Volume 4
Capítulo 722: Luz Resplandecente
De acordo com o plano de Roland, depois que iniciasse, os disparos não teriam pausas.
As primeiras cinco rodadas de disparos haviam transformado vinte bestas demoníacas, da primeira fileira, em cinzas.
Enquanto os disparos continuavam a soar, algo nunca antes visto aconteceu. As explosões constantes criaram nuvens infindáveis de terra e neve, que fizeram o local parecer um inferno na terra. De vez em quando, estilhaços atingiam outras gaiolas, libertando algumas bestas demoníacas. Mas o estranho era que, ao invés de avançarem em direção à muralha, essas bestas escolhiam fugir para bem longe dali.
O medo havia dominado o instinto sangrento dessas bestas.
No entanto, somente algumas conseguiam escapar desse território mortal.
Os impactos estrondosos que tremiam a terra aterrorizavam as bestas demoníacas, estourando seus tímpanos e cegando seus olhos. Diversas bestas que fugiam só conseguiam correr por alguns metros antes de desabarem mortas no chão, onde seriam devoradas pelas explosões contínuas.
— Isso não é nada se comparado à guerra contra a Igreja. — Andrea falou alto enquanto cobria os ouvidos, com um rosto cheio de orgulho. As bruxas do Reino de Coração de Lobo olharam para Andrea, com olhos arregalados de choque. — Na guerra, havia apenas dois Canhões Cancioneiros, mas também tínhamos centenas de pederneiras e canhões de ferro menores. Os inimigos não eram bestas demoníacas em gaiolas, e sim os Guerreiros da Punição Divina, que eram rápidos e fortes. No ápice da batalha, balas voavam por todo canto do campo de batalha. Se qualquer um levantasse a cabeça no meio daquela zona fatal, com certeza seria morto. Aquilo foi uma verdadeira batalha.
Amy pareceu chocada.
— Sério?
— Não é à toa que a Igreja perdeu a batalha. — Salvadora suspirou. — Esse poder é simplesmente inacreditável.
— Essas coisas são assustadoras… Você não sente medo? — Espadim olhou para Andrea, admirada.
Andrea ajeitou o cabelo durante o intervalo entre as explosões e disse:
— Vocês vão se acostumar com o tempo. Eu presenciei todo o processo da batalha e consegui matar dois Guerreiros da Punição Divina!
Ela havia esquecido completamente que havia ficado tão assustada quanto essas garotas quando havia subido na muralha da cidade pela primeira vez. Parecia que agora ela considerava a Cidade de Primavera Eterna como a sua segunda casa e sentia orgulho quando falava sobre as armas da cidade.
A maioria das bruxas assistia ao espetáculo, porém, Phyllis observava tudo com muito mais cuidado.
Quando as bestas demoníacas na primeira fileira foram bombardeadas, ela não se importou muito. Demônios Frenéticos, nessa distância, também poderiam ameaçar os soldados na muralha com as lanças. Quando as pessoas comuns fossem atacadas pelas lanças de ossos, que cairiam do céu como chuva, por quanto tempo elas conseguiriam manter a defesa contra o inimigo, mesmo com o poder do Canhão Cancioneiro?
No entanto, quando os soldados miraram na segunda fileira de gaiolas, a expressão facial de Phyllis mudou.
Então é possível mudar o alcance dos disparos? A última fileira de gaiolas está a 2000 passos daqui. Se o Canhão Cancioneiro conseguir atingir aquela área, significa que o alcance de disparo dessa arma rivaliza com o das Bestas de Cerco, só que com uma letalidade muito maior.
A Besta de Cerco sempre havia sido a arma do inimigo mais problemática para a Aliança. Essa arma tinha um alcance muito maior que o da manganela [1] ou balista [2], o que fazia as bruxas não terem escolha senão depender das Transcendentes para liderar o Exército Sagrado e avançar em direção ao campo inimigo. Porém, mesmo quando elas conseguiam destruir as Bestas de Cerco, ainda sofriam inúmeras baixas. Se pelo menos naquela época elas tivessem armas como esses Canhões Cancioneiros, não teria sido impossível defender a Cidade Sagrada de Taquila.
Phyllis se perguntou se essa era a arma mais poderosa da Cidade de Primavera Eterna e também a razão pela qual Agatha tinha tanta fé em Roland.
Quando Phyllis fez essa pergunta à Bruxa do Gelo, Agatha apenas balançou a cabeça e sorriu.
— Colocar o alvo a 3000 pés daqui foi só para atender às necessidades do público, já que alvos muito distantes não seriam vistos por ninguém. De acordo com Sua Majestade, o alcance de disparo do Canhão Cancioneiro ultrapassa seis milhas, uma distância dez vezes maior que a terceira fileira. — Agatha sussurrou no ouvido de Phyllis. — Em outras palavras, pode atingir locais fora do alcance de visão.
Dez vezes? — Phyllis ficou atônita. Embora ela não entendesse muito bem o que significava “pés” ou “milhas”, uma distância que era dez vezes superior à terceira fileira poderia alcançar alguns postos dos demônios durante a guerra. — Em outras palavras, se esses canhões fossem colocados na muralha de Taquila, poderíamos ter atingido diretamente o lar dos demônios? Como isso é possível? Como eles podem garantir que a arma vai atingir o inimigo que está fora do alcance de visão?
Agatha pareceu ter lido os pensamentos de Phyllis, dizendo:
— Porém, para atingir um alvo a essa distância não é fácil. Precisa-se de muitos cálculos e aprimoramentos, mas eu soube que os astrólogos estão trabalhando nisso. Parece que Sua Majestade pretende desenvolver um guia de disparo que indicará o local onde a munição de artilharia cairá com base em dados de pré-lançamento. Por meio desse método, a munição de artilharia atingirá o inimigo precisamente, mesmo a milhares de pés de distância.
— A senhora tem certeza? — Phyllis cerrou os dentes. — Isso quer dizer que, contanto que façamos mais canhões, os demônios nem terão a chance de se aproximar da muralha da cidade?
— Sim, Sua Majestade chama esse tipo de ataque de “limpeza”… — Agatha deu de ombros e disse. — Provavelmente veio da ideia de “limpar” as coisas sujas do chão, ou algo do tipo.
Phyllis hesitou por um segundo e sussurrou no ouvido de Agatha:
— Eh… A senhora consegue fazer esses canhões sozinha?
Agatha olhou para ela por um instante e esperou a nova rodada de explosões passar antes de dizer:
— Eu sei no que você está pensando. Eu realmente forneci alguns dos materiais usados nas munições de artilharia, no entanto, é preciso muito mais que duas pessoas para criá-las.
— Mesmo se forem bruxas?
— Longe do suficiente… Você sabe quantas pessoas comuns trabalham na fábrica de produtos químicos? Quase duas mil pessoas, e o número continua a aumentar! — Agatha suspirou. — Porém, lá elas só produzem os explosivos, ácidos, lubrificantes de maquinários, entre outros. Já a produção de canhões faz parte de um sistema completamente diferente. O trabalho de mineração e fundição abrange mais de três mil pessoas. A fábrica de processamento tem mais de mil e quinhentos trabalhadores, e há técnicos específicos para manter e operar os produtos finalizados. Você se lembra de quantas pessoas comuns havia em Taquila?
Phyllis ficou em silêncio. Depois que a Cidade de Arrieta e a Cidade da Estrela Cadente foram tomadas pelos demônios, o território dos seres humanos diminuiu e muitas pessoas procuraram refúgio na Cidade de Taquila. Naquela época, o número de pessoas comuns controladas pela Aliança chegou a aproximadamente 40 mil. No entanto, essas pessoas comuns tinham como função principal apoiar as bruxas combatentes, ajudar na logística, manter a cidade funcionando e etc. Seria impossível encontrar pessoas suficientes para produzir Canhões Cancioneiros. Se isso realmente não fosse uma mentira de Agatha, até mesmo as bruxas de Taquila naquela época não conseguiriam produzir esses canhões.
De repente, os disparos dos canhões pararam.
As bestas demoníacas nas duas primeiras fileiras haviam se misturado completamente à neve, transformando-se em poças de sangue e carne. Um silêncio sobrenatural perdurou na muralha; ninguém falava nada. Todos olhavam para a última fileira de gaiolas à distância, como se estivessem esperando por algo.
Confusa, Phyllis olhou para Agatha, que apenas sorriu de volta e disse:
— A Chave está vindo.
Antes de Agatha terminar de falar, uma luz resplandecente irradiou à distância, brilhando como a luz do sol.
[1] – A manganela era um tipo de catapulta ou máquina de sítio usada na era medieval (Idade Média) para lançar projéteis contra paredes de castelos. Deixei uma imagem anexada no texto.
[2] – A balista era uma máquina de guerra da antiguidade que disparava grandes dardos. Eram também apoiadas nas Ameias dos castelos. Também deixei uma imagem anexada no texto.
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