Volume 3
Capítulo 144: Reunião dos Professores
O sol já se encontrava alto quando Areta chegou à imponente Universidade Flamel. vestida com suas vestimentas características, seu cristal vermelho brilhava, quase que refletindo sua posição de destaque. Ela caminhava pelos corredores com semblante sério e resoluto. Os poucos estudantes e funcionários que passavam por ela rapidamente desviavam o olhar, temendo cruzar com sua expressão severa.
Doyle estava à sua espera próximo ao átrio principal. Ele segurava uma pasta de couro em uma das mãos e, ao vê-la, ajustou os óculos com um gesto quase nervoso antes de se aproximar.
— Bom dia, professora Areta. — Ele a cumprimentou com um leve aceno, mas antes que pudesse dizer algo mais, foi interrompido.
— Fez o que eu pedi? — perguntou Areta de maneira ríspida, seus olhos rubros perfurando Doyle como lâminas.
— Sim, senhora Areta. — Doyle ergueu a pasta na direção da professora. — Além disso, ao investigar a aluna Prya, acabei descobrindo algo interessante sobre o professor Hazard. — Ele entregou a pasta a ela.
Areta começou a andar pelos corredores sem diminuir o ritmo, folheando o conteúdo enquanto um sorriso malicioso surgia em seus lábios.
— E quanto à reunião extraordinária? — perguntou ela sem tirar os olhos das páginas.
— Tudo pronto, professora. Todos os professores foram convocados e já estão aguardando na sala de reuniões.
Areta fechou a pasta e desviou o olhar para Doyle.
— E Leonora? E Hazard? Você os viu?
— Sem sinal deles, senhora.
— E Rufus? As alunas intrometidas?
— Rufus foi visto pela última vez com aquele mago da guilda Crossed Bones que se passava por professor. Depois disso, nenhum rastro. Fui até o quarto dele, mas estava vazio. Quanto às duas alunas, a situação é semelhante.
Areta apertou o punho em frustração, sua expressão se tornando mais sombria.
— Maldita Leonora... O que ela está aprontando com o meu filho? Aquela... — De repente, ela parou bruscamente e olhou para trás, seus olhos estreitando como se tivesse sentido algo.
— O que foi, professora? — perguntou Doyle, confuso.
Areta permaneceu em silêncio por alguns instantes antes de responder:
— ...Nada. Vamos. A reunião vai começar.
Mais atrás, oculto pela sombra de uma pilastra, Bardo tentava conter sua respiração ofegante. Ele pressionava uma das asas contra o peito, onde seu coração batia acelerado, quase saindo pela boca. Com cuidado, ele saiu voando em direção à sala de reuniões.
A sala de reuniões dos professores era imensa, com uma longa mesa central rodeada por cadeiras ornamentadas. Estatuetas, símbolos da universidade e quadros antigos decoravam o ambiente, conferindo-lhe um ar de autoridade e história. Vários professores já estavam presentes, ocupando seus lugares, enquanto alguns assentos permaneciam vazios, incluindo o da cabeceira.
Areta entrou na sala com Doyle logo atrás. Seus olhos percorreram os rostos dos presentes antes de se dirigir ao assento que lhe era reservado. Assim que se sentou, Doyle inclinou-se ligeiramente em sua direção.
— A reitora, o professor Hazard e o novo professor, onde estão?
— Eles ainda não apareceram. — respondeu um dos professores, visivelmente desconfortável.
Do lado de fora, Bardo sobrevoava a universidade até alcançar a janela da sala de reuniões. Ele pousou discretamente no parapeito, escondendo-se atrás de uma cortina enquanto observava tudo.
Os professores aguardaram por alguns minutos em silêncio tenso. Areta, no entanto, não conseguiu esconder sua impaciência. Ela batia os dedos na mesa e balançava a perna nervosamente. Pensava em Leonora, com desprezo e desconfiança: “Maldita Leonora... Será que ela não veio porque já sabia que eu ia desmascará-la na frente de todos? Ou será que está tramando algo?”
Finalmente, Areta se levantou, atraindo a atenção de todos. Sua voz ressoou pelo ambiente:
— Como todos sabem, convoquei esta reunião extraordinária para tratar de um assunto grave. No entanto, vemos o descomprometimento de alguns professores e, até mesmo, da própria reitora em não comparecer. — Ela apontou para os assentos vazios que deveriam ser ocupados por Hazard, Baan e Leonora. — Talvez porque eles saibam de seus crimes.
Os presentes arregalaram os olhos, trocando olhares alarmados. Um professor não conseguiu conter sua curiosidade.
— O que quer dizer com isso, professora Areta?
Areta colocou a pasta que carregava sobre a mesa e a empurrou em direção a Doyle.
— Professor Doyle, explique o que me contou sobre sua experiência de ontem a noite.
— Ontem à noite — Doyle se levantou, ajeitando os óculos enquanto iniciava sua fala. —, investiguei os motivos dos locais misteriosamente destruídos e fiquei de olho em algumas movimentações. Acabei presenciando uma cena peculiar: três alunos, incluindo Rufus, o filho de Areta, estavam sendo atacados por estas pessoas... — Ele pausou dramaticamente, ajustando os óculos antes de continuar. — Os alunos Hermiara, Joraco e Kreinald, a estagiária Ludya, o faxineiro Ujigrid e o professor Baandalf. Ou melhor dizendo, os magos Moara, Joabe, Rydia, Uji e Baan, todos integrantes de uma guilda chamada Crossed Bones.
— Mentiroso! — gritou Kassandra, levantando-se de súbito.
Doyle arqueou uma sobrancelha e, com um gesto calmo, lançou a pasta que tinha em direção a ela.
— Mentiroso? Então olhe você mesma, professora.
Kassandra abriu a pasta com mãos trêmulas. Seus olhos percorreram o conteúdo, e seu rosto ficou pálido enquanto ela balançava a cabeça em incredulidade.
— Não pode ser. Não pode ser — murmurava a professora.
A atmosfera da sala de reuniões estava tensa, carregada de olhares desconfiados e sussurros. Areta mantinha uma postura ereta e confiante, observando atentamente os rostos dos professores ao seu redor enquanto Doyle continuava a expor seu relato com firmeza.
— Eles são magos de uma guilda Rank E — prosseguiu Doyle, com um tom carregado de desprezo. — Mas isso não é tudo. Uma das alunas que estava com essa guilda é Prya Vivar, estudante desta universidade. Ontem, coincidentemente, a casa do professor Hazard foi atacada. Após uma investigação preliminar, com a ajuda da GPA, descobriu-se que Prya tem conexões com uma antiga guilda chamada Os Acadêmicos. Essa guilda era liderada pelo pai da aluna, Cedric Valorath, e seu irmão, o professor Hazard.
O murmúrio entre os professores aumentou. Doyle, sentindo-se no controle, deu um passo à frente e prosseguiu.
— Isso nos leva a outra descoberta: Hazard falsificou sua ficha para esconder essas conexões, assim como fez com sua sobrinha. Portanto, temos duas guildas atuando juntas, infiltradas na universidade e possivelmente sob ordens de Leonora.
Kassandra arregalou os olhos, descrente no que ouvia. Seus dedos tremiam enquanto folheava os papéis da pasta que Doyle havia entregado anteriormente. Ao seu lado, Seraphine permaneceu tranquila, observando as reações ao redor.
Com um leve movimento, Seraphine chutou discretamente a perna de Kassandra por debaixo da mesa. A professora a encarou, confusa, mas Seraphine apenas piscou um olho de forma sugestiva antes de se levantar calmamente.
— Professor Doyle, tenho uma dúvida — começou Seraphine, com um tom aparentemente inocente. — Por que afirma que Leonora está envolvida com essas guildas? Há alguma prova concreta disso?
Doyle hesitou por um momento, e antes que pudesse responder, Areta interveio, sua voz carregada de indignação.
— Professora Seraphine, não seja ingênua. Está claro como a luz do dia o envolvimento de Leonora. Foi ela quem aprovou esses currículos e os realocou esses magos em posições estratégicas, inclusive destacando um deles para ser minha estagiária. Agora, ela sabendo que descobrimos toda a verdade, o que Leonora faz? Ela simplesmente desaparece, como um cão que foge com o rabo entre as pernas, com medo de ser desmascarada por mim, na frente de todos!
Seraphine, no entanto, permaneceu inabalável. Com um sorriso zombeteiro, respondeu:
— Então, o que temos são conjecturas, não provas. Entendido.
Areta lançou-lhe um olhar furioso, mas logo se virou para a mesa, assumindo uma postura ainda mais autoritária.
— Meus colegas, vejam a calamidade em que estamos mergulhados! — disse Areta, sua voz ecoando na sala. — Guildas estão infiltradas, atacando nossos alunos e destruindo esta instituição. Se Leonora não está diretamente envolvida, sua ausência neste momento crucial é o mínimo que podemos chamar de irresponsabilidade e incompetência. Por isso, proponho que ela seja destituída do cargo e que uma nova liderança assuma. Eu, Areta Flamel, me coloco à disposição para salvar esta universidade!
Kassandra, agora mais calma depois das palavras da amiga, levantou-se de forma abrupta, os olhos brilhando de determinação.
— Quero me manifestar contra essa proposta — declarou. — Todos sabemos que Leonora sempre conduziu esta universidade com honra e eficiência, mesmo antes de assumir oficialmente o lugar de seu marido, Randalf. Ela jamais mancharia o legado que ambos construíram! Tenho plena convicção que ela foi tão enganada por essas guildas como nós.
— Concordo plenamente com a professora Kassandra. Além disso, Leonora não está aqui para se defender. Não sabemos os motivos de sua ausência, mas não podemos julgá-la sem ouvir sua versão dos fatos. Como educadores, devemos prezar pela justiça e pelo direito de defesa — Seraphine completou.
As palavras de Seraphine e Kassandra ecoaram pela sala, plantando dúvidas na mente de alguns professores. Areta, percebendo que poderia perder o apoio da maioria, cruzou os braços e lançou um olhar cortante para que Doyle intervisse em seu favor. O professor transmorfo, ajustou levemente os óculos e, rapidamente, manifestou-se:
— Concordo que não podemos tomar decisões precipitadas contra a Reitora Leonora, considerando seu histórico exemplar e seu direito de defesa, conforme exposto pelas duas professoras. Contudo, Areta tem razão em um ponto: não podemos ficar parados enquanto nossa universidade é devastada por guildas. Por isso, proponho uma solução intermediária. Que nomeemos Areta como reitora substituta, até que Leonora retorne. Quando ela voltar, terá sua chance de se justificar, e então decidiremos se ela deve permanecer no cargo ou não.
O burburinho na sala voltou a crescer. Muitos professores assentiram lentamente, aparentemente satisfeitos com a proposta de Doyle. Após alguns minutos de debate, decidiram proceder com uma votação.
Areta votou em si mesma para assumir a reitoria de forma definitiva. Seraphine e Kassandra mantiveram seu apoio a Leonora. Todos os outros professores, hesitantes, optaram pela proposta de Doyle, concedendo a Areta o título de reitora substituta.
Enquanto o resultado era anunciado, Areta sorriu de forma discreta, mas triunfante. Kassandra olhou para Seraphine, que apenas balançou a cabeça, resignada.
A reitora substituta Areta assumiu seu posto com um ar imponente, seus olhos fixos no horizonte de sua responsabilidade recém-adquirida.
Ela avançou até um pedestal próximo, retirou um capelo branco e o posicionou cuidadosamente sobre sua cabeça. Virando-se para os professores reunidos, assumiu a cabeceira da mesa e declarou em tom firme e enérgico:
— Vou honrar meu compromisso como reitora substituta, tenham certeza disso! Meu primeiro ato será destruir essas guildas infiltradas. Declaro, a partir deste momento, uma caça total aos seus membros. Sei que não são especialistas em combate, mas possuem força suficiente para derrotar uma guilda de nível E.
Houve um murmúrio breve entre os presentes, mas ninguém ousou desafiá-la. Ela continuou, sem vacilar:
— Declaro suspensa as aulas imediatamente! Professoras Seraphine e Kassandra, vão até os dormitórios e assegurem que os alunos permaneçam seguros e longe da batalha que está por vir. Aos demais professores, patrulhem os arredores. Caso identifiquem qualquer um dos nossos inimigos, não hesitem em enfrentá-los. Esta instituição será, a partir de agora, um campo de batalha até que todos esses malditos magos sejam capturados ou... mortos!
Com exceção de Doyle, os professores se levantaram rapidamente, um misto de hesitação e determinação em seus semblantes. Saíram da sala assumindo as posições designadas por Areta. Assim que ficaram sozinhos, Doyle se aproximou da nova reitora com um sorriso discreto.
— Nosso plano foi um sucesso, professora Areta — comentou, visivelmente satisfeito.
Mas antes que pudesse continuar, Areta ergueu uma mão, invocando uma barreira mágica retangular que o lançou contra a parede com força. Ele ofegou, surpreso, enquanto a voz cortante dela ecoava pela sala:
— Que merda foi essa, Doyle? Me fazer reitora apenas na condição de substituta?
— Professora Areta, eu... — Doyle tentava se recompor. — Se você insistisse em destituir Leonora diretamente, teria perdido a votação. Esta foi a única estratégia para lhe garantir poder, mesmo que temporariamente.
Areta desfez a barreira, seus olhos rubros cintilando com fúria e superioridade.
— Da próxima vez, não tome liberdades sem meu consentimento. Saiba o seu lugar, Doyle. Eu decido; você apenas executa. Está entendido?
— Sim, professora — balbuciou Doyle, tremendo de medo.
Com um último olhar de desprezo, Areta saiu da sala. Assim que ficou sozinho, Doyle socou o chão com força, seus dentes trincados.
— Malditos Flamel... sempre me fazendo de idiota.
Lá fora, Bardo observava tudo pela janela, ansioso para reportar as notícias.
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