Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 2

Capítulo 11: Uma Lâmina Forjada em Silêncio

No meio de um vento cortante e gelado que atravessava a floresta, três homens que pareciam mercenários estavam sentados ao redor de uma fogueira.

Slurp…

Eles olharam para o garoto que sorvia a sopa com o nariz praticamente enfiado dentro da panela.

"Você teve sorte. Tinha um coelho ali não muito longe."

"Bom trabalho."

Embora os homens já tivessem comido quase toda a sopa de coelho, o garoto saboreava até a última gota.

Os mercenários perceberam que não era o momento certo para conversar com o garoto, então começaram a falar entre si.

"Aliás, ouvi dizer que eles estão reunindo pessoas."

"Para uma caçada a monstros?"

"Parece que o segundo filho do Conde Bayezid está liderando pessoalmente."

"Ouvi dizer que o Bispo de Varna também está lá. Acho que vai ser uma grande operação."

"Parece que ele está se esforçando para impressionar o pai."

Eles falavam sobre subjugar monstros como mercenários, mas suas mentes estavam completamente focadas no garoto de cabelos loiros.

'Ele parece um filho de nobre.'

'Olhem a espada que ele carrega. No mínimo, vem de uma família abastada.'

'Loiro com olhos azuis? Será que conseguiríamos um bom dinheiro só vendendo ele?'

Os homens trocaram olhares e sussurros silenciosamente para que o garoto não ouvisse, e começaram a se mover lentamente em direção a ele.

Eles sutilmente bloquearam a rota de fuga do garoto.

"Ha… obrigado. Graças a vocês, eu sobrevivi."

"É tudo sobre ajudar e sobreviver."

"Como posso retribuir esse favor?"

Os mercenários sorriram, exibindo seus dentes escurecidos, enquanto olhavam para o garoto que colocou a panela no chão e inclinou educadamente a cabeça para expressar sua gratidão.

"Se você está realmente grato, há uma maneira de nos pagar."

"O que eu devo fazer…"

"Você pode nos pagar com o seu corpo!"

Um laço voou subitamente por trás do garoto.

"Uh? Hã?"

"Ei, o que você está fazendo!"

No entanto, quem acabou preso pelo laço foi um dos mercenários, e não o garoto que pretendiam capturar.

"Seu rato escorregadio!"

O garoto evitou habilmente o laço, e os dois mercenários restantes sacaram suas armas rapidamente.

"Parece que o jovem mestre aprendeu um pouco de esgrima com o tutor contratado pelo pai. Mas o mundo real é diferente, sabia?"

"Guarde a espada enquanto estou falando educadamente. Podemos acabar fazendo de você um saco de pancadas antes que perceba."

Enquanto o mercenário amarrado trabalhava rapidamente para se libertar do laço, os outros dois bloquearam o garoto e começaram a rosnar.

"Isso mesmo. A vida é toda sobre a experiência do mundo real."

Cabelos loiros, olhos azuis e uma espada que brilhava, mas parecia nunca ter sido usada.

Era evidente para qualquer um que o garoto havia fugido de uma casa rica. Ainda assim, o sorriso em seu rosto agora se assemelhava ao de um lobo feroz.

"O quê?"

"Pensei nisso enquanto caminhava até aqui. Se essas pessoas realmente fossem gentis comigo, como eu poderia retribuí-las?"

Ssshh…

O ímpeto do garoto não mostrava sinais de hesitação, apesar das ameaças severas dos mercenários. Pelo contrário, os mercenários acabaram engolindo saliva involuntariamente ao ver o garoto sacar a espada.

O garoto exalava um espírito feroz com a espada em mãos.

"Tenho me preocupado à toa todo esse tempo."

O garoto estava sorrindo.

"Que diabos?"

O garoto e os mercenários eram do mesmo tipo.

Ele não era apenas algum jovem mestre ingênuo que não entendia como o mundo funcionava.

"Ei, o que você está fazendo! Levante-se rápido!"

"Vai levar o dia inteiro para desamarrar essa corda?!"

Mesmo assim, estava tudo bem.

Aquele garoto estava sozinho, enquanto eles eram três.

O garoto parecia confiante em sua esgrima, mas eles tinham experiência suficiente em combate real para dominá-lo.

"Ugh…"

Eles pensaram assim, mas os gemidos vindos de trás eram inquietantes.

"O que você está fazendo?"

"Ugh! Eca!"

O companheiro que havia sido amarrado estava arranhando o chão em uma postura estranha e rígida.

Não era um movimento corporal normal.

'Ele pegou ele!'

Os dois mercenários sentiram um profundo senso de desgraça ao verem o companheiro congelando como se estivesse viciado em algo.

'Quando isso aconteceu?'

Ninguém podia dizer ao certo.

O garoto sorria enquanto observava o mercenário congelado.

Mas eles não sabiam quando tinham sido envenenados…

'Coelho!'

Os mercenários finalmente entenderam a situação e olharam para o garoto com expressões chocadas.

"Não existe nada fácil neste mundo, não é?"

"Desgraçado, você planejou isso desde o começo!"

O coelho instável que eles pensaram ser um golpe inesperado de sorte revelou-se uma armadilha.

"Você… você também…"

Os mercenários sentiram desespero à medida que seus corpos começaram a endurecer lentamente.

"Sim, eu comi um pouco também."

Vlad puxou uma folha que havia escondido sob a língua e disse: "Com o antídoto."

"Ugh! Ugh!"

Seus corpos, gradualmente enrijecidos, desabaram sobre o chão gélido.

"Nunca se sabe quem vai ser devorado na vida real. Não é mesmo, veteranos?"

Uma sombra escura caiu sobre os três coelhos congelados. E os olhos azuis da sombra foram a última coisa que os mercenários viram.

✦  ✦  ✦

Tadak, tadak…

O sol se punha na floresta de inverno, e um garoto loiro que parecia um mercenário estava sentado sozinho.

Suas roupas não serviam perfeitamente, mas ele vestia uma mistura de armaduras e vestes que pareciam adequadas para sobreviver ao frio do inverno.

"Isso está realmente acontecendo."

Vlad murmurou para si mesmo enquanto mexia a fogueira com um galho.

Pelo menos, era assim que parecia na superfície.

[Sorte a sua. Cogumelos de listras amarelas não são tão comuns.]

"Você sabe sobre cogumelos que paralisam pessoas e folhas que as desintoxicam. Quem é você?"

[…Eu não sei disso.]

O garoto não estava falando consigo mesmo; ele se dirigia à voz que só podia ser ouvida quando segurava a espada.

"Você sabe tanto sobre coisas triviais, mas nem sabe quem você é."

[….]

A pergunta do garoto recebeu apenas silêncio como resposta.

"Não importa."

Ssshh…

O garoto puxou a espada.

"Porque isso é o mais importante para mim."

A espada, que até agora ele apenas observava, agora estava em sua mão.

Ele jamais esqueceria as lágrimas que ela derramou para conseguir isso.

"Eu vou te ajudar, então, por favor, me ajude."

[Você não tem medo de mim?]

Vlad pediu à voz, que não conhecia a si mesma, que lhe ensinasse o caminho da espada.

"Eu não me importo se você é o demônio. Do que eu realmente tenho medo…"

A espada do garoto emitiu um luar azul. E isso o fez se lembrar de algo.

"É de que eu não sou nada."

Aura que parecia luar azul.

O garoto não era nada diante daquela aura.

Para um garoto que havia seguido um caminho brilhante por toda a vida, o desamparo trazido pela aura azul era aterrador.

Você não é nada.

Sua vida apodrecerá nos cortiços mesmo que você fique agachado assim pelo resto da vida.

Era isso que a aura de luar dizia.

"Se eu estiver com você, posso me tornar algo, certo? Mesmo que eu me torne apenas um seguidor do demônio."

[…Está bem. Eu vou te ensinar.]

E assim, o garoto decidiu lutar.

Mesmo que quisesse desistir, havia um peso em sua mão que tornava isso impossível.

Luar e fogueira.

Naquela mesma noite em que viu a aura pela primeira vez, o garoto quis se tornar algo, e a voz que não conhecia a si mesma decidiu ajudá-lo.

Os dois eram os únicos que podiam fazer tal contrato. E a lua no céu noturno foi sua testemunha.

✦  ✦  ✦

Agora era o momento de entrar no auge do inverno.

Tendas foram erguidas entre campos brancos cobertos de neve, diante de uma densa floresta de coníferas.

Dentro da maior e mais esplêndida tenda.

"É fácil."

Um homem de cabelos negros levantou uma xícara de chá já fria e examinou os documentos sobre a mesa à sua frente.

Ele parecia jovem, mas as olheiras profundas sob seus olhos lhe davam uma aparência frágil.

"Fácil demais."

O homem de cabelos negros franziu a testa enquanto lia os documentos.

"Jovem mestre."

Naquele momento, um homem de um olho só entrou junto com o vento gelado do inverno, quando a aba da tenda foi levantada.

"Você chegou, Zayar."

[Kura: Pessoal, para quem veio do Manhaw, Zayar é o Jager.]

"Sim. Jovem mestre Joseph, acabo de retornar."

Zayar bateu a neve dos ombros e se aproximou cautelosamente do homem de aparência frágil.

"Há algo que o esteja incomodando?"

Joseph, que vivera protegido a vida toda, não parecia bem, então Zayar perguntou com cuidado.

"Está fácil demais."

Joseph fitava os documentos à sua frente, imerso em pensamentos.

"A exterminação de monstros está prosseguindo sem problemas. Não houve baixas, e todos são mercenários."

"E quanto aos desaparecidos?"

Joseph ergueu a xícara de chá fria e falou.

"Isso não muda o fato, mesmo que os consideremos desertores", murmurou Joseph.

Do ponto de vista de Joseph, teria sido melhor se houvesse feridos ou mortos durante a exterminação.

O surgimento de desertores indicava que a disciplina não havia sido devidamente estabelecida.

"Desertores e resultados medíocres. Todos vão duvidar da minha capacidade de comando, até mesmo meu pai."

Por um instante, um brilho afiado surgiu nos olhos de Joseph.

"E meu meio-irmão mais velho também."

Joseph.

Joseph Bayezid.

Ele era o segundo filho da família do Conde Bayezid, e estava ansioso naquele momento.

"As forças que reuni mal cresceram, evitando a interferência do meu irmão mais velho. Se não for agora, não terei chance de demonstrar minhas capacidades militares aos que estão acima de mim."

Joseph era um homem ambicioso.

Ele era o herdeiro legítimo da família Bayezid e tentava se tornar o próximo Conde Bayezid, expulsando Rutger, que herdara o mesmo sangue.

"Serei destruído se continuar assim."

"..."

Tornar-se o próximo Conde Bayezid não era apenas uma ambição.

Dois sóis não podiam existir sob o mesmo céu.

Se ele falhasse em se tornar o próximo Conde Bayezid, era óbvio o que Rutger, seu meio-irmão, faria.

"Se ele tiver sucesso, viverei o resto da minha vida em um mosteiro, ou morrerei sem que ninguém saiba."

A história provava isso.

Seu próprio pai havia chegado ao topo pisoteando os próprios irmãos sem hesitar.

"Faltam-me espadas úteis. Exceto você, Zayar."

Para se tornar o próximo Conde Bayezid, Joseph precisava não apenas de suas próprias habilidades, mas também do apoio dos vassalos.

No entanto, Joseph, que nascera doente, tinha dificuldade em obter esse apoio, não importava quanto auxílio recebesse da mãe e da família materna.

A família Bayezid valorizava profundamente o poder militar.

"…Jovem mestre, tenho algo a relatar."

"Fale."

Zayar hesitou por um momento antes de falar com Joseph, que massageava a têmpora como se tivesse dor de cabeça.

"Há um mercenário suspeito."

"Mercenário suspeito?"

Os olhos de Joseph se estreitaram diante da notícia inesperada.

"É um espião enviado pelo meu irmão mais velho?"

"Não é suspeito nesse sentido."

"Então o que você quer dizer?"

Zayar era um cavaleiro, um forte cavaleiro. Ainda assim, a hesitação que demonstrava era incomum. Ele não parecia confiante.

"Fale, Zayar."

Percebendo a gravidade da situação, Joseph o instou a continuar.

"É algo que o senhor precisa ver pessoalmente. Poderia vir comigo por um momento?"

"Parece que algo sério aconteceu."

Observando o comportamento incomum do cavaleiro, Joseph percebeu que Zayar estava prestes a revelar algo de grande importância.

"Lidere o caminho."

Joseph se envolveu em roupas grossas e acrescentou cachecol e luvas para evitar ser ferido pelo vento gelado do inverno.

"Chegamos."

Era uma tenda suja.

"Isso é um matadouro?"

"Sim. É onde desmontamos partes vitais dos monstros que caçamos."

Joseph rapidamente cobriu a boca com um lenço ao olhar ao redor.

Não era por causa dos cadáveres pendurados ou do cheiro nauseante de sangue.

A mente de Joseph era mais resistente do que a de qualquer cavaleiro, mas seu corpo frágil era tão fraco que precisava ter cuidado até com o ar contaminado dentro da tenda.

"Por aqui."

Zayar conduziu Joseph mais para dentro do matadouro. No ponto mais profundo, vários tipos de cadáveres de monstros estavam pendurados.

"Dê uma olhada."

Zayar virou pessoalmente os cadáveres para mostrar a Joseph.

"Vê os ferimentos?"

"Sim."

Gravadas profundamente nas costas encurvadas de um goblin, que estava pendurado ali há muito tempo e já endurecerá, havia marcas de espada.

"São tortas."

Joseph comentou sem muito entusiasmo, observando que aquelas marcas foram feitas por alguém que havia pegado uma espada recentemente.

Depois que Joseph terminou de falar, Zayar apontou para o cadáver de um monstro próximo.

Ferimentos.

O corpo estava repleto de marcas de espada, não apenas nas costas, mas por todo o corpo.

Da esquerda para a direita.

Dos cadáveres antigos até o corpo recém-chegado de um orc.

Joseph removeu inconscientemente o lenço da boca após examinar todos.

"Pode ser que todos tenham sido feitos pela mesma pessoa?"

"Sim, jovem mestre."

Ao ouvir a resposta de Zayar, Joseph voltou imediatamente ao primeiro cadáver.

Joseph, que sempre caminhava lentamente, agora corria mais rápido do que nunca.

"Isso é inacreditável…"

Não havia outra forma de descrever.

"Há quanto tempo esses corpos estão aqui?"

"Um pouco mais de um mês, jovem mestre."

"Apenas um mês…"

Diante da resposta de Zayar, Joseph ficou atônito e examinou novamente os cadáveres dos monstros.

Marcas de espada.

Golpes tortos e mal-acabados.

No entanto, conforme se aproximava dos cadáveres mais recentes, as marcas se tornavam mais claras e profundas.

"Quem é?"

Havia um padrão consistente.

"O nome dele é Riemann. Um jovem de cabelos loiros."

"Riemann?"

[Kura: Não encontrei uma explicação boa para o “Riemann”, só o nome de uma matemático e uma pessoa que mora próxima a águas.]

Zayar se aproximou e sussurrou.

"Os mercenários o chamam de 'Riemann Rezador'."

"Riemann Rezador…"

Joseph repetiu o título.

"Descubra tudo sobre esse Riemann imediatamente."

"Sim, jovem mestre."

Zayar deixou o matadouro após receber a ordem.

"….. Isso é realmente inacreditável."

Joseph ficou sozinho e mais uma vez virou o olhar para os cadáveres dos monstros.

Embora não empunhasse uma espada, ele ainda sabia observar.

Joseph era descendente da família Bayezid, que reverenciava o poder militar, e havia muitos cavaleiros excepcionais ao seu redor.

Por isso, ele conseguia reconhecer.

"Ele é um gênio."

De golpes tortos sem base adequada até alcançar, em apenas um mês, o nível das marcas recém-cravadas.

Era algo que apenas um prodígio abençoado pelos céus poderia alcançar.

O cadáver do orc, que havia chegado apenas no dia anterior, ainda mantinha os olhos bem abertos, como se não pudesse acreditar em sua própria morte.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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