Volume 1

Comentários

Comentário — nigozyu

“Uma obra que não é para todos e divide os leitores.”

De vez em quando, surgem romances vendidos sob esse tipo de slogan. Na prática, histórias que fogem das tendências do mercado têm um papel essencial em expandir os gêneros disponíveis. Eu diria até que é preferível que obras assim vençam um Prêmio de Estreante, como esta venceu. Afinal, já existem muitos autores talentosos e consagrados escrevendo dentro do padrão dominante.

Ao mesmo tempo, porém, não consigo deixar de pensar: essas palavras não servem também como desculpa para silenciar críticas à qualidade da obra?

“Este romance não é para todo mundo, então é natural que não alcance um grande público.”

“Mesmo que não toque nove em cada dez leitores, basta que toque profundamente um.”

Como alguém que carrega a responsabilidade de levar entretenimento ao maior número possível de pessoas, acho esse tipo de postura um tanto desonesta.

“Tudo bem se esta obra alcançar apenas uma pessoa…” — não, não está.

Quando se escreve entretenimento, não há motivo para relaxar no esforço de agradar o maior número de leitores possível.

Dito isso, como avaliar esta light novel — que dividiu fortemente os jurados do MF Bunko J Newcomer Award?

No mínimo, acredito que ela não sacrificou qualidade para ser “divisiva”. Do começo à última frase, senti uma clara intenção de entreter o máximo de leitores possível.

Por exemplo, este romance não depende de descrições grotescas excessivas, típicas de histórias de jogos mortais. Em vez disso, deixa cenas chocantes para a imaginação do leitor e, em alguns casos, usa o mecanismo único do Tratamento de Preservação para evitar violência gráfica desnecessária, reduzindo a repulsa instintiva.

A obra também foi pensada visualmente como uma light novel — garotas participando de jogos de morte vestindo uniformes de empregada ou trajes de coelhinha.

Muitos elementos elevam sua qualidade: ritmo acelerado, trocas moderadas de ponto de vista, narrativa não linear que constrói a história dentro de um único volume. Ela é afiada onde precisa ser, sem comprometer enredo, mundo, estrutura ou prosa.

Então, como será recebida pelo mundo?

Acredito que realmente dividirá leitores.

Existe um único elemento que certamente provocará opiniões mistas: a protagonista, Yuki.

Os leitores irão aceitá-la ou não?

Aguardo ansiosamente pelas discussões acaloradas que surgirão nas redes sociais e em outros espaços.

 

Comentário — Takemachi

Minha impressão honesta ao ler este romance?

“Uau. Isso é vulgar.”

Existem inúmeras obras sobre jogos de morte: filmes como Cube, romances como Battle Royale, The Crimson Labyrinth e The Incite Mill. Mais recentemente, Squid Game também causou grande impacto.

Esse excesso de obras criou uma fórmula fácil de consumir:

“Alguém entra em um jogo mortal. Um participante morre. O pânico começa.”

Comecei esta leitura esperando algo assim.

E fiquei surpreso.

A obra evita completamente os clichês do gênero.

Para começar, a protagonista não tem um motivo nobre ou facilmente empático. Ela não quer ficar rica. Não quer voltar à vida normal. Nos primeiros momentos, enquanto os outros entram em pânico, ela permanece calma e começa a explicar educadamente o que sabe sobre os jogos.

Entendo perfeitamente por que esta obra dividiu os jurados do prêmio.

Mas espere um pouco — as coisas ficam ainda mais absurdas na primeira metade.

Não seria “melhor” se a história fosse assim?

“Garota X acorda em uma mansão desconhecida com outras cinco garotas. Todas entram em pânico. Trabalham juntas para escapar, mas armadilhas matam metade do grupo. No final, Garota X trai todas e foge sozinha. Na verdade, ela era uma jogadora experiente fingindo ser iniciante.”

Depois de escrever isso, percebi algo:

Minha versão é muito mais chata.

Esta obra é absurdamente estranha — e se você tirar isso, ela perde a alma.

Eu não consegui entender a mente da protagonista.

Mas justamente essa incapacidade de entendê-la foi o que mais me atraiu.

A forma correta de aproveitar este romance é simples: saboreie o absurdo.

Tentar entender é um erro.

Na segunda metade, o caos acelera. Um psicopata aparece e começa a matar sem sequer seguir as regras do jogo. No final, a mentora de Yuki volta à vida por um mecanismo inexplicável.

“O que diabos está acontecendo?!”

Pode parecer que estou xingando, mas não. Seria entediante se não fosse assim.

O que se espera de um vencedor de Prêmio de Estreante não é seguir fórmulas. É quebrá-las.

 

Posfácio — Yushi Ukai

…Por favor, deixe-me explicar…

Olá, aqui é Yushi Ukai. Meus comentários não se comparam aos dos dois autores anteriores, mas sou eu quem escreve esta parte.

Primeiro, agradeço a todos que chegaram até aqui. Hoje em dia, ler um livro inteiro não é algo simples. O tempo nunca foi tão valioso, e existem inúmeras formas de entretenimento mais acessíveis que um romance.

Por isso, sou profundamente grato por você ter escolhido gastar seu tempo com esta obra.

Agora, para quem terminou este volume… acredito que todos vocês pensaram em algum momento:

— “O que diabos é isso?”
— “Esse conceito realmente funciona como história?”
— “O que fez esse cara escrever algo tão estranho?”

…Mais uma vez, por favor, deixe-me explicar.

Era 2021. Minha vida estava em ruínas.

Talvez por não ver progresso nos manuscritos que enviava. Talvez por ter largado meu emprego de meio período sabendo que não tinha habilidades para a vida adulta. Talvez pelas notícias ruins constantes. Talvez pela pressão atmosférica.

Meus poucos recursos acabaram. Meus dias se tornaram vazios. E eu passei a pensar cada vez mais sobre vida e morte.

Cheguei a algumas convicções.

Todo ser humano caminha lentamente para a morte.

Quando alguém perde toda esperança, a última coisa que lhe resta é escolher como morrer.

E escolher como morrer é o mesmo que escolher como viver.

Naturalmente, isso começou a aparecer na minha escrita.

O caos cresceu. Fugiu do meu controle. E me levou ao gênero onde ele mais se encaixava.

Foi assim que esta obra nasceu.

Resumindo: eu estava tão perturbado que escrevi uma história perturbadora.

Quando ela venceu o MF Bunko J Newcomer Award, eu disse que nunca esperei ganhar. E era verdade.

Mas, de certa forma, também não achei completamente absurdo.

Acho que existem muitas pessoas como eu, em muitos lugares do mundo.

Por fim, os agradecimentos.

Ao meu editor O e a Nekometaru — Yuki só é quem é por causa da direção de vocês. Vocês me puxaram como se eu fosse um alien capturado e moldaram esta história até ela se tornar o que é hoje. Muito obrigado.

Aos comentaristas nigozyu e Takemachi — imagino o quão difícil foi escrever sobre esta obra. Minhas desculpas e minha gratidão em dobro.

À equipe da MF Bunko J, aos jurados, revisores, designers, gráfica, livrarias e, principalmente, a todos os leitores — meu agradecimento vai o mais longe que puder alcançar.

Ah, e a série tem uma conta oficial no X. Tem um QR code por aqui. Se puder seguir, ficarei muito grato.

Então… se o destino permitir, espero ver você novamente no segundo volume de Jogando Jogos de Morte para Colocar Comida na Mesa.

Traduzido por Moonlight Valley

 

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