Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 2

Capítulo 17: À Procura Dos Mortos

"Havia homens se movendo pela neve branca.

Cerca de vinte homens, todos armados com armas ameaçadoras, avançavam com cautela, vasculhando os arredores com olhares atentos.

"Podemos confiar naquele sujeito?" Zayar perguntou a Vlad, que caminhava ao lado de seu cavalo.

"Não posso confiar nele. Ele parece um vigarista," respondeu Vlad.

"Hmm."

Vlad respondeu enquanto olhava para o mercenário que caminhava à frente.

Era Gott. Ele virou a cabeça e lançou a Vlad um olhar ressentido.

Havia em seus olhos uma expressão injustiçada, como se dissesse: é assim que você retribui minha boa vontade?

"Não posso confiar nele, mas pelo menos não parece louco."

"E ele é a única testemunha."

Após ouvir o relato de que o cavaleiro Rodrick havia desaparecido, Josef interrompeu todos os preparativos para o retorno e organizou um grupo de busca para encontrar o desaparecido.

"Talvez isso seja uma oportunidade."

O peso do desaparecimento de um mercenário e o de um cavaleiro de família nobre era diferente. Esse incidente levantava fortes dúvidas sobre a competência de Josef e poderia levá-lo a severas repreensões.

Ainda assim, Josef não entrou em pânico por causa do acidente ocorrido sob sua responsabilidade.

"Descobrir tendências incomuns como essa pode ser mais vantajoso do que conquistas medíocres na subjugação."

Um homem que permanecia calmo mesmo em crises repentinas, aproveitando oportunidades em momentos de perigo — esse era Josef da família Bayezid.

"Cabelo preto…"

Zayar ficou muito perturbado com o relatório de que homens com a mesma cor de cabelo de seu lorde, Josef, estavam desaparecendo.

"De fato, parece suspeito."

"Mesmo assim, não há nada que possamos fazer."

A maior prioridade de Zayar sempre foi proteger Josef, mas desta vez ele não teve escolha.

O cavaleiro Rodrick havia desaparecido, então alguém mais forte do que ele precisava assumir a situação e, embora não tivessem certeza, também precisavam considerar a existência da mulher que havia levado Rodrick.

Nesse caso, a única pessoa entre eles capaz de lidar com tudo isso era Zayar, um cavaleiro habilidoso no manejo da aura.

"Ainda restam três cavaleiros no acampamento-base, então não há muito com o que se preocupar, certo?"

"Isso é porque não há nenhum decente entre eles."

"Não teria sido melhor se eu tivesse ficado?"

"Mas eles ainda são melhores do que você."

"..."

O julgamento de Zayar provavelmente estava correto.

Era natural que cavaleiros que usavam a espada formalmente há mais de dez anos estivessem em um nível muito superior ao de Vlad, que só empunhava a espada a sério havia pouco mais de um mês.

Apenas Vordan, que comprara seu título de cavaleiro com dinheiro, talvez tivesse um nível comparável ou inferior ao de Vlad.

Ainda assim, Vlad não tinha motivo para se decepcionar com a avaliação dura de Zayar.

Se Vlad realmente tivesse habilidades ruins, não teria sido levado ao grupo de busca agora.

"Uh, é ali."

Gott, que liderava o grupo de busca, apontou à frente com as mãos trêmulas.

Um local onde ainda restavam vestígios do acampamento da unidade de subjugação.

Era o mesmo lugar onde Gott estivera de guarda, e agora, ao chegarem ao ponto onde Rodrick havia desaparecido, todos ficaram em alerta.

"Vocês verificaram a floresta? Nenhum vestígio?"

"Sim, sim. Está correto. O mercenário que era caçador procurou, mas não conseguiu encontrar uma única pegada."

Com Rodrick ausente, o comando da unidade de subjugação ficou vago, e quem tomou a iniciativa, ainda que brevemente, de procurá-lo e liderar a unidade foi o escudeiro de Rodrick.

"Fiz o meu melhor, mas…"

Foi uma resposta inicial razoável, mas esse era o limite de suas capacidades.

O fato de Gott ter conseguido retornar rapidamente ao acampamento-base, antes mesmo dos outros, só foi possível por causa do comando frouxo do escudeiro.

"Tudo bem."

Zayar vasculhou os arredores com olhos afiados e amarrou seu cavalo a uma estaca próxima.

A partir dali, ele teria de avançar pela montanha pessoalmente.

"A partir de agora, formaremos grupos de três e vasculharemos os arredores. Mantenham-se dentro do campo de visão uns dos outros."

"Sim!"

A gravidade do desaparecimento de um cavaleiro, a presença de Zayar como comandante e a existência de Vlad, que vinha controlando os mercenários.

Embora fossem apenas mercenários reunidos de lugares diferentes, naquele momento eles se moviam rápida e eficientemente como soldados bem treinados.

"Vocês dois vêm comigo."

Entre os grupos de três, Zayar ficou acompanhado pelo escudeiro Vlad e pela única testemunha do incidente, Gott.

"Capitão, como você pôde fazer isso comigo? Pessoas, pessoas não devem ser tratadas assim."

"…Vou compensar você depois."

"Isso é um golpe, se aproveitando da boa vontade das pessoas."

Embora Gott falasse em voz baixa por causa da presença de Zayar, sua voz ficava cada vez mais agressiva.

"Eu disse que sinto muito."

Vlad ouvia as reclamações do vigarista por ter sido enganado, mas seus olhos rastreavam atentamente possíveis vestígios de alguém.

Para ser honesto, ele mal prestava atenção nas palavras de Gott.

"Você vê alguma coisa?"

"Não…" respondeu Vlad.

Ele procurava diligentemente qualquer traço suspeito, mas não encontrou nada na trilha da montanha coberta de neve.

"Inútil."

"Eu sou da cidade."

"Como se encontra alguém que desaparece em um beco?"

"Normalmente eu agarro qualquer um e espanco."

"…Você é realmente inútil."

Para Vlad, que havia vivido a vida toda na cidade, isso era algo inevitável.

Vlad sabia como fazer uma fogueira, mas nunca aprendera técnicas de rastreamento.

Zayar suspirou, pensando que ainda teria muito a ensinar a Vlad.

"O sol vai se pôr em pouco tempo."

Zayar observou o sol poente, confirmando que não restava muito tempo para a busca.

O local onde o grupo se encontrava agora ficava a meio dia de caminhada do acampamento-base.

Considerando isso, eles haviam partido antes do amanhecer, mas nas montanhas o sol se punha rapidamente.

"Hmm?"

Enquanto ponderava quando encerrar a busca, Zayar viu algo.

Um rio congelado.

Além dele, havia uma floresta.

"Investigamos além daquele rio?"

"Pelo que sei, não atravessamos o rio, senhor."

"…"

Diante da resposta de Gott, Zayar pensou: 'Não encontraremos nada aqui.'

Eles já haviam vasculhado a floresta, e não havia vestígios de batalha, muito menos pegadas.

Se Rodrick fosse encontrado, não seria ali.

A misteriosa mulher de cabeça flutuante também dificilmente estaria ali.

Para encontrá-los, precisariam ir mais longe, a um lugar que ainda não haviam explorado.

"Atravessaremos o rio."

Atravessar o rio poderia aumentar as chances de encontrar vestígios.

Zayar sinalizou para os mercenários com um breve assobio e gesticulou em direção ao rio, indicando que se reunissem ali.

"Não está completamente congelado."

"Porque é o fim do inverno. Ultimamente tem estado relativamente quente."

Zayar, ao chegar ao rio com os mercenários, confirmou que o rio que pretendiam atravessar não estava totalmente congelado.

"Mesmo assim, deve ser possível atravessar."

"Acho que ficará tudo bem se atravessarmos divididos."

O gelo emitia sons ominosos de rachadura a cada passo, mas parecia resistente o suficiente para suportar o peso de homens adultos.

"O grupo daqui até aqui atravessa primeiro."

Preocupado com a possibilidade de o gelo ceder, Zayar decidiu dispersar os homens e enviá-los em grupos.

"Ugh…"

"O que foi?"

Vlad olhou para Gott, que gemia atrás dele.

O rosto de Gott estava pálido enquanto observava os mercenários atravessando o rio lentamente.

"Estou com um mau pressentimento..."

"Pressentimento? Besteira. Você só está com medo."

"Claro que estou com medo! Sou diferente de pessoas grandiosas como você, capitão."

Gott disse, roendo as unhas nervosamente.

"Pessoas como eu só conseguem sobreviver se tiverem uma boa intuição."

"É. Precisa de bons instintos para enganar as pessoas."

"…Enfim, meu instinto está dizendo para não atravessar aquele rio."

"Então tente convencer o senhor Zayar. Se seus instintos são tão bons assim, diga a ele para não atravessar."

"…"

Vlad agarrou Gott à força, que tentava recuar dizendo que não se sentia bem.

"Não entendo muito dessas coisas de intuição, mas vou te dizer uma coisa: se tentar fugir aqui, não vai morrer de forma bonita. A única testemunha fugindo da cena? Até eu pegaria alguém assim e espancaria."

"Então por que você me agarrou!?"

"Então por que você viu um fantasma? É culpa minha que você tenha visto um fantasma?"

Gott franziu a testa diante da resposta descarada de Vlad.

"Próximo!"

Quando o primeiro grupo de mercenários atravessou em segurança, Zayar conduziu os demais em direção ao rio.

Crack—

"Capitão, capitão! Isso pode quebrar, não pode?"

"Claro. Se você disser mais uma palavra, eu quebro e jogo você dentro."

"Huhuhuh…"

Quando Vlad conheceu Gott, achou que ele era ousado por tentar enganá-lo, mas descobriu que ele era muito mais covarde do que parecia.

"Por que esse cara está tão apavorado!"

Vlad acabou ficando para trás, pois precisava arrastar Gott, que recuava o tempo todo e se recusava a avançar.

Mesmo quando o segundo grupo chegou ao centro do rio, Gott e Vlad ainda permaneciam próximos ao início.

"Hee-heek! Não dá! Não dá pra ir!"

"Até a minha paciência tem limite. Levante agora mesmo, seu idiota…"

"Eeeeek! Aaaaah!"

Vlad, que estava prestes a repreender Gott por cair no gelo, acabou perdendo a vez quando Gott gritou de repente.

Gott gritou para Vlad, com o rosto pálido.

"Cap- capitão! Embaixo! Embaixo!"

"Eu disse que não ia quebrar! Quer que eu te apague e arraste para o outro lado?"

"Não, embaixo, sob o rio, tem um—"

Antes que Vlad explodisse de raiva, Gott, mal recuperando o fôlego, conseguiu gritar o que queria dizer.

"Um cadáver! Tem um cadáver embaixo do rio!"

"O quê?"

Vlad, finalmente entendendo as palavras gaguejadas de Gott, olhou para o gelo sob seus pés.

Sob o leito escuro do rio, onde até os peixes pareciam congelados.

Bubble—

Pequenas bolhas subiram.

"...?"

Havia algo se movendo lentamente sob a superfície.

"Que porra."

Não, havia várias coisas.

Com formas vagas, aproximavam-se gradualmente.

Abriram a boca bem aberta e estenderam mãos brancas.

"Senhor Zayar!"

Zayar, que atravessava o rio havia algum tempo, virou a cabeça ao ouvir seu escudeiro gritar desesperado à distância.

"Ele ainda está lá?"

No momento em que ia dizer algo, achando que Vlad estava brincando.

"Algo está subindo debaixo do rio!"

"…O quê?"

Finalmente, a presença daquelas coisas alcançou a superfície.

Boom, boom, boom!

Coisas que rastejaram das profundezas escuras e geladas.

Thud!

Começaram a golpear violentamente o gelo que separava a fronteira entre os vivos e os mortos.

Pediam para serem tiradas dali.

Como se dissessem que estava frio demais ali.

"Aaaah!"

"O gelo está rachando!"

"Um cadáver! Tem um cadáver embaixo do rio!"

Crack!

"...!"

Zayar sentiu algo emergir debaixo do rio e agarrar seu tornozelo.

Era uma sensação assustadoramente fria.

Kwaaah!

Zayar olhou para os próprios pés, chocado.

Era um cadáver.

Além disso, o cadáver de um homem de cabelo preto.

"Merda!"

Eles emergiram silenciosamente das profundezas do rio e enganaram até mesmo os sentidos do cavaleiro Zayar.

O gelo do rio rachava junto aos gritos desesperados dos mercenários.

"Me salvem!"

"Não me puxem pra baixo! Aaah!"

Eram coisas que não respiravam, presas em um lugar incrivelmente frio.

Kraaaaah!

Por isso, estendiam desesperadamente as mãos.

Em direção àqueles que ainda respiravam calor.

"Atravessam o rio rápido!"

Zayar sacou a espada, cortou o que o segurava e gritou alto.

"Agora!"

Enquanto Zayar instava os mercenários a atravessarem, havia alguém gritando ao lado de Vlad.

"Aah! Aah! Capitão!"

"Maldita coisa!"

Corpos começaram a subir do fundo do rio.

"Ugh!"

Vlad golpeou com a espada as mãos que se estendiam em sua direção e agarrou a nuca de Gott, que ainda estava caído.

"Seu maldito filho da—!"

[Não entre em pânico! Decida uma direção antes de se mover!]

Seguindo o conselho da voz, Vlad avaliou rapidamente os arredores.

'Não dá para avançar!'

Se era assim, só havia uma direção possível.

Tendo decidido, Vlad começou a arrastar Gott com uma mão e a brandir a espada ferozmente com a outra, refazendo o caminho por onde viera.

O vapor branco da respiração de Vlad tornou-se cada vez mais espesso.

"Levanta! Seu desgraçado!"

"Ughhhh!"

Gelo quebrando. Um rio colapsando.

E pessoas gritando sem parar acima dele.

Essa foi a última cena testemunhada pelo sol vermelho ao se pôr além da montanha.

Enquanto o grupo de busca lutava para atravessar o rio, a noite se aproximava lentamente por trás deles.

Noite e escuridão.

Essas não eram coisas permitidas aos vivos.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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