vol 2 – vol 2

lago carmesim

(0/2)
Nome de jogador(a): Azuma.
Ela era uma estudante que vivia faltando às aulas e que não conseguia se sentir à vontade em nenhum grupo existente neste mundo. Em vez disso, escolheu seguir o caminho de uma jogadora — uma ocupação que exigia apenas um mínimo de interação com outras pessoas. Por toda a vida, ela lutou contra o princípio fundamental de que seres humanos não conseguem sobreviver sozinhos.

Nome de jogador(a): Karin.
Ela pertencia a uma família nobre que havia caído em desgraça. Foi criada como uma verdadeira princesa, mas um dia sua família de repente ficou sem um tostão. Sem ter como prosperar na sociedade por causa de sua educação luxuosa, ela não teve escolha a não ser participar como jogadora. Ela nunca chegou a adquirir a força necessária para sobreviver por conta própria.

Nome de jogador(a): Mizunoto.
Ela era uma idiota. Em algum lugar, lá no fundo, ela acreditava que apenas ela era invencível. Jogou repetidamente enquanto tratava a experiência como se estivesse assistindo a um drama imersivo. Mesmo quando o time inimigo manteve a cabeça dela debaixo d’água, ela continuou acreditando que ficaria bem, e essa fantasia não vacilou até o momento em que ela se afogou.

Nome de jogador(a): Amon.
Ela era uma jogadora que planejava cometer suicídio. O desejo de morrer era uma presença permanente na mente dela e a deixava distraída durante o jogo. Quando o grupo estava discutindo o ataque suicida, a voz de Yuki a assustou, então ela levantou a mão para se voluntariar porque não queria levar bronca. Sua mente vivia em estado constante de pânico. Nada foi diferente para ela quando estava sendo afogada.

Nome de jogador(a): Warabi.
Ela desejava estímulo. Embora tivesse ido à escola, encontrado um emprego normal e se dado bem com colegas e chefes, ela sempre sentia que havia algo fora do lugar. O único momento em que se sentia viva era nos jogos. Assim que provou, já não conseguia voltar para o seu eu insincero.

Essas cinco jogadoras correram em direção à entrada e perderam a vida.
Cinco jogadoras que poderiam ter sobrevivido se Yuki tivesse lidado com a situação direito.

Além disso, das cinco jogadoras que permaneceram no banho ao ar livre, três morreram. Uma morreu na disputa pelos dois pares de sapatos deixados para trás pelo time da entrada. Outra morreu depois de perder a sanidade revirando uma banheira à procura de chaves não recuperadas e bater a cabeça na borda. A terceira percebeu que não tinha como escapar e tentou prolongar a vida se alimentando de ervas daninhas do bosque ao redor do banho ao ar livre. Embora tenha aguentado por cerca de um mês, no fim morreu de fraqueza.

De cem jogadoras iniciais, trinta morreram.
Considerando o número de sapatos disponíveis, esse foi o menor número de mortes possível — o resultado ideal do jogo. A ausência de mortes desnecessárias deveu-se inteiramente ao desempenho habilidoso das jogadoras. Ainda assim, não havia como mudar o fato de que uma sala de aula inteira de pessoas havia perecido.

Mesmo depois de levar inúmeras garotas, esses jogos mortais continuariam.
Não haveria fim. Até que alguém viesse romper a barreira dos noventa e nove.

 


 

(1/2)
Yuki acordou sendo sacudida com força.
Ela estava dentro de um carro — o carro preto que a levava e trazia dos jogos. A paisagem lá fora indicava que ela estava perto de seu apartamento. Yuki finalmente sentiu que a provação tinha acabado, que ela havia superado o Muro dos Trinta.

No banco do motorista estava sua agente, que percebeu pelo retrovisor que Yuki havia acordado.

“Bom dia”, disse sua agente. “Parabéns por concluir seu trigésimo jogo, Yuki.”

Foi só isso. Embora provavelmente tivesse muitas outras coisas para dizer, foi só isso que saiu da boca dela.

Os agentes desses jogos se dividem em duas categorias: os do tipo laissez-faire, que faziam apenas o mínimo, e os do tipo paternal, que se esforçavam ao máximo para cuidar de suas jogadoras. A agente de Yuki era do primeiro tipo e raramente puxava conversa.

Como Yuki também não era muito conversadora, ela geralmente achava isso perfeitamente aceitável, mas naquele momento não era o que ela queria. Ela precisava abordar o assunto por conta própria.

“Eu tenho uma pergunta”, Yuki disse em voz clara para garantir que seria ouvida.

“O que foi?”, respondeu a agente.

“Eu fui a última a acordar no jogo.”

“Acredito que isso seja normal para você.”

“Só que desta vez era importante acordar cedo. Suspeito que as jogadoras tenham sido acordadas intencionalmente em horários diferentes.”

“Certo… Agora que você mencionou, acho que pode ter sido o caso.”

“Eu ter acordado por último… foi uma penalidade?”, Yuki perguntou, tocando o próprio estômago.

Muito provavelmente, o transmissor já não estava mais dentro dela. O Sr. Tsutomu Kaneko — pai de Kinko, uma jogadora de Ghost House — havia dado o dispositivo a Yuki como parte de um plano para desmantelar os jogos. Ele provavelmente já tinha sido removido do corpo dela quando ela acordou dentro da cabine de ducha.

Yuki passou a confiar em seu palpite quando Azuma lhe disse que ela havia acordado por último. É claro que podia ter sido mera coincidência. Afinal, aquele era o trigésimo jogo de Yuki, aquele que deveria ser amaldiçoado. Não seria absurdo se ela tivesse tido o azar de receber o horário de despertar mais tarde entre todas as cem jogadoras. No entanto, a alternativa fazia muito mais sentido.

“Eu deixo isso para a sua imaginação”, respondeu a agente. “Se há uma coisa que posso dizer, é que isso não era algo que pudéssemos ignorar. Diz respeito à nossa própria existência, entende. Embora seja inadequado interferirmos nos jogos, certamente não poderíamos fechar os olhos.”

“Isso me diz tudo…”

“Bem, que diferença faz? Você ainda está viva.” O olhar da agente desviou para o retrovisor mais uma vez. “Embora… parece que você não saiu sem ferimentos.”

Yuki olhou para os braços. Aquela garota os havia esmurrado impiedosamente no fim do jogo. Como se tudo não tivesse passado de uma alucinação, seus braços agora não estavam mais tortos, mas nem todas as partes que os compunham permaneciam intactas.

Da mão esquerda, faltavam três dedos — do dedo médio ao mindinho.

“Ouvi dizer que seus dedos caíram sobre os azulejos na entrada”, continuou a agente. “Não fomos capazes de reimplantá-los com a nossa tecnologia. Minhas mais sinceras desculpas, Yuki.”

Os dedos de Yuki haviam caído sem que ela notasse. Ela estava tão desesperada para fugir da garota que não tinha atenção sobrando. É a minha hora, ela pensou. O dano irreversível ao corpo despertou nela uma sensação especial, como a de uma estudante do ensino fundamental furando as orelhas pela primeira vez.

Yuki não podia entrar em outro jogo no estado em que estava. Primeiro, precisava começar restaurando o que havia perdido. Teria de visitar aquele artesão — o mesmo que provavelmente havia ajudado Mishiro no passado.

“Minhas mais sinceras desculpas, Yuki”, repetiu a agente. “Durante este jogo, você foi submetida a um estresse desnecessário. Fique tranquila: nada assim voltará a acontecer.”

“…? O que isso quer dizer?”, Yuki achou aquelas palavras curiosas.

No exato mesmo tom de antes, a agente respondeu: “Eu deixo isso para a sua imaginação.”

Ela continuou: “Se há uma coisa que posso dizer, é que todos nós estamos torcendo por vocês, jogadoras, do fundo do coração. Sua disposição para sacrificar tudo pela vitória, sua ausência de medo da morte que transparece em suas ações — há muitas pessoas no mundo que desejam esses traços, eu inclusa. Se algo ameaçar ficar no seu caminho, não pouparemos esforços para eliminar todos esses impedimentos.”

Yuki ficou em silêncio. Sua agente nunca tinha falado por tanto tempo. A possibilidade de estar mentindo para contornar a pergunta de Yuki parecia improvável. A agente falara porque aqueles sentimentos eram genuínos. Suas palavras refletiam as convicções que ela guardava no fundo do coração.

O carro parou em frente ao apartamento caindo aos pedaços de Yuki. Normalmente, ela teria dormido o trajeto inteiro, e então sua agente a carregaria para dentro, mas, como havia acordado cedo dessa vez, ela teria de entrar em sua morada com as próprias pernas.

“Eu aguardo nosso próximo encontro, Yuki.”

A agente entregou a Yuki algo embrulhado em plástico. Era a roupa que ela havia usado no jogo — uma toalha fina.

Yuki soltou uma risadinha. De fato, ser entregue uma toalha como roupa era estranho, mas havia mais do que isso. Era porque as palavras da agente — alguém que supostamente torcia por Yuki — soavam muito mais repulsivas do que o que o Sr. Kaneko dissera algum tempo antes.

Yuki aceitou a toalha e deu sua resposta.

“Pode vir.”

(2/2)

 

Traduzido por Moonlight Valley

 

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