Volume 1
Capítulo IV: “Destino”
"Estamos-vos, no reino de Sera!"
— Chamo-me Helena de Tróia. E vejo que estão confusos com tudo, não é mesmo?
Embora todos pudessem compreender suas palavras, estavam longe de entender aquela situação. Tantas crianças confusas deixaram Helena na obrigação de tomar responsabilidade, continuou ela:
— Todos vós morrestes! Vocês tiveram suas vidas roubadas pelo ceifeiro, embora suas almas tenham sido poupadas e não entregues à Hades. Mas sim, trazidas a mim, tragas para este mundo!
No momento que disse tais palavras, ouvisse espanto em todos. Para alguns ainda não havia caído a ficha, enquanto outros já aceitavam o fardo da morte, como Aku que prestava bastante atenção em Helena.
— Então realmente estamos mortos?!
— Morremos mesmo?!
— Vocês irão nos julgar por nossos pecados?! É isso?!
— Se acalmem, eu…
— Que brincadeira é essa?! — disse uma outra garota em meio à multidão. — É uma pegadinha, né?! Claro que ninguém morreu!
Helena já percebendo o caos que voltava, tentou agir o mais calmamente e rapidamente que podia naquela situação:
— Não precisam temer! — disse com um suspiro. — Como já disse antes, aqui não é o céu! Está bem longe de ser o paraíso cara heroína.
— Então onde–
— Com o poder dos deuses, eu os invoquei neste mundo, sendo assim... Vejam isso como uma nova chance! Suas almas seriam lançadas no submundo para Hades, mas os deuses misericordiosos lhes deram uma segunda chance. Uma segunda e única chance! Para todos, sem exceções.
O absoluto silêncio, foi a resposta de todos para ela. Helena continuou sua narrativa, mas como muitos, Aku também estava perdido em seus próprios pensamentos:
“O que está rolando aqui? Heróis?”
“Não pode ser o que estou imaginando, certo…?”
Olhou ao redor, vendo que alguns choravam rezando ao Buda, outros por vez se mantinham fortes encarando Helena, esperando por mais respostas.
— Vocês foram chamados a um grande propósito, por um nobre motivo. Vocês foram os escolhidos pelos deuses, como nossos heróis! Se alegrem, sorriam!! — disse ela, abrindo os braços — De muitos que morrem a todo momento em mundos diferentes, vocês foram os escolhidos. Escolhidos para ter essa nova chance e fazer a diferença! Vocês, e apenas vocês...
Uma confusão, embora Helena falasse bem e de forma clara, ainda sim, era tudo muito confuso. Eles se encaravam entre si, sussurrando um para o outro que tudo não passava de uma brincadeira, uma mera pegadinha sem graça.
— Que palhaçada! — disse um garoto cuspindo no chão. — Ei. Que papo furado é esse afinal?
Gangster, delinquente, foram esses nomes que todos pensaram ao ver o garoto surgir de em meio aos demais: Alto com corpo atlético, cabelo branco com topete, possuindo olhos cor de mel e vestindo uma jaqueta com uma camisa branca por baixo. Também exibia uma calça folgada e cordões de prata, além de vários piercings e brincos pelo rosto.
Andou ele até a frente dos demais, passos despreocupados e ligeiros. Não demorou para ficar frente a frente com Helena, e encarando-a nos olhos disse com desdém:
— Segunda chance é uma hova. Corta essa, tá! Se isso for uma pegadinha, vou fuder com vocês… Sacou?
— Como? Que tipo de linguajar rude e estranho é esse garoto? Os deuses o puniram se continuar com isso! — disse Helena elevando a voz.
— Tá certo… Fato, as coisas aqui são estranhas! Fato, parece que realmente pode ser verdade as merdas que falou, mas… Salvar o mundo? Ainda mais, esse mundo? Um lugar que nem conheço, com pessoas que nunca vi! Tá achando o quê? Que sou trouxa? Tá me vendo com cara de otário sua puta?
— Mas eu os invoquei para esse propósito. Os deuses os trouxeram para isso!
— Hum. Acha que eu sou obrigado a cooperar só por isso? Não estou nem aí para esses seus deuses. No fim, eles são seus e não meus! Não vou fazer nada que não quero. Foda-se vocês, foda-se esse lugar e foda-se seus deuses. Eu só quero voltar para minha casa, para minha vida, então tratem de me mandar de volta agora mesmo! Estão ouvindo?!
— M-Mas…
— Você não escutou? — Seu olhar era sério. — Se fingir de surda não vai ajudar, ou está querendo dizer que não fui claro, vadia? Eu não fui claro?! Me manda de volta, agora!! — Gritou ele, encarando-a nos olhos.
A pobre garota de farda o encarava com nojo, enquanto Helena parecia não saber o que fazer naquela situação. Foi quando ele olhando para o lado percebeu a garota que o encarava, e pareceu não gostar disso.
— E você? Tá olhando o que?! Quer morrer?!
Ela parecia se irritar cada vez mais, e perdendo a cabeça o golpeou com um tapa. Desaprovando seus modos, encarando-o com uma expressão séria, o mesmo olhar de uma mãe em desaprovação ao comportamento de seu filho.
— Mas que grosseria a sua! Você não tem modos?! Foi criado em um chiqueiro por acaso?! Por que só sai merda da sua boca?! Tenha mo–
Antes de terminar seu sermão, recebeu um golpe no rosto que a jogou no chão. Deitada ali agora, lágrimas desciam de seus olhos enquanto segurava sua boca, virando o rosto encarou os demais que pareciam não querer se envolver.
— Eu não costumo bater em mulher, mas… Você bem que mereceu!! — Encarou os demais. — E vocês? O que foi seus putos?! Eu sou a vítima aqui, assim como todos vocês! Essa vaca tá dando uma de santa enquanto esses merdas trouxeram a gente contra nossa vontade... Parece até uma piada! Àquelas histórias de merda que os perdedores da minha escola liam na hora do intervalo. Só falta me dizer que tô na porra de um isekai e que tenho que derrotar um lorde demônio!
Ele parecia perigoso, todos podiam ver isso. Aku também parecia hesitar em querer ajudar, nunca se deu muito bem com valentões e mesmo que só de olhar, seu corpo tremia.
— Merda. Quem diria que uma bosta dessas fosse rolar logo comigo!
— Que deselegante… batendo em mulher? E, na minha presença?
Antes que pudesse se virar para ver quem era, foi golpeado com um chute na perna que o fez perder o equilíbrio, caindo de joelhos. Agora estando diante de uma garota, qual pisou em seu peito o jogando contra o chão.
Tinha ele dificuldade em respirar e, antes que pudesse recuperar o fôlego, teve sua cabeça esmagada por aquela que o encarava de cima:
— Merdinhas como você devem ficar de joelhos. Ou melhor… debaixo dos meus pés!
Tinha ela um corpo robusto, pele morena e usava uma jaqueta rasgada que combinava com seu cabelo roxo e seus olhos castanhos. Ela começará a pressionar a cabeça do garoto com seu salto preto, encarando ele de cima com um olhar dominante.
— Você acha que é forte? Que é diferente dos demais aqui? Se acha… especial? — disse ela, se abaixando. — Que droga… Pisei em merda!
Disse por fim cuspindo nele, enquanto se afastou o soltando. O garoto se levantou em seguida furioso, indo em sua direção enquanto se preparava para um contra-ataque.
— Já chega!! — Gritou Helena.
Ele parou, estava tão irritado que saiu esbarrando nos demais, indo até o canto do salão onde se sentou. Helena encarou o homem no trono com uma expressão preocupada, tentando se recompor respirou fundo.
— Que bagunça… Achei que iria conversar com heróis. Porém, só vejo crianças assustadas e rudes! Eu entendo que é tudo repentino e confuso, mas deixem-me explicar uma última vez. Vamos ter uma conversa civilizada, sem mais brigas, está bem?
Ela encarou o garoto sentado no canto, que estava com a cabeça debruçada em seus joelhos. Parecia querer se esconder ou pelo menos esconder sua raiva, pois todos conseguiam escutar seus sussurros assustadores.
— Antes de tudo, saibam que não os trouxe para esse mundo de graça! Todos serão recompensados de alguma forma. Se for poder ou fama, riqueza ou bajulação… Quem sabe até mesmo reinados e toda a fortuna que couber em seus bolsos. Serão recompensados ao fim da jornada!
Suas palavras chamavam atenção, conquistava aos poucos todos ali. Era como se algo no ambiente os fizessem ficar mais tranquilos, suas palavras eram como doce ou um delicado e gostoso vinho, embriagando a mente de todos.
— Vocês agora são heróis. Se quiserem aceitar os seus destinos, ok! Caso não queiram, tudo bem. Mas pensem bem nisso... Vocês teriam mesmo uma escolha? — deu uma pausa encarando a todos. — Vocês morreram em seu mundo. Sendo assim, entendam de uma vez por todas, ninguém aqui tem escolha!
As palavras leves e doces, viravam aos poucos o mais amargo fel. Helena continuou sua narrativa, desta vez não com palavras delicadas e meigas:
— O fim do mundo está próximo. Não apenas do meu mundo, mas do de vocês também! — Virou as costas apontando para as gravuras nos pilares. — Esse monstro... Ele é o mal, a escória e o pior dos lixos. Aquele que deseja destruir tudo, e o motivo de estarem aqui!
Todos perceberam que as coisas começariam a ficar mais sérias. Tudo era muito verdadeiro para ser uma pegadinha ou um sonho, mesmo que não quisessem acreditar, aquelas sem dúvidas eram palavras verdadeiras.
— O chamamos de Arquiteto do Caos! Ou o “Subjugador de Mundos”... Lorde Demônio, temos vários termos para nos referirmos a ele. Ele é como um câncer, consumindo tudo, até que não reste mais nada.
Aku encarava as gravuras, vendo um ser o qual possuía uma armadura assustadora. Foi então que se lembrou do sonho de mais cedo, suas pernas estremeceram, sua garganta ficou seca e começou a lhe faltar o ar.
“Nem ferrando…”
“Está me dizendo que vamos ter de enfrentar isso?”
Pensou enquanto encarava os demais, que aparentavam medo assim como ele. Foi então que um garoto falou em meio a todos:
— Está querendo dizer que teremos que enfrentar isso?! Está louca? Somos apenas crianças!
— Se acalmem, tudo em seu tempo. Quando vocês estiverem prontos, fortes o suficiente, com ajuda dos céus acabaremos com esse mal que nos atormenta por tanto tempo. Ainda temos bastante tempo para preparar vocês pra guerra! Por hora, irei apresentar os responsáveis, aqueles que me pediram para invocar futuros guerreiros.
E assim fez, apresentou o rei Hugo Brides-III e a rainha Stinff Brides, juntamente de sua linda filha a princesa Seraphina Brides. Também apresentou alguns nobres e sacerdotes importantes ali presentes, todos pessoas poderosas e de alta classe social.
***
— Bem, depois de tudo gostaria de saber se desejam agarrar essa oportunidade ou deixaram essa segunda chance, passar diante seus olhos? Vocês morreram e sei que não temos direito de pedir que lutem por nós. Mas por favor, ajudem esse mundo!
Já era claro, todos deveriam concordar pois não sabiam o que poderia acontecer se discordassem. Helena parecia saber usar as palavras certas, com um simples discurso facilmente convenceu a todos ali, que sem mais perguntas ou questionamentos, aceitaram.
Embora Aku estivesse relutante, onde tudo parecia raso demais. A história parecia e a atmosfera no lugar estranha, como se algo os fizesse aceitar de bom grado, como se esquecessem do algo a mais, aceitando apenas o que lhe foi dito até então.
“Espera um pouco…”
“Eu me tornei um herói invocado?”
“Eu me tornei um herói invocado?! É isso mesmo?! Eu sou um herói?!”
Aku entendia um pouco a situação, ficando empolgado e esquecendo assim do algo mais. Estava tão animado que faltava pular e gritar para todos escutarem, embora Helena não o esperasse por isso.
Se dirigindo até os demais, já dava início aos preparativos:
— Para verem suas habilidades, basta pensar em suas mentes o nome: “Janela de Status"! Os deuses procuraram a melhor maneira de ajudá-los, uma forma simples de compreender seus poderes. — Caminhava entre eles. — Nessa janela de status, haverá informações sobre você e sua classe. Não se preocupem quanto aos seus níveis atuais, lembrem-se que estamos ainda no começo de suas jornadas! Agora se concentrem, se não me engano uma vez me foi dito que era como em um jogo de videogame.
— Consegui!! Fui o primeiro! — disse o garoto sem roupas.
No meio de seu pulo da vitória, todos o viram, viram até demais. O que o deixou envergonhado, voltando a se esconder com suas mãos. Helena vendo isso, mandou rapidamente que providenciassem algo para cobrir o herói.
Não demorando para alguns homens lhe trazerem um manto. Ele ainda estava envergonhado, mas agora coberto. Vários outros depois dele conseguiram, janelas se abriam bem diante de seus olhos curiosos.
— Agora que todos conseguiram, me digam suas classes!
E assim foi feito, um por um foram separados. Todos com classes diferentes, desde: Mago, Druida, Paladino, Templário, Gladiador, Tank, Soldado, Ninja e Assassino.
Parecia tudo muito especial, pelo menos foi o que acharam até que surgiram as primeiras classes especiais. Como a garota de cabelo roxo que ganhou classe “Semideus” e um garoto com cabelo loiro que ganhou classe “Bárbaro”.
Também uma garota de cabelo ruivo que ganhou a classe “líder Nato”, até mesmo a garota de farda escolar que conseguiu a classe “Aprendiz” e como uma ironia macabra do destino, o delinquente ganhou a classe “Monarca Absoluto”.
Aku e os demais perceberam no mesmo instante que se tratava de uma classe roubada. Onde até mesmo Helena mudará completamente, elogiando e tentando se aproximar dele, juntamente de alguns nobres.
“Tenho que tomar cuidado com ele!” Pensou Aku consigo, enquanto esperava sua vez. O garoto que estava coberto com o manto então falou de sua classe: “Alquimista”. Embora não tenha chamado a atenção de Helena ou dos nobres, alguns magos o chamaram para conversar no canto do salão.
“Droga… Já é minha vez?”
“Por favor… Uma classe única e foda! Uma classe digna de um verdadeiro herói.”
“Vamos deuses, não me decepcionem… Prometo ser um bom garoto!”
Uma tela azul surgiu em sua frente como em um jogo. Ela flutuava diante dele, onde apenas ele podia vê-la e suas informações. E embora houvesse várias informações sobre ele, decidiu ir direto ao ponto, pois Helena e os demais aguardavam ansiosos por sua resposta:
— Vejamos… Minha classe é…
Procurava em meio tantas informações, foi quando seus olhos passaram por ela. De início não dando muita importância, disse:
— Minha classe é Stal–
“Oiii?!”
“Oiiiiii???!!!”
“Mas que brincadeira é essa?! Tá brincando comigo?! Por quê?! Por quê?!!”
“ Por que minha classe está como Stalking?! Por que diabos eu sou um Stalking?!”
{Informações do Herói} |
-Calasse- [Stalker/Espião] |
Nome: Aku Jima. | Nivel- (01) |
Saúde: (Instavel) Idade: 12 anos. |
Força- (10) Defesa- (15) |
Altura: 1,40m Peso: 35,8kg |
Resistência- (5) Ataque- (10) |
Planeta de origem: Terra (...001) | Inteligência- (69) |
Nacionalidade: Japonês/Tóquio. |
Agilidade- (20) Sentidos- (9) |
--- | --- |
Data de nascimento: 02/02/2002 ás 00h30min. | Data da morte: 23/03/2014 ás 00h33min. |
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Signo: Peixes. | (!!Morreu como herói!!) |
Continua...
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