Volume 1 – Arco 3
Capítulo 39: O Hospital Ducal
Vaia andava pelas ruas de Tzoldrich coçando as mãos de nervosismo.
O ar estava frio assim como toda manhã, mas ela continuava a se destacar com o vestido vermelho e preto de rosas entregue a ela por Yvelle. Também usava um cachecol que cobria sua cabeça como um capuz.
A duquesa havia falado com ela sobre o encontro no hospital.
Vaia sabia de seu dever, iria ficar de plantão para que Yvelle pudesse inspecionar as habilidades dela mais de perto, entretanto, a jovem também estava interessada em tirar o máximo de informações possíveis acerca da duquesa.
Pessoalmente, ela já se sentia mais confortável perto da mulher, por ela a ter acolhido, assim como os seus amigos lá em casa fizeram. Portanto, Vaia estava disposta a dar o benefício da dúvida sobre esses rumores de conluio com o norte e San-Solaris.
Por sorte, parece que boa parte das pessoas estavam vestindo roupas coloridas, além disso, algumas barracas em mercados da cidade estavam montando inventários de buquês de flores.
“Será que tem alguma data especial se aproximando? Tem algo a ver com flores, mas nós não estamos na primavera…”
As ruas ladrilhadas estavam silenciosas, com os raros momentos em que era possível ouvir latidos de cachorros ou murmúrios de conversas entre pessoas falando sobre a ocasião especial que estava se aproximando.
Os três sóis ainda brilhavam por trás das cordilheiras. Isso fazia com que Vaia testemunhasse uma vista bela do morro que subia até outros distritos de Tzoldrich, iluminado por postes de luz com eletricidade.
Ela se lembrou do breve tempo que passou em Arquoia antes de embarcar no navio de Heinrich. Comparado com Arquoia, Tzoldrich tinha uma atmosfera muito mais amigável.
“Arquoia era muito mais fria, úmida e cinzenta. De certa forma, recordar disso agora me deixa até depressiva”, pensou com a cabeça baixa.
Os tons de amarelo, laranja e vermelho permearam as montanhas e muralhas da grande cidade, colorindo os telhados e casas de Tzoldrich.
“Aqui é mais vivo, pacífico e amigável.”
Em resposta ao conforto que ela sentiu com a cena, uma das frases de Zaltan da noite anterior voltou à sua memória:
“Entendam que essa paz de vocês é uma farsa!” A última palavra ecoou em sua mente como uma dor de cabeça insuportável, até que Vaia agarrasse seu cachecol pelas pontas e puxasse, tentando amenizar a dor.
A moça apertou o passo até que chegasse ao hospital ducal depois de alguns minutos.
O prédio do hospital ainda estava igual ao dia em que Vaia saiu. Uma construção de cor amarelo pastel, com um grande pátio na frente.
Ele havia sido construído em uma área plana da cidade, o que permitia um tráfego bom de pessoas, além de ser central, o que não gerava a necessidade de outros hospitais espalhados, mesmo desconsiderando seu tamanho.
Vaia adentrou pelas portas principais da construção, se deparando com uma visão surpreendente.
Yvelle já estava reunida com outros doutores e enfermeiros. Vaia captou o contexto da conversa, deixando-a ainda mais constrangida.
— Porém, hoje, vocês devem aprender com ela.
— Duquesa, mas com todo respeito, eu acho impossível que ela tenha reconstruído as pernas esmigalhadas com apenas o que nosso hospital tinha disponível. — Uma enfermeira se aproximou de Yvelle, que manteve um sorriso confiante.
— Mas é verdade, e isso sem os equipamentos novos que recebemos do norte!
…
Yvelle ouviu as portas da entrada se fechando. Virando-se, ela viu Vaia parada e corada.
— Ah, Vaia! Como é bom vê-la! — A duquesa correu até a moça e a segurou pelos ombros. — Doutores e doutoras, essa aqui será a nossa VIP pelo turno de hoje. Os funcionários selecionados terão a permissão para ver Vaia trabalhar com um de nossos pacientes.
Yvelle juntou as mãos e ordenou que o agrupamento de funcionários do hospital se dispersasse.
— Querida, por que está tão encolhida? Está com frio?
— Não… é que… tem certeza de que posso ficar mostrando a cara por aí? Sabe… — Vaia apontou para suas orelhas e dentes por debaixo do capuz.
— Ah, bem… O hospital tem máscaras para cobrir os dentes. Fora isso, ninguém vai se importar com as orelhas, digo, eles vão, mas não leve pelo mal sentido.
— Como assim?
Yvelle fez um sinal para que Vaia a seguisse antes de continuar.
— Como deve ou não saber, o continente sul manteve suas tradições intactas por mais de quinhentos anos. O misticismo no mundo está naturalmente decaindo, e isso fez com que algumas outras raças afetadas pelo misticismo fossem “mutacionadas” para a forma humana que temos hoje ou extintas completamente.
Vaia ficou quieta, apenas ouvindo Yvelle enquanto caminhava atrás dela.
— Os antigos elfos e fadas, que muitos consideram apenas como lendas ou antecessores dos monstros, tinham orelhas pontudas assim como você!
— Mesmo? — Vaia levantou o olhar, com um leve otimismo na voz.
— É claro, minha querida. Agora, se alguém começar a te perturbar ou você ouvir algum comentário desagradável, por favor, fale comigo imediatamente.
— Eu ensinei as crianças dessa geração a serem respeitosas, afinal. — rosnou Yvelle, fechando o rosto.
— Eu aprecio muito sua atitude, se me permite. E esse hospital… uau!
Vaia olhou ao redor do salão em que entraram. Um teto alto com diversas janelas que traziam uma luz natural, paredes em tons de branco e amarelo pastel de alguma forma eram extremamente nostálgicos para a jovem. Ela se perguntou em certo momento se seriam os seus sentidos tentando retornar às experiências que ela tinha passado.
— Sim, mas não confunda. — A duquesa levantou o dedo. — Eu construí escolas, casas de repouso, e também fiz diversas reformas legislativas.
— Meu povo me ama. Mas reconheço a insatisfação dos conservadores.
— Conservadores?
— Algumas pessoas não apreciam os métodos que utilizei para dar essa qualidade de vida para a população. No processo, tive que “aniquilar” a classe burguesa e a nobreza de Tzoldrich. Apesar dos pesares, eu governo como uma só.
— Mas é tudo pelo bem das pessoas que vivem aqui, alguns só querem ter uma vida tranquila, assim como vocês e a bebê.
Ao atravessar o salão em que estavam, que chegava a ser um corredor, na verdade, Vaia e Yvelle estavam agora em outro corredor, que se mostrava um contraste bem extremo com o lugar em que estavam antes.
As portas eram brancas com vidraças para ver o outro lado, o chão era feito de um mármore liso e reluzente, enquanto as paredes, agora, eram brancas.
O ar ficou mais sofisticado e profissional. Todos os médicos que passavam trajavam em branco com toucas e máscaras — mais parecendo cientistas.
— Chegamos, suas roupas estão lá dentro. Pode se vestir. — Yvelle apontou para uma sala com uma porta fechada, reservada apenas para funcionários.
Vaia prendeu seus longos cabelos castanhos e vestiu o jaleco, a touca e as outras peças indicadas por uma placa dentro do local.
Quando saiu, Yvelle estava a aguardando do lado de fora e conduziu a jovem para outro salão.
Era um anfiteatro cirúrgico completo, com uma plataforma circular no centro que subia com uma rampa. Ao redor da plataforma, diversas arquibancadas subiam até as paredes com finas aberturas para o lado de fora, de onde se formava uma cúpula.
O lugar tinha uma iluminação com lâmpadas e luzes brancas por vários lugares, deixando tudo bem iluminado. Principalmente o lugar para onde Vaia se dirigia.
Alguns médicos, funcionários e estudantes de medicina do ducado começavam a se reunir na plateia, seus murmúrios eram audíveis. Vaia conseguia escutar alguns duvidando de suas capacidades, mas outros demonstraram interesse nas técnicas de medicina do exterior.
Yvelle acompanhou a jovem até o centro do anfiteatro, estalou os dedos e ordenou o silêncio da plateia.
— Como combinado, a nossa visitante comparece ao salão de estudos recém-construído de nosso grande hospital ducal. Vaia… ?
Ela se aproximou da jovem, pedindo algum tipo de sobrenome. Vaia retrucou, implicando sua inexistência.
— De todo modo, devido à nossa competência respeitável, tínhamos apenas um paciente no aguardo de uma cirurgia. — A duquesa apontou para as portas de entrada do anfiteatro.
Delas, dois enfermeiros vinham puxando uma maca, nela, um pano fino e ensanguentado cobria o corpo de alguém muito provavelmente em estado crítico.
Atrás, outros funcionários chegavam, trazendo bolsas de sangue e soro, além de ferramentas e materiais para Vaia.
“Gente, precisa de tudo isso mesmo? Quando eu era uma curandeira nômade, eu trabalhava com paus e pedras, mas só fazia o básico, não sei o que pode ter de tão diferente…”
Outro médico entregou uma prancheta para Yvelle, que começou a descrever o paciente, enquanto seu corpo era revelado, preso por tubos e recebendo apoio de soros.
“Eu não sinto muita Aura vindo desse homem, deve ser por isso que não sou atiçada pelo odor do sangue dele…”
Vaia focou apenas nas informações que lhe diziam respeito: trinta e quatro anos de idade, caçador de monstros ativo na guilda, se feriu ontem durante sua caçada em decorrência de uma avalanche nas montanhas próximas do ducado.
A parte inferior do abdômen foi quase completamente esmagada por destroços de pedras, e estava atualmente fazendo o uso de substituições de órgãos por vias místicas, indicadas pelas máquinas únicas trazidas pelos funcionários, dispostas ao lado da maca.
“Eu me pergunto como eu deveria proceder… Talvez eu possa fazer o mesmo que fiz com Talyra…”
Vaia discretamente segurou um dos tubos que ligavam as bolsas de sangue ao corpo e injetou uma pequena quantidade de seu próprio sangue.
“Não sei se deveria falar isso para eles, mas boa parte do que torna minhas cirurgias tão fáceis…”
Ela já havia testemunhado fenômenos assim com o tempo. Animais ou seres vivos que possuíam o sangue da jovem em seu sistema podiam compartilhar dos dons regenerativos de Vaia, mesmo que por um tempo determinado.
Pensou em controlar bem mais a dosagem desta vez, visto que Talyra recebeu bastante sangue quando teve as pernas reconstruídas há alguns dias.
Com aquela dosagem, ela podia controlar uma regeneração boa para o homem, evitando possíveis suspeitas. Seria muito fácil para que ela virasse alvo de estudos, ou até mesmo uma cobaia…
Com o tempo, os sangramentos pararam e Vaia pôde fazer uma reorganização e revitalização dos membros do homem com as ferramentas místicas disponíveis.
Tratava-se de alguns equipamentos mais rústicos que tinham um brilho causado pela infusão de Aura. Aura de Yvelle, Vaia percebeu.
Eles facilitavam a localização de ferimentos e permitiam um controle de veias e nervos para que parassem de se mover, deixando o serviço bem mais simples.
Vaia nunca havia visto nenhuma dessas ferramentas místicas, mas, de alguma forma, ela as manejava como se já as usasse por décadas.
Era algo difícil de descrever até mesmo para ela.
Ouvia os murmúrios da plateia e o barulho dos lápis contra os papéis, cadernos e pranchetas, rabiscando o que nem Vaia poderia julgar.
Após alguns minutos, a visão de Vaia parecia ter passado por um feitiço. O homem estava praticamente inteiro novamente, os sinais vitais completamente estabilizados e as suturas em sua pele já estavam cicatrizando.
— Que maravilha! — Yvelle se aproximou de Vaia, com um sorriso enorme no rosto. — Ainda temos muito que desvendar da sua experiência, querida.
A duquesa colocou a mão no ombro da jovem, que estava visivelmente calma demais para o que acabou de fazer.
“E ela mal suou… Impressionante!” Pensou Yvelle.
— Bem, pode ir descansar agora. Chamarei você assim que for…
— Sua Alteza! — Mais funcionários do hospital chegaram pelas portas de entrada do anfiteatro, carregando outro corpo em uma maca.
— O que é isso? Achei que não tínhamos mais pacientes hoje!
— É uma emergência, essa mulher foi deixada nas portas do hospital com os brilhos vermelhos em seu corpo. Não identificamos a doença, mas ela colapsou no mesmo instante!
— Como é? — Vaia tomou a frente, ajudando a levar o corpo no lugar do homem que fora retirado do palco.
Olhando mais cuidadosamente, ela estava vestindo uma roupa cheia de detalhes em flores, assim como as pessoas nas ruas.
“Talvez uma praga repentina?”
“Um monstro microscópico? Não, Talyra não deixaria algo assim passar quando ela mexeu nas barreiras.
— Q-Querida… — A duquesa gaguejava e tentava se aproximar de Vaia com as mãos trêmulas. — Tem certeza de que não quer deixar nossos médicos cuidarem disso? Você deve estar cansada…
— Desculpa, Yvelle. Eu não posso só sair quando tem uma pessoa sofrendo na minha frente.
A mulher estava completamente apagada, o brilho vermelho se intensificava cada vez mais.
— Certo. — Yvelle fechou o rosto. — Reponham as ferramentas dela e saiam de perto!
— Sim, senhora! — Os funcionários responderam em uníssono.
“Desculpa aí, senhora…” Vaia disse com certa tristeza ao ter que rasgar o belo vestido florido dela.
Enfiou as garras e rompeu o tecido na parte da barriga. Os brilhos, na verdade, eram alguma espécie de inscrição, que percorria todo o corpo da mulher.
Em certos pontos, as linhas sem sentido se tornavam círculos…
Ploc!
Antes que qualquer um percebesse, Vaia notou uma pequena pedra caindo de dentro das vestimentas da paciente. Ela brilhava em vermelho, assim como as marcas.
Vaia se agachou e tocou na pedra.
— Finalmente! Você demorou, hein?
— Mas o q…
— Não, não! Shhh… Só você consegue me ouvir, entendeu?
Vaia ficou paralisada. Da pedrinha que ela acabou de encostar, uma voz repentinamente ecoou em sua cabeça.
— Continue segurando essa pedrinha, pode colocar no seu bolso se quiser.
— O que você fez com essa mulher? — Vaia se levantou, andando na direção do corpo.
— Me contaram que você é perigosa, então considere essas marcas no corpo dela como um singelo ato de autodefesa. — A voz caçoou em um tom provocativo. — Eu não espero que você consiga resolver a condição que coloquei nela. Portanto, apenas responda às minhas perguntas, capiche?
Vaia cerrou os olhos e se concentrou nas marcas do corpo da mulher.
Era alguma tinta com propriedades místicas, uma tinta feita de Aura.
— Você está atualmente cuidando de uma criança… Não é?
A jovem apertou os punhos na menção da bebê, sua mente repleta de fúria. Mas não podia fazer nada.
— Dizem que ela é uma ameaça, mas por que exatamente?
“Essas marcações têm que indicar alguma coisa. Nada nesse mundo ‘não faz sentido nenhum’. Talvez se eu buscar nos núcleos, esses nós entre as linhas.”
— Alô? Recomendo que esteja me ouvindo, se não…
As inscrições no corpo da mulher brilharam muito forte, e um som de apito saiu pela comunicação de Vaia pela pedra.
“Uma bomba!” Vaia suspirou em um susto.
— Você já deve ter percebido, por isso, nem pense em mandar os médicos e a duquesa para fora do anfiteatro. Heh… Vai ser um fim desagradável para você e para eles!
“Se concentre, Vaia! As linhas no corpo têm que ser de algum misticismo… Lembre-se de todos que você já testemunhou…”
“Não sinto uma energia negativa forte vindo dessa Aura, não pode ser xamanismo.”
“Não se qualifica como elemento da natureza para cair em feitiçaria.”
“Até poderia ser teurgia… Mas se ele sabe sobre a bebê, quer dizer que ele estava nos espionando de alguma forma. Eu duvido que o Deus de Cálix deixaria ele se esconder desse jeito.”
“O mesmo vale para a detecção de Aura no caso da magia de Talyra.”
“Só me restam duas opções… Ou é algum tipo de bruxaria, ou esse cara aprendeu alguma técnica mística que não envolve uma força própria.”
— Então, vamos continuar? Responda à minha pergunta.
“Não sou muito boa com controle de Aura e como agir contra forças místicas. Se eu tivesse que fazer essa aposta cinquenta pra cinquenta… eu diria…”
Vaia passou a mão pelas linhas no corpo da mulher, canalizando sua Aura distorcida e revelando-a para os espectadores.
Raios negros e vermelhos entraram em choque com alguma força invisível que fazia Vaia sentir o seu corpo inteiro queimar.
— A barreira está agindo sobre ela?! — Yvelle gritou.
— Ha! É uma aberração mesmo! Nem tente fazer algo contra mim! A barreira vai queimar você viva e te pulverizar. Créditos para sua amiguinha maga!
“É algo que eu geralmente não revelo, pois nem eu sabia direito…” Vaia pensou com um sorriso confiante e arrogante.
— Hunf! Eu até que aprendo rápido. — Vaia grunhiu.
Os raios se desfizeram e uma fumaça começou a sair do corpo de Vaia.
— Você ajustou a estabilidade da sua Aura para se encaixar na barreira?! — A voz agora estava surpresa. Bufou e riu em nervosismo. — Foda-se, já me diverti o bastante!
Zwoo!
…
— Ué… Não aconteceu nada?
Vaia bateu palmas, tirando a tinta de suas mãos, o corpo da mulher agora estava limpo.
— Parece que era algum tipo de inscrição feita sem apoio de nenhuma força mística! — Ela disse em voz alta para que todos escutassem. — Não tem problema, esse criminoso que infectou essa mulher é bem fraquinho…
Pow!
Por entre as frestas nas paredes do anfiteatro, um rastro em linha reta foi atirado contra Vaia.
— O que está acontecendo?!
— Corram! O hospital está sob ataque!
O caos foi imediatamente instaurado no local. Todos os médicos e funcionários começaram a fugir, até que restassem apenas Yvelle, Vaia e a paciente.
— Que porra é essa?! — Yvelle rosnou com o ódio do fundo de sua garganta. Aquele caos era inadmissível.
Quando o projétil atingiu Vaia, o impacto levantou poeira por todo o palco.
Ao se dissipar, Yvelle apenas viu Vaia com o braço levantado. Sua mão esmigalhada foi reconstruída com uma velocidade absurda até que estivesse nova em folha.
Vaia levantou a pedra de comunicação até o seu rosto e disse, com um sorriso de canto de boca macabro:
— Achei você…
Nota do Autor:
Ontem foi meu aniversário de 18 anos.
Eba!
Não acredito que estou com a mesma idade do Cálix e da Mirele...
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