Volume 4

Capítulo 784: Junta com os Micróbios

No meado de inverno, uma equipe de reconhecimento, que consistia das sobreviventes de Taquila e dos soldados da Cidade de Primavera Eterna, começou a jornada em direção às Montanhas Nevadas.

No cais, Roland observou o navio de concreto, que carregava várias pessoas, zarpar lentamente.

Essa exploração poderia ser vista como a operação mais complexa da história, já que o Primeiro Exército, a União das Bruxas e as bruxas de Taquila teriam que colaborar com afinco para realizar uma procura completa nas Montanhas Nevadas. Se tudo corresse bem, eles chegariam na nascente do Rio Vermelho em três dias. Em seguida, eles escolheriam um lugar escondido e protegido dos ventos para erguer as tendas.

Primeiramente, eles mandariam uma vanguarda para localizar as ruínas com a ajuda do Arco Mágico de Margie, depois usariam o Verme Devorador controlado por Fran para abrir um túnel. Dessa forma, todo o resto da equipe poderia entrar nas montanhas.

Essa operação realmente não era diferente de um ladrão que roubava tumbas. Roland também queria participar da viagem para explorar as ruinas da antiga civilização subterrânea. Infelizmente, ele foi parado por Wendy e Pergaminho, que insistiram para ele ficar no castelo, já que da última vez um demônio havia atirado uma lança nele.

Mesmo assim, isso não significava que a equipe de reconhecimento iria abaixar a guarda. Tendo em vista a possível presença das bestas invisíveis que haviam aparecido uma vez na Floresta das Brumas, Roland também incluiu Rouxinol na equipe. Era um grupo grande, então Sylvie sozinha não conseguiria garantir a segurança de todos, especialmente se eles precisassem se dividir. Além disso, as bruxas de Taquila levariam três Pedras de Cinco Cores para detectar qualquer objeto que tivesse poder mágico.

De acordo com Pasha, haveria um feixe de luz acima de qualquer objeto que possuísse poder mágico. Essa teoria também se aplicava aos demônios e às bestas demoníacas híbridas, cujos feixes de luz eram mais finos e pequenos.

Roland acreditava que essa equipe, constituída de 50 Bruxas da Punição Divina, 500 soldados do Primeiro Exército e reforços da União das Bruxas, seria uma força invencível no continente. Se essa operação fosse bem sucedida, criaria uma fundação sólida para uma futura colaboração entre as pessoas comuns e as bruxas de Taquila.

— Vamos voltar. — Roland disse para Anna, em meio à neve.

— Vamos. — Anna olhou para ele e sorriu.

Durante o tempo em que Rouxinol ficaria longe, Anna estaria responsável pela segurança do rei. Já que Roland e Anna eram íntimos, eles se sentiam confortáveis juntos.

Roland segurou a mão de Anna e voltou para o castelo.

Ele só não esperava que, ao entrar no castelo, fosse encontrar Phyllis.

— Você não foi para as Montanhas Nevadas com eles? — Roland ergueu as sobrancelhas. — Pensei que você ficaria interessada em explorar as ruínas subterrâneas de lá.

Dando de ombros, Phyllis respondeu:

— Claro que estou interessada, mas Pasha quer que eu fique aqui. Eu conheço o castelo melhor que qualquer uma delas, e muitos de seus soldados já me viram. Daí elas decidiram me escolher para ficar aqui, protegendo o castelo.

De fato, as bruxas de Taquila haviam sugerido que uma delas protegesse o castelo. Embora Anna fosse poderosa, o poder dela se tornaria inútil na presença de Pedras da Retaliação Divina. Além disso, Anna não era uma bruxa especializada em combate. Quando ela não conseguisse mais usar o poder mágico, os dois (Roland e Anna) se encontrariam numa situação perigosa. Considerando esse risco em potencial, Pasha insistiu que uma Bruxa da Punição Divina ficasse no castelo para servir como protetora.

Já que as Bruxas da Punição Divina conseguiam manipular áreas anti-magias como bem desejassem, elas poderiam lidar com qualquer bruxa. Seus corpos eram resistentes e imunes a qualquer doença, permitindo que elas lutassem em condições extremas. Até mesmo contra Extraordinárias, as Bruxas da Punição Divina ainda teriam chances de vencer.

— Bem… Então agradeço de antemão. — Roland respondeu naturalmente.

Phyllis assentiu com a cabeça, dizendo:

— Esse é o meu dever. Eu ficarei no salão. Se algo acontecer, irei o mais rápido que puder.

Roland sabia que Phyllis havia tomado essa decisão para evitar conflitos desnecessários e suspeitas. Essa distância entre o local em que Phyllis ficaria e o escritório de Roland permitia que tanto o protegido quanto o protetor tivessem privacidade e não se sentissem nervosos com a presença do outro. Era um bom equilíbrio, um bom modus operandi . Se as bruxas de Taquila, em vez disso, decidissem que a guardiã deveria ficar no escritório, Roland provavelmente ficaria irritado, mesmo sabendo que não foi intencional.

Pasha provavelmente havia levado isso em consideração quando escolheu Phyllis como protetora, já que Phyllis aparentemente conhecia o castelo melhor do que as outras Bruxas da Punição Divina.

Porém, quando se tratava de segurança, Roland não apostaria todas as suas fichas em Phyllis. Ele também havia distribuído alguns guardas e membros do Primeiro Exército pelas escadarias e portas do castelo. Eles trocariam de turno a cada oito horas para garantir uma melhor vigilância.

Quando Roland retornou ao escritório, Pergaminho já estava lá esperando por ele ao lado da janela francesa.

— Vossa Majestade. — Pergaminho curvou-se e entregou-lhe o relatório. — Eu confirmei a habilidade derivada de Lily.

— Sério? — Os olhos de Roland se iluminaram. Ele rapidamente pegou o relatório e começou a ler.

Embora ainda estivessem nos Meses dos Demônios, a maioria das bruxas já havia passado tranquilamente por seus respectivos Dias do Despertar. Entre elas, Lily havia sido a mais especial. O poder mágico dela havia entrado na “Idade Adulta” uma semana atrás.

No Dia da Idade Adulta de Lily, Roland havia passado o dia todo ao lado dela. Além de um aumento substancial de poder mágico, Lily também havia descoberto algo novo que a deixara bastante alegre.

Sem dúvida alguma, Lily era afortunada. Ao entrar na idade adulta, ela também havia desenvolvido uma habilidade derivada.

No entanto, Lily encontrou dificuldades na hora de entender a nova habilidade dela. Diferente da habilidade principal, a habilidade derivada geralmente era mais sutil e, por isso, mais difícil de entender. Para as bruxas, era mais difícil sentir e controlar as habilidades derivadas. Por exemplo, Pergaminho havia levado dois anos para aprender a utilizar o Livro da Magia depois de entrar na idade adulta.

Mas isso não era lá um grande problema. De acordo com Agatha, para superar esse obstáculo, as bruxas só precisariam praticar suas habilidades principais cada vez mais e, assim, lentamente conseguiriam achar a solução.

Poucas bruxas obteriam uma habilidade derivada totalmente diferente da habilidade principal. A relação entre a habilidade principal e a habilidade derivada era análoga à das raízes, galhos e folhas. Habilidades derivadas poderiam, até certo ponto, complementar e fortalecer a habilidade principal. A habilidade de Sylvie de distinguir poder mágico e o pincel de Soraya eram provas sólidas dessa teoria.

Roland ficou surpreso ao ler o relatório.

— Lily consegue absorver uma população de micróbios parentais e abrigá-los dentro do corpo dela?

Pergaminho inclinou a cabeça.

— Não apenas uma. Isso meio que foi uma descoberta acidental que Lily fez no experimento. Primeiro ela descobriu que algumas populações parentais assimiladas entraram no corpo dela e permaneceram lá. Ela pensou que esses micróbios iriam desaparecer quando ela os invocasse novamente, mas… após o chamado, eles saíram do corpo dela naturalmente e continuaram a converter outras criaturas microscópicas.

Roland logo entendeu o que isso queria dizer. Após a segunda evolução, a garota havia aprendido a transformar as populações parentais em alguns tipos específicos de micróbios. Agora a nova habilidade derivada dela simplificava esse trabalho. Lily não precisava mais “ver” as populações parentais para fazer as transformações, ela só precisava “se lembrar” delas. Em outras palavras, ela poderia coletar populações parentais convertidas de antemão e soltá-las quando necessário. A nova habilidade dela acelerava bastante o processo de conversão[1].

Roland já conseguia prever que, com o avanço da precisão dos microscópios e com o aumento dos tipos de população parental que Lily podia carregar, Lily um dia se tornaria uma “bomba biológica” ambulante.

Roland achava um máximo o fato de que uma bruxa assistente inofensiva, após receber a educação contínua da Cidade de Primavera Eterna, pudesse, no final, tornar-se uma bruxa combatente que carregava consigo uma arma potencialmente letal. Para Roland, era um alívio e sorte ter Lily na União das Bruxas. Ele se perguntava, no entanto, se os demônios podiam ficar doentes ou serem infectados por alguma doença.

[1] – Vamos lá. Antes, com a segunda evolução, Lily conseguia fazer com que os micróbios dela copiassem outros micróbios e, logo após, convertessem os micróbios em volta. Ou seja, se ela tivesse um micróbio A, e ela achasse um micróbio B, ela poderia transformar seu micróbio A em B, e em seguida converter todos os micróbios em volta para B. Porém, agora, ela consegue “conservar” os micróbios dentro de si sem gastar poder mágico. Ou seja, ela pode produzir uma população de micróbios X e guardá-la. Daí quando precisasse, ela soltaria esses micróbios, que continuariam a converter outros micróbios. É como se fosse um estoque. Pensem no potencial. Além de poder imitar qualquer micróbio, ela também pode guardá-los conservando a validade. É um verdadeiro laboratório de biologia ambulante. É interessante o que essa novel faz para preencher as lacunas.

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