Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 3

Capítulo 24: Memorizando a Mansão

Na manhã seguinte ao acordo selado com Vlad.

Josef dirigiu-se à sala de jantar, seguindo a tradição da família Bayezid de passar ao menos uma manhã juntos.

Uma longa mesa de jantar, cuidadosamente preparada com uma toalha branca.

Mas os itens sobre ela não tinham nenhum significado especial para uma manhã na casa de um grande nobre.

"Vamos comer."

O café da manhã na casa Bayezid começava com uma oração.

Começando pelo chefe da família, Peter.

Rutger, o filho mais velho.

O segundo filho, Josef, junto de sua mãe, Oksana, a segunda esposa do conde.

Toda a família reunida, e ainda assim, apenas o som dos talheres se chocando podia ser ouvido.

"Trouxe itens sagrados. O sacerdote os abençoou."

No silêncio que se abateu sobre a mesa, o Conde Peter virou-se para seu filho mais velho, Rutger.

"Leve-os com você nesta missão."

"Confio mais na minha espada do que na bênção de outra pessoa, pai."

"Que assim seja."

O tom confiante de Rutger, como irmão mais velho, fez Josef encolher.

Embora Rutger não tivesse essa intenção.

"..."

E havia a mulher, que olhava com pena para Josef, que só podia recuar naturalmente.

"Josef," disse ela, "tome o remédio depois do café. É bom para o seu tornozelo."

"Obrigado, mãe."

Para o irmão mais velho, relíquias sagradas para afastar ameaças.

E para ele, o remédio necessário para suas feridas.

"…"

Josef sempre tentou ser grande, mas um sentimento profundo de inferioridade vinha apertando sua alma ao longo dos anos.

Um pai tentando cuidar de seus filhos.

Uma mãe olhando para o filho que se encolhia.

E irmãos que não conseguiam deixar de se comparar constantemente.

Apenas o silêncio frio escondia esses sentimentos complicados.

✦  ✦  ✦

Depois de um café da manhã longo e silencioso.

Josef apressou-se para seu escritório.

No caminho, sua mãe lhe ofereceu uma xícara de chá, mas o abraço dela era tão quente e reconfortante que, uma vez dentro dele, era difícil escapar.

Josef era um homem que não podia parar.

Ele precisava correr o mais rápido possível.

A luz do sol da manhã atravessava o corredor de mármore branco.

Mas não iluminava cada centímetro do corredor.

"..."

Toda vez que passava por um ponto escuro, intocado pela luz do sol, a expressão de Josef se endurecia.

Os venenos que fervilhavam dentro dele naturalmente enrijeciam seu rosto.

Mas ao chegar à porta de seu escritório.

"Eh?"

Em vez de rigidez, Josef mostrou uma expressão confusa.

"Que idiota!"

Alguém gritou lá de dentro.

"O que foi isso?"

Josef girou o corpo e abriu a maçaneta da porta de seu escritório.

Dentro, ele viu o sol brilhante da manhã e as pessoas que o aguardavam.

"Bem-vindo, Lorde Josef."

"Senhor. O senhor está aqui?"

Havia Vlad, com a cabeça sendo segurada por Zayar, e a figura de Gott, encolhido como uma tartaruga diante da cena sangrenta.

"Por que você está sendo contido de novo?"

Assim que os viu, Josef sentiu que as emoções estranhas que se agitavam dentro dele se acalmaram.

Calma.

E confiança.

Era isso que as pessoas ali lhe davam.

"Hah…"

Com um longo suspiro, como se as palavras mal conseguissem escapar, Zayar apontou para uma caixa sobre a mesa de Josef.

"Essa caixa… Lorde Rutger a enviou."

"Meu irmão?"

Rutger e Josef tinham o mesmo pai, mas mães diferentes.

Seus gostos eram completamente opostos, e ambos almejavam se tornar o próximo Conde Bayezid, então, embora fossem parentes, não eram próximos a ponto de trocar presentes.

Além disso, ele não havia sido especialmente comunicativo durante o café da manhã.

"O que está acontecendo?"

Vlad começou a assentir enquanto Josef balançava a cabeça e lia a carta de Rutger que estava na caixa.

"…Sim."

Por fim entendendo a situação, Josef fechou cuidadosamente a carta de Rutger.

"É seu. Pode comer."

"...Desculpa?"

"Você consegue fazer isso em dez minutos?"

O que Rutger havia enviado era uma caixa cheia de amendoins.

Josef virou-se para Zayar, e seu cavaleiro fiel assentiu.

"Vou dar uma volta pelo quarteirão."

Josef voltou seus passos e saiu do escritório.

"Que tipo de idiota faz algo só porque alguém mandou!"

Quando a porta começou a se fechar, um rugido ecoou de dentro dela.

"Eu não comi nada porque você disse para não comer."

"Foi isso que eu disse?"

"Eu fiz o que você mandou!"

"Desde quando você me obedece tão bem assim?!"

Ouvindo as vozes atrás de si, Josef se afastou em silêncio.

"Será que já é hora das flores florescerem?"

Mesmo na escuridão sem luz solar, Josef conseguiu sorrir.

✦  ✦  ✦

"A partir de hoje, você será um tratador de cavalos. Vai cuidar dos cavalos dos meus cavaleiros e pertencerá à minha mãe, a Condessa Oksana, como trabalhador."

"Obrigado, Lorde Josef!"

O desejo de Gott foi realizado.

Em troca de uma grande soma em ouro, ele foi contratado como servo da família Bayezid.

"Eu vou dar o meu melhor!"

"Você pode ir."

Gott, agora com um trabalho estável, confortável e bem pago, deixou o escritório com um sorriso no rosto.

Provavelmente por ter sido contratado pelo próprio Josef, ninguém se atreveria a intimidá-lo.

Ainda assim, ele estava com fome e olhou para o garoto loiro.

"Você ainda não acabou."

Embora estivesse contrariado no momento pelo erro ridículo que cometeu ontem, Vlad era, sem dúvida, alguém que subiria alto.

Gott saiu do escritório em silêncio, aguardando aquele momento.

"Vlad, sério..."

Josef virou a cabeça para olhar Vlad.

Ali estava Zayar, ainda inquieto, e Vlad, com as bochechas inchadas por um punhado de amendoins.

Talvez uma das bochechas inchadas fosse resultado de um golpe de Zayar.

"A partir de agora, Vlad, você é oficialmente o escudeiro de Zayar. Até agora, por respeito a você, eu fazia vista grossa para seus comportamentos rudes, mas de agora em diante, isso não será mais o caso. Entendeu?"

"Sim."

"Você é um homem de poucas palavras."

"...Sim."

"...Zayar vai lhe explicar sobre a vida na mansão. Pode ir."

Assim que Vlad saiu do escritório, Josef desabafou com seu cavaleiro fiel.

"Não vai ser fácil lidar com ele no fim das contas. Ele é imprevisível em todos os sentidos."

"E além disso, teve uma vida difícil, então tem um forte espírito rebelde."

"Sim, suponho que sim."

Josef disse, olhando para a porta do escritório que Vlad acabara de abrir com força.

"Mas eu preciso fazer isso, porque nunca serei reconhecido por meu pai sem um histórico de ter meu próprio cavaleiro."

"Entendo..."

Um cavaleiro próprio, criado por Josef.

Embora houvesse um excelente cavaleiro ao lado de Josef, Zayar, dado a ele por sua mãe, a Condessa Oksana.

Cavaleiro Zayar.

O cavaleiro que veio com o imenso talento que Oksana trouxe consigo ao se casar com seu pai.

Criado pela família de Oksana, os Oskars, ele foi entregue a Josef desde o nascimento.

Isso o tornava um cavaleiro da família Bayezid por origem, mas como ele era leal apenas a Josef e Oksana, tecnicamente não podia ser considerado um cavaleiro Bayezid puro.

"Boa sorte com isso."

Era isso que Josef precisava.

Um título de cavaleiro da família Bayezid, não o que sua mãe lhe deu, mas um criado por ele mesmo.

"Vou dar o meu melhor."

Zayar deixou o escritório, decidido a ter sucesso por seu lorde.

"..."

Ao sair do escritório, um garoto loiro emburrado o aguardava.

"Tsk."

Era esse tipo de garoto com quem ele teria que lidar a partir de agora.

"Me siga."

"Sim."

Josef havia feito essa escolha, e ele precisava seguir a decisão de seu mestre.

Para cumprir a vontade de seu mestre.

Isso era cavalheirismo.

"Esta é a sala de jantar. Os cavaleiros têm sua própria sala, e os servos usam a mesma sala que as criadas."

"Entendo."

"Este é o campo de treinamento. Aqui treinamos o corpo, não a espada. Pergunte aos rapazes ao lado como usar os equipamentos."

Assim, Zayar levou Vlad e lhe mostrou as instalações da família Bayezid.

Eram rudes, mas o cuidado dedicado a elas não se comparava ao que outros cavaleiros ofereciam a seus escudeiros.

"Este é o seu quarto. É um quarto individual."

"Oh."

E com essa resposta, Zayar confiou que Vlad se viraria bem no ambiente desconhecido da família Bayezid.

"Está bom?"

"Sério?"

Era um quarto pequeno, mal grande o suficiente para uma cama, mas Vlad sorriu, aceitando até isso.

"Nem é chão de terra, e tem uma cama. Isso é um palácio."

"Por um momento eu tinha esquecido que você veio das ruas depois do choque de antes."

Eles eram filhos de famílias educadas, mas, a partir do momento em que chegavam ali como escudeiros, tinham que começar do zero.

Mesmo estando em boa forma física, muitos não conseguiam se adaptar à mudança repentina de ambiente e tratamento.

Mas para Vlad, que sempre viveu como erva daninha, aquilo era o paraíso.

"Hmm."

Ele não teria dificuldade de se adaptar.

Desde que não cometesse erros.

"Venha comigo."

Vlad seguiu atrás de Zayar, tentando absorver tudo ao seu redor.

Ontem ele havia se envergonhado ao ser levado pelo ímpeto de Rutger, mas para alguém que chegou atrasado como Vlad, pensar rápido era uma questão de sobrevivência.

"Hmm?"

Então os olhos de Vlad captaram alguém caminhando junto às criadas.

Era uma dama de cabelos verdes, bem arrumados.

"Ela é Lady Oksana. É a mãe de Josef. Seja educado, como lhe ensinaram."

"Sim."

Isso era o mais embaraçoso para Vlad, que havia vivido em becos onde, sempre que via alguém, gritava insultos.

Ser educado.

Tratar a nobreza com respeito.

Baixar a cabeça.

Eram coisas às quais ele não estava acostumado.

Mas, no futuro, ele precisava se adaptar à disciplina daquele lugar.

Afinal, ficariam ali por sete anos, então quanto antes se adaptasse, melhor — foi o que Vlad pensou.

"..."

Vlad aprendeu em um dia, mas memorizou tudo o que pôde e baixou a cabeça em sinal de respeito.

Mas o caminhar de Oksana, que eles achavam que apenas passaria, começou a se aproximar lentamente de Zayar e Vlad.

Vlad engoliu em seco ao vê-la.

"Zayar. Meu fiel cavaleiro. Bom dia."

"Está bem?"

Zayar levantou a cabeça para cumprimentá-la, e Vlad, que observava, rapidamente ergueu os olhos também.

"É ele?"

"Sim. Josef o trouxe pessoalmente."

"Entendo."

Homens rudes, prostitutas vendendo risos, trapaceiros em busca de oportunidades.

Para Vlad, que só lidara com pessoas assim, a nobre Oksana era alguém que ele jamais havia encontrado.

"Obrigada," disse ela. "Você salvou a vida do meu filho, não foi?"

"Eu só fiz meu trabalho…"

Talvez, se Vlad tivesse virado um pouco o rosto, teria visto Zayar olhando para ele com impaciência.

"Vou precisar lhe dar uma recompensa; você fez muito mais do que imagina."

"Obrigado…"

Vlad estava prestes a se curvar e agradecer, mas congelou quando Oksana se aproximou de repente e afagou sua cabeça.

"É uma cor bonita. Combina bem com seus olhos azuis."

"..."

Ele queria dizer algo, mas Vlad ficou rígido e revirou os olhos.

Oksana sentiu um cheiro.

Um aroma nostálgico.

"Você tem ombros largos para alguém tão magro. Seria bom ganhar um pouco de peso."

Enquanto isso, Vlad havia vivido cercado por prostitutas.

Era imune a mulheres e tinha os punhos para lidar com elas.

Mas agora.

Por ora, ele só conseguia olhar para baixo, incapaz de pronunciar uma palavra, com as mãos atadas.

O olhar de Oksana para Vlad não se parecia com nada que ele já tivesse recebido de uma mulher.

O jovem Vlad se perdeu nesse olhar que não via há tanto tempo que nem conseguia se lembrar.

Era a primeira vez em sua vida que ele se via do lado errado de um espinho.

"Deixo-o sob seus cuidados. Sir Zayar."

"Sim. Lady Oksana."

Ele só conseguiu acenar com a cabeça em gratidão.

Quando ela se foi, Vlad, que permaneceu rígido por algum tempo, fez contato visual com Zayar, que estava tão tenso quanto ele.

"Eu fiz certo...?"

"...Mais ou menos."

O garoto desviou o olhar sem necessidade, coçando o pescoço diante do frio que subiu do fundo do peito.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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