Volume 2
Capítulo 58: Cachorrinho Amedrontado
Rydia, ainda dentro da mansão, decidiu tomar um caminho diferente na procura por Bolívar. Ela avançava pelos corredores com passos leves, invisível como uma sombra. Os capangas de Bolívar já haviam sido derrotados por Uji, e os outros funcionários fugiram em pânico quando o samurai invadiu a mansão.
Ao entrar no quarto de Bolívar, Rydia foi recebida por uma cena de pura opulência. O ambiente era dominado por móveis antigos folheados a ouro e tapetes luxuosos. Pesadas cortinas vermelhas escondiam uma porta espelhada de correr que dava acesso a uma varanda. Ela abriu a porta com cuidado, revelando um aposento escuro e misterioso, onde os últimos raios do crepúsculo se filtravam pelas frestas das cortinas, criando padrões irregulares no chão de madeira polida.
Seus olhos se fixaram na imponente cama de dossel, cujos lençóis de seda vermelha pareciam absorver a pouca luz do ambiente. O ar estava saturado com o aroma de incenso e perfumes exóticos, conferindo ao quarto uma atmosfera quase etérea. Ao examinar o cenário, Rydia pensou: “Que homem espalhafatoso. Se ele ainda estiver nesta mansão, certamente está por aqui.”
Com sua pistola d’água em punho, preparada para qualquer emboscada, Rydia inspecionou cada canto do quarto. Cada sombra foi investigada, cada detalhe verificado. Ela abriu a porta espelhada de correr e examinou a varanda, mas não encontrou nenhum sinal de Bolívar. Seus olhos voltaram-se então para um tapete persa no centro do quarto. Uma intuição a guiou até ele. Ao afastá-lo, ela não encontrou nada de imediato, mas, ao pisar no chão, notou um som diferente, um rangido mais oco.
Ajoelhando-se como um soldado em posição de ataque, com um joelho tocando o chão e o outro dobrado, Rydia cobriu seu braço esquerdo com água elástica. Respirou fundo e socou o chão com força, quebrando as tábuas e agarrando algo abaixo delas. Ela ergueu o braço e arremessou o que havia encontrado: Bolívar, que foi lançado vários metros para trás.
Levantando-se lentamente, Rydia caminhou com determinação em direção ao empresário caído, seu olhar fixo e penetrante. A figura do tirano tremia de medo.
— Parece que viu um fantasma, Boo! — ela zombou, sua voz carregada de desprezo.
Bolívar, apavorado e com a voz trêmula, tentou negociar:
— Po-podemos resolver as coisas pa-pacificamente. Posso pagar o dobro, o triplo, ou até quíntuplo do que Joe lhe ofereceu.
Rydia, com um sorriso irônico, retrucou:
— Nossa guilda pode ter "ossos" em seu nome, mas não somos uma Red Skull.
Com um movimento rápido, ela disparou sua pistola d’água pressurizada na perna do empresário. Bolívar gritou de dor, lágrimas escorrendo por seu rosto.
— Não me mate! Não me mate! Faço o que quiser. O Decreto Imperial está no meu escritório, em um cofre, logo abaixo de umas ampolas. Prometa que não vai me matar, e eu lhe direi a senha.
— Você é bom de negócios — Rydia olhou para ele com desdém —, mas tirar sua vida torna as coisas mais fáceis. Ainda vou conseguir o Decreto e ainda não precisaremos mais lutar contra a Sabertooth. É uma oportunidade de ouro.
Enquanto ela falava, a porta se abriu de repente. Uji entrou no quarto, ainda com os fones de ouvido, e sacou sua espada. Rydia olhou para trás, vendo o amigo se aproximar com uma aura mortal.
— Demorou, Uji. Encontrou algum membro da Sabertooth? — ela perguntou, mantendo seu tom calmo.
O samurai a encarava com um olhar vazio, a expressão ausente.
— Está surdo? Talvez esses fones ridículos estejam impedindo você de me ouvir — disse ela, desconfiada.
Sem responder, Uji moveu sua katana rapidamente de baixo para cima. Rydia deu um salto para trás, mas o samurai persistiu, avançando com um pequeno pulo e uma estocada reta em direção ao coração dela.
Em um movimento fluido, Rydia jogou sua pistola para o alto, juntou as mãos e esticou os braços, criando uma barreira com sua Web Water. A lâmina da katana tentou perfurar a teia de água, mas Rydia usou toda sua força para conter o golpe.
A batalha intensificou-se. A força de Uji era superior, rompendo a teia com a ponta da lâmina, mas Rydia girou os braços para baixo, desestabilizando o samurai. A direção da lâmina mudou, acertando a coxa esquerda da maga.
Uji ficou inclinado à frente dela, sua katana cravada na coxa da jovem. Ele estava com o pé direito à frente e o esquerdo apoiado atrás, o rosto na altura da cintura dela. Rydia aproveitou a oportunidade e desferiu um soco no rosto do amigo. Uji caiu para trás, ainda segurando a katana, que se retirou da coxa de Rydia enquanto o samurai caía de costas contra a porta do quarto.
Com agilidade, Rydia ergueu o braço e pegou a pistola que havia lançado para o alto. Disparou cinco tiros em rápida sucessão. Uji levantou-se e brandiu sua katana em várias direções, dispersando todos os projéteis. Em um movimento rápido, a maga atiradora agarrou Bolívar pelas costas, usando-o como refém.
— Apareça, Sabertooth! Ou vou estourar os miolos do seu poderoso chefe! — gritou Rydia, com a pistola apontada para a cabeça do empresário.
Rafarillo entrou no quarto, segurando uma caixa de som amarela com detalhes prateados. Um interruptor emitia uma luz alaranjada.
— Não precisa de tanta violência, gatinha! Sou Rafarillo, o mago responsável pela proteção de Bolívar. Veja bem, podemos resolver esse impasse sem envolver ele na confusão — falou o mago com um sorriso falso.
— Acha que estou brincando quando digo que vou atirar? Revele todos os membros ou vou mandar esse gordinho para o outro mundo — ameaçou Rydia, com a pistola ainda apontada para a cabeça de Bolívar.
— Por favor, Steffens, saia logo! Você disse que se eu confiasse em você ninguém me faria mal. Não posso morrer agora. Steffens! — implorou Bolívar, desesperado.
Steffens entrou no quarto lentamente, com um andar gracioso, quase como se desfilasse. Com um sorriso suave e falso, ela falou:
— Estou aqui, meu doce cachorrinho. Não há nada a temer.
Rydia, percebendo a situação, pensou: “Lancei uma informação aleatoriamente e ele entregou a companheira imediatamente. Agora sei contra quem estou lutando. O próximo passo é libertar Uji do transe.”
“Que gordo idiota, caiu no blefe da atiradora. Por causa do desespero dele, ela sabe agora que somos dois. Arruinou qualquer chance de um ataque surpresa,”, pensou Rafarillo, com um tom sério.
Steffens deu alguns passos na direção de Rydia, que recuou a mesma distância, em direção às cortinas do quarto que cobriam a varanda.
— Não precisa ter medo, eu não mordo... — provocou Steffens.
— Estou perdendo a paciência. Vou atirar — ameaçou Rydia, sua voz tensa.
— Espere, tenho uma proposta. Apenas escute. Você me entrega Bolívar e eu prometo que eu e meu irmão vamos matar você e o seu namorado rapidamente, assim não vão sentir muita dor — disse Steffens com um sorriso ameaçador.
— Primeiro, esse samurai de merda não é meu namorado. Segundo, acho que você não entendeu quem está com a vantagem aqui, sua biscate — respondeu Rydia com firmeza.
— Biscate? Vou acabar com você. Supersonic Falsetto (Falsete Supersônico)! — gritou Steffens, irada, lançando um grito agudo com uma frequência sonora altíssima. O som estilhaçou os espelhos do quarto e fez todos, exceto Uji e Steffens, agonizarem com fortes dores de cabeça.
Rydia soltou Bolívar e, mesmo com a perna machucada, correu em direção à varanda, tentando escapar do som ensurdecedor. Bolívar gemeu de dor, incapaz de suportar o grito de sua amada. Steffens segurou Bolívar em seus braços e o levou para próximo da porta do quarto.
— Que merda, Steffens! Avise antes de usar uma técnica desse nível. Meus ouvidos quase sangram — murmurou Rafarillo.
— Era isso ou perder meu cachorrinho. Não tive escolha. Hahaha — riu Steffens.
Uji, indiferente ao grito estridente da maga ruiva graças aos fones de ouvido, correu para perto da varanda e ativou sua técnica Aokiji. Rydia, sempre ágil, saltou da varanda, mergulhando na piscina abaixo. Dentro da água, ela usou sua técnica de água elástica para envolver a coxa ferida, criando uma bandagem improvisada para estancar o sangramento e reduzir a dor.
O samurai, determinado, pulou da varanda com a katana segura firmemente nas duas mãos, a lâmina apontada para baixo, planejando eletrocutar Rydia dentro da piscina. Ela olhou para cima e viu Uji descendo como uma flecha. Em um movimento rápido, Rydia invocou sua técnica Elastic Whirlpool.
As águas da piscina começaram a girar em um turbilhão viscoso, engolindo o samurai e girando-o vertiginosamente. Com um movimento gracioso das mãos, Rydia redirecionou o turbilhão, lançando Uji contra a porta que conectava a área da piscina ao interior da mansão. O impacto foi brutal, arremessando o samurai para dentro da casa.
— Malditos! Vão pagar pelo que fizeram com Uji! — gritou Rydia, com raiva, enquanto olhava para cima e via Rafarillo e Steffens na varanda, rindo da situação.
A maga atiradora fugiu correndo da mansão. Uji, ainda sob o transe da técnica de Rafarillo, levantou-se, pegou sua katana e correu atrás de sua amiga. Os dois desapareceram do campo de visão dos magos da Sabertooth.
No alto da varanda, Rafarillo falou com desdém:
— Aff! Vou ter que segui-los. Se o samurai se afastar muito, o alcance do Bluetooth dos meus fones de ouvido vai falhar e ele vai sair do transe.
— Não se preocupe, irmão. Vou com você. Não posso te deixar sozinho. Juntos, somos invencíveis — disse Steffens.
— Não, Steffens, você não pode. Fique aqui comigo. Outros podem me atacar. Minha perna está machucada. Preciso de você aqui, cuidando de mim. Seu irmão consigue vencer aquela maga sozinho — protestou Bolívar, agarrando-se ao pé de sua amada.
— Relaxe, cachorrinho. Já disse que ninguém vai lhe machucar. Vou matar aqueles dois e volto rápidinho para cuidar de você. Você nem vai sentir minha falta.
— Não, não, não! Você disse que ninguém me machucaria e olhe para a minha perna! Como vou receber o rei amanhã mancando? — lamentou o empresário, com os olhos arregalados de medo.
— Ah, cachorrinho. Essa perna machucada foi só uma forma de você pagar por ter me humilhado, me excluindo da mansão por causa da sua princesa. — disse Steffens com um sorriso cruel.
— Que crueldade, meu amor. Você deixou ela me machucar só por vingança? — perguntou Bolívar, tremendo de medo, enquanto soltava a perna da maga.
— Não veja por esse ângulo, mas sim pelo fato de que sempre estivemos no controle de tudo desde que invadiram a mansão. Agora, apenas aguarde docilmente até o retorno da sua dona, meu doce cachorrinho. É uma ordem! — declarou Steffens, inclinando o queixo levemente para cima e exibindo um sorriso maquiavélico.
Bolívar, ao ver o rosto da maga, ficou paralisado de medo, percebendo a arrogância e superioridade que emanavam de sua amada. Os irmãos saíram correndo do quarto e começaram a seguir Uji e Rydia, enquanto Bolívar permanecia ajoelhado no chão, tremendo de medo.
Na praça central da cidade, os cidadãos se reuniram para protestar, segurando cartazes e faixas. Eles exigiam liberdade para sair da cidade, melhores condições de trabalho e reparações pelos danos causados no distrito de Carabás, especialmente para a família de Joe Otogi.
Guinter observou a manifestação de longe e falou para Osken e Otto:
— Vou me aproximar deles para dispersar essa confusão. Osken, suba naquele prédio e, ao meu sinal, use sua melhor técnica para atingir todos os manifestantes. Eles vão aprender a nunca contrariar Bolívar.
— Líder, você pretende atacar sem antes conversar? Isso vai ser uma chacina se meu pai atacar. Podemos tentar algo menos violento antes. — protestou Otto.
— Amoleceu, Otto? Nosso objetivo não é apenas acabar com a manifestação, é extinguir qualquer fagulha de esperança de que podem lutar contra o domínio de Bolívar — respondeu Guinter com frieza.
— Líder, perdoe meu filho. Ele não está raciocinando bem depois de tudo o que aconteceu. Deixe-me conversar com ele em particular — disse Osken, tentando apaziguar a situação.
O pai levou Otto para um canto afastado e, segurando-o pelos ombros, olhou nos olhos do filho e falou:
— O que está acontecendo, Otto? Você tá diferente. Não podemos contrariar Guinter.
— Pai, não podemos simplesmente matar todos esses cidadãos. Eles estão protestando pacificamente. O que estamos fazendo é errado — disse Otto, com a voz tremendo de emoção.
— Por acaso é errado tentar sobreviver? Guinter pode nos matar ou pior, nos entregar à GPA ou a uma grande guilda. Todos querem você. Vai deixar que o sacrifício dela seja em vão? Nós precisamos sobreviver ao nosso modo — Osken falou, tentando convencer o filho.
— Pai, estou cansado de ver as pessoas sofrerem. Eu pensava que podia ser um vilão, sacrificar tudo para sobreviver, mas não consigo. Não quero mais trair pessoas. Não quero matar inocentes. Quero viver de uma forma diferente — disse Otto, chorando.
Osken abraçou o filho e sussurrou em seu ouvido:
— Eu te entendo, filho. Acho que você herdou esse lado sentimental de mim. Eu peço desculpas por não ser tão forte como sua mãe. Saiba que é por amor que estou fazendo isso.
Com um movimento rápido, Osken golpeou a nuca de Otto, fazendo-o desmaiar. Ele segurou o filho nos braços e, ao passar por Guinter, disse:
— Perdão, líder. Vou subir no prédio e cumprir suas ordens. Não nos puna pela desobediência do meu filho, eu imploro.
— Não se preocupe, Osken. Faça seu trabalho bem feito e eu irei relevar o episódio de hoje. Mas que seja a última vez que ele me desobedece.
Osken carregou o filho desmaiado para o alto do prédio. Guinter, por sua vez, assumiu sua forma híbrida de leão e saltou para o centro da manifestação, rugindo ferozmente. Um dos manifestantes tomou a frente, apesar do tremor em sua voz, e disse:
— Não queremos conflito. Só buscamos melhores condições de trabalho e vida. Nossa pauta é...
Antes que pudesse terminar, Guinter o golpeou com suas garras. Frederico, que liderava a manifestação, correu na direção do transmorfo com uma faca, mas Guinter o segurou com uma mão e o jogou no chão, rosnando:
— Não vim aqui para negociar. Vim para mandá-los para o outro mundo. Ninguém pode desafiar a Sabertooth e Bolívar Brock.
Os manifestantes, armados com facas escondidas, atacaram Guinter. Ele, porém, usou sua técnica King’s Roar, desnorteando a todos com um rugido poderoso. Em seguida, começou a atacar com suas garras, derrubando os manifestantes aos montes. A fúria de Guinter era evidente, e os manifestantes, recobrando os sentidos, fugiram em pânico.
Guinter olhou para o alto do prédio onde Osken estava e balançou a cabeça.
— Malditas palavras, Otto. Como dói ouvi-las. Espero que um dia você me perdoe. — Osken, com lágrimas nos olhos, colocou o filho desacordado no chão e deu alguns passos para a frente. — Cidadãos de Passafora, perdoem-me, mas não tenho escolha. Se alguém de você for para o inferno, eu prometo que deixarei que se vinguem de mim lá. Bra...
— Parem com isso! — gritou Kreik de longe, voando com Joabe nos braços.
Ao se aproximarem de Osken, Kreik soltou Joabe, que acertou um soco no rosto do mago inimigo, fazendo-o bater no chão e quebrar parte do telhado com o impacto.
Joabe Osken e Otto, caíram para dentro do prédio. Já Kreik, flutuou sobre o buraco criado pelo impacto e olhou para Guinter, que estava no chão, em frente ao prédio, correspondendo com um olhar feroz.
Guinter ficou atordoado ao ver o mago ruivo ainda vivo. Ele lembrava vividamente de tê-lo visto morto antes. Até que um estalo veio em sua mente. “Otto… Suas traições não têm fim”, refletiu ele enquanto Kreik deslizava pelo buraco no telhado para dentro do edifício.
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