Volume 4
Capítulo 721: Exercício de Artilharia
Ferlin Eltek ficou bastante surpreso ao ver a marcha dos soldados do Primeiro Exército, que subiam na muralha da cidade de maneira organizada.
Conhecido como o melhor cavaleiro da Região Oeste, ele naturalmente estava familiarizado com o treinamento de cavaleiros, e sabia o quão difícil era garantir que as pessoas mantivessem a ordem enquanto marchavam em grupo. Seja para cavaleiros ou mercenários, quando estavam na presença do Lorde, o número de cada fileira não poderia exceder cinco, já que uma linha horizontal muito extensa poderia se desorganizar com facilidade e, consequentemente, fazer com que a marcha ficasse feia para aqueles que a assistiam de longe.
No geral, a dificuldade de manter a ordem aumentava exponencialmente de acordo com o número de soldados. Mas nesse grupo, o número de soldados excedia cem, com cerca de dez soldados a cada coluna e fileira, e todos com uniformes da mesma cor. De longe, eles pareciam um quadrado em movimento.
Esse impacto visual fez Ferlin sentir uma energia indescritível. E isso também poderia ser notado pela reação entusiasmada da multidão em volta dele.
— Olhe para a terceira fileira. Aquele é meu garoto!
— Eles marcham de maneira tão organizada!
— Todos eles parecem que são uma única pessoa!
— Num campo de batalha, acho que os inimigos ficariam assustados ao ver esse tipo de formação.
— Rá, acho que eles fugiriam com o rabo entre as pernas ao ouvirem o nome de Sua Majestade!
— Qual é o nome dessa música que tá tocando?
— Eu não sei, mas… eu me sinto cheio de energia!
— Esse é o efeito do poder da Senhorita Eco.
— É uma pena que May não está aqui para ver isso. — Irene disse, segurando o braço de Luz da Manhã. — Se visse, ela com certeza conseguiria replicar essa energia no teatro.
— Ela está grávida. Claro que ela não pode ficar nesse vento frio com você. — Ferlin balançou a cabeça e disse sorrindo. — Fique tranquila, vocês terão outra chance de fazer isso. Eu aposto que haverá mais atividades como esta no futuro.
Esta era uma forma do Lorde mostrar poder. A força atual da Cidade de Primavera Eterna estava além da imaginação de qualquer um. Não havia dúvida de que Sua Majestade era capaz de conquistar mais territórios. Com tamanha tropa, não seria surpreendente se ele dominasse todos os Quatro Reinos no futuro. Demonstrações como essa seriam absolutamente necessárias para impressionar e intimidar as pessoas.
— Meu querido, você gostaria de se juntar ao Primeiro Exército? — Irene perguntou abruptamente.
— O quê? — Luz da Manhã ficou surpreso.
— Eu consigo sentir. — Irene disse, sorrindo. — Seu coração está batendo forte.
Isso… — Ferlin suspirou. Ele percebeu que não queria ser um professor pelo resto da vida.
Sir Eltek estava certo. Se ele realmente gostasse de livros, ele não teria decidido se tornar cavaleiro e não teria feito de tudo para ganhar reputação, passando a ser conhecido como Luz da Manhã.
O exército era o melhor lugar para ele.
Ele queria se juntar ao Primeiro Exército e se tornar a espada de Sua Majestade, para lutar pelo rei e ajudá-lo a expandir o território numa escala nunca antes vista.
Embora Sua Majestade tivesse dito que ele, um cavaleiro que se rendeu, não teria mais a chance de pegar na espada novamente, havia outras formas de se juntar ao Primeiro Exército, de acordo com seu pai.
Ele se perguntava até que ponto o Departamento de Conselho de Sua Majestade havia se desenvolvido até agora.
Ele observou os soldados entrarem em posição, como se estivesse vendo a si mesmo no futuro.
A música da marcha parou.
Era o sinal de que os disparos iriam começar.
Van’er deu a ordem para mirar.
Seis Canhões Cancioneiros, que foram montados numa área espaçosa da muralha da cidade, abaixaram os canos, apontando para as gaiolas a 300 metros de distância. Uma distância em que as munições de artilharia atingiriam os alvos diretamente, sem falha. Já que não sabiam ao certo se os corpos das bestas demoníacas seriam duras o suficiente para ativar as espoletas, eles abaixaram os canos um pouquinho mais, de modo que as munições de artilharia atingissem o chão um pouco à frente das bestas demoníacas engaioladas.
— Meu Deus, aquela besta demoníaca é muito feia. — Nelson assobiou. O time de morteiro, pelo qual ele estava responsável, mirava na direção de uma besta híbrida gigante, chamada urso-lobo. A besta provavelmente havia sentido um mau pressentimento e lutava para se libertar das inumeráveis correntes. O corpo imenso da besta se batia contra as barras de ferro, fazendo a gaiola tremer constantemente.
— Concentrem-se. — Van’er franziu as sobrancelhas e deu um sermão. — Isso não é um treinamento normal. Todo mundo está nos observando.
— Eu estou um pouco nervoso. — Garra de Gato disse, com uma voz meio emperrada. — Ser observado por tantas pessoas me faz querer mijar…
Muitos soldados ao redor se sentiam da mesma forma.
— Sim, é mais desconfortável do que qualquer situação em que estivemos antes.
— Se errarmos o alvo, a cidade inteira vai rir da gente.
— Apenas façam como treinamos no exercício militar de antes. Sem mais baboseiras! — Van’er deu uma encarada em Garra de Gato. — Lembrem-se de não confundir uma munição de artilharia real com uma munição de artilharia sem cabeça[1]. Se algo der errado, a punição estará esperando por vocês. Agora, carreguem!
Durante o processo de carregamento, todos começaram a se mover, fazendo seus respectivos trabalhos. Independentemente de como se sentiam neste momento, eles já estavam tão familiarizados com o processo que poderiam realizá-lo de olhos fechados.
O carregamento do Canhão Cancioneiro de 152mm era muito mais rápido do que o do canhão de doze libras. Depois que os seis canhões foram carregados, Machado de Ferro começou a contagem regressiva no topo da muralha.
— Dez, nove, oito…
Ao mesmo tempo, o barulho que vinha da multidão aquietou-se de vez, como se todos estivessem esperando pelo momento em que os canos cuspiriam chamas e trovão.
Mas Van’er estava inesperadamente calmo em seu coração. Olhando para as bestas demoníacas, que não paravam de rugir e rosnar nas gaiolas, ele se lembrou de coisas que lhe haviam acontecido nos últimos quatro anos, de quando seu irmão mais novo havia morrido de fome e frio em seus braços, de quando ele havia treinado dia e noite para comer um ovo, de quando ele havia lutado contra as bestas demoníacas numa muralha de pedras, usando apenas uma lança.
As mudanças que haviam acontecido nesses últimos anos ainda estavam vívidas diante de seus olhos.
— Cinco, quatro, três…
No começo, ele era apenas um mineiro normal de Vila Fronteiriça. Naquela época, ele não sabia ao certo se deveria ficar na Milícia para defender o território de Sua Majestade contra as bestas demoníacas, mas ele havia mudado de ideia quando Sua Majestade lhe disse: “Eu tenho fé em você. Continue com o bom trabalho.” Mas mesmo assim, ele nunca havia imaginado que as coisas chegariam a tal ponto como era hoje.
Van’er secretamente virou a cabeça e olhou para o homem de cabelo cinza, à distância, Roland Wimbledon, que era a fonte de sua confiança. Enquanto Sua Majestade estivesse atrás dele, não importava que tipo de inimigo estivesse à frente, ele nunca recuaria.
— Dois, um! FOGO!
— FOGO!
Van’er abaixou a mão abruptamente.
Ao mesmo tempo, os seis Canhões Cancioneiros cuspiram chamas alaranjadas, acompanhadas de estrondos ensurdecedores, que chacoalharam a neve acumulada na muralha. Num piscar de olhos, as munições de artilharia atravessaram uma distância de 300 metros. Quando as pessoas ouviram o barulho dos disparos, as munições de artilharia já haviam caído na frente das bestas demoníacas híbridas.
As espoletas comprimidas pelo impacto inflamaram a pólvora de base dupla dentro das munições de artilharia, levantando seis pilares de terra e neve e esmagando as gaiolas. Os corpos aparentemente resistentes das bestas demoníacas pareceram manteiga frente às ondas violentas de impacto. Estilhaços de ferro das gaiolas, misturados com o sangue das bestas demoníacas, voaram pelo céu, ao mesmo tempo que intestinos e órgãos dilacerados se espalhavam pelo chão.
A multidão explodiu em comemoração e gritos fanáticos.
[1] – Deve ser uma linguagem desenvolvida entre eles para identificar as munições de artilharia com espoletas (detonadoras de impacto) na parte de cima.
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