Luvas de Ifrit Brasileira

Autor(a): JK Glove


Volume 3

Capítulo 145: Plano de Invasão

Enquanto isso, no albergue onde a guilda Crossed Bones encontrava-se alojada, Bardo retornava às pressas, voando o mais rápido que podia. 

O pássaro atravessou a janela aberta e pousou no quarto onde os membros da guilda dormiam. Sem hesitar, ele bicou a cabeça de Moara, que acordou de imediato com um grito. 

— Ai! Pra que ficar tão nervoso Bardo? Parece até que viu um fantasma — reclamou Moara, esfregando a cabeça enquanto acordava os demais. 

Todos se levantaram, sonolentos e confusos, enquanto o pássaro começava uma sequência de mímicas agitadas, tentando repassar as informações que presenciara. 

— O que ele tá dizendo? — questionaram em uníssono. 

Moara suspirou, ainda tentando decifrar os movimentos de Bardo. De repente, ela arregalou os olhos, levou a mão à boca e soltou: 

— Lascou geral! 

— Dá pra ser mais específica? — Baan retrucou, dando um leve cascudo nela. 

— Tá, tá... Calma! — Moara bufou e começou a explicar. — O Bardo disse que Areta é a nova reitora substituta, que a caça ao professor Hazard e a nossa guilda foi declarada, que os professores estão fazendo rondas na universidada nos procurando e que tem treta até entre Doyle e a professora Areta nesse rolo todo. 

— Realmente, estamos lascados — Uji comentou, cruzando os braços enquanto Baan se sentava, passando a mão pelo queixo, pensativo. 

— Eu avisei — respondeu Moara, dando de ombros. 

— E aí, Baan? — Rydia, com um semblante sério, perguntou diretamente. — O que vamos fazer? 

Ele suspirou profundamente, antes de socar uma mão aberta com o punho fechado, os olhos determinados. 

— Nosso contrato era simples: descobrir a identidade secreta do Poeta Fantasma. E descobrimos. Mas, no meio disso, muita coisa mudou. Fizemos amigos, conhecemos passados que nos marcaram... e sofremos traições. Mas, mesmo sabendo que enfrentar Areta de frente é algo impossível, tem algo que não podemos permitir: aquele maldito do Hazard e mexer com um de nós ou de nossos novos companheiros e sair impune.  

Todos o encararam, a determinação de Baan se espalhando pelo grupo como um incêndio. 

— Vamos terminar essa missão no melhor estilo Crossed Bones! — ele declarou. — Juntos, vamos frustrar os planos deles, salvar Leonora e, de quebra, dar uns bofetões no Rufus pra saber o motivo dessa traição. Quem tá comigo? 

Um coro de vozes firmes respondeu positivamente. Rydia então voltou a perguntar: 

— Mas qual o plano? 

Baan levantou-se, com um sorriso malandro no rosto. 

— Vamos entrar sorrateiramente na universidade e procurar Rufus e Hazard. No processo, resgataremos Leonora e vamos resolver as pendências com estilo. 

Rydia cruzou os braços, franzindo a testa com um olhar de ceticismo. 

— Sério que esse é o plano? — perguntou, quase sem acreditar. — Como exatamente vamos entrar sorrateiramente? E como pretendemos derrotar Areta? Sem falar em salvar Leonora no meio disso tudo? 

Baan, com seu típico sorriso confiante, inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. 

— Simples. Evitamos Areta de toda forma até salvarmos Leonora. Daí, deixamos as duas resolverem as diferenças. Nós ficamos de longe, torcendo por Leonora. Se ela vencer, saímos ricos e famosos. Se ela perder... — Ele deu uma pausa dramática, apontando para a porta. — Corremos o mais rápido que pudermos enquanto pedimos um milagre ao céu. 

Um silêncio pesado tomou conta do grupo. Todos se entreolharam, expressões que variavam entre incredulidade e exasperação. 

— Só eu acho que isso vai dar merda? — murmurou Rydia, massageando as têmporas em pura impaciência. 

— Ah, Rydia, você presta muita atenção aos detalhes! — Baan soltou uma gargalhada, claramente despreocupado. — Vamos improvisar lá dentro, como sempre fazemos. 

Rydia suspirou profundamente, escondendo o rosto com a mão. 

— Eu mereço... 

— Relaxa. — Uji, com um sorriso otimista, deu um leve tapa no ombro dela.  Você inventa uma daquelas estratégias brilhantes no meio do caos e a gente desenrola. Fácil! 

— Sempre eu... — Rydia bufou, mas um pequeno sorriso escapou. 

Logo, o grupo saiu do albergue em direção à universidade, caminhando sob a luz as ruas movimentadas de Meyportos. Os sentimentos de medo, ansiedade e receio com a possibilidade de enfrentar Areta era palpável, mas o espírito de camaradagem mantinha a moral alta do grupo.

Em uma sala isolada no topo de um dos blocos estudantis, o cenário era um misto de organização meticulosa e caos sinistro. Dois professores estavam desacordados e amarrados em cadeiras, as cordas apertadas o suficiente para impedir qualquer movimento. Ao lado deles, Prya observava com impaciência, mexendo um colar em seu pescoço como se tentasse dissipar o nervosismo. 

— Isso ainda vai demorar? — ela perguntou, sem esconder a irritação na voz. 

No centro da sala, Hazard e Rufus estavam ajoelhados no chão, traçando inscrições rúnicas complexas ao redor de dois pedestais. Sobre eles repousavam duas macas: uma continha o homúnculo, a outra estava vazia, esperando pelo corpo verdadeiro de Leonora. 

— Ainda não. — Rufus lançou um olhar de lado para Prya, sua expressão cansada. — E, sinceramente, vocês demoraram demais para chegar aqui. 

— Tivemos que despistar os homens da GPA no caminho — respondeu Hazard sem levantar os olhos das inscrições. Ele fez uma pausa, erguendo-se e limpando as mãos. — A propósito, Rufus, onde está a pesquisa de Randalf? 

Rufus hesitou, endireitando a postura. 

— Está guardada em um lugar seguro. Depois do ritual, eu te entrego. 

— Não me venha com “depois”. — Hazard cruzou os braços, um brilho perigoso nos olhos.  — A universidade está lotada de professores vasculhando cada canto, procurando por nós a todo custo. Que garantia eu tenho de que você conseguirá pegar a pesquisa depois do ritual? 

Rufus tentou manter a calma, mas o olhar penetrante de Hazard o desestabilizou. 

— Está tudo sob controle... 

— Controle? — Hazard riu, mas não havia humor em sua voz. — Acha mesmo que depois de concluirmos esse ritual a sua mãe vai simplesmente te deixar perambulando pela universidade livremente até você me entregar a pesquisa? Se quer a minha ajuda, traga a parte do seu combinado agora. Caso contrário, eu paro aqui. 

Rufus apertou os punhos, ponderando as palavras por alguns segundos. Finalmente, ele assentiu, contrariado. 

— Certo. Vou buscar. 

Hazard caminhou até Prya, o sorriso relaxado voltando aos lábios. Ele colocou uma mão no ombro da sobrinha e se inclinou para falar em seu ouvido. 

— Atrase Rufus por alguns minutos, Prya. 

Ela olhou para ele, confusa. 

— Por quê, tio? 

— Depois eu explico. Apenas confie em mim. 

Prya franziu o cenho, mas acabou assentindo. 

— Está bem. 

Ela se afastou do abraço e virou-se para Rufus, com um ar decidido. 

— Vamos, eu vou te ajudar a despistar os professores. 

Rufus lançou um último olhar desconfiado para Hazard antes de sair com Prya. Assim que eles deixaram a sala, Hazard sorriu maliciosamente, os olhos brilhando com um plano que só ele conhecia.

Kassandra e Seraphine caminhavam apressadas pelos corredores da universidade, os quais estavam amplamente iluminados pela luzamarelada do sol. Kassandra, ainda com o semblante tenso, olhou para a amiga e suspirou profundamente. 

— Seraphine, obrigada por me ajudar naquela reunião. Se você não tivesse agido rápido, eu provavelmente teria caído no papinho da Areta e do Doyle. 

Seraphine lançou um sorriso tranquilo, a mão repousando no ombro de Kassandra. 

— Não precisa me agradecer. É para isso que as amigas servem. 

As duas chegaram ao dormitório dos alunos, onde um burburinho já se espalhava pelo ambiente. Vários estudantes estavam reunidos, sussurrando uns com os outros, visivelmente confusos com os eventos daquela manhã. 

Kassandra ergueu a voz, tentando dissipar as dúvidas. 

— Atenção, todos! As aulas estão temporariamente suspensas hoje. Vocês serão conduzidos até a saída da instituição em breve. 

Um coro de perguntas irrompeu imediatamente: 

— O que está acontecendo? 

— Por que estamos sendo evacuados? 

— Isso é sério? 

Antes que o pânico tomasse conta, Seraphine entrou em cena com sua habitual calma. 

— Dedetização! — anunciou ela com um sorriso reconfortante. — Encontraram alguns mosquitinhos indesejáveis e perigosos por aqui, então a universidade precisa passar por um processo de dedetização urgente. É apenas um procedimento padrão. Por favor, sigam as orientações e aguardem do lado de fora até que tudo esteja resolvido. 

Os murmúrios diminuíram enquanto Seraphine e Kassandra começavam a organizar os alunos, contando um a um para garantir que ninguém ficasse para trás. No entanto, à medida que o grupo ia sendo conduzido, a expressão de Kassandra tornou-se cada vez mais preocupada. 

— Cassie? — ela murmurou, olhando em volta. — Onde está minha filha? 

Vicente, um dos alunos, aproximou-se com hesitação. 

— Professora, posso falar com você um minuto? É urgente. 

— Agora não, Vicente. Estou procurando uma aluna com urgência. 

Vicente deu um passo à frente, a voz um pouco trêmula. 

— Professora, é sobre a Cassie... 

O coração de Kassandra pareceu parar. Ela agarrou Vicente pelo braço, os olhos arregalados. 

— Fale logo! Onde está a Cassie? 

Com a voz baixa e rápida, Vicente explicou o que sabia, detalhando os acontecimentos da noite anterior. Cada palavra parecia pesar como uma pedra no peito de Kassandra. Assim que Vicente terminou, ela virou-se para Seraphine, a expressão cheia de urgência. 

— Seraphine, a Cassie ficou de dormir ontem no quarto da Clemência, mas as duas sumiram! Preciso encontrar as meninas. Elas estão em perigo. Você pode terminar isso por mim? 

— Vá. Seraphine colocou a mão no braço da amiga, o olhar sério. — Assim que eu terminar aqui, irei ajudá-la. 

— Obrigada. 

Kassandra se virou e começou a correr pelos corredores da universidade, o coração batendo forte e a mente fervilhando de pensamentos sombrios. “Baan, seu maldito! Não bastava me enganar, ainda tinha que envolver minha filha nas suas mentiras. Se algo acontecer a ela, eu juro que vou te matar!”

Do lado de fora, disfarçados entre as pessoas da rua, a Crossed Bones observava a entrada da universidade. Dois professores estavam posicionados ali, vigilantes, tornando qualquer tentativa de infiltração ainda mais complicada. Uji olhou para Rydia, a preocupação clara em sua voz. 

— Como vamos entrar? 

Rydia cruzou os braços, os olhos fixos nos professores que guardavam a entrada. 

— Ainda não sei... 

— Vamos logo, Rydia. Pensa em algo, não temos o dia todo! — Joabe, impaciente, bufou.

— Talvez você pudesse contribuir com alguma ideia, em vez de ficar reclamando. 

Antes que a discussão pudesse continuar, Kreik interrompeu, apontando para algo mais adiante. 

— Ei, olhem aquilo! 

O grupo seguiu o dedo de Kreik e viu um grupo de estudantes sendo conduzido para fora do prédio. À frente deles estava Seraphine, guiando os alunos com autoridade. 

Rydia observou a cena com atenção, e um sorriso malicioso começou a se formar em seus lábios. 

— Eu tive uma ideia... — disse ela, com o tom de quem já sabia exatamente o que fazer.

Rydia observava atentamente a movimentação dos alunos cmainhando em fileiras se aproximando da portaria da universidade, em direção à saída. Dois professores, firmes como sentinelas, vigiavam os portões principais, garantindo que tudo ocorresse sem problemas. Ela avaliou a situação, os olhos ágeis capturando cada detalhe. 

— Vamos começar com uma pequena distração, algo que ponha em risco a vida dos alunos e nos garanta se misturar na multidão — Rydia murmurou, pensativa. 

— O que tem em mente? — Baan perguntou, levemente curioso. 

Ela apontou discretamente para os alunos que caminhavam de forma relativamente tranquila. 

— Precisamos de caos. 

Uji arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços. 

— Como exatamente pretende causar isso? 

— Kreik — Rydia olhou para o ruivo, com um leve sorriso astuto. —, vou precisar de você para colocarmos o plano em prática. 

O ruivo deu um passo atrás, apontando para si mesmo.

— O quê? Eu? — Ele inspirou forte. — Estou pronto. O que você quer que eu faça? 

— Produza Chamas. O resto, deixa comigo.

Kreik acenou com a cabeça, abrindo as mãos e conjurando pequenas labaredas de fogo, que flutuavam como brasas vivas sobre suas luvas.

Rydia estendeu a mão, uma bolha translúcida de água surgindo em seu centro. Com um movimento fluido, ela manipulou a bolha para envolver as chamas, selando-as dentro da esfera aquosa. O calor e a água começaram a interagir, formando vapor que se acumulava rapidamente no interior.

— O que você tá fazendo? — Moara perguntou, empolgada e curiosa, aproximando o rosto da bolha.

— Chega pra lá, Moara. Não vai atrapalhar, senão perdemos o timing. — Rydia deu uma leve batida com o pé na amiga. — Misturando minha água com as chamas de Kreik podemos mudar a forma da água de líquido para gasoso, então, manipulando a tensão superficial para enclausurar todo o vapor produzido em uma bolha, criando uma espécie de bomba feita apenas de vapor de água.

— Incrível! E o que pretende fazer com issso? — Moara continuou a perguntar.

— Um leve susto — Rydia respondeu com um tom tranquilo. — Só confie em mim. — Ela virou o rosto para Kreik — Aumenta a potência, quero mais calor — ordenou ela.

Ele assentiu, intensificando as chamas. O vapor dentro da bolha tornou-se denso, pulsando contra as paredes líquidas que Rydia mantinha intactas, manipulando habilmente a tensão superficial.

— Perfeito. — Rydia sorriu, satisfeita, segurando a bolha de vapor que acabara de criar. — Hora de invadir a universidade e frustar os planos de Hazard.

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