Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 2

Capítulo 20: O Firmamento de Uma Parceria

O cavaleiro leal fez o possível do outro lado do rio, na noite escura.

Ele enviou Vlad para ampliar até a menor possibilidade e cortou sem piedade o velho companheiro que tentou amarrá-lo.

"Kkuuh! Ugh!"

Depois disso, encontrou aquele que estava controlando os mortos-vivos e arrancou o coração dele.

"..."

Ao ver o homem que controlava os mortos-vivos cair com tanta facilidade, sentiu que ele próprio também não passava de um fantoche de alguém. Ainda assim, em vez de se preocupar, Zayar escolheu correr até seu senhor.

Ele atravessou a nado o rio quebrado pelo gelo e correu de volta pelo caminho por onde viera.

Os galhos baixos atingiam seu rosto com força, mas Zayar correu sem sequer piscar.

"Cavaleiro senhor!"

Ele não sabia o motivo, mas no caminho viu Gott, que havia retornado, então rapidamente pegou um cavalo e cavalgou por várias horas.

Zayar finalmente chegou ao acampamento-base e, como esperado, o local estava em ruínas devido a um ataque.

"Você chegou."

Era Josef, sentado sobre uma rocha, olhando para uma montanha distante.
Zayar finalmente se sentiu aliviado ao confirmar que Josef estava bem e soltou um longo suspiro que vinha segurando até então.

"Você está bem?"

Talvez por causa da provação, os olhos já escuros de Josef haviam afundado até metade do rosto.

"Estou melhor do que morto."

Josef sorriu para Zayar sem muita energia e voltou a virar a cabeça na direção da montanha distante.

O amanhecer estava surgindo.

"Essa subjugação fracassou completamente."

"...Tenho vergonha."

Zayar abaixou a cabeça e deixou cair no chão os objetos que segurava nas duas mãos.

A cabeça de um estranho e a caixa de madeira preta.

"É ele?"

"Muito provavelmente."

Embora muitas perguntas e respostas tenham sido omitidas, era uma conversa suficiente para Josef e Zayar, que se entendiam profundamente.

"Fracassamos, mas..."

Josef falou, olhando em branco para as montanhas distantes.

"Ainda assim, os passos no retorno parecem leves."

"Ele foi útil?"

"Útil?"

Josef respondeu à pergunta de Zayar com um sorriso astuto.

"Talvez eu tenha encontrado algo."

"O que você quer dizer?"

Zayar olhou para o rosto sorridente de Josef.

Aquele sorriso, sob o sol nascente, lembrava Josef quando era jovem.

"Alguém que possa ser uma espada para mim."

O jovem Josef, agora com sombras profundas sob os olhos, olhou para Zayar e falou.

"Aquele garoto é uma espada mais brilhante do que qualquer outra."

Com essas palavras, Josef sorriu intensamente, como se não tivesse nenhuma preocupação.

O sol daquele dia se ergueu acima de seu rosto sorridente.

Naquela noite em que tudo parecia pesado, era o tão aguardado sol do amanhã.

"Está frio. Vamos voltar agora."

"Sim."

Zayar apoiou Josef, que mancava de uma perna, e o guiou até a tenda.

Os dois homens caminharam com as costas voltadas para o sol da manhã que surgia.

A subjugação havia falhado.

Mesmo assim, Josef estava sorrindo.

Embora o dia tivesse terminado em fracasso, ele tinha certeza de que o amanhã traria sucesso.

✦  ✦  ✦

"Ugh."

Vlad estava deitado havia três dias inteiros.

"Meu estômago ainda dói."

[Vou ter que ter cuidado da próxima vez. Eu nem sabia que o recuo seria tão intenso.]

O garoto não qualificado tomou à força o mundo de outra pessoa emprestado e o puxou para fora desse mundo.

Como custo disso, ele teve de aceitar humildemente o recuo.

Se não fosse assim, provavelmente estaria agora caído no chão, esfriando.

"Achei que estaria rolando dentro de uma carruagem, então fico feliz."

[Parece que Josef está bastante preocupado com você.]

Josef, para ajudar Vlad, impediu os mercenários que tentavam ir embora e manteve o acampamento-base.

Considerando o ataque difícil que haviam enfrentado, talvez fosse correto partir o mais rápido possível, mas Josef não pensava assim.

"Se eles estão nos mirando de qualquer forma, podem voltar mesmo durante o retorno a Varna. Nesse caso, seria melhor nos reagrupar aqui, fazer todos os preparativos e só então nos mover."

Durante esses três dias, Josef fez o possível para restaurar o acampamento-base e concluiu uma investigação de campo.

Era a postura de alguém que não desistia apesar do fracasso.

Como resultado, Josef conseguiu encontrar várias pistas dignas de serem reportadas a seu pai, Peter Bayezid.

Talvez o relatório que ele agora levava de volta a Varna tivesse mais valor do que a missão de subjugação de monstros que realizara originalmente.

"Está frio."

Vlad saiu fungando e olhou ao redor.

O número reduzido de tendas, o acampamento-base desolado e o silêncio estranho entre os mercenários lembravam o clima de soldados derrotados.

"Capitão!"

Em meio à base silenciosa, uma voz chamou por Vlad.

Um homem de queixo longo se aproximava à distância, acenando com a mão.

"O que quer fugir é o que fica por mais tempo."

"Claro. Disseram que aumentariam nossa recompensa se ficássemos até o retorno a Varna."

O vigarista covarde não fugiu naquela noite.

Em vez de escapar sozinho do perigo, virou o cavalo e seguiu na direção de onde Zayar estava.

"Você sabe o quanto de perigo eu passei para descobrir a localização do cavaleiro e salvar você, capitão? É melhor me recompensar bem depois."

"...ok."

Gott era um vigarista astuto.

O motivo pelo qual Zayar enviou Vlad apressadamente ao acampamento-base era a intenção de ganhar tempo até que pudesse ir pessoalmente.

Gott, que percebeu isso, entendeu que o rápido retorno de Zayar era necessário para resolver a situação e cavalgou de volta para buscá-lo.

Ele não foi até o rio, que estava cheio de mortos-vivos, mas vagou pela estrada intermediária.

"Vai ignorar meu favor de novo desta vez? Mesmo não tendo fundo, isso não significa que sua personalidade tenha se degradado tanto assim, certo?"

"Eu disse que tá bem."

Era verdade que ele já havia cometido um crime e que Gott se esforçara por ele, então até mesmo o descarado Vlad achou difícil ignorar abertamente o que ele dizia.

"Deixe-me pelo menos dizer algo. Não sei o quanto vai ser eficaz, mas."

Ao ouvir que Vlad falaria dos méritos de Gott ao herdeiro da prestigiosa família Bayezid, Gott assentiu como se estivesse satisfeito.

"Então vá cuidar do seu trabalho."

"Hah. Você continua tão duro como sempre."

Gott ficou pensativo ao observar Vlad se afastar.

'Há cheiro de dinheiro.'

Aos olhos de Gott, Vlad era alguém cheio de potencial.

Jovem, capaz e alguém que atraía a atenção dos poderosos.

Em outras palavras, um indivíduo promissor.

'Quem se apodera primeiro é o dono.'

A habilidade mais crucial para ganhar dinheiro é reconhecer valor.

Gott teve o pressentimento de que o garoto chamado Vlad não pararia ali.

"Também quitei a dívida."

Com essas palavras, Gott se virou.

Porque mais covas precisavam ser cavadas para enterrar os corpos dos mercenários mortos na noite passada.

"Hmm?"

Enquanto se afastava de Gott e vagava pelo acampamento, Vlad viu alguém gesticulando em sua direção.

"Sacerdote."

Era o sacerdote Andrea.

"O que foi, sacerdote?"

"Tenho algo em que gostaria da sua ajuda."

O sacerdote Andrea sorriu de forma constrangida e apontou para o caixão atrás dele.

"Ninguém parece disposto a mover o caixão."

"..."

Houve muitos mortos no ataque repentino da noite passada, incluindo o cavaleiro Rodrick.

Aqueles que tinham alguém para recolher seus corpos eram colocados numa carroça e enterrados no cemitério, mas os que não puderam receber um sepultamento adequado ficaram ali, esquecidos.

E ali havia mais um caixão que ninguém procurou.

"...Eu faço."

"Oh. Eu sabia que você ajudaria."

O caixão indicado por Andrea continha a mulher que fora como um terrível pesadelo.

Era uma maldição sinistra. Precisavam levá-la a Varna para uma investigação mais aprofundada.

Talvez por se sentir mal em pedir a Vlad algo que ninguém queria fazer, as palavras de Andrea se prolongaram.

"E como você sabe, não é muito lamentável?"

"Sim."

Vlad acenou com a mão para o jovem diácono que disse que ajudaria.

"Uma tarefa pesada como essa é mais adequada para alguém com força."

"Mesmo assim..."

O jovem diácono, cuja voz falhava como se sua garganta ainda não tivesse se recuperado, recuou diante da objeção de Vlad.

"Você já fez o que precisava ser feito com a canção que cantou naquela noite."

Ao ouvir as palavras de Vlad, o jovem diácono sorriu humildemente e deu um passo atrás.

"Ugh!"

Embora Vlad não fosse muito forte, empurrou o caixão sozinho e o colocou sobre a carroça.

Ela era uma mulher digna de pena.

Ninguém sabia quem ela era ou como chegara a tal destino, mas Vlad simpatizou genuinamente com ela.

"Venha por aqui. Oferecerei minhas bênçãos, só por precaução."

Andrea tentou segurar sua mão, preocupado com os resquícios da maldição que ainda poderiam restar. Mas Vlad falou:

"Espere um momento, sacerdote."

As mãos dele já estavam sujas de qualquer forma. Então não faria diferença usá-las ao menos mais uma vez.

Vlad ergueu a caixa de madeira preta que Andrea havia cuidadosamente envolto com um pano branco.

Uma caixa que todos evitavam olhar diretamente, de aparência sinistra e ominosa.

Aquela caixa de madeira era o objeto de uma terrível maldição e aquilo que a mulher procurara desesperadamente na noite passada.

"Vlad..."

"Acho que é a coisa certa a fazer."

Creak

A tampa do caixão, mal vedada, se abriu com um som fraco.

"Se isso puder trazer algum conforto."

O corpo da mulher estava partido ao meio, e seu rosto estava cheio de marcas de lágrimas negras.

"Isso não está bem assim, sacerdote?"

"De fato. Você tem o direito de fazer isso."

Vlad colocou a caixa de madeira preta sobre o dorso da mão rígida da mulher.

A caixa de madeira segurada por quem controlava a morte continha um pequeno cadáver.

"Aqui está o seu filho."

Uma mulher e sua criança foram assassinadas por causa da maldição.

Mesmo morta, a mulher pôde recuperar o filho que procurava desesperadamente.

Talvez por isso, a expressão rígida em seu rosto parecesse relaxar um pouco.

"...Devo pregar completamente para você?"

"Sim, eu agradeceria. Depois darei uma bênção adequada."

Andrea olhou para Vlad, que tentava se despedir da pobre mulher pela última vez, mesmo com todo o corpo em dor, e recitou uma prece por ele.

Um sacerdote fiel e um garoto fiel se despediam da mulher que todos ignoravam.

Toc, toc.

Como se fosse o sino fúnebre para a falecida.

O som do martelo de Vlad ecoava suavemente no meio do acampamento-base.

✦  ✦  ✦

"Cheguei."

Na última noite antes de deixarem o acampamento, Josef chamou Vlad em silêncio.

"Sente-se."

Vlad sorriu levemente ao encarar Josef e se sentou.

"Sabe beber?"

"O lugar em que eu trabalhava antes era um restaurante e bar."

"Então você sabe lidar com álcool."

Josef serviu um líquido marrom-claro no copo à frente de Vlad.

"É uísque?"

"É a minha bebida favorita."

Vlad sentiu o aroma adocicado de baunilha que emanava do licor e se convenceu de que não era um uísque caro qualquer.

"Quero expressar minha gratidão primeiro."

Josef sentou-se naturalmente e continuou a falar.

"Você poderia ter fugido."

"Mas fizemos um contrato."

"Sim, fizemos um contrato para você confiar em mim, não de lealdade."

Josef girou o copo sobre a mesa e continuou:

"Embora tenha sido apenas um contrato verbal."

"Mesmo assim."

Josef se impressionou não apenas com as habilidades de Vlad, mas também com sua franqueza.

'Ele é um talento que não pode ser ignorado.'

Embora tivesse avaliado Vlad como um talento útil, as ações de Vlad na noite passada superaram facilmente essa avaliação.

Estranhamente, Vlad, que havia pegado uma espada há pouco tempo, emitiu uma aura e a brandiu por ele contra a mulher amaldiçoada que parecia a própria morte.
Vlad não era apenas útil, mas um talento indispensável.

"..."

Vlad estava sentado tenso, incapaz sequer de tocar a bebida preciosa diante dele.
Observando a postura rígida de Vlad, Josef tomou um gole do aparentemente caro uísque, como se estivesse tomando remédio.

"Agora é hora de eu cumprir aquele contrato."

A relação entre um rei e a nobreza, ou a lealdade entre um senhor e um cavaleiro, no fim sempre envolvia algum tipo de troca.

E Josef havia recebido de Vlad o presente da vida.

"Fui ensinado que devo devolver tudo o que recebo de meu pai, não importa o que seja."

Josef inclinou o copo na direção de Vlad enquanto falava.

"Quero convidá-lo para a família Bayezid. Quero lhe pagar uma recompensa justa por este incidente."

"..."

Vlad pensou em silêncio, olhando para o copo oferecido.

Não havia motivo para recusar, mas ele precisava se preparar para o que vinha pela frente.

"É uma honra, Lorde Josef."

"Beba."

E o garoto sempre esperou por tomar essa decisão.

Algum dia, eu sairei dos becos traseiros para um mundo mais amplo.

Com a permissão de Josef, Vlad segurou o copo com as duas mãos e virou o uísque.

Não terminarei minha vida com rum barato vendido nos becos.

Houve um dia no passado em que fez essa promessa a si mesmo, e essa promessa se cumpriu hoje.

"Tem um gosto bom."

"É licor de nobre."

O uísque adequadamente envelhecido, com um aroma rico, foi a bebida mais doce que Vlad já havia provado.

O mundo de Vlad estava se expandindo tanto quanto o sabor do uísque que provava pela primeira vez.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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