Sessão 3
Capítulo 21: Vlad de Shoara
A Jornada de Retorno à Cidade de Varna.
Josef confirmou que Vlad havia se recuperado o suficiente para se mover e, imediatamente, mobilizou a equipe de subjugação.
Embora os dois cavaleiros sob seu comando não tivessem recuperado totalmente a consciência, eles se encontravam em um estágio em que não se recuperariam apenas com um ou dois dias de cuidados, então foi uma medida inevitável.
"Meu palpite é este. Isso pode ter sido uma tentativa de mostrar algo, em vez de uma intenção direta de me matar."
"..."
Dentro da carruagem que balançava, Vlad ouviu silenciosamente as palavras de Josef.
Não, ele não tinha escolha a não ser ouvir.
Josef havia designado a carruagem que ele normalmente usava para os cavaleiros que ainda não haviam recobrado a consciência, restando apenas uma carruagem.
"Por que eu acho isso? É simples. A conclusão foi apressada demais em comparação com o esforço empregado. Eles conseguiram separar Zayar e me deixaram em perigo, então deveriam ter me eliminado rapidamente. Mas isso não aconteceu."
"...Isso é verdade."
Como resultado, Vlad não teve escolha a não ser ouvir silenciosamente as palavras de Josef, um nobre, superior e comandante.
'Ele é um homem de muitas palavras.'
Josef, que havia se aproximado um passo de Vlad por causa da batalha da noite anterior, estava disposto a revelar sua verdadeira face.
Claro, ele não revelou tudo, mas aos olhos dos outros, parecia claro que Vlad estava sendo favorecido por Josef.
'E há bastante gente assim.'
Embora Zemina também fosse faladeira, ele conseguia lidar com ela. Porque, quando mandava ela calar a boca, ela calava. Mas com Josef era diferente.
'Como será que ela está?'
Enquanto ouvia as conversas de Josef sentado ali, Vlad se sentiu um pouco deprimido. Então, virou a cabeça e olhou para fora da janela da carruagem.
Na direção para onde Vlad olhou, não havia nenhuma paisagem serena; apenas a figura de Zayar, que parecia observá-lo com um olhar feroz.
'Trate-o direito.'
Seus olhos diziam isso.
Vlad não tinha o que dizer, já que ousou fazer o cavaleiro a quem servia como escudeiro cavalgar, enquanto ele próprio estava confortavelmente sentado na carruagem.
'Droga.'
Vlad, incomodado pelo olhar de Zayar, virou a cabeça e olhou para a janela do outro lado.
Mas até no lugar para onde fugiu em busca de consolo, havia alguém esperando por ele.
Um homem de queixo comprido enviando sinais com gestos exagerados e chutes.
'Diga a ele sobre mim! Capitão, fale por mim!'
Do outro lado da janela estava Gott, instigando Vlad a contar a Josef sobre seus feitos.
'...Realmente irritante.'
Com o barulho alto vindo da frente e olhares ferozes de ambos os lados, Vlad só queria sair daquele lugar e caminhar livremente.
"Pense nisso. Por que seria assim?"
"...Sinto que lembraria melhor se tivesse uma bebida."
"Isso é meio complicado."
Josef percebeu que Vlad estava de olho em seu uísque e rapidamente puxou a garrafa, colocando-a atrás de si.
"Eu também vivo de uma mesada."
"As pessoas vivem da mesma forma em qualquer lugar."
"Apenas espero que você consiga se levantar por conta própria em breve."
Josef sorriu suavemente ao ver Vlad quebrando a cabeça para encontrar uma resposta, talvez por causa do álcool, ou talvez por causa de sua própria pergunta.
Para realmente brilhar, uma pessoa precisava atender a várias condições. Não era apenas habilidade com a espada; incluía caráter, conhecimento, modos e muito mais.
E o garoto loiro à sua frente certamente tinha potencial, mas lhe faltava em muitos aspectos.
'Não posso ensiná-lo pessoalmente a espada, mas...'
Por causa de seu corpo frágil, Josef talvez não pudesse ensiná-lo diretamente a lutar, mas poderia ensinar outras coisas.
Afinal, Josef era alguém com esse tipo de capacidade.
"Bem, isso não seria algo como um aviso? Um aviso à família Bayezid ao tentar matá-lo, Lorde Josef? Não importa mesmo que não consigam matá-lo?"
"Continue."
"Você não está com raiva porque eu disse 'não importa mesmo que não consigam matá-lo', certo?"
"Não exatamente."
Embora dissesse isso, Vlad franziu a testa ao ver Josef abrir a garrafa e beber sozinho.
"Claro, eu não teria como saber, certo?"
"Ainda assim, pense um pouco mais."
Mesmo sentado na carruagem, Vlad estava recebendo treinamento constantemente.
"Eu disse para pensar."
Josef balançou casualmente a garrafa de uísque na frente de Vlad enquanto falava.
Pense.
Não aceite a situação passivamente; filtre-a através do seu próprio julgamento.
Raciocínio lógico baseado em causa e efeito, pistas do ambiente.
Por meio disso, Josef queria treinar Vlad para se tornar um cavaleiro com excelente discernimento, não inferior a Zayar.
Porque o potencial do garoto brilhava.
"Eu não sei..."
Independentemente de Vlad franzir a testa ou não, a jornada de volta a Varna foi incrivelmente tranquila.
Como se o verdadeiro alvo não fosse Josef, como ele havia pensado.
✦ ✦ ✦
Cidade de Varna.
Uma das três cidades sob o domínio do Condado de Bayezid.
Como uma cidade que havia recrutado uma equipe de subjugação de monstros, ao chegar ali, Josef precisava dispensar os mercenários e relatar a subjugação ao prefeito da cidade.
Ser filho de um conde tinha status mais elevado do que ser um prefeito nomeado, mas procedimentos eram procedimentos.
E o Conde Bayezid punia impiedosamente qualquer um que agisse fora das regras, mesmo que fosse seu próprio filho.
"Acho que ficaremos aqui por cerca de um dia."
Josef não era um residente de Varna.
Depois de concluir os procedimentos administrativos ali, ele planejava partir para Sturma, a terra ancestral da família Bayezid.
E lá, precisava elaborar um novo plano para compensar o fracasso atual.
"É sua primeira vez em Varna?"
"É sempre a primeira vez em qualquer lugar que eu vou."
"Agora que penso nisso, você é um caipira."
Ao ver Vlad dizer que só havia atuado nos arredores de Shoara durante toda a vida, Zayar riu como se tivesse achado algo divertido.
"Bem, vou te dar folga por hoje. Dê uma volta pela cidade."
"Não se perca, moleque."
"..."
Vlad não pôde deixar de se sentir irritado com a provocação de Zayar, mas não havia o que fazer.
Na realidade, era verdade que lhe faltavam experiência e visão.
[Zayar parece gostar de você.]
'Se ele gostar um pouco mais, pode tentar me matar.'
Ao ouvir as palavras absurdas em sua mente, Vlad balançou a bolsa tilintante.
"O que tem nessa cidade~?"
Independentemente da atitude de Zayar, as palavras de Vlad, enquanto segurava o dinheiro, carregavam naturalmente um ritmo.
O que Josef lhe dera era um tipo de pagamento diário.
Vlad, que praticamente não tinha dinheiro, precisava de um valor mínimo para aproveitar a cidade de Varna.
"Como esperado, o cão de um homem rico vive melhor do que um mendigo na rua."
[Em vez de ficar à toa, compre coisas que possam ser úteis no futuro.]
"Hã?"
Vlad havia pensado em se permitir um pouco de indulgência depois de muito tempo, mas a voz pareceu ter detectado sua intenção e o alertou com antecedência.
[Estar bem preparado é como ter uma vida extra. Não se esqueça disso.]
"Só ouço vozes reclamando por toda parte."
Embora reclamasse, Vlad concordava profundamente com as palavras da voz.
Na época em que mal conseguiu escapar de Shoara e vagou pela floresta de inverno carregando apenas uma espada.
Se não tivesse encontrado os três mercenários vagando por perto, Vlad talvez não tivesse sobrevivido e teria congelado até a morte.
[Para evitar esse tipo de incidente, é bom ter várias coisas preparadas.]
"Então, o que eu devo comprar?"
Vlad estava prestes a sair da prefeitura, ponderando o conselho da voz.
"Hã?"
Alguém puxou cautelosamente a barra de suas roupas.
"Lorde Vlad."
Era o jovem diácono de Andrea.
"Há algo que você precisa, Lorde Diácono?"
Vlad achava que lidar com crianças era irritante, mas o jovem diácono segurando suas roupas era uma exceção.
A criança era tão pequena que a roupa de diácono que ainda usava parecia desajeitada, mas cumpriu seu dever apesar do medo da noite anterior.
"Se você não tiver um destino em especial hoje, o sacerdote deseja convidá-lo."
"Oh."
Vlad ergueu a cabeça e viu o Padre Andrea sorrindo atrás do diácono.
"Por que escolheu me procurar por meio do Lorde Diácono?"
"...Peço desculpas."
O Padre Andrea se escondia atrás do jovem diácono e sorria humildemente. Um caixão familiar repousava ao seu lado.
"Ainda ninguém está disposto a ouvir você?"
"Talvez essa senhora deseje que você a escolte também?"
Vlad não tinha mais nada a dizer ao olhar para o Padre Andrea que ria.
"Vamos pegar um burro. Eu vou te apoiar por trás enquanto seguimos."
O Padre Andrea, Vlad e o jovem diácono começaram a conduzir a carroça pela rua principal de Varna.
'É bem diferente de Shoara.'
Embora Vlad tivesse vivido nos becos, Shoara tinha sua própria atmosfera, distinta da cidade em si.
Mas Varna parecia ter uma aparência mais estável em comparação com Shoara.
Silenciosa, serena, com poucas pessoas fazendo barulho, como se a cidade tivesse se estabelecido em uma atmosfera calma, semelhante ao amanhecer.
"À medida que nos aproximamos da igreja, essa atmosfera fica ainda mais pronunciada. Varna é uma cidade com uma forte cor religiosa."
"Entendo."
Vlad assentiu, compreendendo a explicação de Andrea.
"Chegamos."
"Uau."
Vlad, ao olhar para o prédio à sua frente, pôde sentir claramente que Varna era de fato uma cidade com forte influência religiosa.
Isso porque havia ali um edifício que parecia ser duas vezes maior do que a igreja de Shoara.
"É bem grande. A igreja de Shoara não era assim tão grande."
"A capital do Condado de Bayezid é Sturma, mas o centro religioso é Varna."
Vlad assentiu à explicação de Andrea.
"Nesse caso, eu vou indo..."
"Já que está aqui, por que não se junta a nós para o jantar?"
"Se for assim, não vou recusar..."
"Aproveitando, que tal descer ao porão também?"
"...Seria melhor terminar já que estamos aqui."
Vlad, que estava nas mãos do Padre Andrea desde que foi agarrado pelo jovem diácono, não teve escolha a não ser resmungar e colocar o caixão diante do templo.
"Desculpe. Seu corpo talvez não tenha se recuperado totalmente ainda."
'Essa pessoa sabe disso.'
Embora estivesse cheio de insatisfação por dentro, Vlad respondeu com um sorriso.
"Preciso retribuir o favor pelo que obtive no acampamento."
"Eu sou realmente bom em julgar pessoas."
Talvez, na situação atual, ele nem percebesse que reclamar seria apenas uma queixa mesquinha.
Dadas as circunstâncias, ser solicitado por Padre Andrea já era quase um privilégio.
"Pobre senhora."
"..."
O Padre Andrea suspirou enquanto acariciava o caixão, que finalmente havia chegado ao seu local de descanso.
"O amor de uma mãe é como o mar, pesado e profundo. Parece que alguém desconhecido se aproveitou disso."
Embora ainda não estivesse completamente investigado, Andrea julgou, pelas circunstâncias, que essa mulher havia caído vítima de magia negra maligna.
"É uma maldição terrível que se aproveita do amor maternal. Embora isso não esteja sob minha jurisdição, a igreja de Varna fará o possível para encontrar o mentor por trás disso."
"Se alguém pode fazer isso, é um sacerdote como você."
O Padre Andrea, que franzia a testa com uma raiva insuportável, olhou para Vlad e sorriu calorosamente.
"Já que está aqui, que tal fazer uma oração antes do jantar?"
"Alguém como eu, sem raízes, pode ousar rezar em uma igreja?"
"Não se preocupe com isso."
Pessoas que viviam nos becos não tinham ligação próxima com igrejas, prefeituras ou edifícios oficiais.
Vlad, que viveu nos becos a vida inteira, não era exceção.
Por isso, Vlad se sentia deslocado e desconfortável naquele lugar, e mais do que tudo, intimidado pelo pensamento de estar em um local onde não pertencia.
No entanto, Andrea segurou a mão de Vlad e começou a guiá-lo até a capela.
"Reserve um momento para rezar; há um lugar que preciso verificar."
Deixando Vlad sozinho com seu jovem subordinado, Andrea saiu da capela.
"..."
"Vamos rezar?"
O jovem diácono enrugou o nariz e perguntou cautelosamente, talvez se sentindo mal por Vlad por causa da saída repentina de Andrea.
"É a primeira vez que participo formalmente de uma oração..."
"Eu vou lhe mostrar como."
Vlad quis dar uma desculpa e sair dali, mas agora não havia escapatória.
'Ah, tanto faz.'
Agora era o momento de pagar o carma de fingir ser um Riemann devoto.
[Que férias gratificantes. Se você disser a Josef que purificou o corpo e a mente aqui, ele ficará muito satisfeito.]
'Esse cara só está se divertindo o dia inteiro.'
Vlad segurou brevemente sua espada e ouviu a voz expressar satisfação.
"Hmmm, hmm."
Vlad não teve escolha a não ser se ajoelhar, abaixar a cabeça de forma desajeitada e gaguejar junto com a oração do jovem diácono.
Cerca de uma hora depois.
Quando seu joelho começava a adormecer lentamente, a porta da capela atrás dele se abriu.
"Esperou muito?"
"...Não. Foi minha primeira oração, então tudo foi novo."
"Hahaha! Impossível. Eu ainda estou bastante entediado."
"..."
Vlad não sabia o que dizer ao olhar para o sacerdote que dizia que orações eram entediantes enquanto sorria gentilmente.
"Desculpe por fazê-lo esperar. Pegue isto."
"O que é isso?"
Vlad aceitou o pequeno pedaço de madeira que o Padre Andrea lhe entregava.
"É seu documento de identificação."
"O quê?"
Confuso pelas palavras de Andrea, Vlad examinou rapidamente o pequeno pedaço de madeira em sua mão.
Um pedaço de madeira pequeno o suficiente para caber na palma da mão.
O crachá de madeira preta parecia resistente e estava cheio de pequenas letras.
Vlad começou a ler o documento em sua mão com os olhos arregalados.
"Local de nascimento... Shoa... ra."
Embora já soubesse, Vlad tropeçou nos caracteres desconhecidos enquanto continuava a ler.
"Nome... Vlad."
No momento em que pronunciou o próprio nome, Vlad sentiu o peito se encher.
Aquele pequeno pedaço de madeira continha a prova de sua existência.
Como alguém dos becos que nem sequer conseguia registrar o próprio nascimento, ele jamais poderia ter imaginado algo assim.
"Josef teria cuidado disso, mas, na verdade, registrar sua identidade pela igreja é o mais eficaz. Porque a graça do Senhor se estende por todo o continente."
Ao ouvir as palavras de Andrea, Vlad virou o crachá de madeira para examinar o verso.
Havia ali uma grande frase escrita, que só podia ser usada em um único lugar.
O nome do único deus deste mundo. O emblema da igreja que serve a esse Deus.
E, abaixo dele, o nome de outra pessoa estava escrito.
"Garantidor. Padre An...drea."
Vlad leu o nome de outra pessoa escrito em seu documento de identificação.
Alguém que dava garantias por ele.
Alguém que ficaria ao seu lado em momentos de dificuldade.
Vlad levantou a cabeça e olhou para o Padre Andrea.
"Se estiver passando por dificuldades, venha me visitar a qualquer momento. Eu sou o seu garantidor."
"Padre..."
"Agora, vamos rezar. Este é o lugar mais próximo do Senhor."
Vlad, incapaz de esconder suas emoções misturadas, apenas seguiu Andrea e se curvou diante de Deus.
"Aqui está um novo cordeiro que gostaria de apresentar hoje. Que o abrace com seus braços largos..."
Lixo dos becos.
Uma pessoa que nasceu em um lugar onde ninguém olharia para ela, ou sequer se lembraria dela mesmo que morresse.
No entanto, Vlad já não era mais essa pessoa.
"Aqui está o cordeiro recém-nascido, Vlad de Shoara. Que o acolha com bondade..."
Hoje, Vlad afirmou sua existência sob o olhar do Senhor, com seu precioso garantidor ao lado.
Pela primeira vez desde o nascimento, ele inscreveu seu nome no vasto mundo.
A partir de hoje, ele não era mais o Vlad dos becos, mas o Vlad de Shoara.
"Rezo sinceramente para que o aceite como seu filho."
Agora, Vlad tinha raízes que lhe permitiam encarar o mundo de frente com confiança.
A luz que descia através dos vitrais multicoloridos envolvia calorosamente o cabelo loiro do garoto.
Traduzido por Moonlight Valley
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