Luvas de Ifrit Brasileira

Autor(a): JK Glove


Volume 2

Capítulo 59: O Pior Inimigo

Guinter entrou no prédio com a velocidade de um predador em caça, subindo os andares como um furacão. O edifício, um museu antigo e imponente, abrigava uma vasta coleção de obras de arte e artefatos históricos. A sala onde Joabe, Osken e Otto caíram era espaçosa, com esculturas antigas e pinturas raras dispostas tanto nas paredes como em expositores centrais, criando um cenário de tranquilidade e beleza que contrastava com o caos iminente.

Osken se levantou rapidamente, indo até seu filho para verificar se ele estava ferido após a queda. Com alívio, constatou que Otto, ainda inconsciente, estava ileso. Kreik, pousando suavemente ao lado de Joabe pelo buraco no teto, observava a cena com preocupação. Ele então se dirigiu ao mago inimigo:

— Pai do Otto, não somos seus inimigos. Somos amigos dele.

Osken, segurando o filho nos braços, respondeu com desdém:

— Não sejam ridículos. Eu sou um membro da Sabertooth. Somos rivais. Vocês não conhecem a verdadeira extensão dos poderes de Guinter. Vocês nunca o vencerão.

Kreik, mantendo a calma apesar da tensão, tentou novamente:

— Deixe de ser cabeça dura. Queremos apenas ajudar. Vamos unir forças e acabar com a tirania de Bolívar e de Guinter.

— Se querem ajudar meu filho, façam-me um favor. Parem de colocar ideias idiotas na cabeça dele — retrucou Osken, com raiva contida.

— Não seja ridículo. Otto é um bom menino. Ele só quer ter uma vida normal — Kreik insistiu, agora mais energicamente.

— Ridículo é você, garoto. — Explodiu Osken, visivelmente irritado. — Você não conhece nossa história, nossos sacrifícios. Nós nunca teremos uma vida normal. Você não sabe nada sobre a maldição que corre nas veias do meu filho. Sobre o fardo que ele tem que carregar. Eu farei de tudo para que ninguém o machuque.

Joabe, refletindo sobre a situação, interveio:

— Então é isso. Ele é do clã do dragão.

— Como você conhece o clã do dragão? — perguntou Osken, surpreso com a observação.

— Nosso líder, Baan Maverick, pertence ao mesmo clã. Ele é o portador do dragão monarca do elemento espaço. O Dragão Bane.

— Isso mesmo. Nos dê uma oportunidade. Ele pode ajudar vocês. Eu prometo!  — reforçou Kreik, agora mais animado.

Osken, com Otto nos braços, ainda absorvia as palavras de Joabe sobre o clã do dragão. Sua mente estava em turbilhão, lutando para conciliar a proteção do filho com o medo de Guinter. Ele sabia que cada decisão poderia ter consequências desastrosas para ele e seu filho.

Nesse momento, Guinter entrou na sala, arrebentando a porta com um soco devastador. O transmorfo avançou em direção a Osken, sua presença imponente enchendo o ambiente de uma aura ameaçadora.

— Como o moleque ruivo ainda está vivo, Osken? Eu mandei seu filho matá-lo. Ele parece morto para você? — perguntou Guinter com uma voz gélida e cheia de fúria contida.

Osken, sentindo o medo apertar seu coração, respondeu com a voz trêmula:

— Desculpa, líder. Não sei o que aconteceu. Provavelmente foi alguma técnica mágica deles ou uma runa. Não sei. Mas deixe comigo. Vou garantir que os dois morram. Tem a minha palavra.

Guinter começou a caminhar em direção a Osken, seus passos ecoando pelo salão, quando sua runa de comunicação começou a vibrar no bolso. Ele a retirou, irritado, e atendeu:

— Oi Nathan, o que aconteceu? Seja rápido, estou ocupado.

Minutos antes de Guinter receber o contrato de Nathan, na floresta próxima a antiga residência da família Otogi, o sol ainda estava se pondo, tingindo o céu de laranja e vermelho, enquanto Joe caminhava pela floresta com Baan ao seu lado.

As sombras das árvores se alongavam, criando um labirinto de luz e escuridão. O ar estava carregado com o cheiro de folhagem úmida e terra fresca. Baan, observando a densa mata ao redor, sugeriu:

— Acho que já caminhamos o máximo sem descansar. Precisamos parar um comer um pouco. Seria bom fazermos uma tocha para caminharmos à noite e comermos algo.

— Baan, não temos tempo para isso. Preciso encontrar Catlyn e meus filhos. Não consigo nem sentir fome sem saber se eles estão bem — repondeu Joe, com a voz carregada de ansiedade.

Como que para contradizê-lo, a barriga de Joe roncou audivelmente. Baan sorriu, tentando tranquilizá-lo:

— Joe, eu entendo sua preocupação. Mas relaxe, ninguém da minha guilda vai permitir que sua família se machuque. Confie em nós.

Joe olhou para o chão, sua voz embargada revelando a angústia que sentia:

— Meu pai não pode concordar com você.

Baan suspirou, seus olhos refletindo compreensão e firmeza:

— Eu entendo a sua dor, mas quando você decidiu nos contratar para enfrentar Bolívar, já sabia das consequências. Então, vamos deixar de discutir e focar no essencial. Vou pegar madeira para uma fogueira, e você pega algumas frutas. Depois de comermos, faremos uma tocha e retomaremos a caminhada. Devemos estar perto de encontrar Moara e sua esposa.

— Tem razão. — Joe assentiu, resignado. — É muito duro ver seu pai morrendo diante dos seus olhos sem poder fazer nada... Vamos seguir o seu plano. Por favor, só seja rápido.

Baan acenou com a cabeça, sua expressão se suavizando em um sorriso reconfortante:

— Não se preocupe. Vou voltar logo.

Joe começou a procurar frutas entre as árvores, mas seus pensamentos estavam longe, com sua esposa e filhos. A imagem de seu pai, morrendo diante de seus olhos, assombrava sua mente. Lágrimas escorreram silenciosamente por seu rosto, um misto de desespero e impotência inundando seu coração.

“Nunca deveria ter desafiado Bolívar. Nosso plano de derrotar esse tirano e expulsar a Sabertooth falhou miseravelmente. Eles foram mais fortes, me fizeram perder minha casa, meu pai, meus sonhos. Espero que pelo menos minha família esteja bem. Eles são tudo o que me importa agora.”

Sentado em uma pedra, Joe deixou as frutas caírem ao chão enquanto se entregava ao luto. De repente, uma língua serpenteante emergiu de um arbusto e se enrolou em seu pescoço, arrastando-o até os pés de Nathan, que se encontrava em sua forma híbrida. Joe, aterrorizado, fitou o mago da Sabertooth.

— Ora, ora. Veja o que encontrei. Agora me fale onde estão o líder da Crossed Bones, o samurai loiro e a garota dos cabelos verdes. Isso, se quiser ainda viver. Aliás, deixa eu reformular. Isso, se não quiser sofrer, porque morrer, já vai acontecer de um jeito ou de outro — Nathan disse, esmagando o peito de Joe com seu pé.

Joe, lutando para respirar, tentou manter a calma:

— Eu não sei. Eles me abandonaram aqui e encerraram o contrato. Admitiram a derrota. Sabiam que não poderiam continuar enfrentando magos tão poderosos.

Nathan soltou uma risada sarcástica:

— Não sou trouxa para cair nas suas mentiras esfarrapadas. Vejamos se seu discurso muda depois de apanhar.

Nathan ergueu Joe e começou a socar sua barriga repetidamente, exigindo informações sobre os magos da Crossed Bones. Joe se manteve em silêncio, suportando as pancadas. Cansado, Nathan usou sua língua para segurar Joe pela camisa e o jogou contra uma árvore, fazendo-o bater com força.

O som do impacto ecoou pela floresta. Joe gemeu de dor, tentando se levantar, mas suas forças estavam quase esgotadas. Nathan se aproximou lentamente, observando a luta desesperada de Joe para se afastar engatinhando.

— Joe, você é um cara de coragem. Mesmo apanhando, se mantém firme, isso é admirável. Não se preocupe, como não quer cooperar, vou só quebrar seu pescoço e procurar eu mesmo os demais.

Antes que Nathan pudesse agir, uma mão firme pousou em seu ombro. Surpreso, ele se virou apenas para receber um soco poderoso que o lançou vários metros adiante. Baan apareceu ajudando Joe a se levantar enquanto Nathan mexia em seu queixo e reclamava da dor do golpe.

— Desculpa a demora, Joe, mas você se distanciou demais colhendo essas frutas. Agora toma essa lenha e prepara a fogueira porque vamos comer rato na brasa — disse Baan, mantendo o bom humor, jogando a lenha aos pés de Joe.

— Seu merda! — Nathan se levantou, enfurecido. — Quantas vezes terei de dizer? Eu não tenho nenhuma proximidade com um rato. Sou um tamanduá!

Nathan investiu contra Baan, que se preparou para os ataques, bloqueando e contra-atacando com precisão. Cada soco de Nathan era habilmente desviado ou aparado, e Baan conectava golpes precisos, zombando do oponente.

— É só isso que o rato narigudo é capaz de fazer? — provocou Baan, enquanto desferia uma série de socos.

Irritado, Nathan tentou agarrar Joe com sua língua novamente, mas Baan a segurou com uma mão firme. Movendo a língua de Nathan para frente e para trás, ele forçou a cabeça do oponente a seguir o movimento, enquanto usava a outra mão para desferir uma série de jabs rápidos no rosto de Nathan. Soltando a língua, Baan finalizou com um chute lateral que jogou Nathan contra uma árvore próxima.

Joe, observando a luta, não pôde deixar de se impressionar: “Esse cara é muito forte. Mesmo com grande parte do poder selado, ele brinca com um membro da Sabertooth como se lutasse contra uma criança. Talvez ele consiga realmente vencer o líder deles e salvar a cidade.”

— Se for só isso o que tem, vamos agilizar. Pede logo para sair porque quero lutar contra o seu chefe — Baan continuou a provocação.

Nathan, se recompondo, respondeu com um sorriso desdenhoso:

— Não me faça rir. Mesmo que pudesse voltar no tempo mil vezes, mil vezes você morreria sem nem machucar Guinter.

— Deixa de papo furado e vem dançar. Tenho uns passos novos para te mostrar, rato narigudo.

Nathan avançou novamente, mas Baan manteve sua defesa impecável, bloqueando e contra-atacando com golpes precisos. No entanto, quando Baan tentou desferir um soco de esquerda, Nathan usou sua língua para desviar a mão de Baan, fazendo com que ele errasse o golpe. Aproveitando a brecha, Nathan acertou um soco na bochecha de Baan.

O impacto foi forte, mas as gotas de sangue que caíram no chão eram de Nathan. Baan havia usado sua magia para fazer emergir uma camada de ossos em sua bochecha, protegendo-se do golpe e ferindo a mão de Nathan.

Nathan recuou sua língua, chocado com a dor. Baan, agora com o braço envolto em ossos, agachou-se levemente e gritou:

— Skeleton Punch (Soco Esqueleto)! — desferindo um soco devastador no estômago de Nathan, que caiu de joelhos. Sem dar tempo para recuperação, Baan aplicou um chute lateral, arrastando Nathan pelo chão.

— Ainda não entendeu? Eu sou o pior tipo de inimigo para você. Seus golpes baseiam-se apenas em ataques físicos, mas minha magia de controlar os ossos do meu próprio corpo me torna quase imune a ataques físicos. Sempre que você me ataca, quem leva o dano é você.

— Vai à merda! Nossa luta tá só começando. — gritou Nathan, com raiva nos olhos. — Essa luta não vai acabar assim tão fácil. Perder de uma forma tão deplorável não seria digno. Mesmo que todos achem minha transformação fraca, Guinter viu além. Ele me ensinou a ser forte, a mostrar a verdadeira beleza e poder da minha transformação. Eu não irei desapontá-lo. Vou te derrotar e provar a todos o real poder de um tamanduá.

— Que discurso barato! Passou anos maltratando os cidadãos dessa cidade e agora quer se passar por herói. — Baan assumiu uma postura relaxada, colocando a mão direita no pescoço e o estralando, como se estivesse se aquecendo. — Não venha com cos velhos clichês de que precisa superar seus limites para provar seu valor, que seus amigos estão torcendo por você. Tenha paciência! — O mago de ossos soltou uma risada sarcástica e retomou a guarda. — Você é só um rato narigudo querendo aparecer. Vou acabar com sua raça e te mostrar o quão fraca e ridícula é essa sua transformação!

Baan ergueu as mãos, e ossos começaram a brotar de seus dedos. Com uma destreza impressionante, ele formou uma lança de ossos afiados e a girou entre os braços, demonstrando uma maestria impecável no manuseio da arma. Ele assumiu uma postura firme, com o quadril levemente agachado e as pernas posicionadas com precisão: a esquerda recuada, mas com o joelho apontando para frente, e a direita à frente. Com a lança erguida na altura dos ombros, ele lançou um olhar penetrante para Nathan e declarou com uma voz fria:

— É a minha vez de atacar. Skull King Spear (Lança Rei Caveira)!

Baan investiu contra Nathan com uma velocidade que transformou seu movimento em um borrão. Nathan mal teve tempo de reagir e, no último instante, inclinou a cabeça para o lado, escapando por pouco. A lança de Baan cortou sua bochecha, o sangue jorrando, e perfurou o tronco da árvore atrás dele como se fosse papel. Nathan sentiu a potência devastadora do golpe e olhou para Baan, impressionado.

“Como ele conseguiu se mover tão rápido? Parecia um vulto...” — pensou Nathan perplexo.

— Está com medo, rato narigudo? Vamos ver se consegue continuar desviando — Baan provocou, balançando a lança diagonalmente para baixo, tentando rasgar Nathan e o restante do tronco com um único golpe.

Nathan saltou para o lado, evitando o ataque. A árvore, agora fragilizada, caiu sobre ele. Ele a segurou facilmente, mas Baan aproveitou o momento em que o transmorfo estava ocupado para lançar uma nova investida.

Contudo, Nathan, com um movimento rápido, usou o tronco da árvore como escudo, bloqueando a lança. A ponta perfurou o tronco, mas Nathan conseguiu se desvencilhar, embora sua pata esquerda tenha sido perfurada no processo.

“Preciso ganhar espaço e pensar em uma estratégia. Não posso vencê-lo com força bruta. Tenho que aproveitar a arrogância dele para pegá-lo desprevenido.”,  refletiu Nathan enquanto corria para longe de Baan.

Baan, com um sorriso cruel, deixou cair a lança de ossos e, antes que ela caísse no chão, ele a chutou para cima. A lança subiu até a altura de seu ombro, ele a pegou no ar e a lançou com uma precisão mortal.

— Ei, rato narigufo! Tente fugir disso, senão morra! — A lança de Baan disparou em linha reta com velocidade implacável.

 

 

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