Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 2

Capítulo 16: Fim de Missão

A missão da unidade de subjugação reunida na cidade de Varna estava chegando às suas etapas finais.

Eles haviam mobilizado mercenários para reduzir o número de monstros na floresta, de modo que, na próxima primavera, pudessem soltar ovelhas e vacas nos campos com tranquilidade.

Embora os resultados não fossem significativos o suficiente para satisfazer Josef, o comandante da unidade de subjugação.

"Esses bastardos que não conseguiam nem dirigir uma palavra ao Vlad."

Quando Vlad se tornou escudeiro de Zayar e naturalmente deixou os mercenários, Gott tornou-se o novo líder do 4º esquadrão.
Agora, restavam apenas seis membros, contando com ele mesmo.

"Já que está quase acabando, vamos aguentar."

Normalmente, a posição de líder de esquadrão deveria ser ocupada pela pessoa mais forte e influente. Contudo, como a subjugação estava chegando ao fim, na prática, o cargo havia se tornado apenas uma função para lidar com assuntos triviais.

Em outras palavras, Gott acabou empurrado para tarefas incômodas.

"Por que a neblina é tão densa no inverno?"

Por esse motivo, apesar de ser líder de um esquadrão, Gott estava no meio da noite fazendo guarda.

O último acampamento antes da subjugação final.

Gott observou a névoa ao redor, o sono que se aproximava, o frio intenso, e sentiu saudade do seu saco de dormir no acampamento.

"Alguma coisa incomum?"

"Não parece haver nada de especial."

Enquanto bocejava há um bom tempo, um homem surgiu repentinamente da névoa em direção a Gott.

O homem tinha cabelos pretos bem curtos e um corpo robusto.

"Fique atento e continue com o bom trabalho."

"Sim, Sir Rodrick."

Cavaleiro Rodrick.

Para Josef, que possuía poucos cavaleiros leais, Rodrick era o único que podia cumprir suas ordens além de Zayar.

E essa também era a razão pela qual Gott, que estava longe de ser diligente, se concentrava tanto no papel de vigia.

"Tsk. Ele é tão resistente que nem uma única agulha atravessaria."

Quando Rodrick passou, Gott murmurou em uma voz inaudível.
A presença de Rodrick, que valorizava disciplina e regras em qualquer hora e lugar, era um fardo para os mercenários.

"Será que posso fechar os olhos por um momento agora?"

Já que ele acabara de fazer a ronda, provavelmente poderia relaxar por um tempo.

Justo quando Gott estava prestes a fechar os olhos.

"O que você está fazendo aqui?"

A voz de Rodrick ecoou através da névoa espessa.

'Ele ainda não foi embora?'

Gott abriu bem os olhos e tentou encontrar Rodrick, apoiando-se nas tochas espalhadas.

"O que quer dizer com estar procurando uma criança?"

'Com quem ele está falando?'

Na noite escura, em meio à neblina densa.

Embora a visibilidade não fosse boa, era evidente que Rodrick estava conversando com alguém.

Mas o estranho era que, enquanto a voz de Rodrick era clara, a voz da pessoa com quem ele falava não podia ser ouvida de forma alguma.

"Agora que vejo, você parece uma mulher louca. Eu não sou seu filho."

'Criança?'

Na conversa estranha que hints nao fazia muito sentido, Gott acabou, sem perceber, focando na direção de onde vinha a voz de Rodrick.

"..."

No entanto, a voz de Rodrick, que vinha ecoando da névoa, pareceu ter parado abruptamente, como se tivesse sido cortada de repente.

'O que está acontecendo?'

Sentindo algo estranho, Gott deixou seu posto e se moveu silenciosamente em direção ao local de onde o som viria.

Embora suas habilidades com a espada não fossem notáveis, Gott possuía a capacidade de se mover discretamente como um vigarista.

Passo – passo —

Tudo o que conseguia ouvir eram seus próprios passos sobre a neve, e não havia sinal de Rodrick, que até pouco antes falava com alguém.

'...Para onde ele foi?'

Ainda assim, à distância, Rodrick podia ser visto caminhando em direção à borda iluminada por uma tocha.

'O que é aquilo?'

Mas havia algo estranho. Algo girava ao redor de Rodrick enquanto ele caminhava em direção à floresta.

'...!'

No momento em que Gott vagamente identificou aquilo, um arrepio percorreu sua espinha.

'O que é isso!'

Uma figura tênue na névoa espessa.

Era uma mulher de cabelos longos.

Os cabelos da mulher rodopiavam em torno de Rodrick, como se ela não tivesse um corpo físico para acompanhá-los.

✦  ✦  ✦

"Então, pretendo retornar a Varna assim que esta unidade de subjugação voltar..."

Josef arrastou suas palavras enquanto observava os cavaleiros ao redor.

Uma atmosfera peculiar os envolvia.

Os cavaleiros evitavam fazer contato visual com Josef, como se estivessem, de alguma forma, constrangidos.

E, entre eles, Zayar mantinha um sorriso discreto, completamente oposto aos demais.

"Espero que se preparem de acordo."

"...Sim."

"Entendido, Lord Josef."

"Pois bem, é assim que deve ser."

Após concluir suas palavras, Josef virou a cabeça para examinar os cavaleiros. Mais precisamente, ele estava observando os escudeiros que estavam atrás deles.

Atrás de cada cavaleiro havia escudeiros auxiliando-os.

"..."

Todos pareciam estar em um estado lastimável.

O escudeiro de Vordan, com os olhos inchados, estava em condições relativamente melhores.

Olhos injetados de sangue, lábios rachados e uma expressão que parecia um tanto assustada.

Apenas Vlad, que estava atrás de Zayar, tinha o rosto limpo e uma expressão que transmitia completa confusão.

"Dispensados."

"Cof, hum!"

"Que brutalidade."

"Como esperado de alguém vindo dos becos, tsk tsk."

Embora não estivesse claro a quem se dirigiam, os cavaleiros disseram algumas palavras, um por um, e deixaram a tenda.

Assim que todos os cavaleiros, exceto Zayar, saíram da tenda, Josef olhou para Vlad com olhos entristecidos.

"Você bateu neles?"

"Não tenho certeza do que está falando....."

"Odeio mentiras."

"...Houve uma breve iniciação ontem à noite."

"Iniciação?"

Quando a mão de Zayar estava prestes a se levantar, Vlad respondeu rapidamente.

"Eles queriam receber tratamento de veteranos."

Atualmente, Vlad ocupava oficialmente a posição de escudeiro de Zayar. Apesar de algumas histórias complicadas, pelo menos aos olhos dos outros, era assim que parecia.

"E então?"

"Normalmente é uma cerimônia em que os novatos se apresentam, certo? Então eu só mostrei a eles o que queriam ver."

Em geral, salvo em circunstâncias especiais, a posição de escudeiro de um cavaleiro era concedida a filhos de nobres ou de famílias ricas que aspiravam a se tornar cavaleiros.

Desde o início, era praticamente uma etapa obrigatória para se tornar cavaleiro e, embora envolvesse tarefas domésticas, podia-se dizer que era um cargo com o qual pessoas comuns nem sequer ousavam sonhar.

Em um mundo onde esses preciosos jovens mestres se reuniam, a presença de alguém estranho como Vlad era, sem dúvida, um problema que precisava ser resolvido ao menos uma vez, do ponto de vista deles.

"Bem... é cem vezes melhor do que voltar todo espancado."

Quando o olhar de Josef se voltou para Zayar, ele deu de ombros e respondeu.

"Garotos dessa idade crescem brigando uns com os outros."

"Parece que isso o deixa de bom humor, de alguma forma."

"Todo mundo espera que seu cão seja melhor que os cães das outras casas."

Embora Vlad tivesse sido comparado a um cão, ele não ousou expressar insatisfação, pois a presença das duas pessoas ali era esmagadora demais.

"Bem... acho que isso também é verdade do meu ponto de vista."

Josef assentiu em compreensão às palavras de Zayar.

Bam!

"Ugh!"

Nesse momento, a palma de Zayar atingiu a parte de trás da cabeça de Vlad.

"Aí está. Não volte depois de apanhar em qualquer outro lugar, exceto comigo."

"Isso é um elogio?"

[Kura: Então né, forma estranha kkkk.]

"Se você é um cavaleiro, deve estar em alerta como se fosse uma batalha real a qualquer hora, em qualquer lugar. Você acabou de morrer uma vez."

Vlad só pôde esfregar a parte de trás da cabeça diante das ações de Zayar, sem saber se aquilo era uma crítica ou um elogio.

"Não há necessidade de usar esse sujeito..."

"Agora não."

"Ouviu? Vá para fora."

Diferente dos cavaleiros comuns, Zayar servia como o guarda mais próximo de Josef.

"...Tudo bem, eu vou."

As palavras também significavam que não havia necessidade de ficar colado a Zayar o dia inteiro, como faziam os outros escudeiros.

Vlad deixou a tenda e murmurou em voz baixa, de modo que ninguém pudesse ouvir.

"Treinar comigo duas vezes por dia. Está ficando monótono."

[Garoto. Isso é realmente uma oportunidade de ouro.]

A Voz falou com Vlad, que coçava a parte de trás da cabeça e reclamava em silêncio.

[Se outros estivessem no seu lugar, pagariam com prazer para treinar com Zayar. Ele é um cavaleiro de valor.]

"Parece apenas que ele quer me bater."

[É por isso que a qualidade do treino melhorou. Entusiasmo é essencial em qualquer lugar.]

"..."

Manhã e noite, treinar com Zayar era a única rotina fixa de Vlad.

Fora isso, Vlad tinha tempo livre de sobra.

Agora que não era mais um mercenário, não havia necessidade de se aventurar na floresta para subjugação, e havia mercenários suficientes para realizar as tarefas no lugar dele.

"Devo ir ver o Padre Andrea."

[Será conveniente, de uma forma ou de outra, construir um relacionamento com alguém influente.]

Logo após a máscara de Riemann ser removida e seu verdadeiro rosto ser revelado, Vlad confessou seus pecados como um cordeiro diante de Andrea.

"Há momentos em que a honestidade é a resposta."

[Um avanço frontal é a forma mais limpa.]

Um relacionamento com um sacerdote prestigiado valia a pena deixar o orgulho de lado.

"Deus perdoa tudo. Assim como estou aqui agora para ouvir suas palavras."

Mesmo que Vlad o tivesse enganado, o Padre Andrea ouviu todas as confissões de Vlad e o perdoou. Ele até expressou gratidão por Vlad ter ido até ele e confessado todos os seus pecados.

De fato, era um sacerdote digno de admiração.

[Se você continuar aparecendo, chegará o dia em que conquistará o favor dele.]

Houvera algumas crises nos últimos dias, mas, no fim, Vlad tornara-se escudeiro de um cavaleiro e seu relacionamento com o Padre Andrea havia se fortalecido novamente. Assim, Vlad aproveitou o melhor que pôde dessa missão de subjugação de monstros.

"Bem, que tal cortar um pouco de lenha?"

Para impressionar Andrea, Vlad começou a cortar lenha para ele.

"Capitão! Riemann... não, Capitão!"

Enquanto cortava lenha, uma voz desesperada chamou por Vlad.

"Quando você voltou?"

Embora Vlad reagisse de forma indiferente, Gott olhou ao redor com ansiedade e falou com urgência.

"Capitão."

"Por que está me chamando de capitão? Eu não sou mais capitão."

"Então, Vlad."

"Não aja como se fôssemos próximos."

"Não, então como devo chamá-lo..."

Gott protestava com uma voz ressentida, mas aproximou-se cautelosamente de Vlad, que cortava lenha, como se aquele não fosse o momento para discutir isso.

"O que foi?"

"Estou planejando fugir daqui esta noite."

"Por quê?"

"Não se esqueça de que estou dizendo isso apenas por boa vontade. Considere como boa vontade para depois, quando você rir disso."

Vlad riu da boa vontade expressa pelo vigarista.

"Claro, o que você quer dizer?"

"..... Não leve minhas palavras de forma leviana. Eu vi com meus próprios olhos."

Foi só então que Vlad largou o machado que usava para cortar lenha, pois o comportamento de Gott estava completamente diferente do habitual.

"O que foi?"

Gott falou em voz baixa, olhando para Vlad, que finalmente parecia disposto a ouvi-lo.

"Aquela floresta. A floresta que estamos subjugando."

Com a voz trêmula e o olhar inseguro, Gott continuou.

"Aquela floresta é amaldiçoada."

"O quê?"

As palavras do vigarista pareciam carregar uma sinceridade genuína.

"Já tivemos alguns desertores até agora, certo? Mesmo com o pagamento sendo bom e as condições de trabalho não sendo ruins aqui."

"Isso é verdade."

Enquanto Vlad se envolvia cada vez mais na história de Gott, ele falou em voz ainda mais baixa.

"Todos esses desertores foram levados pela floresta. Não apenas desertores, mas pessoas que realmente desapareceram."

"O quê? Está dizendo que há fantasmas na floresta sequestrando pessoas?"

Certamente, havia desertores mesmo em um ambiente de trabalho decente. Contudo, como mercenários, por natureza, eram indivíduos que preferiam se mover livremente e fazer o que bem entendessem, Vlad simplesmente havia ignorado isso.

"Existe um fantasma. Eu vi com meus próprios olhos."

"Você está louco. Apenas vá embora."

Embora Vlad tivesse considerado a história um tanto plausível, ele rapidamente perdeu o interesse quando declarações absurdas e vagas começaram a surgir.

"Até um cavaleiro desapareceu durante esta subjugação! Não é mentira!"

Até as próximas palavras de Gott.

"O quê?"

"E eu investiguei uma vez quando voltei, sabe?"

Quando Gott disse que um cavaleiro estava desaparecido, Vlad percebeu que a situação não era comum.

"Aqueles que ainda estão desaparecidos."

Quando um vigarista mente?

Apenas no momento em que obtém vantagem.

"Todos eles tinham cabelo preto."

"O quê?"

Mas, para Gott, agora não era hora de tais considerações.

Vlad encarou Gott novamente, percebendo a gravidade da situação.

"Não é estranho? Todos eles tinham cabelo preto."

Ele estava realmente com medo.

Traduzido por Moonlight Valley

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