Luvas de Ifrit Brasileira

Autor(a): JK Glove


Volume 2

Capítulo 66: Doida dos Bichos

O crepúsculo já havia cedido lugar à escuridão da noite, lançando sombras alongadas pela floresta densa. Catlyn e Trace corriam desesperadamente entre as árvores, seus corações batendo em um ritmo frenético, o medo estampado em seus rostos. As folhas secas estalavam sob seus pés e os ramos baixos arranhavam suas roupas e pele enquanto tentavam fugir de um perigo desconhecido.

Catlyn sentia o pânico crescendo dentro de si, o pensamento de seus filhos, Joshua e Javier, inundando sua mente. Estará alguém conseguindo mantê-los a salvo? E Joe? Ela segurava a respiração, tentando não deixar o medo dominá-la.

Trace, suado e tremendo, olhava em volta nervosamente, cada som amplificado em sua mente cheia de terror. Ele estava fora de sua zona de conforto, muito além de qualquer situação que já tivesse enfrentado.

— “Vamos, Trace, não pare agora.” — murmurava o copeiro consigo, tentando reunir coragem.

De repente, eles ouviram passos pesados e familiares. Baan e Joe apareceram diante deles, emergindo das sombras com expressões determinadas e ansiosas.

Catlyn correu para os braços de Joe, lágrimas de alívio misturando-se com o medo que ainda a assombrava.

— Joe! — Ela soluçou, agarrando-se a ele desesperadamente. — Você sabe algo sobre Joshua e Javier?

Joe a abraçou com força, tentando acalmá-la. Seus olhos, apesar de preocupados, mostravam uma determinação calma.

— Não, Catlyn, não tenho notícias deles. Mas confio que a guilda de Baan está cuidando deles. Eles são fortes. Baan acabou de derrotar um membro da Sabertooth.

Catlyn e Trace ficaram em choque, o medo e a incredulidade se misturando em seus rostos.

— O quê? — Catlyn mal conseguia acreditar. — Como assim? Ele derrotou alguém da Sabertooth?

— Sim. — Baan assentiu com um sorriso cansado, mas triunfante. —Era aquele de cabelo laranja, que se transformava em um tamanduá.

Trace, ainda tremendo, conseguiu esboçar um sorriso admirado.

— Isso... isso é incrível, Baan. Talvez... talvez possamos realmente virar essa situação. Derrotar a Sabertooth e acabar com a tirania de Bolívar Brock.

— Também senti o mesmo quando vi ele derrotando aquele mago com meus próprios olhos — falou Joe entusiasmado.

A esperança começou a brilhar nos olhos de todos, uma pequena chama de otimismo no meio da escuridão que os cercava.

Baan, percebendo a urgência no ar, perguntou seriamente:

— Mas o que vocês estão fazendo aqui? Por que estão fugindo pela floresta? E onde está Moara?

Catlyn e Trace trocaram um olhar de preocupação.

— Estávamos com Moara — explicou Catlyn, a voz tremendo. — Mas fomos atacados de repente por uma maga da Sabertooth montada em um tigre. Moara tentou nos defender, mas acabamos nos separando. Ela não conseguiria lutar e nos defender ao mesmo tempo.

Os olhos de Baan se estreitaram com a determinação de um guerreiro. Ele sentiu a urgência na situação e sabia que não havia tempo a perder.

— Eu vou atrás dela. Moara precisa de ajuda.

Joe apertou o braço de Catlyn com carinho e virou-se para Baan.

— Eu vou com você. Moara pode precisar de cuidados médicos.

Baan hesitou, sua voz grave.

— Não sou de negar ajuda, mas saiba de uma coisa, será perigoso, Joe.

— Eu insisto. Se quero trazer liberdade para essa região, também preciso me arriscar — respondeu Joe com um olhar determinado, transbordando esperança.

— Se você insiste, venha — respondeu Baan.

Catlyn, ainda segurando o marido, balançou a cabeça decidida.

— Não vou me separar de você agora que te encontrei novamente.

Trace, geralmente um covarde em situações de perigo, sentiu uma onda inesperada de coragem crescer dentro de si. Ele estava tremendo, mas suas palavras saíram firmes.

— Eu vou também. Vocês são nossos amigos. Não podemos deixar ninguém para trás.

Baan olhou para todos eles, reconhecendo a força e a determinação em seus olhos. Ele sabia que não podia dissuadi-los, portanto, decidiu confortá-los, esbanjando confiança em suas palavras.

— Muito bem. Vamos juntos. Se algum perigo estiver em nosso caminho, deixem comigo. Irei proteger a todos.

— Catlyn, Trace, mostrem o caminho — Joe pediu.

O grupo começou a correr pela floresta, com Catlyn e Trace liderando o caminho. Baan corria com passos largos e decididos, pronto para enfrentar qualquer perigo que se colocasse entre eles e Moara. Joe seguia logo atrás, a preocupação com a segurança de todos claramente estampada em seu rosto.

O crepitar das folhas sob seus pés e o som de suas respirações ofegantes ecoavam na floresta enquanto avançavam, a determinação e a coragem mantendo-os unidos e focados em salvar Moara e derrotar a ameaça da Sabertooth.

Noutro cenário, mas ainda na floresta, Moara estava em alerta, seus sentidos aguçados pela escuridão ao seu redor. Bardo sobrevoava o local, observando tudo de uma perspectiva elevada. Erina, montada em Bruce, seu tigre dente-de-sabre, era uma visão imponente contra o fundo escuro. Ao seu lado, Cubinho, o urso polar, parecia ainda mais ameaçador, sua pele agora coberta por cristais de gelo azuis e brilhantes devido à possessão de Jack Frost. A luz da lua refletia nos cristais de gelo, fazendo Cubinho parecer uma criatura de outro mundo.

Em meio a isso, a lua estava alta no céu, iluminando a floresta com um brilho pálido e fantasmagórico. As sombras das árvores dançavam com a brisa noturna, e o silêncio era quebrado apenas pelo canto ocasional de uma coruja distante.

O silêncio da noite foi quebrado pela voz de Erina, gélida e cheia de desprezo:

— Por que você arrisca sua vida por aqueles inúteis, Moara? Os cidadãos dessa cidade são apenas cargas pesadas. A Sabertooth é uma guilda nível C, enquanto a sua... bem, é um mero nível E. Vocês não têm chance.

Moara, apesar de seu cansaço, manteve-se firme e respondeu com determinação:

— Não subestime minha guilda. Eles são mais fortes do que você imagina... E o que estamos fazendo aqui é apenas um trabalho comum. Eles aceitaram nos contratar e, sim, vão nos pagar bem por isso.

Erina riu, uma risada amarga e desdenhosa.

— Dinheiro? Não é só isso. Tem algo mais. Ninguém arriscaria tanto apenas por dinheiro. Principalmente com quem não tem condições de pagar muito.

— Tem razão. Não é só o dinheiro. — Moara cruzou os braços, balançou a cabeça e deu leve sorriso com o canto da boca. — Também tem o gostinho doce na boca de dar um chute na bunda de vocês da Sabertooth.

— Não se superestimem. — Erina estreitou os olhos, a frustração começando a emergir em sua expressão. — Para nós, vocês são apenas... irrelevantes. Você e seus companheiros irão todos morrer hoje.

— Você que não subestime meus amigos. — Moara deu um passo à frente, seus punhos cerrados. — Confio neles com minha vida. E as pessoas dessa cidade... eles podem não saber magia ou como se defenderem, mas eles têm uma coisa que vocês da Sabertooth jamais entenderão. — Moara inspirou fundo e gritou: — O poder de acreditar um nos outros! Essa esperança é o que fará eu e meus amigos acabarem com os planos da sua guilda e daquele maldito do Bolívar Brock.

— Amigos? Confiança? Besteira! — Erina inclinou a cabeça, um toque de tristeza misturando-se com sua frieza habitual. — As pessoas são vis e traiçoeiras. Meus animais são muito mais confiáveis e poderosos do que qualquer um de seus amigos. Eles nunca me abandonaram, nunca me maltrataram.

Moara soltou uma risada curta, carregada de ironia.

— Ah, entendi. Eu já ia esquecendo, você é apenas uma menina fera, só sabe lutar com seus bichos de estimação, talvez tenha medo de gente. É por isso que você nunca entenderá o valor da amizade.

Erina sentiu um lampejo de dor atravessar seu olhar antes de substituí-lo por raiva.

— Você não sabe nada sobre mim. Quer saber por que prefiro meus animais? Eles são leais. Eles não mentem, não traem, não te apunhalam pelas costas. Humanos... humanos sempre fazem isso. Vou te contar a minha história...

O ano é 1582, na cidade de Polaris, Capital do Reino de Frost Garden, um lugar coberto por uma camada de neve branca e espessa, onde o vento frio corta como lâminas. No coração desse reino gelado, ergue-se um orfanato de pedra cinza, um lugar onde as crianças sem lar encontram abrigo. Mas para Erina, esse abrigo era uma prisão de solidão e crueldade.

Dentro do orfanato, Erina, com apenas sete anos, caminhava com outras crianças para o refeitório. Os órfãos conversavam e brincavam uns com os outros, mas Erina estava mais afastada, sozinha. Ela até tinha vontade de iniciar uma conversação com alguém, mas seu medo de interagir era maior. Seus olhos grandes e curiosos se desviaram para fora da janela, onde avistou um pequeno cachorrinho tremendo de frio, encostado contra o muro do orfanato. Seu coração se apertou ao ver o animal abandonado.

Assim que chegou ao refeitório, pegou sua tigela de mingau e, sem que ninguém percebesse, escapuliu para seu quarto. Rápida e silenciosa, pegou algumas mudas de roupas velhas e voltou para a área externa. Erina enrolou o cachorro nas roupas, dividindo seu mingau com ele. A garota contava sua vida e sorria, conversando com o cachorro como se fosse uma pessoa.

Só que ela não estava sozinha. Um grupo de órfãos a observava de longe, pela janela, e logo começaram a rir dela, inventando um apelido cruel.

— Olha, é a doida dos bichos! Tentando salvar um cachorro esfarrapado!

— Ei, doida dos bichos, esse cachorro sardento é o seu novo namorado? — gritou outro órfão.

Os garotos gritavam a uma só voz: “Doida dos bichos, doida dos bichos”. Erina sentiu as lágrimas escorrerem pelo rosto, mas antes que pudesse reagir, foi chamada ao escritório da diretora do orfanato. A mulher severa olhou para ela com desdém.

— Erina, o que foi fazer lá fora? — perguntou a Diretora.

— Apenas fui ajudar um cachorrinho, Diretora. Ele é o meu novo amigo — respondeu a garota animada.

— Erina, sei que você é meio... diferente dos demais. Mas precisa fazer amizade com pessoas. Meu anjo, você foi deixada na nossa porta ainda bebê, você já tem sete anos e ninguém ainda lhe adotou. Você não vai poder passar sua vida inteira aqui. Precisa pensar em seu futuro, em ter uma família. Essas suas esquisitices só vão afastar qualquer pessoa que poderia te adotar. Comporte-se como as outras crianças.

As palavras da diretora eram como punhais, e Erina sentiu seu peito apertar ainda mais.

Dias se passaram, e enquanto as crianças corriam e brincavam no jardim do orfanato, Erina encontrou refúgio em sua própria companhia, entretendo-se com dois esquilos. Ela os alimentava e falava com eles como se fossem amigos verdadeiros, sentindo-se mais à vontade entre os animais do que com os humanos.

Mas o grupo de garotos não a deixava em paz. Aproximaram-se dela, zombando mais uma vez.

— Ei, doida dos bichos, está conversando com os esquilos agora? Patética!

— O que vai ser da próxima vez, uma lesma?

— Cuidado, doida dos bichos, aquele seu cachorrinho pode ficar com ciúmes se ver esse seu novo namorado.

Erina levantou-se, segurando suavemente os esquilos.

— Eu não sou doida dos bichos, me deixem em paz, não fiz nada com vocês — retrucou a garota, sua voz um misto de raiva e tristeza.

Antes que pudesse reagir, um dos meninos pegou um dos esquilos. Erina tentou lutar para recuperá-lo, mas eles eram mais fortes. Um dos garotos deu um chute em suas pernas e ela acabou no chão. Os meninos a chutaram, ameaçando:

— Se você contar para a diretora, vamos matar o esquilo. Diga que foi algum animal selvagem que te atacou.

— Que tal falar que foi o seu namorado cachorro que ficou com ciúmes do seu novo namorado esquilo, doida dos bichos.

Com lágrimas nos olhos e o corpo doendo, Erina mentiu para a diretora, que a repreendeu e a colocou de castigo. Sozinha em seu quarto, ela soluçou até pegar no sono.

Naquela mesma semana, enquanto comia sozinha no refeitório, uma garota se aproximou de Erina. Ela mal podia acreditar quando a menina sorriu e puxou uma cadeira.

— Oi, sou nova aqui. Hoje é o meu primeiro dia. Meu nome é Lika. — A recém-chegada se apresentou com um sorriso. — Vi que as pessoas não falam muito com você. Dizem que você conversa com os animais. É verdade?

Erina abaixou a cabeça e respondeu, com uma voz triste:

— As pessoas falam demais. Não é bom acreditar em tudo o que te dizem.

Lika inclinou-se para frente, seu rosto expressando uma animação suave:

— Deixa eu te contar um segredo: eu adoro animais! Eles são tão dóceis e fofos. Se pudesse, cuidaria de todos. Eu meio que te entendo.

Erina ergueu a cabeça, surpresa.

— Sério? — disse ela, com um brilho nos olhos. — Posso te apresentar depois um cachorrinho lindo que fica ao redor do orfanato.

— Quero conhecê-lo, sim! — Lika sorriu ainda mais. — Mas, afinal, qual é o seu nome? Todos me falaram um nome não muito legal.

— Eu sou Erina. Erina Sabá. Tenho sete anos e sempre morei neste orfanato.

Lika levantou-se da cadeira e, com um sorriso gentil, perguntou:

— Erina, que tal sermos amigas?

Erina sentiu um calor em seu coração e assentiu com a cabeça, junto com um leve sorriso, quase sem acreditar no que estava acontecendo. Elas conversaram por alguns minutos e Lika a convidou para uma aventura à noite.

— Ei, tenho uma ideia. Vamos sair do orfanato e explorar a casa abandonada perto daqui. Vai ser divertido, talvez possamos fazer lá nosso acampamento secreto e ajudar muitos animais sem que os garotos venham nos insultar!

Cheia de entusiasmo por finalmente ter uma amiga, Erina aceitou o convite. Quando a noite caiu, ela esperou todos dormirem e saiu pela porta dos fundos do orfanato. Mas assim que passou pela porta, um balde de água fria caiu sobre ela. Os garotos apareceram rindo e Lika estava entre eles, com um sorriso cruel.

— Lika, o que está fazendo? Somos amigas... — Erina perguntou, sua voz tremendo de dúvida e medo.

Lika mudou seu semblante, e um sorriso maquiavélico brotou em seu rosto.

— Amigas? É uma pena, “doida dos bichos”, mas ninguém aqui quer ser amiga de uma garota tão esquisita como você — Lika falou, desdenhando de Erina.

— Mas você disse que gostava de animais também — Erina retrucou, com a voz embargada, sentindo-se traída.

Lika fez um rosto sério e apontou o dedo na direção de Erina, zombando:

— Eu gosto de animais, mas não feito uma doida como você. Eu só fingi querer ser sua amiga para te pregar uma peça. Talvez assim você pare de ser tão esquisita.

Erina tentou correr para a porta, mas um dos garotos a empurrou. Em seguida, eles trancaram a porta atrás dela, deixando-a no frio da noite.

— Deixem-me entrar! Por favor! Lika, Diretora, alguém! Está muito frio, está doendo... Eu imploro, me deixem entrar! — gritava a garota, desesperada.

Tremendo e molhada, Erina procurou um lugar para se abrigar. Encontrou uma árvore, e, para sua surpresa, o cachorrinho que ela havia ajudado apareceu, enrolando-se ao seu lado para aquecê-la.

Na manhã seguinte, ainda adormecida, Erina sentiu alguém batendo levemente em seu pé. Ela acordou e viu a Diretora na sua frente, com um olhar furioso. A garota foi levada de volta ao orfanato pela Diretora. Apesar de suas roupas molhadas e do frio que ainda sentia, a maior dor que sentia era a traição de Lika.

Depois de se trocar, ela foi direto para a sala da Diretora, que pediu uma explicação:

— Diretora, a Lika, a garota nova, fingiu ser minha amiga, mas era uma armação para me deixar lá fora — Erina tentou explicar, com a voz embargada.

— Mentira! — gritou a Diretora. — Lika e os garotos me falaram que a última vez que lhe viram, você falou que ia ajudar novamente aquele cachorro sarnento e depois voltaria ao orfanato. Provavelmente você foi ajudá-lo e ficou presa do lado de fora.

— Não, Diretora, eles estão mentindo. Acredite em mim! — suplicou Erina.

A Diretora ficou ainda mais furiosa.

— Quer dizer que todos estão mentindo e só você está falando a verdade? Além disso, quando eu lhe vi de manhã, quem estava do seu lado? Aquele maldito cachorro. Eu já fui muito complacente com suas esquisitices. Vou te fazer, na marra, uma pessoa normal, queira você ou não.

— Pessoa normal? Você me vê da mesma forma que todos aqui, apenas como uma “doida dos bichos” — falou Erina, com amargura.

— Já chega, Erina! Vá para o seu quarto agora. Está de castigo e só sairá de lá quando eu mandar.

Enquanto caminhava até seu quarto, Erina podia ouvir os outros órfãos murmurando “doida dos bichos”, apenas alto o suficiente para que ela escutasse, mas não os funcionários. As lágrimas rolavam por seu rosto, mas ela continuou a andar.

Erina estava em seu quarto, novamente de castigo. Da janela, escutou um alvoroço e latidos desesperados de cachorro. Curiosa, aproximou-se e viu homens levando seu amigo peludo embora. Desesperada, Erina saltou pela janela, correndo para impedi-los.

— Por favor, não levem ele! É meu amigo! — gritou, com lágrimas nos olhos.

Antes que pudesse se aproximar, a Diretora a agarrou firmemente. Erina se debatia, mas nada podia fazer enquanto via, impotente, o cachorro ser levado.

— É para o seu bem, Erina. Espero que me entenda. — disse a Diretora, sem demonstrar emoção.

— Por favor, não... Ninguém quer ser meu amigo. Todos só querem me ofender e maltratar. Os únicos que me entendem e me acolhem são os animais. Você não pode tirar isso de mim... É a única coisa que me resta — suplicou Erina, desesperada, suas palavras carregadas de dor.

Aquela foi a gota d'água. Naquela noite, Erina tomou uma decisão. Reuniu algumas roupas e poucos pertences, e, com lágrimas nos olhos, saiu do orfanato pela porta dos fundos.

Ao passar pelo pátio, foi interceptada por Lika e os garotos que a atormentavam. Eles a cercaram, começando a insultá-la.

— Vai resgatar seu cachorro namorado, doida dos bichos? — zombou Lika, com um sorriso cruel.

— Volta aqui, doida dos bichos! — gritou outro garoto. — Aqui não vai ser divertido sem você!

Um dos garotos se aproximou e a puxou pelo braço, mas Erina sem dar importância, apenas continuou seu trajeto como se nada estivesse acontecendo.

— Volte aqui, doida dos bichos! Estou falando com você. Quer apanhar de novo?

Erina, sentindo um sentimento de raiva crescer dentro de si, inclinou-se e pegou uma pedra do chão. Com um movimento rápido e decidido, bateu com ela no rosto do garoto, quebrando-lhe alguns dentes. Em seguida, levantou a cabeça e olhou para os demais, seus olhos brilhando com um ódio feroz.

— Quem é o próximo? Venham me enfrentar se tiverem coragem! Talvez você, Lika? — desafiou Erina, sua voz carregada de raiva e erguendo a mão com a pedra suja de sangue. — Venham! Estou apenas começando.

Lika e os garotos recuaram, tremendo de medo. Os olhos ameaçadores de Erina os fizeram correr de volta para o interior do orfanato. A garota deixou a pedra cair no chão e fugiu em definitivo, sua determinação queimando mais forte do que o frio cortante da noite. Enquanto a neve caía, ela jurou que nunca mais confiaria em ninguém e encontrou consolo apenas na companhia dos animais, que se tornaram sua família e proteção.

 

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