Volume 4
Capítulo 714: Uma Nova Vida
Depois que o casal foi embora, Carter se aproximou dela e perguntou:
— Você realmente pretende ir lá? Você pode ficar em casa se não quiser.
— Por quê? Você não quer minha companhia?
— Claro que eu quero sua companhia! — Ele balançou a cabeça bruscamente, perdendo completamente a compostura de cavaleiro. — Eu desejo estar ao seu lado a todo momento.
Nem mesmo naquelas tragédias de amor e morte, onde os atores e atrizes expressavam amor uns aos outros, haveria falas tão exageradas como essa. Ela não esperava conhecer uma pessoa tão dramática assim na vida real. Ela olhou para ele e perguntou:
— Oh, então me responda, você preferiria ficar ao meu lado ou ao lado de Sua Majestade?
— Eh… Bem. — Carter não sabia como responder. Provavelmente ele nunca havia pensado nisso antes. Amor ou responsabilidade?
May, achando isso engraçado, acariciou gentilmente a bochecha dele.
— Certo, parece que eu sou tão importante quanto o rei.
O Cavaleiro Chefe se sentiu aliviado e abraçou May. Em seguida, suas mãos começaram a deslizar para baixo lentamente.
— Pare! Ainda está de dia. — Ela tentou pará-lo quando de repente sentiu vontade de vomitar. — Urgh…
Carter imediatamente parou e perguntou, preocupado:
— O que aconteceu? Tá se sentindo mal?
May balançou a cabeça, empurrou o cavaleiro e respirou fundo. Embora ela soubesse que não estava doente, ainda se sentia enjoada, como se seu estômago estivesse revirando. Ela foi até o banheiro e fez esforço para vomitar, mas nada saiu de sua boca, exceto saliva.
— Eu vou chamar a Senhorita Lily. — Vendo isso, Carter se sentiu preocupado. Ele vestiu a jaqueta, preparando-se para sair.
— Espere… Espere. — May o parou. — Eu não peguei um resfriado.
— Mas você está muito doente… Os livros de Sua Majestade dizem que os sintomas de um resfriado ou gripe podem incluir ânsia de vômito e febre. A habilidade da Senhorita Lily pode curar essa doença rapidamente. Isso pode ficar mais sério se você não receber o tratamento agora.
— Talvez eu não esteja doente…
— O quê? — Carter franziu as sobrancelhas. — Então por que você vomitou?
Esse cabeça oca não tem nenhum pingo de senso comum. — May pensou, com as bochechas corando. Ela ouviu falar que quando uma mulher estava…, enjoos eram comuns. Mas ela não tinha experiência nessa área. Ela não queria ser zombada por Carter, caso estivesse enganada. Ela ficou satisfeita ao ver o marido dela se comportando desse jeito, mas ela não podia cometer erros num assunto tão sério quanto esse.
— Na União das Bruxas… Eu lembro que tem uma mulher de cabelo verde que consegue ver através das coisas, não é?
— Você se refere à Senhorita Sylvie? — Carter assentiu com a cabeça. — Ela realmente vê coisas que pessoas normais não conseguem ver… Mas ela não consegue tratar doenças.
— Você pode pedir pra ela vir aqui? — May se sentou na cama lentamente. Embora fosse apenas um palpite, ela preferiu se sentar lentamente como se estivesse com medo de incomodar a pequena vida que podia haver dentro dela. — Talvez a Senhorita Sylvie descubra o motivo.
— Você quer dizer… — Foi neste momento que Carter entendeu. Ele abriu a boca, surpreso, com os olhos brilhando, em seguida cerrou os punhos fortemente e disse: — Eu vou falar com a Lady Wendy imediatamente.
Depois que a porta foi fechada, May soltou a respiração lentamente. O sentimento era realmente maravilhoso, como se o significado da vida tivesse se tornado diferente em apenas uma hora. A possível nova vida fez ela sentir como se todo o seu corpo estivesse aquecido. Ela fechou os olhos e se lembrou do olhar de Jasmine, quando a garota lhe havia entregado aquele peixe seco.
Talvez esse seja… o sabor da esperança.
Naquele mesmo dia, o palpite dela foi confirmado por Sylvie.
Ela estava grávida.
Roland recebeu a notícia no dia seguinte e colocou a mão no ombro de Carter, que parecia bastante animado.
— Meus parabéns! Quando ela estiver perto de dar à luz, vou te dar um período de férias para que você possa acompanhá-la. Mas até lá, você deve se concentrar no seu trabalho.
— Sim, Vossa Majestade! — Carter saudou, com a mão no peito.
— A propósito, como são feitos os partos aqui? — Roland de repente pensou numa coisa muito importante e perguntou. — Tem alguma parteira na Cidade de Primavera Eterna?
— Parteira? — O Cavaleiro Chefe perguntou, confuso. — O que é isso?
— É uma pessoa que ajuda com o parto. Quando uma criança nasce, tem que ter alguém que… ajude com isso. — Enquanto respondia à pergunta, Roland também procurava por entre as memórias do antigo Príncipe Roland, mas não encontrou nada. — Nós não podemos deixar que a própria mãe corte o cordão umbilical, não é?
— Ah sim, isso normalmente é feito pelos mais velhos, que tiveram experiências similares.
— E na ausência dessas pessoas?
— Bem… — Carter ficou atônito. — Eu não sei.
As famílias aristocráticas naturalmente não se preocupavam com isso, mas os civis certamente não possuíam tais privilégios. A Cidade de Primavera Eterna só tinha aproximadamente um ano de existência, e a maioria dos residentes veio por meio de recrutamentos e imigração. Logo, muitas pessoas ainda não haviam tido filhos. No entanto, quando a vida dos residentes se estabilizasse, a taxa de fertilidade definitivamente cresceria bastante. Era óbvio que uma grande quantidade de novas vidas viria a este mundo todo ano a partir do próximo ano.
O problema era que ainda não havia nenhum sistema de saúde na Cidade de Primavera Eterna.
Mas Roland não podia se culpar por isso, já que esse sistema não existia em nenhuma outra cidade. As pessoas doentes podiam apenas rezar para as divindades, ou comprar algumas ervas estranhas de boticários[1] com algumas moedas de prata. Graças a Nana e Lily, quase todas as dores e doenças podiam ser eliminadas na Cidade de Primavera Eterna, e foi por isso que ele havia postergado a implementação de um sistema de saúde oficial, incluindo uma maternidade.
Ele inicialmente havia pensado que, se a ciência e tecnologia avançassem a todo vapor e eles entrassem diretamente na era da informação, a medicina moderna altamente avançada não seria nada comparada às habilidades das duas garotas.
Porém, neste momento, Roland reconheceu que seria necessária a implementação urgente de um sistema de saúde para mais de cem mil pessoas, independentemente do quão subdesenvolvido fosse.
Por exemplo, seria impossível para Nana e Lily cuidarem dos partos… Elas já eram muito ocupadas, e quando a batalha contra os demônios começasse, elas teriam que avançar para a frente de batalha para curar possíveis ferimentos e doenças. Neste caso, os próprios moradores da cidade teriam que cuidar dos pacientes.
Depois que Carter saiu, Roland abriu o livro de anotações e anotou a ideia da implementação de uma instituição de saúde primária.
Enfim, já que este era um problema urgente, ele decidiu começar pela maternidade.
A Cidade de Primavera Eterna precisaria fundar hospitais, treinar equipes médicas e democratizar o conhecimento relacionado à saúde e aos meios mais básicos de tratamento… Felizmente, o Primeiro Exército já tinha um conhecimento básico sobre isso, então ele só precisaria fazer algumas mudanças nos folhetos usados pelo Primeiro Exército e usá-los como parte do material de ensino para o público. Ele também poderia convocar alguns soldados do Primeiro Exército para serem o primeiro grupo de professores de medicina da Cidade de Primavera Eterna.
Embora ele não soubesse nada de medicina, Roland lembrava claramente que, em partos, era muito importante a esterilização de instrumentos médicos e a prevenção de infecções.
Quanto a outras partes da medicina, ele podia apenas conduzir pesquisas mais aprofundadas no futuro.
À tarde, ele recebeu uma boa notícia.
Tilly Wimbledon estava voltando para a Região Oeste com Cinzas e companhia.
[1] – Indivíduo que prepara os medicamentos.
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