Sessão 2
Capítulo 12: Sobreviver Não Basta
"Avancem!"
"Apertem o cerco! Não deixem escapar!"
Na silenciosa floresta de inverno, em um momento em que toda vida deveria estar tranquilamente adormecida, agora ecoava um barulho mais intenso do que nunca.
Squeak, squeak!
"Esses caras são tão feios."
Puhh-
Gotas de sangue inevitavelmente respingavam junto a cada respiração dos homens armados.
"Avançar!"
Os mercenários haviam formado um cerco apertado ao redor da aldeia goblin e avançavam com cautela, mas sem hesitação.
Goblins eram famosos por sua extraordinária capacidade de reprodução.
Se deixassem escapar sequer alguns, uma vila de tamanho semelhante surgiria novamente no próximo inverno.
Se isso acontecesse, os contratantes de Varna não ficariam satisfeitos.
"Morram, seus bastardinhos!"
"Kiki-grech-!"
Entre os monstros bípedes, os goblins eram considerados de nível inferior, então os mercenários os abatiam com habilidade.
Mas a vida é uma sucessão de acontecimentos imprevisíveis.
"Merda..."
O mercenário que estava rindo e conversando até ontem provavelmente não imaginava que sua cabeça explodiria hoje.
Puhh!
Dizem também que é difícil encontrar um Hobgoblin.
Kraaaaaaah!
Um rugido feroz ecoou acima da floresta de inverno coberta de neve.
"O 5º setor foi rompido!"
"É um Hobgoblin! Um Hobgoblin!"
Os mercenários, que já vinham lutando contra goblins há algum tempo, avistaram uma criatura massiva que não se encaixava na descrição de um goblin comum.
Com músculos ameaçadores e ásperos sob uma pele amarronzada e pegajosa, aquele Hobgoblin não era nada parecido com os outros.
Kraaaaaaah!
Esse Hobgoblin parecia ser o líder daquela vila. Ele despejava uma fúria sem limites sobre os intrusos humanos que haviam matado seus semelhantes.
"Que diabos... Por que ele está aqui?"
Com o surgimento do formidável Hobgoblin, os mercenários recuaram rapidamente e reorganizaram suas formações.
"O que vocês estão fazendo? Saiam logo daí!"
"Ninguém falou nada sobre um Hobgoblin!"
"Vocês acham que vão receber pagamento agindo assim?"
"Então por que você não vai lá sozinho, Cavaleiro?"
Até mesmo o cavaleiro que comandava aos gritos caiu em silêncio diante da crítica dos mercenários.
"Esse... esse sujeito!"
O cavaleiro apenas tremia de raiva, mas não sacou a espada.
Mesmo em sua juventude, ele não era particularmente habilidoso e, agora, após envelhecer bastante, já havia perdido há muito tempo suas capacidades como cavaleiro.
"Maldição! Se atacarmos juntos, damos conta!"
O cavaleiro não conseguiu avançar, mas alguns mercenários começaram a se juntar. Se cooperassem bem, talvez tivessem uma chance contra o Hobgoblin.
No entanto, os indivíduos ali presentes não haviam sido enviados como um grupo de uma única companhia mercenária.
"Então deveriam ter contratado mercenários caros!"
Eles não tinham camaradagem construída ao longo do tempo, nem havia alguém habilidoso o suficiente para se destacar dentro do grupo.
Ssruurk-
Exceto por um.
"...Desta vez, eu vou."
Enquanto o Hobgoblin enfurecido procurava sua próxima presa,
Paat-
Flocos de neve branca se ergueram atrás do Hobgoblin.
Hã?
O Hobgoblin virou a cabeça em resposta à perturbação, mas não viu nada além de uma nevasca que parecia ter sido criada por alguém.
"Hmph!"
Um mercenário se aproximou do Hobgoblin com um avanço elegante e veloz.
O brilho produzido pela espada simples cortou instantaneamente os calcanhares do Hobgoblin.
Kraaaaaaah!
[Acima.]
"Eu vi."
O Hobgoblin, que finalmente avistou o homem correndo em sua direção, soltou um rugido furioso e esmagou o chão com seu enorme porrete.
Puh-!
"Agh!"
"Que tipo de força é essa?"
Era, no mínimo, uma força aterradora.
O Hobgoblin possuía um poder inacreditável, muito além do que se esperaria de um goblin comum.
O impacto de seu golpe se transformou em um raio feito de neve, ricocheteando ao redor.
"Recuem!"
"Não consigo ver nada!"
Uma cortina completamente branca de neve cobriu tudo ao redor.
[Agora!]
E era agora.
O momento que o mercenário aguardava.
O Hobgoblin cravou o porrete no chão com toda a força e, por um instante, ficou rígido.
"Dessa vez, é pra valer."
Os olhos azuis do homem loiro brilharam de maneira peculiar.
Hã?
O Hobgoblin viu.
Mesmo em meio à névoa de neve, viu aquele olhar frio e concentrado fixado nele.
Aquilo não se parecia em nada com os olhos dos humanos que ele conhecera até então.
Era como o olhar de um predador caçando sua presa.
"...!"
Num instante, um lampejo de luz mais frio que a neve passou pela cintura do Hobgoblin.
Um corte horizontal limpo foi desferido antes que seus olhos virados pudessem tocar o chão.
Quando todos estavam imóveis, apenas a espada se movia, e o traçado não era um simples golpe, mas um caminho guiado pela vontade.
Eu vou te cortar.
Kraaaaaaah!
O Hobgoblin, que até momentos atrás estava triunfante, soltou um grito estridente quando o aço sólido penetrou sua pele.
"Maldição!"
[Recuar!]
Foi excelente, mas ainda não bastava.
Ao ouvir o grito agudo do Hobgoblin, o homem loiro percebeu que não havia conseguido abatê-lo com um único golpe.
"Outra falha!"
Kraaaaaaah!
Wow-!
A espada de Vlad ainda não estava madura o suficiente para atravessar o couro resistente do Hobgoblin e quebrar seus ossos duros.
Puh-!
No momento em que Vlad rolou para fora do alcance do Hobgoblin, uma rajada de vento varreu o chão onde ele estivera segundos antes.
[Vai me dizer que você é realmente tão burro? Não consegue fazer nem quando eu explico?]
Vlad cerrou os dentes ao ouvir a voz ecoando em sua cabeça.
'Você seria um gênio se conseguisse fazer tudo apenas seguindo instruções.'
Apesar da crítica da voz, Vlad não pôde deixar de sentir orgulho do golpe que havia desferido. Ele o havia criado em apenas um mês de treino sério com a espada.
Apenas não tinha sido suficiente para terminar tudo em um único golpe.
"É só uma pequena virada."
Os olhos de Vlad brilharam ao ver o Hobgoblin balançando o porrete enquanto segurava o flanco.
"Se não dá em um golpe, eu acerto duas vezes."
[O fato de você achar que vai ter uma segunda chance numa batalha real prova que ainda é infantil.]
Ignorando a voz em sua cabeça, Vlad concentrou mais força nos músculos das pernas.
Vlad utilizou suas excepcionais capacidades físicas e, mais uma vez, saltou para dentro da nevasca.
Kraaaaaaah!
O Hobgoblin balançou seu porrete furiosamente contra a luz prateada invisível que se aproximava, mas tudo foi em vão.
"Riemann Rezador..."
A cortina branca se dissipou, e uma cena inacreditável se revelou diante de todos ali presentes.
O governante daquele território recuava tomado pelo medo, enquanto o trajeto da espada o partia ao meio sem hesitação.
Manchas de sangue vermelho vivo se espalharam pelo campo de neve branca.
✦ ✦ ✦
O pós-confronto da recente subjugação na floresta de inverno.
Os mercenários, bem cientes do hábito dos goblins de colecionar objetos brilhantes, vasculhavam as tendas da vila, espalhados por toda a área.
Mais precisamente, apenas alguns mercenários faziam isso, enquanto outros aguardavam ansiosamente uma oportunidade de se aproximar, mas se contiveram.
Porque ainda não haviam recebido permissão do dono.
O atual dono daquele lugar jazia em estado de desordem — um Hobgoblin — e quem o havia derrotado era um homem loiro que esfregava as mãos manchadas de sangue na neve.
A partir de agora, aquele lugar lhe pertencia.
Tomar o que pertencia ao derrotado era o direito exclusivo do vencedor, em qualquer mundo.
"Capitão, você foi incrível dessa vez também!"
Um homem de sorriso brilhante se aproximou de Vlad, que limpava o sangue.
"Vá cuidar da minha parte."
"Já cuidei. Quem ousaria tocar no que é seu, capitão?"
Um homem que se destacava mesmo entre os mercenários da força de subjugação.
"Quer tentar trabalhar comigo quando isso acabar?"
"Eu não trabalho com trapaceiros."
"Vamos lá."
O homem de cabelos castanhos apenas sorriu diante das palavras duras de Vlad.
"Distintivo de Mercenário."
Vlad interrompeu o que fazia ao ouvir o sussurro do homem.
"Você não pode continuar usando esse distintivo. Eu conheço alguém que consegue falsificá-lo perfeitamente."
"...Se sua língua é leve, sua cabeça também fica leve, Gott."
"Que pena. Alguma vez eu te causei algum prejuízo, capitão?"
É uma ameaça ou uma oferta?
Vlad refletiu enquanto observava o homem de queixo alongado falando em voz baixa, atento para ver se alguém observava.
Se for uma oferta, eu te aviso, mas se for uma ameaça, eu te mato.
Qualquer um que tentasse explorar suas fraquezas teria de arcar com as consequências.
Gott, percebendo que o olhar de Vlad se tornara pesado, assobiou e desviou o olhar.
"Pense com calma. Eu disse isso por consideração a você, capitão..."
Gott recuou instintivamente, como se tivesse percebido o aviso no olhar de Vlad.
Gott, que estivera ao lado de Vlad o tempo todo, sabia melhor do que ninguém o que acontecia com aqueles que ignoravam esse aviso.
Vlad ocupava a posição de capitão de um grupo de dez homens na unidade de subjugação, liderando apenas sete mercenários.
"Vocês já recolheram tudo!"
Vlad gritou alto para os membros de seu grupo, como se não quisesse mais ouvir as palavras de Gott.
"Quase tudo, capitão!"
"Pensei que encontraríamos algo valioso, já que havia um Hobgoblin. Droga!"
Ainda assim, os homens seguravam diversos adornos nas mãos.
"Parem de falar besteira. Juntem tudo isso e levem para a tenda do Cavaleiro."
"Tudo? A gente devia, pelo menos, tirar uma parte."
Vlad lançou a Gott um olhar de desprezo.
"Tem que sobrar alguma coisa pra eles, seu idiota."
"Mas ainda assim..."
"E, de qualquer forma, se vão tirar alguma coisa, que seja algo grande. Por que perder tempo com coisa miúda?"
Não havia nada particularmente errado no que o homem chamado Gott dissera.
Até os cavaleiros que recebiam sua parte dos espólios sabiam que os mercenários furtariam alguns itens. Era um costume comum e amplamente aceito.
"Vou observar de longe."
No entanto, Vlad tinha uma perspectiva diferente dos mercenários comuns. Embora tivesse crescido nos becos, havia adultos ao seu redor com quem aprender.
Ele aprendera com Harven e Jorge, e até Marcella era uma mulher de quem havia muito a aprender.
"Olha, esses caras têm uma mentalidade diferente. Se tivermos sua espada e a minha mente..."
"Se não quiser que sua cabeça se separe do corpo, vá embora agora mesmo."
Lidar com aqueles que não conseguiam entender suas palavras era cansativo.
"Agora."
E Vlad odiava ficar cansado.
"Tá bom, tá bom. Já estou indo."
Gott, que havia sido dominado pelo ímpeto que Vlad emanara momentos antes, rapidamente reuniu o saque e começou a correr em direção ao cavaleiro de bochechas grossas.
"Ei, vigia para mim por um tempo."
"Vai rezar?"
"Sim."
"Você é bem insistente."
Vlad chamou um dos mercenários do seu grupo e se afastou do campo de batalha em direção a uma área gramada próxima.
"Não chegue muito perto."
O sol da tarde atravessava as fileiras retas de árvores coníferas.
"Hu."
Vlad cravou a espada no chão, ajoelhou-se com um dos joelhos e abaixou a cabeça.
"Ó Senhor... obrigado por cuidar de mim hoje."
A luz dourada do sol repousava sobre seus cabelos loiros e bagunçados.
Mesmo à distância, todos os mercenários nas redondezas o observavam.
"Só de olhar já dá vontade de morrer."
"Ele é um nobre de verdade?"
"Pelo menos não veio do mesmo lugar que a gente, né?"
A aparência de Vlad, banhada pela luz dourada e acompanhada de sua espada, não deixava dúvidas de que ele se parecia com um cavaleiro sagrado.
Alguns, ao observá-lo, murmuravam que ele devia ser o filho de algum nobre que havia abandonado a família, enquanto outros acreditavam que ele era uma criança descartada de alguma linhagem aristocrática.
Vlad exalava uma aura de mistério que tornava difícil para qualquer um se aproximar dele levianamente.
No entanto, se alguém se aproximasse um pouco mais dessa figura enigmática, certamente descobriria a verdade a seu respeito.
"Ah, merda. Isso não está funcionando. Mas..."
[Seu idiota. Nunca ouviu dizer que o segredo de um golpe mortal está na imprevisibilidade?]
Essa pessoa chamada Riemann não estava rezando.
A oração era apenas uma fachada, e ali havia apenas uma conversa suspeita.
Traduzido por Moonlight Valley
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