Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 3

Capítulo 22: Outro Jeito de se Viver

O inverno chegou ao fim, e a primavera se aproximava.

Com a brisa morna soprando, a neve que havia congelado durante o inverno derretia, e coisas que estavam adormecidas até agora despertavam.

"Maldição."

Em outras palavras, era a estação em que as estradas se tornavam lamacentas e as rodas das carruagens atolavam facilmente.

"O que você está fazendo?"

"..."

Olhando para Zayar, que reclamava lá de cima, Vlad caminhou arrastando os pés até a roda traseira da carruagem.

Depois de Zayar confirmar que o corpo de Vlad havia se recuperado, ele passou a treinar com Vlad em duelos e a lhe atribuir vários afazeres sempre que tinha tempo. E era pesado.

Era como se ele estivesse esperando por esse momento.

"Uma carruagem para nobres é bem pesada."

"Mas desta vez não atolou tanto assim. Capitão."

"Até quando você vai continuar me chamando de Capitão?"

"É porque você não deixa eu te chamar pelo nome."

Ele e alguns servos puxavam as rodas da carruagem cobertas de lama, mas Gott apenas fazia uma expressão satisfeita.

"Você gosta disso?"

"Claro que gosto."

Gott era alguém que tinha motivos para rir.

No fim das contas, o julgamento de Gott estava correto.

Vlad era o tipo de cara que fazia as coisas acontecerem, e era natural que tudo se encaixasse quando ele estava por perto.

'Então venha comigo.'

Na última noite em Varna, Vlad deu a Gott o encontro que ele tanto esperava.

'Porque eu não tenho dinheiro nenhum para te recompensar no momento. Estou quebrado.'

'É uma honra. Lorde Josef!'

Josef soube que Gott havia levado Vlad, que não podia montar a cavalo, até o acampamento-base no momento certo, e também havia trazido Zayar para resolver a situação. Por isso, Josef também providenciaria uma recompensa justa.

Por essa razão, Gott agora seguia junto à comitiva que se dirigia a Sturma.

"Estou indo para a família do Conde Bayezid, uma família que é difícil até de ousar encarar e que dizem ser uma das mais poderosas do Norte, então é claro que isso é bom."

Gott não estava interessado apenas na recompensa que Josef ofereceria.

Ele era um vigarista e, como tal, um indivíduo astuto.

"Se eu conseguir demonstrar minha utilidade lá, o Lorde Josef não consideraria me usar? Não posso continuar vivendo uma vida incerta como mercenário para sempre."

"Por que você não cala a boca e empurra a carruagem?"

"Um servo da família do Conde Bayezid! Só isso já seria considerado uma carreira de sucesso para um plebeu."

"Só cala a boca e empurra essa maldita carruagem. Por favor, antes que eu te dê uma surra."

Sabendo muito bem a importância de agarrar oportunidades, Gott ainda conseguia sorrir mesmo lutando para empurrar a carruagem.

Isso porque o mundo era assim: era difícil conseguir uma chance de subir.

Não importava o quão habilidoso e preparado alguém fosse, sempre havia muitos que caíam por faltar um único fio chamado sorte.

Nesse sentido, Vlad e Gott podiam ser considerados pessoas de sorte.

Claro, isso também era resultado de terem agarrado a oportunidade de forma decisiva.

Naquela noite, Vlad se preparou para a morte e invocou o mundo branco.

Gott, por sua vez, assumiu o risco e voltou pelo mesmo caminho para trazer Zayar.

Tudo por causa do presente.

"Ei, seus preguiçosos! Vocês pretendem ficar estirados aqui o dia inteiro?!"

E assim, agora eles se encontravam empurrando a carruagem na lama, suportando os xingamentos de Zayar por trás.

"Hahaha!"

'Eu vou enlouquecer. Sério.'

Vlad fechou os olhos com força ao olhar para Zayar, que os apressava xingando por trás, e para Gott, que ria de forma desagradável ao seu lado.

[Mesmo em situações como esta, você deve manter a compostura.]

'Eu sei disso também!'

Apesar do conselho da voz, Vlad não conseguia facilmente conter a raiva fervente.

"Porra."

"Você está falando comigo agora?"

"Não."

"É bom mesmo que não esteja."

Depois de praguejar involuntariamente em voz baixa, Vlad levou um golpe na parte de trás da cabeça por parte de Zayar. Em seguida, sem hesitar, lançou um olhar furioso para Gott e deu um golpe rápido na parte de trás de sua cabeça.

"Ah!"

"Está rindo agora?"

Vlad era um jovem de 17 anos de sangue quente que havia vivido uma vida violenta nos becos.

"Não ria, só empurre. Porque eu não quero apanhar mais."

"Eu estou empurrando..."

Vlad ainda era apenas um garoto, muito longe de se tornar um cavaleiro.

Ainda não.

✦  ✦  ✦

O Condado de Bayezid.

O território da família Bayezid, que incluía três cidades e doze vilas.

Shoara, a cidade onde Vlad nasceu.

Varna, a cidade que liderou a recente subjugação de monstros.

"Isso é Sturma?"

"Isso mesmo. É onde fica minha terra natal."

E o que ele via agora era a cidade de Sturma, a capital do Condado de Bayezid.

"Oh."

Vlad deixou escapar uma exclamação involuntária ao olhar para a nova paisagem urbana.

A primeira coisa que chamou sua atenção foram as altas e maciças muralhas da cidade.

"É realmente grande."

Embora Shoara também tivesse muralhas, elas não eram tão grandes nem tão altas quanto aquelas.

"Hmm."

Vlad, com sua origem nos becos, pensava naturalmente onde poderia fazer um buraco de fuga surpreendente na muralha.

"Há uma razão para as muralhas da cidade serem tão grandes."

Enquanto Vlad encarava as muralhas, perdido em pensamentos, Josef começou a explicar ao seu lado.

Tudo começou por um pequeno mal-entendido, mas para Vlad, que carecia de discernimento, cada parte daquela história era valiosa.

"Essas muralhas foram construídas por necessidade e também servem para demonstrar a força da família Bayezid."

A história da família Bayezid era uma sucessão de lutas.

Monstros e bárbaros transbordando quando chegava a hora.

E guerras com outros territórios ocorrendo constantemente, como era típico do rigoroso clima do Norte.

Essas muralhas haviam resistido a tudo isso.

"É uma visão diferente de Varna."

"Aquele lugar é uma cidade com forte influência religiosa. Embora tenha sido intenção do meu pai."

Embora Vlad também fosse de uma cidade, cada cidade que ele via possuía uma atmosfera diferente.

O jovem pássaro, que finalmente havia saído para o mundo, não conseguia deixar de se maravilhar com tudo o que via.

"Feche a boca. Garoto."

"Por favor, me chame de Vlad de Shoara."

"Nem pensar."

"..."

Zayar zombou ao olhar para Vlad, que observava Sturma de boca aberta.

"Você ainda é só um garoto."

"O Padre Andrea ficaria triste em ouvir isso."

"Você é meu escudeiro, não o diácono do padre. Posso te chamar do que eu quiser."

"..."

A atenção que Zayar dava a Vlad, seu primeiro escudeiro, era incomum.

"Se fizer algo rude na família Bayezid, esteja preparado para apanhar."

"Eu apanho todos os dias de qualquer forma. Não é novidade."

[Kura: Rapaz, que tenso kkkkkk.]

Olhando para o escudeiro atrevido, que não recuava nem numa troca de palavras, Zayar sorriu e acariciou seu tapa-olho.

'Uma coisa é certa, esse garoto tem um espírito que pode ser útil.'

Josef, seu senhor, sempre sofria com a falta de cavaleiros competentes, e o jovem diante dele era, sem dúvida, uma das peças que poderiam preencher essa lacuna.

'E além disso, ele pode usar aura.'

Embora Vlad não tivesse revelado os detalhes do segredo por trás daquela façanha de vitória individual, segundo Josef, Vlad definitivamente havia usado aura num momento crítico.

Como resultado, ficou de cama, mas o importante era que sobreviveu.

'Vou testá-lo rigorosamente quando chegarmos.'

Ele consegue usar aura?

Ou consegue compreendê-la e utilizá-la plenamente em situações práticas?

Isso era uma parte crucial do talento de um cavaleiro.

E o jovem diante de seus olhos havia demonstrado esplendidamente seu talento e potencial.

"Avancem."

Com as palavras de Josef, o grupo começou a caminhar em direção aos portões de Sturma.

"O jovem mestre chegou!"

"Abram os portões!"

As imponentes e robustas muralhas da cidade não se aplicavam a Josef.

Havia uma longa fila esperando para entrar, mas apenas o nome Josef abriu um caminho, como ondas se separando.

"Uau."

Gott não conseguiu conter a exclamação.

Para ele, que vivera uma vida de espera e de ser empurrado para fora, aquilo era a primeira vez que experimentava algo assim.

Vlad também viu a cena diante de si e confirmou que estava pisando em um lugar diferente de tudo o que vivera antes.

"Bem-vindo de volta a Sturma! Lorde Josef!"

"É reconfortante ver os soldados da família Bayezid guardando o portão com tanta firmeza."

"Obrigado!"

Mesmo com o elogio habitual de Josef, o guarda respondeu em voz alta e abriu o portão.

"Todos, saúdem!"

Os guardas mantiveram a saudação até que a carruagem de Josef tivesse passado completamente.

Era uma expressão de respeito pela linhagem nobre da família Bayezid e uma cerimônia natural para o governante da cidade.

E Vlad também estava passando por ali.

"Seu idiota! Você não vai guardar isso imediatamente? A simples presença do Lorde Josef já é um passe."

"..."

Zayar rosnava do alto de seu cavalo, mas Vlad nem sequer escutava.

Era algo que ele queria fazer.

"Entre e veja com seus próprios olhos."

Independentemente do que Zayar dissesse, Vlad caminhou com confiança.

E estendeu um pequeno pedaço de madeira diante dos guardas que saudavam Josef.

O pedaço de madeira havia sido feito pelo Padre Andrea, simbolizando a existência de Vlad.

"Vocês não vão conferir?"

Agora ele não precisava mais entrar e sair por túneis.

Era um pequeno ato de rebeldia de um garoto que agora podia andar confiante em qualquer lugar.

✦  ✦  ✦

Sob o olhar afiado de Zayar, Vlad e Gott entraram na mansão da família Bayezid.

"Suspiro..."

"Impressionante, realmente impressionante."

Uma enorme mansão cinzenta que dominava toda a cidade.

Os olhos dos dois plebeus estavam arregalados enquanto caminhavam em direção à verdadeira mansão nobre que jamais haviam imaginado.

"A partir de agora, vocês são convidados do Lorde Josef. Se fizerem qualquer coisa estúpida, irão manchar a honra do Lorde Josef."

"Sim."

"Apenas caminhem com os olhos baixos. Não fiquem vagando como caipiras."

Ouvindo a advertência de Zayar, especialmente sobre Josef, Vlad fechou a boca aberta e caminhou em silêncio, com a cabeça baixa.

'Isso é veludo? Seda?'

Mesmo andando apenas olhando para o chão, havia muito a se ver.

Pisar no veludo macio disposto sobre o mármore branco era como experimentar um luxo que um garoto dos becos jamais poderia imaginar.

Vlad se perguntava seriamente se era apropriado que ele pisasse em algo que parecia tão caro.

"Esperem aqui."

Zayar os deixou na sala de recepção com um rosnado.

A partir dali, Josef precisava relatar a Peter Bayezid, seu pai e dono da mansão, sobre seu retorno seguro e sobre a maldição que ocorrera no acampamento.

"As criadas trarão refrescos. Bem… Não comam nada, apenas esperem. Se comerem de maneira suja, rumores ruins vão se espalhar."

"Mas só um pouquinho..."

"Calado."

E não havia absolutamente nenhuma razão para Vlad e Gott estarem presentes naquele momento do relatório.

Eles não tinham o direito de encarar diretamente o Conde Bayezid; só podiam se mover sob a garantia de Josef.

"..."

"..."

Mesmo depois que o ameaçador Zayar desapareceu, Vlad e Gott não conseguiram relaxar facilmente.

Tudo era limpo demais, vasto demais e, acima de tudo, silencioso demais.

Era uma visão e um cenário que eles nunca haviam visto antes, nascidos e criados em um mundo completamente diferente.

Assim, deixaram de notar algo importante.

As cortinas brancas ao lado deles estavam tremulando.

"Recém-chegados, é? Quem são vocês?"

"...!"

E o fato de que havia outra pessoa na sala de recepção além deles.

Sob a janela ligeiramente aberta, um homem surgiu ao atravessar as cortinas brancas esvoaçantes.

"Eu só estava tentando me divertir um pouco aqui em segredo."

O homem deu de ombros e se aproximou dos dois. Ele tinha uma postura confiante, um ar forte e uma presença pesada inconfundível.

Era como se uma pantera negra que vivesse na selva oriental tivesse se transformado em pessoa.

"Eu sou Gott, e este é o Lorde Josef..."

"..."

E Vlad conseguiu reconhecer o homem à sua frente no instante em que o viu.

Ele se parecia notavelmente com o outro homem de cabelos negros que ele havia visto antes.

"Entendi. Você é Gott."

O homem de cabelos negros olhou para Vlad e perguntou: "E quem é você?"

Seu olhar afiado parecia capaz de subjugar alguém apenas com sua presença, mas Vlad encarou aquele olhar com desafio.

Uma coisa que aprendera vivendo nos becos era que evitar o olhar de alguém significava se rebaixar. Aqueles que eram subestimados nos becos de Shoara eram devorados sem piedade.

Resistir à presença de alguém era, para Vlad, um instinto de sobrevivência.

"Eu sou Vlad de Shoara."

"Hmm? É a primeira vez que ouço esse nome."

O homem de cabelos negros pareceu se divertir com o garoto loiro que lhe respondia com confiança.

Ele gostou daquele garoto.

Seus olhos eram vivos, e ele não recuava nem diante de sua presença.

'Josef encontrou alguém decente?'

Rutger, que era alegre por natureza, apreciava alguém com uma atitude confiante como aquela.

"Quer alguns amendoins?"

E Rutger era um homem generoso com aquilo que lhe agradava.

Mas...

"Disseram para eu não comer."

"Hã?"

Vlad estava nervoso naquele ambiente desconhecido e fazia o máximo para resistir à presença de Rutger.

Por isso, respondeu mecanicamente, sem nem perceber.

"Disseram para eu não comer nada aqui."

"...O quê?"

Rutger, que não esperava que alguém ousasse recusar sua oferta, ficou momentaneamente sem reação diante da resposta de Vlad.

"Mas isso aqui é gostoso..."

"..."

Gott, que mantinha a cabeça baixa, percebeu que algo estava errado naquela situação, mas não se atreveu a intervir.

Vlad de Shoara.

A primeira coisa que ele fez ao chegar à família Bayezid.

Ele recusou a oferta amigável de amendoins de Rutger, o filho mais velho do Conde.

Traduzido por Moonlight Valley

Link para o servidor no Discord

Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora