Mestre Espadachim das Estrelas Coreana

Tradução: Kurayami

Revisão: Enigma


Sessão 1

Capítulo 9: A Vontade que Não Pode Ser Quebrada

Ela era a mestra deste lugar, mesmo que tudo estivesse destruído no ninho. Então, ela ainda tinha trabalho a fazer.

"Acorde!"

Uma mão ergueu Vlad à força, que estava rolando no chão.

"...M-Marcella."

"Acorde. Você quer morrer aqui?"

O cavaleiro das prostitutas, Jorge, era o chefe do beco onde ficava o Sorriso da Rosa, mas ele não era o dono do local.

"Todos que guardavam este lugar, estão mortos. E Jack de um braço só, chegará em breve."

Madame Marcella.

Ela era uma das flores da cidade de Shoara e a mestra do Sorriso da Rosa.

"E você, Marcella?"

"Cuide de si mesmo, garoto. Você era a adaga de Jorge. Os capangas de Jack não vão te deixar em paz." 

"Mas..."

O garoto acabara de desabafar todas as suas emoções, então restava pouca raiva e tristeza dentro dele.

"O Jack de um braço só pode me poupar. Ele disse que gosta de mim..."

Estalo!

Um som seco ecoou, e as prostitutas que estavam derramando lágrimas olharam naquela direção.

Viram Marcella, que estava parada com a mão levantada, e Vlad, que estava sem jeito enquanto tocava a bochecha.

"Acorda, garoto!"

"..."

Madame Marcella não era uma mulher frágil.

Ela era alguém que havia construído um castelo chamado Sorriso da Rosa nos becos escuros com a própria força.

Alguns até chegaram a dizer que não fora Jorge, o cavaleiro das prostitutas, quem a escolhera, mas sim Madame Marcella quem o escolhera.

"Tome isto."

Marcella entregou uma adaga que estava no chão, a mesma adaga que Jorge dera a Vlad e que ele arremessará para bloquear Godin.

"Sabe o que diferencia nós, gente dos becos, daqueles que vivem além das ruas?"

"Marcella..."

Vlad olhou para a adaga e ouviu atentamente as palavras de Marcella.

Afinal, ela viera até ele antes mesmo de encontrar o corpo decapitado de Jorge.

"Escute com atenção. A diferença entre eles e nós é a oportunidade." "Oportunidade..."

"Aqueles que vivem além das ruas podem se reerguer mesmo após uma única falha. Porque eles têm condições para isso."

Marcella apontou o dedo para a pilha de membros de gangues mortos.

"Olhe para eles. E nós? Nós falhamos apenas uma vez."

Lágrimas brotaram nos olhos de Marcella enquanto ela gritava com Vlad.

"Morremos se falharmos uma única vez. É assim que nascemos. Então..."

Marcella puxou a gola da camisa de Vlad e continuou falando.

"Não deixe sua única chance nas mãos de outra pessoa."

Marcella gritava com Vlad em meio a inúmeros cadáveres.

Sobreviva de alguma forma através de suas próprias escolhas.

As palavras de Marcella para Vlad eram conselhos que valiam uma fortuna.

Era uma lição valiosa de uma mulher que dedicou toda a sua vida a conquistar sua preciosa existência.

"Eu entendo."

Aquele conselho, acompanhado pelas lágrimas de Marcella, penetrou fundo na alma do menino.

"Se você quer viver, saia de Shoara. Agora mesmo."

E os gritos desesperados e as lágrimas de Marcella mais uma vez trouxeram Vlad de volta à realidade.

"Sim, a senhora tem razão, Madame."

"Tudo bem..."

Marcella viu a luz retornar aos olhos do menino.

"Eu vou embora. Agora mesmo."

O menino lutou para se levantar, mas a ruiva o amparou.

"Zemina."

"Eu só vou te apoiar. Não me segure pelos tornozelos."

"Só me solte."

"Você ainda está cambaleando. Vou te ajudar a ir para um lugar seguro e então eu escaparei." 

"..."

Vlad tentou se desvencilhar à força de Zemina, que se ofereceu para ajudá-los na arriscada fuga, mas a determinação da garota era inabalável.

E todos os presentes sabiam que Zemina jamais o deixaria ir, acontecesse o que acontecesse.

"Por favor, ajude-o, Zemina. E chegue ao monastério antes do amanhecer."

"Certo, Madame."

"Você tem que voltar, mesmo que queira ir com ele. Se vocês forem juntos, serão pegos logo, mesmo depois de escaparem para fora da cidade."

"...Eu entendo."

Zemina apenas assentiu calmamente em resposta às palavras de Marcella, que a incentivava a se despedir.

Não havia mais tempo.

Os capangas de Jack de Um Braço já estavam de olho no Sorriso da Rosa.

Mesmo que não soubessem a situação exata lá dentro, era apenas uma questão de tempo até descobrirem.

Sem Jorge, o Sorriso da Rosa era apenas um pedaço de carne sem dono.

Jack de Um Braço Só era sempre um lobo faminto.

"Eu definitivamente voltarei."

"Vlad..."

Marcella deu um sorriso triste ao olhar para o garoto que prometeu voltar.

"Você sabe quantos homens já me disseram isso?"

"Eu serei diferente." 

Ao ouvir a promessa do menino de voltar, Marcella lembrou-se da vez em que Jorge trouxera de volta um cachorrinho miserável.

Ela cuidara da criança que perdera a cor, alimentando-a e limpando-a. Foi assim que ela recuperara a cor dourada de seus cabelos.

Mas agora, era hora de deixá-lo ir.

"Depressa, vão."

Ela queria mantê-los por mais um tempo, mas Marcella entregou a Vlad uma bolsinha.

A bolsinha tilintante não continha muita coisa, mas pelo menos estava cheia das preocupações de Marcella.

"Cuide-se, Madame."

"Nos vemos no mosteiro!"

O rapaz loiro e a ruiva começaram a descer apressadamente para o porão.

Talvez pudessem sair sorrateiramente pela porta dos fundos.

"...Ótimo."

Marcella, que havia conseguido enviar o último rastro deixado por Jorge, enxugou as lágrimas e olhou ao redor.

Seus olhos ainda estavam cheios de lágrimas.

Havia vidas miseráveis ​​ali. Mulheres que não conseguiam sobreviver sem um homem para apoiá-las.

"Todas."

Agora, Marcella precisava dar um fim a tudo.

Era seu último dever como responsável.

"A partir de hoje, o sorriso da rosa fechará suas portas."

Era algo que só uma prostituta capaz de se manter de pé sem um homem poderia fazer.

"Darei a vocês uma indenização. Quem quiser ficar, que fique, e quem quiser ir embora, por favor, vá. E..."

O olhar de Marcella estava fixo além da rua. 

"Moças virgens, venham comigo."

Todas soluçavam. Agora elas nunca teriam uma cafetina que as protegesse como Marcella. E o cavaleiro das prostitutas que brandia sua espada por elas.

Elas teriam que viver uma vida que agora seria sacudida de um lado para o outro nas mãos de outra pessoa.

O ninho estava quebrado.

Agora, não importava quão jovens fossem as passarinhas, era hora de voarem sozinhas.

✦  ✦  ✦

"Todos estão mortos."

"..."

Os membros da organização que guardavam a porta dos fundos foram todos cortados ao meio pelo habilidoso espadachim.

"Ugh...!"

"Você está bem, Vlad?"

Zemina perguntou, parecendo preocupada ao ver Vlad cambaleando.

A situação era desesperadora, mas a resistência de Vlad já havia chegado ao limite. Ele passara mais de cinco dias ao relento, no frio, e vivenciará situações chocantes. Além disso, lutará com o cavaleiro e sofrera ferimentos leves.

"...Vamos embora."

Contudo, mesmo com a energia esgotada, a determinação em seus olhos ainda era forte.

O garoto jurou que mataria o cavaleiro chamado Godin.

"Não posso terminar as coisas aqui."

"Certo! Vamos!"

Zemina apoiou Vlad, e eles começaram a sair apressadamente do beco. Eles precisavam escapar dos olhos de Jack, o Mandão, e seguir para fora da cidade, além da área familiar que conheciam.

O menino e a menina se agarraram um ao outro para sobreviver, assim como haviam feito até então, e se esforçaram ao máximo para sobreviver.

Mas o mundo tinha um jeito de nem sempre seguir o planejado.

"Nós os encontramos!"

"Ali, é o filho do Jorge!"

O olhares famintos de Jack, o Maneta, os encontrou muito mais rápido do que o esperado.

Vlad e Zemina se moviam com a maior cautela possível, aproveitando seu conhecimento dos becos, mas o mesmo valia para os capangas de Jack, o Maneta.

Eles começaram a se mover como hienas gananciosas à procura do jovem leão que havia se perdido da matilha.

Ele continuava avançando com apoio, mas seus movimentos eram implacáveis ​​e desesperados.

A desgraça se aproximava do jovem leão.

"Vlad!"

"Volte, Zemina."

"Não!"

"Você prometeu! Vá para o monastério! Ou até mesmo para Harven!"

"Eu não quero!"

Vlad mordeu o lábio ao ver Zemina balançando a cabeça teimosamente e derramando lágrimas.

"Droga! Por que você nunca me ouve!"

Ele sabia que seria assim.

"Sua garota estúpida! Você só prometeu me ajudar até a metade do caminho!" 

"Ugh... uh..."

Vlad soltou um suspiro profundo ao ver Zemina chorar.

"Por quanto tempo você acha que eu consigo continuar te protegendo?"

Duas vidas jovens e vulneráveis ​​se encostaram na parede. Elas chegaram até ali apoiando e protegendo uma à outra, mas o beco imundo não estava disposto a deixá-las ir facilmente.

"Droga."

O peso que a garota tinha que carregar hoje era insuportável. E isso tornava impossível para Vlad desistir, mesmo que quisesse.

"..."

Por isso ele precisava escapar.

Mas como?

Os passos de Vlad o levaram naturalmente a um lugar familiar enquanto ele martelava esse pensamento.

Eles precisavam entrar em algum lugar, qualquer lugar, por enquanto.

Essa era a única maneira de evitar os capangas de Jack, o Maneta, que estavam espalhados pelo beco.

"Velho! Abra a porta!"

Os passos hesitantes de Vlad os levaram à frente da ferraria.

O lugar onde ele sempre parava por um tempo, olhando para a espada.

"O que fazemos... Parece que ele não está aqui."

Por mais que batessem, o velho ferreiro não respondia.

Os grandes olhos de Zemina se encheram de medo enquanto ela olhava para a porta silenciosa e desgastada.

Vlad previu o futuro iminente ao ver aquele medo em seus olhos.

Jack, o de um braço só, era o tipo de pessoa que se aproveitava dos feridos e usava os caídos como degraus.

"Não posso deixar isso acontecer."

Ele não podia permitir que Zemina se tornasse assim.

"Saia da frente!"

A luz voltou aos olhos azuis de Vlad.

"Ah, tá bom!"

Vlad empurrou Zemina para o lado e desembainhou sua adaga. Desesperadamente, girou a fechadura da forja.

O artesão a havia construído forte e robusta, mas se não considerassem as consequências, a força bruta era o único caminho naquele momento.

"Abra!"

A adaga, carregada do desespero do garoto, guinchou ao girar a fechadura da porta.

Creak...

E ela respondeu à sua urgência.

Gradualmente, conforme os capangas de Jack, o Maneta, se aproximavam, Vlad finalmente conseguiu derrubar a fechadura que mal se abrira com o cabo de sua adaga.

Clang!

Uma abertura surgiu.

Uma pequena passagem pela qual eles poderiam entrar na forja escura.

"Vão!"

Zemina, de baixa estatura, entrou primeiro pela abertura.

"Ufa."

Vlad entrou logo atrás.

Ele rapidamente puxou os fragmentos da fechadura caída para dentro, e eles conseguiram entrar na forja, que antes estava trancada. 

"Ufa, ufa..."

"Você está bem?"

"Silêncio."

A energia de Vlad estava esgotada, mas seus sentidos permaneciam aguçados como sempre.

"Eles podem nos ouvir."

Assim como quando havia ajudado Godin a entrar sorrateiramente, Vlad concentrou-se nos sons para determinar os movimentos dos capangas de Jack.

Os passos ecoavam pelo beco.

"...Não conseguimos sair."

Ele ouviu sons ao redor deles.

"Ha!"

"..."

E estavam chegando tão perto que até Zemina conseguia ouvir.

Zemina tremia e cobriu a boca com as duas mãos.

"Para onde foram essas crianças?"

"Com certeza vieram por aqui."

Vlad segurou sua adaga. Respirou fundo e encostou-se na porta.

A distância entre eles e os capangas era tão estreita quanto uma tábua de madeira.

"São rápidos para crianças. Talvez tenham entrado em outro beco?"

"Depressa, encontrem-nos! Billy disse que daria uma recompensa extra se encontrássemos o loiro."

"Tentando se vingar pelo dente quebrado, é?" 

Enquanto Zemina tremia, o olhar de Vlad era pesado e sério.

Ele tinha que matá-los se aqueles caras os notassem.

Caso contrário, ambos morreriam.

Embora a adaga que Jorge deixara para trás fosse modesta e ligeiramente torta, deveria ser suficiente para lidar com aqueles caras.

Vlad se concentrou porque até o futuro de Zemina estava em suas mãos.

"Vamos. Temos que pegá-los antes que alguém os leve."

"Ugh... Para onde aqueles idiotas desapareceram?"

Vlad prestou atenção aos passos dos homens que se afastavam cada vez mais. Por isso, não percebeu o movimento silencioso dentro da forja.

"Quem está aí?"

Alguém se movia silenciosamente dentro da velha forja.

"..."

Os homens ainda não tinham ido muito longe.

Vlad estava frustrado e tentou se mover rapidamente.

"Não se mexa, velho."

Zemina, que apoiava Vlad, estava parada ali.

"Eu vou te esfaquear mesmo."

Ela ameaçava o velho ferreiro enquanto segurava um pedaço de metal que rolava na forja.

"...Por que você está aqui?"

O luar de inverno penetrava pela fresta na velha forja. Só então o velho ferreiro conseguiu enxergar.

Os olhos lacrimejantes de Zemina brilhavam ao luar, dando-lhe uma aparência lamentável.

 

Traduzido por Moonlight Valley

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