Volume 4
Capítulo 715: Os Sentimentos das Bruxas Combatentes
O céu estava bastante nublado. Incontáveis flocos de neve descendiam junto com o vento, como se quisessem preencher todo o mundo. Ainda assim, a nevasca parecia insignificante se comparada com o grande mar que abraçava o céu.
Belezura se aproximava gradualmente da Praia Rasa em meio à neve pesada e vento assobiante.
Roland já estava esperando ali por um bom tempo. Em meio ao vento frio, ele abriu os braços para Tilly, que havia acabado de pisar no cais, e disse:
— Bem-vinda de volta, minha irmã.
Ela tirou o capuz, revelando seu cabelo cinza, sorriu e gentilmente o abraçou. Tudo pareceu muito natural. Ela disse:
— Obrigada. Espero que eu não esteja muito atrasada para os Meses dos Demônios.
Enquanto a conversa continuava, mais e mais pessoas desembarcavam do navio.
— Vossa Majestade, vai ter um jantar de boas-vindas hoje à noite, não é? O senhor vai preparar outro Huo Guo para nós? — Andrea se aproximou para perguntar, animada.
— Ah… Se comporte. — Cinzas falou.
Talvez fosse influência de Rouxinol; o comportamento nobre e elegante de Andrea parecia estar desaparecendo pouco a pouco. Claro, a beleza dela era tão impressionante que ela ainda parecia graciosa e bonita mesmo comportando-se como uma gulosa.
— Claro. — Roland disse, assentindo com a cabeça. — Na verdade, Huo Guo também combina bastante com o inverno.
— Ótimo. — Andrea disse, com olhos cintilantes. — O senhor realmente é um nobre de classe, por isso Rouxinol te am… — Antes que ela pudesse terminar de falar, a boca dela foi coberta por um par de mãos invisíveis.
Cinzas colocou a mão na testa e se virou, como se não tivesse ouvido nada, e começou a falar com Wendy.
Tilly pareceu um pouco surpresa. Ela olhou para Roland e, em seguida, para o local onde Rouxinol supostamente estava.
Roland corou. Em seguida, ele tossiu e disse:
— Aqui está ventando muito. Vamos voltar pro castelo e continuar nossa conversa lá.
Além de Tilly, as bruxas que vieram foram: Cinzas, Andrea, Shavi, Iffy, Pluma e Noite. Não era a primeira vez que elas vinham para a Região Oeste, portanto, Roland não precisava se preocupar em preparar acomodações para elas. Depois que elas guardaram as bagagens, Roland as convidou para a sala de estar e as contou o que havia acontecido recentemente no Reino do Alvorecer.
Como aliados, ele acreditava que deveria compartilhar informações com as bruxas de Ilha Adormecida e deixá-las cientes sobre a existência das sobreviventes de Taquila.
No final, todas as bruxas não conseguiram segurar a risada. Cinzas perguntou:
— Então você é a bruxa que as sobreviventes de Taquila tanto procuram? A Escolha Divina?
— Ou o primeiro bruxo da história. — Tilly disse, caçoando. — Meu irmão é sempre “tão” diferente.
— Eu não tenho nenhum poder mágico, então me poupe do título de bruxo. — Roland disse, dando de ombros. — A Escolha Divina é apenas um nome dado pelas bruxas de Taquila. Nós só saberemos o que é esse Instrumento da Retribuição Divina quando nos comunicarmos com elas. Antes disso, planejo realizar um exercício de artilharia para impressionar Phyllis.
— Ao mesmo tempo, também é uma forma de alerta, não é? — Cinzas, que há pouco estava zombando de Roland, falou de maneira séria. — Eu lembro que o senhor também fez isso com a gente, quando nos mostrou a batalha defensiva contra as bestas demoníacas[1].
— Eu só não quero que haja nenhum mal entendido entre nós. — Roland respondeu, sem dizer sim ou não. — E o exercício de disparo não servirá apenas para impressionar Phyllis. Também estará aberto ao público para que os súditos da Cidade de Primavera Eterna vejam o poder que possuem. Assim eles terão coragem, mesmo quando tivermos que lutar contra os demônios.
“Não haver mal entendido” significava torná-las cientes do poder da Região Oeste, desencorajando-as a tentar algo idiota. Esta também era a base da diplomacia da nova era.
— Acho que não seria uma boa ideia realizar o exercício de disparo enquanto as bestas demoníacas correm soltas. — Andrea de repente disse. — Eu tenho uma ideia melhor.
— Qual?
— Que tal capturarmos as bestas demoníacas e as usarmos como alvos? — Ela ergueu as sobrancelhas e disse. — Diferente dos alvos de madeira, bestas demoníacas reais seriam muito mais impressionantes.
Roland ficou surpreso e concordou que era uma boa ideia. Se ele quisesse manter o público organizado durante o exercício de disparo, ele naturalmente não podia deixar que as bestas demoníacas se aproximassem muito da muralha. Isso poderia causar caos e a situação poderia sair do controle. Ele originalmente havia planejado usar alvos de madeira para realizar disparos de precisão e pedido que Soraya pintasse algumas bestas demoníacas falsas.
— E quem vai capturar as bestas demoníacas?
— Deixe conosco. — Andrea disse, batendo no peito.
— Ahhhh, eu queria tanto só ficar jogando cartas… — Shavi respondeu amargamente.
— Eu também estou disposta a ajudar. — Iffy disse. Qualquer coisa que tivesse batalha no meio, Iffy estaria disposta a participar.
— Mas será que não vai ser perigoso capturar as bestas demoníacas? — Wendy disse, parecendo muito preocupada.
— Se as capturarmos na Floresta das Brumas, que é controlada por Ramos, acho que não terá nenhum problema. — Rouxinol disse avidamente. — Ramos pode monitorar o movimento de todas as bruxas e bestas demoníacas na área e espantar as bestas híbridas mais poderosas. Sem falar que ainda temos o Sigilo da Vontade Divina.
— Então que tal realizarmos uma competição para nos aquecer antes do exercício de artilharia? — Tilly sorriu. — Vamos nos dividir em três grupos e ver qual grupo consegue capturar mais bestas demoníacas.
— Dividir… em três grupos?
— As bruxas de Ilha Adormecida, as da União das Bruxas e as da Cidade de Taquila. — Ela sorriu e disse. — A recompensa pode ser um mês de Bebidas Caóticas. Eu estou muito curiosa para provar essas bebidas, já que você me disse que elas são mais deliciosas que pão de sorvete.
— Espere… Será que Phyllis vai aceitar participar da competição? — Roland perguntou.
— Esse exercício de artilharia vai ajudá-la a ter uma melhor compreensão sobre o poder da pólvora, não é? Matar uma besta demoníaca pode ser fácil para uma Guerreira da Punição Divina, mas se ela ver que nós também podemos fazer isso facilmente, e até capturar mais que ela, ela definitivamente terá mais confiança no poder da Cidade de Primavera Eterna.
— Claro, se ela não quiser participar, está tudo bem. — Andrea disse, dando de ombros. — Já que é uma competição, ela participa se quiser.
Então é por isso. — Roland olhou para Cinzas e as outras, que pareciam empolgadas, e entendeu por que elas fizeram essa proposta. O que Tilly havia dito realmente fazia sentido, mas esse não era o verdadeiro motivo. A verdade era que elas queriam fazer isso para se satisfazerem. Afinal, elas vieram ajudar a Cidade de Primavera Eterna a enfrentar os Meses dos Demônios, mas dificilmente seriam de alguma ajuda, já que o Primeiro Exército podia lidar facilmente com a situação. Tudo o que elas podiam fazer era jogar “Guerra contra o Proprietário” no Castelo durante todo o inverno[2]. Elas provavelmente se sentiam inúteis, já que sabiam que as bruxas assistentes viviam ocupadas.
Afinal, elas eram bruxas combatentes.
Nessa campanha de produção em massa, talvez ele tenha ignorado o sentimento dessas bruxas.
— Então está decidido. — Roland deu um sinal de aprovação.
[1] – Lá no Capítulo 334 .
[2] – Guerra contra o Proprietário é um jogo de cartas apresentado no Capítulo 372 .
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