seu segundo filho, aquele que sempre lhe causava preocupação, estava ali.

"Patriarca, ali."

Enquanto Peter se concentrava em Vlad, seu conselheiro Lagmus sussurrou baixinho ao seu lado.

"Zayar, ao que parece."

"Ele deve estar observando em segredo, assim como nós."

Para onde Lagmus apontava, o cavaleiro caolho Zayar estava observando o garoto loiro com uma expressão séria.

"As primeiras vezes sempre nos deixam nervosos."

Peter, que sabia que aquela era a primeira vez de Zayar com um escudeiro, apenas sorriu em silêncio.

"Onde devemos olhar?"

Josef o trouxe, e Zayar está de olho nele.

"..."

"Ele parece feroz."

O garoto abaixo brandia sua espada com ferocidade contra um escudeiro quase uma cabeça mais alto do que ele.

"Ele parece desajeitado."

"É mesmo?"

Embora isso talvez não fosse perceptível aos olhos do mago Lagmus, Peter conseguia avaliar o nível de Vlad com apenas alguns golpes.

"Mas ele mostra lampejos de genialidade. Josef pode ter sido cativado."

"De fato, há algo diferente nele em comparação com aquele garoto robusto."

Feroz.

Rápido.

E decisivo.

"Admirável."

"O que o senhor quer dizer?"

Mas além do talento inato, havia outro aspecto de Vlad que Peter admirava ainda mais.

"Ele está tentando aplicar o que aprendeu, por mais desajeitado que seja."

Mesmo em meio à intensa troca de golpes, o garoto loiro se movia com confiança, antecipando os movimentos do oponente sem hesitar.

Ele tenta e desafia.

O garoto lá embaixo estava se esforçando para melhorar.

"Desajeitado."

Embora os movimentos lembrassem o jogo de pés de alguém e fossem desajeitados a ponto de parecerem risíveis, Peter estava profundamente satisfeito com a determinação do garoto em tentar.

Era o tipo de movimento que fazia alguém torcer sem nem perceber.

"Bom."

A espada de madeira do escudeiro robusto voou alto no ar.

Parecia um golpe final, mas tudo fazia parte do plano do garoto loiro.

"Acabou."

Como Peter previra, o garoto loiro já estava montado sobre o outro escudeiro, socando-o no rosto.

Após induzir um grande movimento, ele rapidamente acertou um soco no estômago.

Embora a execução fosse desajeitada, o resultado foi claro e decisivo.

"Está tudo bem bater com tanta força durante o treinamento...?"

"Deixe estar. Para se tornar um cavaleiro, é preciso ter esse nível de determinação."

[Kura: Ele vai aproveitar bem a sua “determinação” kkkkk.]

Peter interrompeu seus passos e olhou para o cavaleiro à distância.

O cavaleiro caolho, que observava seu escudeiro de longe, sorria em silêncio.

✦  ✦  ✦

Vlad era sempre o primeiro a agir.

Ele precisava descobrir e se mover mais rápido do que qualquer um para garantir a refeição de hoje.

"Pare! Chega!"

Apesar do chamado do instrutor, Vlad não parou de socar, sob o pretexto de sparring.

"Ugh..."

"Só mais uma vez, abra as pernas na minha frente como fez daquela vez."

Assim, ele decidiu agir primeiro desta vez também.

Era óbvio que agressões disfarçadas de trote aconteceriam mais cedo ou mais tarde.

O julgamento de Vlad foi quebrar o espírito deles antecipadamente, em vez de suportar passivamente ser cercado e espancado.

Do ponto de vista de Vlad, ficar parado esperando enquanto a ameaça se aproximava era praticamente suicídio.

"Responda. Droga."

"O-okay, okay."

O garoto grande não teve escolha senão responder, com um olhar aterrorizado, às ações violentas de Vlad, que haviam ultrapassado os limites.

O garoto que estava apanhando naquele momento era o mesmo que havia rido junto com Sobanin no restaurante naquele dia.

Em termos de beco, ele era como um capanga de Sobanin.

"Eu disse para parar! Está zombando de mim?"

"Me desculpa. Eu me empolguei demais."

Vlad só se afastou após a repreensão do instrutor, mas o garoto que caiu não conseguiu se levantar facilmente.

'Que tipo de olhar foi aquele?'

O que fluía dos olhos de Vlad, que acabara de rosnar para ele, era claramente sede de sangue.

Não era algo que deveria surgir em um simples sparring, e também era uma sensação crua que ele encontrava pela primeira vez na vida.

Dominado por aquele olhar intenso, o escudeiro caído não conseguiu se levantar facilmente nem mesmo fechando os olhos.

"..."

"..."

E todos os escudeiros presentes ali testemunhavam aquela cena.

Assim como no restaurante naquele dia.

Vlad se levantou de repente, foi até o lado de Sobanin e falou em voz baixa.

"Diga a ele que peço desculpas. Quando me empolgo, perco o controle."

"Seu desgraçado maluco."

Embora Vlad falasse com um sorriso, à primeira vista parecia uma brincadeira leve, mas a conversa entre os dois era extremamente sangrenta.

"E vou pedir desculpas a você antecipadamente também."

Sobanin franziu a testa e encarou Vlad em silêncio.

Embora estivesse sorrindo por fora, os olhos de Vlad cintilavam de forma sinistra.

"Você não vai parar só nisso."

"O quê?"

Sobanin ficou tenso.

Nunca havia encontrado alguém assim antes.

Embora não fosse de origem nobre, o pai de Sobanin comandava um negócio considerável, então havia muitos caras que se curvavam antes mesmo de ele tentar intimidá-los, mas esse garoto...

"Pode ficar aguardando."

Esse cara é realmente louco.

Sobanin pensou sinceramente ao ver Vlad rir.

Josef trouxe um cão raivoso dos becos.

"Se a sopa não estiver picante o suficiente, eu te chamo, aí você vem e cospe nela."

O cão raivoso riu diante dos olhos de Sobanin.

Sobanin engoliu em seco, olhando para o sorriso de Vlad.

Porque um cão raivoso não hesita em morder.

✦  ✦  ✦

"Capitão, você está bem? Os outros não têm te incomodado nem nada?"

"Estou indo muito bem ultimamente. Todo mundo se afasta de mim e até abre espaço quando eu tomo banho."

"...Isso não parece algo bom?"

Vlad deu de ombros diante do comentário de Gott.

"Bem, considerando o quanto eu tenho espancado os escudeiros..."

Gott olhou para Vlad e assentiu vigorosamente.

"Você tem derrubado três por dia, então todo mundo está te evitando como a peste..."

"É melhor atacar primeiro quando se vai lutar."

Definitivamente um sujeito de beco.

Gott pensou isso enquanto olhava para Vlad.

Logo após o incidente no restaurante, Vlad mostrou a Gott o quão rápido conseguia agir.

Vlad havia identificado os causadores de problemas entre os escudeiros, especialmente os próximos de Sobanin, e, como um lobo mirando ovelhas, foi atrás deles um a um, derrotando-os.

No banheiro, nas termas, nos corredores mal iluminados da mansão.

Qualquer escudeiro que estivesse sozinho precisava encarar o olhar intimidador de Vlad.

Jorge havia dito.

"Se você bater neles na medida certa, eles voltam rastejando."

"Isso é um crime. Bater em alguém nesse nível é crime."

"Eu já sou um criminoso. Espancar alguém é a parte mais leve. E eu bato neles de forma tão discreta que está tudo bem."

"Ah, é."

Gott assentiu enquanto ouvia as palavras de Vlad.

Apesar de tê-lo confundido inicialmente com um garoto comum por causa da convivência com seus pares, Vlad era alguém que havia sido líder de esquadrão entre mercenários endurecidos ainda antes dos 17 anos.

"Não bata neles até ficarem incapazes."

"Bem, isso depende deles."

Enquanto trocavam provocações, acabaram entrando no restaurante.

Ali, os criados fingiam não ver Vlad, e os escudeiros que já haviam apanhado não ousavam sequer olhar para ele.

"Viu? Fica tranquilo e agradável quando eles não mexem com você."

"..."

"O almoço de hoje é salsicha."

Vlad, aparentemente de bom humor ao ver carne, cantarolou enquanto pegava o prato. E havia um olhar que o observava atentamente, com um sorriso.

"Só mais uma..."

Vlad, sorrindo largamente, pediu mais salsichas no balcão, mas a criada ali era uma mulher de meia-idade robusta, com uma longa história na família Bayezid.

"Se você pegar mais, os outros não vão ter."

"Vamos, só mais uma..."

"..."

Vlad não teve escolha a não ser recuar do balcão, firmemente recusado pelo gesto da criada.

"Se não fosse pelo Lorde Josef, você já estaria estirado agora."

Apesar da aparência magra, Vlad tinha um apetite considerável. Tendo nascido em certo lugar, era natural que seus instintos estivessem profundamente enraizados.

Vlad e Gott se sentaram à mesa com expressões um tanto desapontadas depois que a negociação falhou.

"Mas, ainda assim, é melhor do que ser mercenário. Não é, Capitão?"

No momento em que pegaram os talheres e estavam prestes a levar a comida à boca.

"Oh, olá."

Alguém cumprimentou Vlad de forma desajeitada.

"...Quem é você?"

Vlad franziu levemente a testa, imaginando se aquela pessoa pretendia arrumar confusão outra vez. No entanto, o sujeito à sua frente não parecia do tipo briguento.

Baixa estatura, bochechas rechonchudas e olhos enterrados na carne, mal visíveis.

"Eu... Potree. Potree Kanoor."

Ele parecia um pouco envergonhado ao dizer isso em voz alta, e tinha a aparência de alguém que rolaria se fosse empurrado.

"Certo. O que você quer comigo, Potree?"

"Hum..."

Vlad franziu levemente as sobrancelhas.

Não era nada agradável ver o sujeito parado à sua frente, segurando a bandeja, hesitando, e pelo jeito que murmurava, parecia que levaria um bom tempo até conseguir falar.

"Ou senta ou cai fora."

"Hã?"

"Não fique parado na minha frente como se estivesse prestes a desmaiar."

As palavras de Vlad eram duras, mas Potree pareceu interpretá-las como permissão para se sentar, a julgar por sua reação. Um rubor subiu ao rosto de Potree.

"Obrigado por me deixar sentar."

"..."

A expressão de Vlad parecia dizer: 'Que tipo de cara é esse?', enquanto olhava para Potree sentado timidamente. Decidindo focar no almoço em vez de expulsar o garoto, Vlad se dedicou à comida.

"Tenho comido sozinho todo esse tempo. Na verdade, eu vinha comendo sozinho no banheiro."

"....Estou comendo agora."

Pela conversa, Vlad percebeu que Potree havia sido alvo de bullying antes mesmo da chegada dele.

"Salsichas são boas, né?"

"Só coma e cale a boca."

Mesmo assim, não havia razão para se importar.

"...Come isso também."

Vendo Vlad devorar a comida com pesar depois de enfiar a única salsicha na boca, Potree empurrou cuidadosamente sua própria salsicha para o prato de Vlad.

"O que você pensa que está fazendo?"

Vlad cobiçava tudo o que pudesse obter, mas piedade inútil e favores suspeitos eram exceção.

Mesmo assim, sob o olhar afiado de Vlad, Potree continuou falando com cautela, parecendo um atendente lidando com um cliente difícil.

"Só porque você está fazendo isso não quer dizer que eu vou..."

"Essas salsichas são fornecidas pelo meu pai."

"O quê?"

Embora Potree tivesse mostrado uma postura resignada até então, ao mencionar o pai, falou com confiança.

"Toda a carne fornecida à família Bayezid vem da nossa família Kanoor. Nossa casa trabalha com pecuária e criação há gerações."

"...Continue."

[Kura: Vlad paralisado com uma salsicha kkk.]

Por um momento, Vlad havia se esquecido.

Todos ali eram, sem exceção, filhos de famílias notáveis.

O sujeito rechonchudo à sua frente provavelmente jamais teria se aproximado dele quando Vlad ainda vivia no beco.

"Ouvi dizer que você pediu mais salsichas antes."

"Isso mesmo."

"Pois é, salsichas são conservas e, embora não sejam tão boas quanto carne seca, são muito procuradas por mercenários ricos."

"E daí?"

Com a conversa começando a perder o foco, Vlad começou a se irritar.

"Então meu pai me mandou muitas para comer."

Potree sorriu ao mencionar as salsichas e carnes curadas que o pai havia enviado para seu quarto.

"É demais para eu comer sozinho… Quer dividir um pouco?"

"..."

Vlad pensou consigo mesmo.

Talvez ele não fosse tão influente quanto o Padre Andrea, mas ainda assim não seria ruim criar algum tipo de conexão enquanto estivesse ali.

Não podia fazer nada em relação aos que já o haviam incomodado, mas conhecer pelo menos uma pessoa ali poderia ser útil no futuro.

"Tudo bem."

Como filho de uma família que fornecia grandes quantidades de carne para a casa do Conde, Potree certamente teria alguma utilidade.

Vlad pensou que não iria necessariamente ao quarto de Potree apenas por causa das salsichas.

✦  ✦  ✦

Do lado de fora do quarto de Potree.

Vlad e Gott abriram bem a boca, surpresos.

"...Por que você veio para cá?"

"Para virar escudeiro."

"...Só escudeiro, nem mesmo cavaleiro?"

"É. Que tipo de cavaleiro eu seria? Meu pai também não esperava muito. Ele só queria que eu fizesse alguns contatos aqui e depois voltasse."

Potree riu de forma constrangida, admitindo que não tinha dado muito certo, mas Vlad e Gott não conseguiam sequer ver o sorriso dele.

O quarto estava repleto de salsichas vermelhas e carnes curadas, mas não havia nenhum traço de um cavaleiro. Vlad soltou uma risada sem graça ao olhar em volta.

Esse cara realmente não pertence a este lugar.

"....Quer comer junto a partir de amanhã?"

"Sério? Você vai se juntar a mim?"

Nesse caso, não havia motivo para recusar.

Vlad olhou ao redor para as salsichas penduradas por toda parte como se fossem decorações, com os olhos brilhando.

"É só trazer salsichas."

As salsichas de Potree não eram o tipo de coisa que alguém se arrependeria de comer, em mais de um sentido.

[Kura: Oi?]

 

Traduzido por Moonlight Valley

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