Volume 4

Capítulo 716: Vendo Annie Novamente

Após conversarem com Roland sobre a caça às bestas demoníacas, as bruxas foram descansar um pouco em seus respectivos aposentos, antes do jantar começar. Quando Iffy estava prestes a ir embora, Roland a puxou para um canto e disse:

— Preciso te contar algo agora, senão você vai ficar chocada depois. — Ele falou da forma mais delicada que conseguiu. — Eu lembro que você disse que tinha uma amiga chamada Annie, não é?

— Sim, Vossa Majestade. — Iffy piscou os olhos, não sabendo por que o rei havia mencionado isso de repente.

— Entre as bruxas que vieram do Reino do Alvorecer, quatro são nativas do Reino de Coração de Lobo.

Iffy arregalou os olhos.

— Vossa Majestade, o senhor quer dizer…

Roland assentiu com a cabeça e disse:

— Uma delas se chama Annie, e ela disse que no passado foi rejeitada pela Associação Presas de Sangue.

Iffy ficou extremamente surpresa e só conseguiu murmurar após um longo silêncio:

— É verdade?

Naquele momento, o rosto de Iffy revelava alegria, mas também denotava preocupação e culpa. Ela ainda se culpava por ter escolhido abandonar Annie naquela época.

Foi por este motivo que Roland não havia escolhido surpreender as duas ao mesmo tempo. Ele não sabia bem como Annie reagiria quando visse Iffy, que a havia abandonado. Seria muito constrangedor se um reencontro que deveria ser feliz terminasse num confronto.

— 2009. — Roland disse.

— O quê?

— 2009. É o número do aposento dela. — Ele soltou a respiração e disse. — Pelo menos por enquanto. Se você quiser conversar com ela, pode ir lá.

Iffy ficou em silêncio por um momento e depois curvou a cabeça para agradecê-lo.

— Eu entendo, Vossa Majestade. Obrigada!

— Vá em frente. Às vezes o tempo é a melhor cura para tudo.

— Sim!

Roland esfregou o queixo enquanto observava Iffy sair apressada da sala de estar. — Isso é o máximo que eu posso fazer para ajudá-la. — Ele pensou.

— Aposento 2009, aposento 2009… — Iffy repetia o número do aposento enquanto corria em direção ao Edifício de Relações Exteriores. Ela nem mesmo se importou em responder às perguntas que Pluma e Noite fizeram quando passaram por ela. Ela saiu do castelo, atravessou as ruas em meio à neve, subiu pelas escadas do Edifício de Relações Exteriores e rapidamente chegou no segundo andar.

Contudo, assim que ela se aproximou da porta, começou a desacelerar, sentindo-se cada vez mais aflita.

Naquela época, Annie havia tomado conta dela durante toda a jornada pela Ilha Arquiduque. Quando soube que Annie não poderia se juntar à Associação Presas de Sangue, ela não fez nada para tentar impedir. A culpa que ela sentia desde então sempre havia torturado ela. E piorou ainda mais quando ela soube que Annie muito provavelmente havia morrido no Reino de Coração de Lobo. Havia muitas noites em que ela nem conseguia dormir direito. No fim, ela usava uma “máscara” de poder e destemor para esconder o remorso que sentia.

Mas agora, essa casca emocional havia sido abalada.

Ela estava com medo. Muito medo.

Se Annie se recusasse a perdoá-la, o que ela faria?

Iffy ficou de frente à porta, mas não se atrevia a bater.

— Eu sabia que você faria isso. — Uma voz veio do nada, assustando Iffy. Ela olhou para o lado e viu que a pequena Pluma estava lá, acompanhada de Noite, que parecia estar sem fôlego.

Iffy se sentiu tocada ao notar que Pluma e Noite haviam seguido ela porque estavam preocupadas.

— Toda vez que você descobre algo relacionado a Annie, você se comporta de um jeito completamente diferente.

— Vocês duas… ouviram a conversa?

— Claro. Você e Sua Majestade conversando sozinhos. Você acha mesmo que a gente não iria bisbilhotar? — A garota sorriu. — Caso ele quisesse te “coagir”, nós ficaríamos de guarda na porta para ninguém perturbar vocês.

— Que tipo de ajuda é essa? — Iffy não sabia se ria ou chorava, mas o nervosismo dela começou a diminuir um pouco. — Vocês só vieram pra caçoar de mim?

— Quase isso. — Pluma deu de ombros. — Você está pronta?

— Pronta… pra quê?

Toc. Toc. Toc.

Antes que Iffy pudesse reagir, a garota bateu na porta algumas vezes e, logo em seguida, saiu correndo com Noite, dizendo:

— Diga o que você realmente sente.

— Não, esperem…

Contudo, já era tarde demais, pois parecia que alguém já estava vindo para abrir a porta. Iffy se sentiu totalmente tensa.

Com um estalo, a porta foi aberta, e uma bruxa alta apareceu diante dela.

Quem abriu a porta foi Annie.

Iffy nunca se esqueceria desse rosto; desses olhos penetrantes.

Por debaixo desse rosto cheio de bravura e perseverança, estava escondida a compaixão que Annie sentia pelas companheiras. Iffy havia pensado que nunca mais se encontraria com Annie e tinha medo de um dia se esquecer da aparência dela. Ao ver Annie novamente, ela percebeu que nada havia mudado. Era como se alguém tivesse limpado a poeira que cobria as memórias que ela tinha de Annie.

O tempo pareceu congelar naquele instante.

— Annie, estou cansada…

— Annie, você deve ir.

— Por que Annie não pode ficar?

— Não… Eu quero ficar com Annie…

Fragmentos de memória continuavam a aparecer em sua mente, fazendo sua casca emocional desmoronar. Ela parecia ter retornado ao passado e se transformado mais uma vez naquela garota frágil e confusa. Ela queria cumprimentar Annie, mas não conseguia emitir um som. Assim que ela abriu a boca, sentiu seus olhos marejarem.

Iffy não conseguiu se controlar. Ela abraçou Annie e começou a chorar.

— Me desculpa… uoo… Annie… Me desculpa…

Bestas não choravam.

Mas a partir deste momento, ela não era mais uma besta.

Annie ficou surpresa.

Quando ela abriu a porta, não reconheceu a bruxa que estava do lado de fora, mas mesmo assim sentiu um pouco de familiaridade. No entanto, quando a bruxa a abraçou enquanto chorava, ela logo se lembrou da Associação Presas de Sangue.

Seria mentira dizer que ela não guardava ressentimento no coração. Quando a Associação Presas de Sangue havia tentado vendê-la para a nobreza, uma parte da fúria dela também havia sido direcionada para Iffy.

Contudo, ao vê-la chorando incontrolavelmente, Annie de repente sentiu que toda essa fúria havia desaparecido. Naquela época, Iffy não passava de uma criança confusa e tímida, e não havia nada que ela podia fazer para impedir isso.

Annie deu um longo suspiro, levantou os braços e gentilmente abraçou Iffy.

— Eu não te culpo…

Ao ouvir isso, Iffy estremeceu e começou a chorar mais alto.

Iffy pegou no sono após meia hora de choro e lamento.

Nesse meio tempo, Annie soube de tudo o que havia acontecido com a Associação Presas de Sangue. Ao saber que a Condessa Morgan havia morrido e que as outras bruxas já não estavam mais sob o controle da Associação Presas de Sangue, o nó em seu coração finalmente foi desfeito. E tudo isso foi devido a Roland Wimbledon e à irmã dele, a Princesa Tilly.

As coisas pareciam estar se movendo na direção correta.

Após olhar para Iffy, que havia dormido em seus braços após chorar bastante, e para a curiosa Amy, que estava com as outras três bruxas, Annie finalmente se decidiu.

— Vamos assinar o contrato com Wendy e servir ao rei.

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