Volume 1
Capítulo III: “As Sombras nos Tronos”
"Um sonho lúcido, talvez?"
Pensou ele enquanto limpou seus os olhos com as mãos, descrente no que via, abrindo-os novamente notando que nada mudará.
“O que está acontecendo aqui?”
Tentou se levantar, mesmo ainda não sentindo suas pernas completamente. Já se levantava quando a falta de equilíbrio o fez quase cair, por sorte segurou no braço de um rapaz à sua frente, que com o susto o empurrou no chão.
Olhando para frente, viu o olhar do garoto assustado, que falou com sua boca trêmula:
— Q-Que mer-da a-acha que tá f-fazendo?!
— Desculpe, eu só…
O rapaz o encarava, parecia confuso e nervoso, todos pareciam. Foi quando alguém gritou em meio a multidão chamando a atenção dos demais:
— O que está rolando aqui?! Me lembro de estar em casa, assistindo… Senti uma dor forte no peito, e… acordei aqui?
Disse um garoto cheinho em meio a multidão. Estava com um moletom azul e short amarelo, usava sandálias brancas, por baixo do gorro levantado se podia ver seu cabelo cacheado e um pouco de suas bochechas rosadas.
“Então foi igual com ele?”
“Uma morte repentina, talvez?”
“Ele teve um infarto, ou algo assim? Então realmente estamos mortos?”
O garoto saiu correndo em direção a saída, gritando apavorado, esbarrando em todos no seu caminho. E antes de chegar aos portões, foi barrado por dois guardas assustadores.
Os dois eram enormes e estavam equipados com armaduras vermelhas. Armaduras que lembraram escamas, seus elmos possuíam chifres metálicos curvos e pontudos. Embora a surpresa a todos, o garoto pareceu não se importar, estava assustado demais para notar.
— Hã? Quem são vocês porra?! Tão fantasiados por quê?! Sabiam que sequestro é crime? Sabem de quem sou filho?! Sabem de quem sou–
Recebeu um soco no estômago, que o fez cair de joelhos. Tentava agora recuperar o fôlego, abraçando seu estômago em meio a dor, tremendo enquanto se encolhia no chão, lágrimas escapavam de seus olhos apavorados.
— Se acalme! — disse um dos guardas. — Não me importa de quem é filho! Apenas ponha-se em seu lugar criança.
O olhar assustador do homem o fez chamar por sua mãe em sussurros em meio a dor. Essa cena repentina abalou a todos ali, o medo fizera alguns petrificaram em silêncio, outros por sua vez, deixaram a histeria os dominar.
— Salve-se quem puder!!!
Correria, gritos por ajuda, chamavam as autoridades. Alguns esbarravam entre si, onde uma garota derrubou nosso herói no chão, que em meio a correria dos demais tentou se proteger dos que tropeçavam nele.
— Argh–
“Droga, droga. O que eu faço?!”
Com a correria um garoto pisou na perna de uma garotinha caída ao chão, a qual gritou em agonia. Mas ninguém se importou com ela, se encolhendo ali mesmo enquanto tentava se proteger com as mãos.
— SILÊNCIOOOO!!!
Ordenou a voz tenebrosa, onde essa única palavra fora o suficiente para acalmar os ânimos. Todos pararam em seus lugares, não ousando se mover, pois a pressão esmagadora consumia o lugar e a mente de todos ali presentes.
Nosso herói aproveitou a calmaria para se levantar, mesmo estando um pouco desnorteado. Dando alguns passos para frente, dando de cara com o homem sentando em um trono, o qual os encarava irritado.
“Quem… quem é ele?”
Encarava a todos com um olhar assustador: Um homem gordo e alto, braços musculosos, sentado em seu trono de forma confortável. Seu cabelo era grisalho em um tom prateado e seus olhos verdes, possuindo uma barba malfeita e uma expressão cansada em seu semblante, também possuía uma coroa de ouro e diamantes.
Continuou a encarar a todos, enquanto uma mulher com um longo véu disse saindo de em meio às sombras:
— Por favor, peço que todos mantenham a calma… Não queremos machucá-los!
“Diz isso após atacar um garoto inocente!”
A mulher usava um véu branco que balançava com a brisa, brilhando com o reflexo da luz que adentrava o grande vitral do dragão. Seu vestido era longo e branco, embora deixassem suas pernas rosadas um pouco à mostra, enquanto seus seios avantajados eram cobertos por algumas fitas de cetim bem rentes ao corpo.
Esperou ela, que todos prestassem atenção, para então continuar:
— Sei que estão assustados, mas saibam que não queremos o seu mal. Sei que deve ser um choque, despertar em um lugar estranho após uma morte repentina!
— Morte?!
A histeria voltava, todos estavam ainda mais apavorados. Embora, não demorou para o silêncio reinar novamente, esperavam uma resposta, daquela que os observava atentamente.
— Não irei repetir! Apenas calem a boca e escutem, entenderam? — disse o homem assustador no trono.
— Está tudo bem vossa majestade, são crianças afinal. Não devemos ser tão duros com elas! Vamos tentar ser compreensíveis, majestade.
— Sim, irmã. Perdoe meu erro, embora seja realmente desagradavel esses ruídos! — disse cutucando seus ouvidos. — Meus ouvidos doem com esse barulho. Até parecem abelhas em uma colmeia apertada… Eu pedi a você, heróis, lembra? E não crianças mal educadas!
— Mesmo assim, continuam sendo eles os escolhidos. Eu disse: “Que os deuses nos ajudariam!” — disse ela, apontando para eles. — E aqui está a ajuda! Sei que são jovens, mas isso por si só é algo bom.
— Continue…
— Eles podem evoluir mais depressa. Jovens têm um vigor esplêndido, majestade!
Ao escutar tais palavras, abriu ele um sorriso nojento, o qual deu passagem a visão de seus dentes. Brilhavam em um tom prateado, essa visão despertou um receio profundo em nosso herói.
“Assustador… Ele é, assustador!”
— Sim… — disse ele. — Agora posso ver! Parece que os deuses realmente escutaram suas preces, irmã. Seria essa a piedade deles conosco?
Bem ao lado da figura assustadora, havia duas lindas beldades: uma mulher de cabelos ruivos longos e lindos olhos azuis, os quais expressavam poder e autoridade. Usava uma coroa de cristal e pedras preciosas, e um longo vestido de escamas negras.
Ela estava sentada de forma elegante em outro trono ao lado do homem, seu semblante imponente era iluminado pelo vitral do dragão. Ela por algum motivo encarava nosso herói com um olhar preocupado, embora ele estivesse com sua completa atenção voltada a outra pessoa, uma garota.
Estando no meio das duas figuras nos tronos, possuía ela, cabelos longos que desciam até o chão em cores vibrantes, lindos fios prateados se misturavam aos seus fios ruivos. Seus olhos eram multicor, onde o esquerdo era verde e o direito azul.
“Ela tem heterocromia…?”
Não conseguiu evitar, seus olhos foram arrebatados por tamanha beleza. Sego por aquela expressão meiga e delicada, deslumbrado por aqueles olhos cheios de inocência e pureza. Até mesmo suas vestes a deixavam mais fofa, usava uma tiara feita de diamante azul e um vestido com babados brancos.
Uma brisa forte a pegou de surpresa, fazendo seus cabelos dançarem ao vento. Balançando enquanto brilhavam com a luz que adentrava os vitrais.
“Quem é você?”
Pensou consigo, sem perceber dando um passo à frente. Ainda a encarava, quase hipnotizado continuou a observá-la de longe com um sorriso bobo em seu semblante.
“Qual o seu nome? Seria você um anjo? Ou quem sabe, uma deusa?”
Tum-Tum, ela percebeu que nosso herói a encarava, assim de forma meiga o presenteou com um doce sorriso — TUM-TUM, TUM-TUM, TUM-TUM — onde queria ele arrancar ali mesmo seu coração e entregar a ela.
“Calma, Aku… Não vamos nos precipitar… Nem conhecemos ela direito!”
A garota por vez deu um passo à frente, respirou fundo. Encarando em seguida o homem no trono, que concordou com a cabeça.
“Vai dar tudo certo… Eu consigo! Eu consigo!”
Encarando a todos, disse um pouco trêmula:
— S-audações a-a t-todos!
“Que lindinha!”
Pensou Aku vendo-a corar de vergonha diante a multidão que a observavam. Seu jeito de agir e sua voz fofinha, o fizeram sentir como se uma dança de borbulhas começasse em seu estômago. Onde sua mente e seus olhos focaram apenas no presente, no agora, nela.
— Desculpem pelos acontecimentos até então! Nossos guardas se equivocaram um pouco, e prometo que isso não irá se repetir. E eles serão devidamente punidos por sua arrogância, mas… Rogo a vós que escutem, deixem-me explicar! Conseguem entender minhas palavras? Estão todos bem? Como foi a viagem até aqui?
Não se ouve respostas dos demais, todos a encararam em silêncio, ainda temiam o mesmo destino do garoto que tentou fugir. Ela por vez, esperava uma resposta, mas o silêncio falava por si só o que a deixou cabisbaixa.
“Sabia… Sabia que não era para mim dar as boas vindas, eu sou péssima com essas formalidades!”
“Eu estraguei tudo de novo…”
Aku viu o rosto fofinho da garota, que estava prestes a desabar em lágrimas. E como um cavalheiro, não poderia deixar tal coisa acontecer, assim disse dando um passo à frente:
— Estranha… Confusa…
Todos os olhares se direcionaram a ele, até mesmo ela o encarava agora. Aku então deu mais alguns passos acanhados a frente, e continuou diante os olhares:
— Minutos atrás eu estava em um sonho louco, eu acho. Não me lembro bem do que era, mas… — disse tremendo. — Tenho até calafrios só de pensar no que poderia ser!
— Deve ter sido uma sensação péssima, não é mesmo?
— Simm!! Eu achei que estava ficando doido! Sem contar a dor… — Fez uma pausa olhando aos demais. — Bem, acho que morrer é para doer mesmo, né?
Disse ele com um sorriso um pouco sem jeito, ela por vez o respondeu já não mais com sua cara de choro:
— Você me parece mais calmo que os demais?
— Acredito que seja porque uma parte de mim já aceitou o fato da morte. Acho que sei, que realmente morri! Estou tentando organizar meus pensamentos, mas… Por hora, só gostaria que nos contassem o que está acontecendo.
— Iremos! Sim, iremos! — Disse ela animada, dando um lindo sorriso.
— Que linda…
As pessoas com roupas estranhas o encaram, enquanto o homem no trono com uma expressão séria voltou sua atenção para ele. A moça no trono ao lado por vez, cobriu seu sorriso com uma de suas mãos, de uma forma elegante e discreta.
Aku então percebeu o que havia dito em voz alta. Suas bochechas ficaram vermelhas a medida que recuou tentando se explicar:
— P-p-p-p… Perdão!! Eu, é… Eu… eu…
Olhando para a garota, vendo que ela também ficará com suas bochechas vermelhas. Começando a passar as mãos com delicadeza em seu cabelo, um sorriso bobo agora era visível em seu semblante.
Aku mais uma vez se perdia naquela visão:
— Não se preocupe, bravo herói, tudo será explicado em breve!
Ele congelou com o comentário repentino, aquilo realmente o pegou de surpresa. “Herói? He-rói…? Herói?!” Pensou ele enquanto seu coração acelerou e sua mente gritou, estava ainda mais confuso, embora já pudesse fantasiar a situação em sua mente.
“Herói?! Ela disse bravo herói?!”
Enquanto se perdia em pensamentos, não percebeu os vários soldados que adentraram o grande salão. Cercando a todos, enquanto o pânico mais uma vez retornava. Seguravam eles lanças, todos usando o mesmo tipo de armadura vermelha de escamas.
A mulher com o grande véu, disse:
— Os deuses trouxeram a salvação!!
— Zeu! — disseram os soldados em uníssono, batendo com seus punhos no peito.
— Levantem suas cabeças, meus bravos guerreiros! Escutem o que vos falo, escutem a voz da emissária dos céus. Escutem a voz da verdade, escutem a voz daquela que representa diretamente a voz dos deuses!! Escutem-me e deixem-me mostrar o caminho para a salvação!!!
Os soldados entraram em posição, a mulher por vez abrindo os braços continuou:
— Nós saudamos nossos heróis escolhidos pelo Olimpo. Todos devem reverenciar aos bravos heróis! Saudações aos salvadores do MUNDO!!
E assim foi feito, todos os soldados e alguns nobres se ajoelharam diante deles. Apenas o homem e a mulher nos tronos não o fizeram, mas encaravam eles de cima com respeito.
Isso deixou as coisas ainda mais confusas, pois afinal — Que lugar é esse? Quem são essas pessoas? O quê eles querem de nós? — Perguntas essas que pairavam no ar. Foi quando finalmente uma garota de cabelo escuro, olhos castanhos e vestida com um uniforme escolar, deu seu primeiro passo rumo às respostas:
— É… Hmn… Com licença…
— Pois não cara heroína?
— Sinceramente, não entendo. O que é tudo isso? Onde estamos? Quem são vocês? Aqui é mesmo o paraíso? Eu realmente morri?! — Seus olhos se enchiam de lágrimas — Você é um tipo de deusa ou anjo?
— C-Como? E-Eu?! Eu não sou uma deusa! Não sou!! Não… Aqui não é o paraíso também, está longe disso na verdade.
— Então o que é tudo isso? Por favor, acho que merecemos respostas… E quanto mais o tempo passa, mais confuso tudo isso se torna.
— Ok, eu entendo que as coisas estão demorando mais que o planejado! Mas vocês são os responsáveis, se tivessem tido mais calma… — Percebeu o olhar confuso da garota — Pois bem… Vocês são os heróis que salvaram o mundo da ruína!
— Como?
— Eu os invoquei a esse mundo, para que nos salvem do mal. Imploro para que salvem esse mundo do “MONSTRO NAS SOMBRAS”!!!
Continua...
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