Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 2

Capítulo 14: O Filho Do Conde

Vlad sentiu uma dor terrível ao acordar na manhã seguinte.

Levantar-se é doloroso, e abrir os olhos é torturante, especialmente quando o ar lá fora está frio.

"Gott. O que tem no café da manhã hoje?"

"Algum ensopado de carne estranha."

"...Me sinto enjoado."

Vlad, que teve uma noite de sono horrível, percebeu que nem mesmo a refeição da manhã iria ajudá-lo, então se levantou do lugar onde estava.

"Não vou tomar café da manhã hoje."

"Vai ao sacerdote de novo?"

Gott, que estava prestes a ir para a área de distribuição de comida com sua tigela vazia, olhou para Vlad com olhos invejosos.

"Será que eu deveria rezar também?"

"Você já se mete em problemas só pela palavra 'oração'."

Quando Vlad abriu a barraca, a luz do sol da manhã começou a se infiltrar por dentro.

"Está frio."

Era uma visão maravilhosa, mas depois de acampar no campo de inverno por cerca de um mês, aquilo também começava a ficar entediante.

"Eu cheguei primeiro!"

"Não, por que o nosso caldeirão ainda nem começou a ferver!"

A refeição tinha um gosto estranho e salgado, mas o simples fato de o empregador fornecer comida já significava que aquele lugar tinha um ambiente de trabalho excelente.

"Hmm."

Vlad passou pelos mercenários que gritavam por uma tigela de ensopado e parou diante de uma barraca.

A barraca era menor do que aquela onde Josef Bayezid, o comandante da força de subjugação, estava localizado, mas em vez disso transmitia uma sensação de ordem e limpeza.

"Sacerdote, cheguei."

Uma atmosfera acolhedora emanou de dentro da barraca quando Vlad ergueu a aba de tecido.

"Oh, Riemann! Entre logo. Eu estava prestes a tomar café da manhã."

O Sacerdote Andrea, o dono da barraca, recebeu Vlad com um sorriso radiante.

"Sacerdote, espero que tenha passado bem a noite passada."

"Estou sempre em paz."

O Sacerdote Andrea conduziu graciosamente o homem que entrara trazendo o vento frio do inverno até um assento à mesa.

"Por favor, sente-se."

O Sacerdote Andrea instruiu um de seus jovens diáconos a preparar uma porção extra de café da manhã para o convidado.

[Kura: No Brasil, o sacerdote seria o padre, e o diácono, o coroinha.]

"Ouvi dizer que você foi rezar ontem à noite também?"

"Eu não consegui dormir."

"Devia estar frio."

"Quando se está no abraço do Senhor, o que importa o frio?"

"Haha! Você parece mais sacerdote do que eu."

Vlad trocou cumprimentos com o Sacerdote Andrea, mas seu olhar permaneceu fixo no jovem que trazia algo.

'Pão de trigo!'

E ainda por cima era pão branco e macio de trigo, não o pão preto duro.

Dizia-se que Josef, o comandante da força de expedição, era um fiel devoto, então a dedicação que oferecia ao sacerdote era realmente admirável.

"Oremos."

"Eu não vim aqui para comer. Só vim cumprimentá-lo, sacerdote….."

"Hoje, agradeçamos ao Senhor por nos fornecer o pão de cada dia..."

Vlad recusava apenas por fora, e o Sacerdote Andrea, já na casa dos cinquenta anos, conseguia ver claramente suas verdadeiras intenções. Ele simplesmente fingiu não notar e preservou o orgulho de Vlad.

[Kura: Pensei que ele não soubesse a intenção do Vlad.]

"Que comamos este alimento e ganhemos forças para poder nos empenhar ainda mais na prática do bem..."

Andrea lançou um olhar discreto ao jovem loiro que rezava diante dele.

'Ele é realmente um jovem excepcional.'

O Sacerdote Andrea era tão renomado que Josef baixara a cabeça para trazê-lo até ali. Sua reputação não vinha de pregações nem de conexões, mas de seus próprios feitos.

Mesmo tendo mais de cinquenta anos, ele era amplamente conhecido não apenas entre os nobres, mas também entre os plebeus, pois acompanhava expedições de caça a monstros por toda a região, derrotando criaturas malignas e concedendo bênçãos aos soldados.

'Ele não perdeu a fé nem nos lugares mais miseráveis. Que visão bela.'

Para o Padre Andrea, a existência de um homem chamado Riemann foi um pequeno choque.

Um jovem que buscava a vontade de Deus mesmo vivendo como mercenário e levando uma vida dura.

Para Andrea, a presença de Riemann, que cuidava de si mesmo e sempre se curvava a Deus mesmo entre aqueles indivíduos rudes, era como uma revelação.

'Isto também deve ser um destino concedido por Deus.'

Enquanto alguns fingiam rezar por necessidade, Riemann era um jovem que buscava Deus mesmo em lugares onde ele não estava presente.

"Por favor, coma um pouco."

"Sim, sacerdote."

Ele rezava enquanto comia, rezava enquanto dormia, e até rezava enquanto lutava contra monstros.

Para qualquer um que olhasse, ele parecia verdadeiramente genuíno. E o que uma pessoa assim desejava era apenas um café da manhã quente.

'É um desperdício tão grande que este jovem esteja aqui.'

Assim, o Sacerdote Andrea resolveu conduzir esse jovem, que vagaria por campos de batalha ensanguentados até a morte, a encontrar a vontade de Deus.

"Pão branco... é algo bem precioso."

"Pode comer quanto quiser."

"Obrigado."

O Sacerdote Andrea sorriu ao ver o jovem humilde, com lágrimas nos olhos, grato até mesmo por um pedaço de pão.

"A propósito."

"Sim, sacerdote?"

Vlad, que estava despejando a sopa sobre o pão e zombando silenciosamente dos mercenários lá fora que comiam o estranho ensopado, falou.

"Eu sabia que você tinha boas habilidades com a espada, e parece que isso também chegou aos ouvidos do Lorde Josef."

"Sério?"

O Sacerdote Andrea, que observava Vlad com um sorriso satisfeito, falou em tom alegre.

"Ontem à noite, o Cavaleiro Zayar veio até mim e fez várias perguntas sobre você. Eu lhe disse que você é um jovem verdadeiramente fiel e que aguardo com expectativa seu futuro."

"....."

Vlad, que até então enfiava pão na boca até quase estourar, ficou paralisado por um momento ao ouvir as palavras do Sacerdote Andrea.

"Então, eu o recomendei."

"Oh, ah..."

Era de fato uma reação incomum, mas o Sacerdote Andrea interpretou erroneamente aquilo como alegria.

Mesmo agora, famílias nobres o procuravam pedindo recomendações, mas o Sacerdote Andrea não escrevia cartas de recomendação com facilidade.

Ele era um sacerdote rigoroso que buscava apenas a vontade de Deus, recusando até mesmo o cargo de bispo em uma cidade.

"A família Bayezid, à qual Lorde Josef pertence, é uma família nobre prestigiosa do norte. Só a oportunidade de trabalhar lá já seria um ambiente muito melhor do que este."

"Obrigado, sacerdote."

O Sacerdote Andrea piscou para Vlad enquanto falava. Vlad, por sua vez, apenas respondeu com um sorriso constrangido.

Gulp—

O som do grande pedaço de pão entalado em suas bochechas soou estranhamente alto.

✦  ✦  ✦

Já havia se passado algum tempo desde que a refeição matinal de Vlad com o Sacerdote Andrea terminara, e ele estava rezando mais uma vez.

"Acho que eu fui chamativo demais."

[Não havia outro jeito. Minha técnica de espada só pode ser aprendida através de experiência e prática.]

O motivo pelo qual Vlad se ofereceu para a unidade de subjugação de monstros na cidade de Varna foi porque ele não tinha um lugar imediato para onde ir, mas também porque uma voz lhe recomendara que não havia lugar melhor para treinar a esgrima.

[Não foi o problema ter se aproximado demais do sacerdote?]

"Eu precisava conferir."

Vlad não planejava isso, mas sua ligação com o Sacerdote Andrea o fez querer testar algo.

[Então, agora você tem certeza de que eu não sou um ser maligno?]

Uma entidade que se estabelecera em sua alma depois de ser atingido pelo relâmpago negro.

Se a voz, que sequer conseguia identificar a si mesma, realmente viesse do mal, então ele teria que ser extremamente cauteloso com suas ações futuras.

"Ouvi dizer que o Sacerdote Andrea é tão renomado e tão forte em poder divino que foi recomendado para o cargo de bispo."

O fato de uma pessoa assim não conseguir reconhecer a identidade da voz em sua alma significava, no mínimo, que a voz dentro de Vlad não se originava do mal.

"Acho que está tudo bem, já que não fui descoberto."

Nem mesmo um sacerdote com nível de bispo conseguiu reconhecer o mal dentro dele.

De qualquer forma, encontrar o Sacerdote Andrea ali havia sido uma sorte de muitas maneiras.

"Eu deveria simplesmente ter escapado? Ainda dá tempo de fugir agora?"

[Bem... com suas habilidades, eles talvez façam vista grossa para uma pequena falsificação como um crachá de mercenário, não acha?]

"Se não fizerem vista grossa, podem acabar me enforcando, sabia?"

Uma conexão com um sacerdote renomado.

E um encontro com o filho de uma família conde.

Tudo isso eram oportunidades inacreditáveis que um mercenário comum só poderia sonhar em ter. Mas o problema era que todas essas oportunidades foram construídas sobre uma identidade falsa.

"Se começarem a fazer perguntas demais, isso pode acabar levando à revelação de que eu matei pessoas. Aí não é só fraude de identidade, mas acusações de assassinato também."

[Agora que penso nisso, você é bem impiedoso.]

"Mas você também é cúmplice."

[Hmm. Seria melhor fugir.]

Era chamativo demais.

Vlad sempre vivera nas sombras, escondido em becos, despercebido pelos outros. Mas agora, ele havia se tornado uma figura muito mais visível do que pretendia.

"Nesse caso, vou fugir por volta da hora do jantar."

Essa missão específica de subjugação de monstros deveria ser paga mensalmente.

Felizmente, ele havia recebido seu pagamento mensal alguns dias atrás, então não perderia muito.

E se fugisse junto com Gott, que estava disposto a ajudar com a identidade falsa, eles poderiam criar um crachá de identidade convincente.

Se ele partisse agora, isso não aconteceria novamente.

É uma pena, porque as condições de trabalho são boas, mas agora é hora de ir.

[No entanto, não será fácil fugir.]

"Por quê?"

A voz falou com Vlad, que fingia rezar enquanto planejava sua fuga, como se estivesse expressando a dificuldade.

[Alguém está se aproximando por trás. Julgando pela aura, é pelo menos um cavaleiro de alto nível.]

"O quê?"

Vlad se virou urgentemente para olhar para trás, seguindo o aviso da voz.

Um homem de meia-idade se aproximava de Vlad.

"Ele percebeu minha presença? Ele é mais útil do que eu pensava."

Um cavaleiro de um olho só, com uma couraça reluzente e um pequeno escudo preso às costas.

"O Lorde Josef deseja vê-lo."

"..."

Ao encarar o olhar severo do homem chamado Zayar, Vlad percebeu que não tinha controle algum sobre o que estava prestes a acontecer.

'Eu deveria ter fugido ontem.'

Vlad suspirou internamente, mas se levantou com uma expressão composta e disse:

"É uma honra que o Lorde Josef deseje se encontrar comigo."

"Você sabia que eu viria?"

Mesmo encurralado, ele precisava manter algum tipo de fachada. Jorge certa vez dissera que manter uma expressão inabalável durante jogos de cartas era uma habilidade importantíssima por si só.

"Ouvi do Sacerdote Andrea que ele me recomendou. Para ser honesto, estou aguardando por isso há algum tempo."

"Hmm."

Zayar estreitou o único olho enquanto observava o jovem mercenário pálido tratá-lo com uma atitude resoluta.

"Siga-me."

E ele se perguntou por quanto tempo aquela aparência confiante se manteria.

Enquanto Vlad caminhava atrás de Zayar, ele não pôde deixar de pensar em suas opções.

'Será que eu devo fugir agora?'

Mas a voz em sua mente acabou convencendo-o a seguir adiante.

[Não pense nem por um instante em fugir. Um cavaleiro do nível dele tornaria sua resistência inútil.]

'...maldição.'

O fato de a voz estar lendo seus pensamentos significava que suas ações eram previsíveis até certo ponto.

E o homem chamado Zayar à frente provavelmente também antecipava seus movimentos.

Não, ele já os havia antecipado.

Porque sua mão esquerda repousava naturalmente sobre o punho da espada.

'Bom, não há outra escolha.'

Externamente confiante, mas internamente apreensivo, Vlad parou diante da maior barraca entre todas montadas no acampamento.

"Incline a cabeça assim que ver o Lorde Josef."

"Por quanto tempo devo mantê-la inclinada?"

"Até receber permissão."

Após receber algumas instruções breves antes de encontrar Josef, Vlad respirou fundo e seguiu Zayar para dentro da barraca.

'Isso é inesperado.'

Ele havia esperado que o interior da barraca fosse grandioso e chamativo, a julgar pela aparência externa, mas era exatamente o oposto.

Ela estava equipada com tudo o que se podia esperar, e a disposição dos itens não era excessivamente extravagante. Era um ambiente que permitia vislumbrar que tipo de pessoa Josef poderia ser.

"Lorde Josef."

"Sim. Você veio, Cavaleiro Zayar?"

Quando a voz de Josef soou de dentro da barraca, Vlad baixou a cabeça, conforme havia sido instruído.

Ele achou que seria melhor simplesmente manter a cabeça baixa.

Para ser sincero, ele estava bastante nervoso.

'É uma grande figura.'

Se estivesse em um beco, talvez nunca tivesse visto uma pessoa assim em toda a sua vida.

Josef Bayezid, o segundo filho do Conde Bayezid.

Embora não tivesse título, ele possuía um status equivalente ao de um príncipe dentro do Condado de Bayezid.

"Finalmente pude vê-lo. Prazer em conhecê-lo."

"A honra é minha em conhecê-lo também, Lorde Josef."

Vlad ouviu a voz de Josef à frente. Não era imponente, mas possuía uma presença estranhamente opressiva.

"Então, há algum inconveniente durante a missão?" perguntou Josef.

"Todos aqui são gratos por sua consideração, Lorde Josef."

Josef sorriu ao ver o mercenário respondendo sem hesitação, apesar de estar extremamente nervoso.

'Ele parece audacioso,' pensou Josef.

No entanto, se ele era realmente audacioso ainda estava por ser visto. Ele seria testado na interação que viria a seguir.

"Seu nome é Riemann, certo?"

"Sim."

"Você não tem sobrenome?"

"Não."

"Você tem cabelo loiro e olhos azuis, então pensei que talvez fosse filho de um nobre caído."

Vlad estava acostumado a viver sob esse tipo de mal-entendido, então respondeu sem hesitar.

"Vamos ver. Quantos anos você tem agora?"

Mas a pergunta seguinte de Josef mergulhou Vlad em um profundo silêncio.

O silêncio de Vlad pairou pesado dentro da barraca. Era como se o peso do mundo tivesse caído sobre eles.

"Ah... eu tenho 31 anos."

Relutante, Vlad respondeu. Sentiu como se estivesse engolindo veneno, mas não tinha escolha a não ser responder com honestidade, pois sua idade estava registrada no crachá de mercenário.

O mercenário chamado Riemann, a quem ele havia envenenado, tinha 31 anos.

[Kura: Por isso não encontrei significado, era o nome de outra pessoa.]

Ele era o mais jovem entre os três mercenários.

"Ohh?"

Vlad levantou a cabeça surpreso ao ouvir a exclamação peculiar de Josef.

Um homem de cabelos negros e sombras escuras ao redor dos olhos.

"Você tem um rosto tão jovem!"

Ele podia parecer frágil, mas havia um brilho misterioso oculto por trás daquelas sombras nos olhos.

E aqueles olhos estavam fixos precisamente em Vlad, acompanhados por um sorriso frio e inquietante.

Traduzido por Moonlight Valley

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