Volume 4
Capítulo 723: Poder que Treme o Céu
Não havia sol nos Meses dos Demônios, e isso era algo que não havia mudado em milhares de anos.
O céu sempre ficava bastante nublado nesse período, onde a neve rodopiava no vento congelante. A única coisa que dava para perceber nesse tempo era se a neve estava forte ou não. Como, por exemplo, hoje, que apenas um ou dois flocos de neve ocasionalmente eram vistos, o que indicava que o tempo estava bom para sair. Na maior parte do inverno, a neve ocuparia todo o céu e cobriria todas as terras.
Portanto, a luz resplandecente tornou-se particularmente chamativa nesse cenário. No momento em que explodiu, a luz iluminou toda a neve ao redor num instante, fazendo a neve já branca ficar ainda mais branca.
Phyllis segurou o fôlego ao ver isso.
Seus olhos concentravam-se na luz neste momento, quando tudo parecia rápido, porém lento.
Quando a luz diminuiu rapidamente e se transformou numa bola alaranjada de fogo, o solo a 2000 passos de distância da muralha se moveu!
Não era uma ilusão. Ela claramente viu o campo de neve se levantar e formar um arco, como se a terra debaixo da neve não fosse feita de areia e rocha, e sim de água que poderia mudar de forma facilmente. No topo do arco, a bola de fogo alaranjada se levantou, como se quisesse se libertar das amarras da terra.
Fumaça, nuvens de poeira e chamas dispararam em direção ao céu, destruindo toda a superfície nevada! A bola de fogo gigante subiu e subiu, deixando um rastro imenso de fumaça negra. As gaiolas de madeira das bestas demoníacas se transformaram em cinzas frente à quentura e ondas de impacto causadas pela bola de fogo. Foi neste momento que o barulho da explosão finalmente chegou aos ouvidos de Phyllis, fazendo-a estremecer, com o coração acelerado.
BUM! BUM!
De repente, a terra tremeu.
Phyllis subconscientemente se agarrou a Agatha. Quando ela estava prestes a perguntar algo, uma corrente de ar fortíssima soprou. As pessoas na muralha da cidade também foram pegas de surpresa pela forte corrente de ar, e só voltaram a si depois de um bom tempo. Eles, assustados pela explosão, até mesmo se esqueceram de gritar e aplaudir. A única coisa que conseguiram fazer foi olhar para a “muralha de fumaça negra” que se levantava à distância.
Essa é… a Chave?
Engolindo em seco, ela nunca havia imaginado que pessoas comuns poderiam dominar uma força tão poderosa assim. Até mesmo um Demônio Sênior não sobreviveria a esse ataque.
A luz diminuiu, deixando apenas algumas chamas escarlates em meio à fumaça escura. Fragmentos de terra e pedaços de bestas demoníacas, que antes haviam sido açoitados no ar, agora caíam como uma chuva de sangue e terra no campo de neve ao redor da área da explosão.
Olhando para a cena, Phyllis finalmente entendeu de onde vinha a confiança de Agatha.
Com esse poder de tremer a terra, as pessoas comuns teriam a chance de enfrentar os demônios brutais.
Mas ela ainda não entendia por que Roland chamava isso de “arte”.
A explosão é uma arte? — Ela se perguntou.
Retnin ficou completamente extasiado ao sentir o vento frio misturado com o cheiro de pólvora. Os barulhos das explosões despertaram seu desejo.
Isso é química! Essa é a verdadeira química!
Ele olhou para os companheiros ao lado dele: o Ex-Chefe Alquimista da antiga Cidade Real de Castelo Cinza, Rayleigh; e Archer, cujos olhos brilhavam com a mesma luz. Ele se lembrou vagamente de que a última vez que ele se sentiu tão empolgado assim foi quando ele havia se matriculado na Oficina Alquímica como um discípulo, aos dez anos de idade.
Retnin sentiu que ele finalmente havia encontrado o objetivo de sua vida.
E esse objetivo era: atrair a atenção de todos como o sol. E somente a química o ajudaria a alcançar esse objetivo.
Infelizmente, ele já tinha quase cinquenta anos. Que bom seria se ele tivesse visto essa cena vinte anos atrás e entendido o verdadeiro poder da química, que não estava nas chamas e fumaças obtidas pela queima da pólvora, e sim na pureza da luz e calor.
Felizmente, ele finalmente viu esse milagre.
Olhando para os astrólogos atônitos ao lado dele, Retnin sorriu.
A partir deste momento, a tradição dos sábios terminaria.
Ele faria todos presenciarem o poder das explosões e os fariam louvar a grandeza da química!
Ele mal podia esperar para começar novos experimentos. Tinha tantos explosivos em “Química Intermediária” que ele queria fazer.
— O que estamos esperando?
— Vamos nos juntar ao laboratório de Kyle Sichi.
— Era nisso que eu estava pensando.
Os três alquimistas falaram, animados.
Retnin olhou uma última vez para a coluna de fumaça que se levantava à distância, e logo em seguida partiu com seus companheiros em direção ao laboratório.
— Agora você entende por que eu quero ficar na Cidade de Primavera Eterna? — Edith bagunçou o cabelo de Cole.
Cole ficou em silêncio por um longo tempo antes de perguntar:
— Por isso?
Claramente, ele havia ficado assustado com a força de explosão formidável dos canhões. O rosto dele ainda estava pálido.
— Porque ninguém pode derrotar Roland Wimbledon. — Edith disse lentamente. — Os aristocratas, embora possuam títulos e territórios, nada podem fazer frente a esse tipo de poder. Roland pode fazer o que quiser com o reino. Quando ele ordenou a abolição da nobreza, aqueles aristocratas deviam ter entregado as terras e direitos, mas é uma pena que a maioria das pessoas ainda não tenha entendido isso.
Embora ela tivesse dito que “era uma pena”, a Pérola da Região Norte não havia mostrado uma expressão de pena em seu rosto, e sim a de regozijo.
Cole Kant fez cara feia.
— Nós… também somos aristocratas.
— Mas não somos mais aristocratas com título de nobreza. — Edith disse, encostando-se no parapeito da muralha. Agora que o exercício de artilharia havia terminado e as pessoas estavam começando a ir para as suas casas, a muralha da cidade havia ficado muito mais espaçosa, e Cole conseguia ver claramente o chão queimado à distância na área da explosão. Edith continuou a dizer: — Os aristocratas são respeitados por causa do poder e riqueza que possuem, e não por causa de territórios, o que significa que a nobreza não vai desaparecer. É como a natureza, mesmo quando neva, chove ou faz sol, ela sempre se adapta. Se quisermos ser os aristocratas desta nova era, teremos que nos adaptar às novas regras impostas por Sua Majestade.
Por um instante, Cole sentiu que entendeu e não entendeu o que a sua irmã havia dito, mas mesmo assim ele assentiu com a cabeça, dizendo:
— Eu vou ficar aqui e não vou mais reclamar.
— Isso aí. Você não acha que é muito mais interessante explorar coisas novas do que ficar tomando conta de pedaços de terra?
Cole olhou para a sua linda irmã.
O longo cabelo dela agitava-se ao vento, como o cetim mais sedoso. Seus cílios longos e finos, nariz afilado e lábios sorridentes muniam-na de uma beleza sem igual.
A única coisa que o intrigava era o vermelho no rosto de Edith, algo que as mulheres só mostravam quando estavam empolgadas com algo.
Será que minha irmã está interessada naquela coluna de fumaça? — Cole se perguntou.
Cole desviou o olhar, escondendo essa dúvida no fundo de seu coração.
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