Volume 1
Capítulo V: “Brincadeira de criança”
"Em algum lugar..."
Um amplo campo de gramados verdejantes, cheios de vida e cor. Algumas plantações de trigo mais adiante traziam consigo mais contraste ao verde dos pastos, junto de uma plantação de café que trazia um incrível aroma ao lugar.
Um lago que rodeava os impotentes e íngremes muros. Reino de Ares, com suas enormes muralhas rodeadas por um lago repleto de peixes coloridos, que dançavam em meio às águas cristalinas e profundas.
A enorme ponte levadiça que dava passagem aos imensos portões de cedro, guardados por guardas bem treinados e impiedosos. Detrás das muralhas, casas e casas amontoadas em subidas e descidas, onde becos e ruas conduziam a enorme praça central, palco de espetáculos e de condenações levianas.
Mesmas ruas que conduziam as pessoas e carroças até os setores mais nobres, com suas casas grandes e chiques, e seus mercados exuberantes. E lá no centro de tudo, um enorme castelo com suas torres estupendas e seus muros que o separavam de seu povo.
O vento das 18:00 horas passava pelo gramado, atingindo Aku qual suava frio. Parecia agitado, seus olhos se mantinham vidrados em algo, assumindo posição enquanto segurava um estilingue com força em suas mãos, mirando como se sua vida dependesse de seu acerto.
— Venham todos de uma vez!!!
Gritou o grande homem com uma de suas mãos presas com correntes, enquanto empunhava uma espada enorme de madeira em sua outra mão livre. Todos os heróis correram em sua direção, preparados para atacá-lo com tudo que tinham.
***
Todos encaravam Aku, esperavam sua resposta, este por sua vez cerrava os punhos indignado com o que via em sua janela de status.
“Stalker?! Stalker?!!”
“Mas que droga de classe é essa?! Tá me zuando?! Só pode ser brincadeira, né?”
Encarou os demais, olhos curiosos que esperavam sua resposta, tinha ele que pensar em algo rápido. “Merda, vão pensar que sou um pervertido…. o que digo a eles?!” Pensou ele enquanto Helena perguntou cortando enfim o silêncio:
— Então garoto, qual sua classe?
— C-Calma, eu só… só…
Era visível seu nervosismo, ajeitou a gola de sua camisa recuperando um pouco de seu fôlego. “E agora?! E agora?!!” Buscava uma resposta, quando de repente uma luz passou diante de seus olhos, talvez a ajuda perfeita para essa situação.
— E-Espião…
— O que disse?
— Espião… Minha classe é espião! — disse ainda hesitante.
Ele evitava olhar os demais nos olhos, sabia que se olhasse descobririam sua mentira. Seu coração acelerava com o silêncio que se formou, o que o deixava ainda mais ansioso, enquanto suas pernas começavam a lhe faltar, parecia que o menor dos ventos poderia derrubá-lo ali mesmo.
“E se alguém descobrir?!”
“E se de alguma forma ela já saber a verdade?”
“Eles sabem da verdade?!”
“Eles sabem… Eles sabem a verdade!”
Tomando coragem, encarou Helena. Que não esboçava nenhuma reação, e os demais que também pareciam não se importar.
Por vez Helena andou até a frente de todos, e disse:
— Muito bem, espião então. Uma classe nova pra variar! Seja bem vindo ao time garotinho.
— O-Obrigado… — sussurrou Aku concordando.
“Bem, não é como se eu estivesse mentindo! Espião também está como minha classe, certo? Pera, eu tenho duas classes?”
Um homem adentrou o salão, indo até Helena e sussurrando algo em seu ouvido. Saindo em seguida às pressas, Helena por vez sorriu e batendo palmas disse:
— Bem, bem. Ainda é cedo, e precisamos separar o lixo! Vejam bem, vocês foram sim invocados para salvar o mundo, mas… É fato que nem todos terão as habilidades necessárias para isso. Por isso, vamos fazer um pequeno teste agora, para separar os mais aptos dos menos aptos.
— Teste? — Perguntou um dos garotos.
— Isso mesmo! Um teste de campo. Por favor me sigam… Não se assustem com isso, está bem.
Disse ela abrindo um portal em meio ao salão, algo que deixou todos boquiabertos. No fim, eram apenas crianças animadas com a magia de um mundo novo, ansiosas pelas aventuras que o aguardavam fora do grande salão, logo depois daquele portal estranho.
— Ficar enjoado na primeira vez é normal! — disse ela adentrando o portal.
***
Lá estavam, em meio ao grande campo, ar refrescante e uma forte ventania que passava por eles. Todos encaravam os arredores maravilhados com tamanha beleza, enquanto Aku vomitava um pouco distante deles.
“Droga, meu estômago tá estranho!”
Dando alguns passos novamente vomitando ao chão, enquanto alguns garotos riam dele e as garotas ficavam com nojo.
Alguns soldados preparavam uma mesinha improvisada com algumas armas de treino, enquanto um homem se aproximava do grupo.
— Vão e escolham suas armas, iremos fazer um treino de combate.
— Helena, o que foi aquilo de antes?
— Diz do portal?
— Sim! Eu quero aprender a fazer também.
— Calma, calma apressadinha. Nem sabemos se você possui magia ainda… Mas não se preocupe, quem sabe você venha a aprender magia de portais mais tarde? — disse com um sorriso acolhedor.
— Tudo bem!!
Todos correram para pegar suas armas, pareciam com pressa em escolher as melhores. Havia desde espadas de madeira a bastões e arco-e-flecha, embora tudo fosse seguro, onde as flechas não tinham pontas para não vir a machucar ninguém.
"É um treino no fim das contas!"
Aku andava sem pressa, ainda um pouco tonto da viagem pelo portal. Olhando os arredores, encantado com a vista deslumbrante, foi quando notou o grande sol e os 11 pequenos sóis ao redor dele, a prova que não estava mais em seu mundo.
— Pessoal, olhem aquilo! — disse uma garota apontando para cima.
Todos encaravam o céu, aqueles sóis que os provavam que não estavam mais em casa. Enquanto isso, Aku andou até a mesa, já segurando uma espada de madeira quando o delinquente a pegou de sua mão.
— Essa é minha pirralho!
— Mas–
— Mas o quê?! Hum?! O quê, moleque?!
— É… — abaixava sua cabeça.
— Hum, foi isso mesmo que pensei!
Apenas aceitou sua derrota, sem nem mesmo ter começado uma luta. Não podia fazer nada com alguém que era muito maior do que ele, já estava acostumado em ser o menor da turma e o motivo de chacota.
Na mesa agora, restara apenas uma espada grande de madeira, um bola de madeira presa a uma corda e um estilingue.
Tentou pegar a espada, mas a derrubou pois era muito pesada e muito grande pra ele. Helena já os chamava, sem muita escolha agarrou o pequeno estilingue e correu na direção dos demais.
— Escutem bem, este será um teste bem simples. Apenas ataquem Sião o nosso chefe da guarda! E não se preocupem, ninguém vai se machucar aqui. Sião prometeu não usar muito de sua aura… — disse sorrindo.
Logo a multidão se perguntava: “O que é aura? Quem é Sião?” Foi quando Helena deu passagem a um homem enorme. Corpo robusto, braços grandes e peludos, possuindo uma barba grande com tranças e uma horrível cicatriz no rosto, seus olhos eram castanhos e seu cabelo espalhado ruivo, estava ele vestido com roupas simples e calça com suspensório, mas andava ele descalço.
— Ohohoho, então são esses os futuros heróis?!
— Espero que sejam mesmo…
— Vão ser, vão ser Helena! Bem garotada, espero que peguem leve comigo está bem? Minhas costas não estão lá essas coisas esses dias, já sou velho sabe… Hohohoho!
Ele sorria bem feliz, o que deixou todos mais tranquilos com a situação.
"Ele parece ser um cara legal!"
Por vez alguns soldados apareceram com correntes, prendendo assim uma das mãos de Sião em suas costas, este por sua vez pegou a grande espada de madeira e deu alguns passos até um pequeno morrinho de terra e grama.
— Quero que me ataquem com tudo que tiverem! Todos de uma só vez, darei cinco minutos de preparação para vocês. — disse assumindo posição.
“Hm? Cinco minutos?! E todos de uma vez? Mas isso…” Enquanto Aku pensava demais, os outros rapidamente cercaram Sião. Que ficou surpreso com o movimento inesperado e coordenado de todos.
Dois arqueiros ficaram na retaguarda, enquanto eram protegidos por alguns de bastões e os demais com espadas de madeira que cercaram Sião enquanto assumiram posição.
“Hm, eles estão cheios de aberturas… Mas já é um começo!”
Aku ficou de fora dos preparativos por não ter agido rápido o suficiente com os demais. Ficando assim bem afastado de todos ali, embora estivesse próximo a uma estradinha de terra onde haviam várias pedrinhas pelo caminho.
“No fim, não foi de todo mal ficar para trás!” Pensou ele se abaixando e pegando algumas pedras.
Sião continuava imovel, mesmo completamente cercado não esboçava nenhuma reação. Os demais se preparavam, todos pareciam sérios embora um ou outro ainda parecesse disperso.
— Mantenham-se atentos!! Vamos atacar todos juntos, mas no momento certo! — disse a garota de cabelo roxo.
Por vez o delinquente foi o primeiro a tomar iniciativa, não dando ouvidos para ela. Correndo com tudo em direção a Sião, o que obrigou os demais a fazerem o mesmo:
— Morraaaaa!!
Levantaram suas armas para golpeá-lo, quando o alcançaram, um tremor de terra os fez parar. O chão de repente se abriu, levantando uma muralha de terra a qual cercou por completo Sião, em um casulo impenetrável.
— Merda, você não tinha dado cinco minutos?! Foi por isso?!!
Sião por vez se sentou ao chão, caindo em gargalhadas despreocupadas. “Como irão lidar com isso agora?” Pensou ele enquanto sentava de forma mais confortável ao chão.
A areia e a grama se tornara agora um escudo espeço e firme, um casulo sem aberturas, assim impenetrável.
Os arqueiros começaram a lançar suas flechas, em vão, pois nem sequer arranharam a parede dura de terra que o protegia.
— Hahahaha!! E agora o que farão?!
Podiam escutar as risadas abafadas por detrás da barreira. E sem pensar demais, se amontoaram ao redor do casulo de terra. Todos com armas corpo a corpo se preparavam, começando a bater na barreira que nem sique se mexia, mesmo acertando com toda sua força.
— Merda. Isso não é justo, não é justo!!
Sião por vez caiu em gargalhadas, com os gritos de frustração das crianças. Que agora se mantinham focadas em destruir a barreira, não mais se importando com as risadas dele.
Aku ao longe observava tudo, preparando uma pedra em seu estilingue, embora surpreso com aquele feito incrível, se manteve atento a situação.
“Que poder bizarro é esse? Me lembra um pouco o casulo de areia do Gaara, hahaha!”
“Bem, não é hora pra isso Aku! Tenho que encontrar uma abertura, mas como?”
“Aquilo realmente tem um abertura?”
Preparando sua pedra, mirou enquanto procurava alguma brecha.
De repente uma das garotas que acertava a barreira com sua espada, em meio a sua frustração, a espada de madeira a qual empunhava desceu formando uma onda repentina de água ao seu redor.
Em meio a surpresa, continuou seus ataques, que de repente conseguiram romper uma pequena brecha graças à água que amoleceu a areia.
“Hum, alguém que tem afinidade com mana então!” Pensou Sião surpreso, mal notando a pedra que passou pela pequena rachadura, instintivamente o fazendo desviar, qual quase acertou sua cabeça.
Olhou ele ao redor, enquanto seu casulo se desmanchava. Procurando, enquanto seus olhos se mantinham atentos a todos ao seu redor, até que avistou ele.
— Merda, quase acertei!
“Foi aquele moleque baixinho?!” Encarava Aku o qual parecia chateado por errar. Sião por vez abriu um sorriso animado, enquanto flexionou suas pernas assumindo uma nova postura.
— Acho que já deu o tempo de vocês… Agora é minha vez de brincar.
Com um salto poderoso, afundou o chão ao seu redor, pegando os heróis de surpresa que foram lançados ao chão. Rolando morrinho abaixo, o qual se desfez em pedaços e grama ao vento.
Aku mesmo de longe pode sentir o impacto da onda de vento que foi dispersa, uma cortina de fumaça se fez ao redor da cratera.
Não podiam vê-lo agora, mas levantavam as peças se preparando para o pior, todos sérios e atentos a qualquer movimento.
Aku mirava com o estilingue procurando por ele, mas não conseguia ver muito.
“Cadê você…? Cadê você?!”
Continuava atento, tentando ver algo em meio a cortina de poeira, mas não notou nenhum movimento, foi quando um arrepio repentino tomou seu corpo, enquanto uma respiração abafada passou por seu pescoço.
— Está me procurando, pirralho…?
Disse a voz esmagadora logo atrás dele...
Continua...
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