Light Novel

Capítulo 44: Qualquer Um Pode Ser um Professor (2)

— Oh meu Deus! Me desculpe, Ed.

Na manhã do segundo dia, fui até o distrito comercial para o fim de semana.

Cortando caminho por entre a multidão na parte sudoeste, continuei andando até chegar à Ponte Mexes, uma das duas pontes que levavam para fora da Ilha Acken. Senti como se tivesse caminhado por quase duas horas até chegar lá.

Ao entrar na filial de Silvenia da Companhia Elte, que podia ser vista claramente após atravessar a ponte, fui imediatamente levado para uma sala de espera pelos funcionários, como se já estivessem me esperando.

Foi desconfortável vê-los agindo de forma tão excessivamente educada comigo.

Lortel, que estava sentada calmamente na sala esperando por mim, desculpou-se e explicou que havia se esquecido de preparar o contrato que havia prometido.

— Mesmo tendo feito um compromisso com você e te chamado até aqui, ultimamente estive tão ocupada que não tive tempo para prepará-lo.

— Entendo...

— Sim. Me desculpe de verdade. Talvez seja melhor você voltar na próxima semana. Mas, como forma de me desculpar, preparei um pouco de chá e alguns petiscos para você. Além disso, há alguns itens de engenharia mágica que ficaram fora do inventário. Na saída, passe no balcão e pegue-os.

O comportamento de Lortel estava bem diferente de quando a encontrei no Distrito dos Professores.

Em vez de seu uniforme escolar e manto usuais, ela vestia uma saia longa e rodada, uma blusa branca e um boina adornada com uma moldura dourada elegante.

Depois do último incidente, as únicas imagens que tinha dela eram encharcada pela chuva e vestindo aquele manto esfarrapado.

Era uma aparência completamente nova comparada ao que eu havia visto antes.

Parecia sofisticado demais para ser apenas um traje casual, então perguntei se ela tinha algum compromisso importante.

— Tenho um encontro muito importante mais tarde, então me vesti bem. Como estou?

Ela perguntou isso com um sorriso radiante.

— Um compromisso importante?

— Algo assim.

Talvez não quisesse responder, pois apenas sorriu ao invés de dar uma explicação.

Apenas assenti em resposta.

Enquanto me sentava na poltrona em frente a ela naquela sala luxuosa, resolvi trazer à tona o motivo principal da minha visita.

— Gostaria de perguntar uma coisa. Vocês também trabalham com móveis?

— Mas é claro.

— Quero comprar alguns móveis simples e baratos, mas os produtos desta filial são um pouco luxuosos demais. Você poderia providenciar algo como uma escrivaninha, cadeira ou armário básico? Algo que seja adequado para mim.

— Oh! Se está perguntando isso, então deve ter terminado sua cabana.

— Está quase pronta. Só preciso finalizar alguns detalhes.

— Hmmm… Como sabe, a demanda aqui é por produtos voltados para a nobreza. É por isso que não costumamos encomendar itens mais simples e práticos. Eu poderia providenciar algo assim, mas levaria um pouco de tempo.

Lortel colocou a mão no queixo e caiu em um breve momento de reflexão.

De repente, ela começou a sorrir de maneira travessa.

— Seria um problema para mim simplesmente te dar algo de graça. Como já te disse antes, não é certo oferecer algo sem custo, considerando a ética de um comerciante. Além disso, os outros mercadores acabariam me desrespeitando.

— Bom, isso faz sentido.

— Mas há um método bastante… intuitivo para contornar essa situação.

Lortel levantou-se do sofá da sala e caminhou até sua mesa de trabalho.

Então, reunindo poder mágico em suas mãos…

Crack!

— ……

— Marcenaria é sua especialidade, certo? Se você consertar a perna que quebrou, pode usá-la novamente. Para mim, já é apenas lixo.

Ela olhou para mim com um sorriso afiado.

— Amanhã, eu simplesmente teria que jogá-la fora.

Era uma cadeira luxuosa, com um padrão elegante de cervo gravado e uma chamativa moldura dourada.

— Quanto custava essa cadeira?

— Isso é segredo.

Eu não sabia se deveria chamar isso de paixão ou se ela simplesmente se deixou levar pelo momento.

De qualquer forma, Lortel era uma garota cheia de determinação, que sempre fazia o que queria.

Seus olhos deixaram a cadeira e começaram a vagar pelos armários, janelas e outros móveis.

Eu nem sequer poderia carregar tudo isso sozinho, então tentei detê-la.

— Bem, eu enviarei essas "peças triviais de lixo" para você mais tarde.

— … Certo.

— De qualquer forma, há algo que eu queria te dizer.

Lortel voltou ao sofá, sentou-se e tomou um gole de chá.

Ela parecia estar tentando agir com elegância, mas depois de ter acabado de destruir uma cadeira sem hesitação, a contradição em sua imagem só se tornava mais evidente.

— Você conhece a professora assistente, Cleoh? Cleoh Elpin?

— Hm? Sim.

— O comportamento dela é bastante incomum… Por isso, tenho tentado manter um olho nela ultimamente. Bom, ela ainda é uma pessoa muito ingênua, então provavelmente não representa um grande perigo… Mas mesmo assim…

Cleoh Elpin.

Ela era uma jovem professora assistente, nomeada neste mesmo ano.

Além disso, era uma das melhores alunas do Professor Glast, tendo lidado com ele por quase dez anos.

Pelo que me lembrava, ela aparecia no capítulo final do Ato 2 como a chefe da segunda fase na Subjugação de Glast…

Ou seja, já estava na hora dela começar a se envolver com a trama principal.

— Por quê?

— É só que… Ela é estranhamente intuitiva e, coincidentemente, está supervisionando o relatório da ocupação do Ophelis Hall. Bom, eu mesma cuidarei disso, então não precisa se preocupar… Apenas achei que deveria te avisar.

— Certo. Vou deixar isso com você.

Depois de responder, tomei um gole do chá.

Lortel me olhou de um jeito estranho.

Dei um olhar de volta, me perguntando se ela tinha mais alguma coisa a dizer.

Então, Lortel pigarreou, se levantou e começou a caminhar até mim.

Ela se sentou na mesa, inclinando a cabeça para perto de mim.

— Como você consegue nunca mudar sua expressão? Só isso já é uma jogada vencedora.

Pelo tom levemente irritado dela, percebi imediatamente o motivo dessa conversa.

Era sobre o que aconteceu na nossa despedida, logo antes de ela pegar a tocha.

— Para começo de conversa, Ed… Você sequer me vê como uma mulher?

Lortel balançava os pés enquanto desenhava pequenos círculos na mesa com os dedos.

— Bem, qual seria o sentido de eu tentar disfarçar? Ed, eu te vejo como um homem. É exatamente o que você está pensando. Tudo o que pedi a você foi por trás das minhas intenções ocultas.

— … Eu sei o que você quer que eu diga, mas…

— Oh, não esperava que respondesse. Como você sabe, eu nunca entro em uma disputa sem ter uma grande chance de vencer.

Lortel soltou um suspiro profundo e pressionou a mão contra o meu peito.

— Eu sei exatamente o que você diria se me desse uma resposta agora. É por isso que só farei uma aposta quando minha vitória for garantida.

— ……

— Afinal, os comerciantes são pessoas que lutam para vencer. Neste momento, você pode estar indiferente a tudo isso… Mas quem sabe o que pode acontecer no futuro?

Lortel sorriu, falando com a mesma calma de sempre.

— Eu não sou a única aqui que está um pouco nervosa, estou?

Se olhasse de perto, era possível ver as pontas dos dedos dela tremendo.

Mas seu sorriso encantador era o mesmo de sempre.

Não importava se estava confiante em sua vitória ou encurralada em uma posição difícil.

Esse era o traço definitivo de uma comerciante…

Alguém que nunca deixaria seu próprio corpo trair seus segredos.

Você adquiriu a habilidade de produção avançada ‘Engenharia Mágica’.

Um Espaço de Técnica de Produção Avançada foi utilizado.

Na minha mão havia uma pequena esfera de mármore, do tamanho da palma da mão, junto com um suporte para segurá-la.

A estrutura desses itens de engenharia mágica era muito mais simples do que eu imaginava, então consegui analisá-los rapidamente.

A estranha sensação de realização por finalmente aprender uma habilidade avançada fez meu coração acelerar um pouco.

Pensei que seria uma boa ideia organizar o restante dos itens de engenharia mágica na cabana, então andei pelo acampamento repleto de materiais.

Quando o sol se pôs, uma brisa gelada começou a tomar conta do ar.

O outono estava chegando.

Quando comecei a viver na floresta, ainda era o início da primavera.

Por causa disso, não me preocupei muito com o frio, priorizando apenas conseguir comida, roupas e abrigo.

No entanto, agora que as folhas estavam começando a mudar de cor, o frio no ar não era algo que eu poderia ignorar.

— Hmm…

O tempo em que eu podia dormir ao ar livre estava chegando ao fim.

Além disso, quando o inverno chegasse e a neve começasse a se acumular, caçar e conseguir carne na floresta se tornaria ainda mais difícil.

O número de plantas comestíveis disponíveis também seria drasticamente reduzido, o que significava que obter comida seria um problema sério.

Eu precisava me preparar para o inverno.

A atmosfera aconchegante da neve caindo, aquela romantização calorosa do inverno, só parecia bela quando se estava em uma casa sólida, com comida na geladeira.

Essa não era a minha realidade.

Ainda assim, minha situação não era tão desesperadora.

Isso porque eu tinha dinheiro.

— Dezoito… Dezenove… Vinte.

Abri a sacola de couro que Lortel me entregou.

Dentro dela, havia vinte moedas de ouro brilhantes.

Se um dia chegasse ao limite, poderia gastar um pouco de dinheiro.

Mas não podia desperdiçá-lo.

Precisava estabelecer uma política para minimizar os gastos com bens de uso único.

Durante o semestre atual, eu poderia sobreviver com a bolsa de estudos da Fundação Glockt.

Porém, a partir do próximo semestre… Não sabia o que poderia acontecer.

Eu precisava gastar meu dinheiro de forma eficiente para poder pagar as mensalidades futuras.

Era óbvio que Lortel gostava de mim.

No entanto, confiar apenas na boa vontade dela seria um plano extremamente perigoso.

Se algo fosse acontecer entre nós, teria que ser apenas depois que a trama principal estivesse completa.

Antes disso, seria impossível.

Seria um erro tentar calcular e tirar vantagem da boa vontade dos outros…

E não estava dizendo isso apenas porque era o certo a se fazer.

Se me aproximasse demais de um personagem principal, isso quebraria minha própria política.

Mas se eu estivesse disposto a abrir mão dessa política…

Bem, a mente humana era como um junco ao vento, você nunca sabe quando pode mudar.

Autossuficiência era a essência da sobrevivência.

Seria uma decisão extremamente perigosa abrir mão do controle da minha própria vida para depender temporariamente da bondade de outra pessoa.

Não importava o que acontecesse, eu tinha que assumir total responsabilidade pela minha própria vida.

No entanto, estava disposto a gastar dinheiro para reforçar a cabana e adquirir ferramentas de marcenaria decentes.

Isso porque eram itens que eu continuaria usando no futuro e melhorariam imediatamente minhas habilidades diárias.

Mas não podia gastar muito dinheiro com comida ou lenha.

Talvez comprar temperos e óleo fosse aceitável, mas jamais poderia gastar dinheiro com itens que eu poderia obter da floresta.

— Ignite.

Lançar ‘Ignite’ para acender a lareira já havia se tornado tão natural quanto respirar.

Fwoosh.

As chamas queimaram na lareira bem construída, e a fumaça subiu pela chaminé, que levou dois dias para ser concluída.

A própria lareira era maior do que eu havia planejado inicialmente, ocupando quase dois terços da parede.

O motivo de ter ficado maior do que o esperado era para permitir uma fogueira maior…

Em outras palavras, para aumentar a potência das chamas.

Porém, a essa altura… Aquilo parecia mais um forno a lenha do que uma lareira.

A lenha em si podia ser conseguida facilmente, então escolhi priorizar a potência do fogo primeiro…

Por conta disso, a chaminé também precisou ser maior para liberar a fumaça adequadamente.

Foi um verdadeiro incômodo.

Crackle, Crackle.

O som da lenha queimando ecoava suavemente dentro da cabana.

Ainda nem era o começo da noite, mas o interior já estava bem escuro.

A luz quente do fogo preenchia o ambiente.

Estava bastante iluminado e aconchegante.

Fiquei ali, encarando as chamas dançantes por alguns minutos, antes de finalmente sentar e me recostar contra a parede da cabana.

— Phew…

Encostado na parede, soltei um suspiro profundo antes de rir baixinho.

Eu estava satisfeito.

A ideia de "se aquecer" enquanto fazia atividades ao ar livre era praticamente impossível.

O calor nunca foi algo que eu buscava ativamente, mas depois de tanto tempo sobrevivendo ao relento…

Agora que eu tinha um lugar quente, era algo que me viciava sem perceber.

Eu queria chegar ainda mais perto do fogo.

Eu tinha um teto e um abrigo agora.

As paredes e o telhado foram cobertos com barro, e o chão forrado com couro.

Ambos os materiais retinham bem o calor, então uma vez aquecidos, demorariam para esfriar novamente.

Depois que o ar dentro da cabana esquentava, aquela sensação acolhedora se espalhava por todo o espaço.

O único problema era que o consumo de lenha era muito maior do que eu imaginava.

A única solução seria passar mais tempo coletando madeira.

Se não houvesse tempo suficiente, não teria outra escolha a não ser usar magia para cortar as árvores.

Acender o fogo não era um grande problema, já que eu podia simplesmente usar "Ignite", então não via isso como um grande incômodo.

Como esperado… Eu precisava encontrar uma maneira de aumentar minha eficiência no uso de poder mágico.

Ainda precisava preparar mais lenha, mas finalmente estava me mudando para a cabana.

Assim que conseguisse alguns móveis, minha segurança e conforto estariam completos.

O ar quente pressionava contra meu rosto.

Parecia um pedaço do paraíso.

Era um alívio indescritível, como se um grande peso tivesse sido tirado do meu peito.

— Quanto tempo já passou? Preciso verificar as armadilhas.

Recentemente, comecei a instalar não apenas armadilhas para pequenos animais, mas também algumas para presas maiores.

Eu realmente esperava que a colheita fosse boa.

 

◇ ◇ ◇

 

— Se é isso que você pensa, então pode muito bem ser verdade.

A Professora Assistente Cleoh expressou sua opinião de que ainda parecia haver algo faltando sobre o incidente da Ocupação do Ophelis Hall.

Dito isso, o Professor Glast não confirmou nem negou a possibilidade.

Mas, para começo de conversa, ele nem parecia muito interessado no caso.

— Professora Assistente Cleoh, você tem uma intuição surpreendentemente aguçada. Às vezes, consegue formular hipóteses muito plausíveis com base nisso. No entanto, também tem uma tendência a tomar decisões ruins em momentos críticos. Sendo assim, evite confiar demais no seu julgamento quando o tempo for crucial.

— O jeito que ele falou foi muito rude, não acha? Hein? Hm?

— ……

Escritório de Aconselhamento Estudantil do Trix Hall.

Com uma mesa entre eles, a Professora Assistente Cleoh e Ziggs Eiffelstein estavam sentados um de frente para o outro.

— E-Eu entendo…

— Escute, Ziggs. Você também faz parte das aulas do Professor Glast, então me diga… Por que ele sempre tem que agir daquele jeito? Já sou aluna dele há quase dez anos e estou atolada em trabalho, mas mesmo assim! Dar uma ou duas palavras de incentivo seria tão difícil assim?!

Ziggs respondeu cuidadosamente, suando frio.

Cleoh, que era a responsável pela investigação da Ocupação do Ophelis Hall, sentiu que havia algo estranho nos relatórios.

Por isso, decidiu conduzir uma investigação independente.

O departamento de investigação da escola ainda não havia considerado Ed, Ziggs ou Yennekar como suspeitos.

O primeiro a ser chamado foi Ziggs, que foi levado ao Trix Hall.

Mas, em vez de um interrogatório formal, a reunião se transformou em um desabafo pessoal.

No começo, a conversa parecia profissional, com um certo tom de dignidade…

Mas em algum momento, Cleoh começou a falar informalmente, suspirando profundamente.

Era óbvio que, se sua assistente Anise ou os outros alunos responsáveis por ajudá-la vissem aquela cena, eles apenas cobririam o rosto em decepção, soltando um suspiro profundo.

— Ah, droga, não é hora para isso. Ziggs, como você tem essa imagem de pessoa confiável, acabei reclamando sem nem perceber.

— E-Eu fico lisonjeado em ouvir isso.

— Então, tenho essa sensação estranha sobre tudo. Agora mesmo, provavelmente é só uma grande confusão na minha cabeça… Mas há alguns testemunhos oculares que dizem ter visto o "Rei Dourado" Elte na cena do incidente… Além disso, a motivação por trás das ações de Elris não parece se sustentar muito bem.

Ziggs engoliu em seco, sentindo a boca ficar seca.

A Professora Assistente Cleoh parecia apenas uma idiota infantil.

Ele se perguntava se alguém assim deveria realmente estar ensinando.

Foi naquele momento que percebeu que o nível de conhecimento acadêmico de uma pessoa e sua capacidade de pensar logicamente eram coisas completamente diferentes.

Os resultados das pesquisas e teses de Cleoh eram certamente impressionantes, mas…

Ela parecia ter um parafuso solto, o que fazia Ziggs se perguntar se era mesmo aceitável que ela fosse assim.

No entanto, havia muitas ocasiões em que sua estranha intuição parecia enxergar além do óbvio.

— Você não acha que pode haver algum tipo de força oculta por trás de tudo isso?

— P-Por exemplo?

— Hmmm… Vamos ver… Tipo, você conhece o "Rei Dourado" Elte, certo? Bem, a filha dele mora no Ophelis Hall. Quero dizer, a Lortel.

Essas palavras fizeram Ziggs prender a respiração.

— No entanto, eu já recebi testemunhos dizendo que Lortel foi mantida como refém por Elris quando Taylee e o grupo dele foram derrotá-la. Pelo menos, acho que foi isso? Enfim, depois disso, ela supostamente fugiu do Ophelis Hall, e, a partir daí… Bem, ninguém sabe exatamente para onde ela foi.

— I-Isso…

— Mas não há como Lortel ser uma garota má! Suas notas são excelentes e sua personalidade é tão agradável! Da última vez, ela até trouxe um monte de tortas para me animar, já que eu estava fazendo hora extra!

— ……

A Professora Assistente Cleoh disse tudo isso com um sorriso brilhante.

Então, abaixou a voz discretamente antes de continuar.

— Mas eu acho que Ed Rothstaylor é um pouco suspeito. O excomungado.

Era estranho vê-la sussurrando daquele jeito, como se alguém pudesse estar ouvindo.

No entanto, só Ziggs e Cleoh estavam na sala.

O nome foi tão inesperado que a expressão de Ziggs ficou visivelmente rígida.

— Meu veterano, Ed?

— Sim. Pode parecer apenas uma teoria da conspiração, mas me escute, Ziggs.

No começo, Ziggs só havia sido chamado para ser questionado.

Então, por que ele agora precisava ouvir uma história como essa?

Era algo estranhamente inusitado para uma professora assistente fazer…

Mas, de alguma forma, Ziggs não conseguia simplesmente rejeitá-la.

— Todas as outras pessoas envolvidas no incidente eram, de alguma forma, residentes do Ophelis Hall ou estavam diretamente ligadas a ele. Basicamente, eram pessoas que não tiveram escolha a não ser se envolver. Mas Taylee e Ed foram os únicos que estavam lá sem nenhuma conexão aparente com o Ophelis Hall.

— No caso do Taylee, está claro que ele foi arrastado para a situação por causa da Elvira. Além disso, ele ajudou a resolver o problema, então deveria ser excluído da lista de suspeitos.

— Mas o outro é Ed. O que exatamente ele estava fazendo no Ophelis Hall naquela hora?

— ……

— A resposta é simples!

Cleoh apontou o dedo para Ziggs, com um brilho nos olhos.

— É porque Ed era a mente por trás de tudo isso! Todo criminoso sempre volta ao local do crime!

Ao vê-la fazer um som de "Ta-Da!" com a boca, como se tivesse acabado de resolver um grande mistério, Ziggs finalmente percebeu a realidade.

Ela não era uma gênio perspicaz… Ela era apenas uma idiota infantil.

— E-Então, não deveria haver algum motivo por trás das ações dele? Ed não teria que ter algum tipo de benefício para fazer algo assim?

— Eu vou descobrir! Vou perguntar diretamente para o Ed!

— Identificar o culpado primeiro, depois descobrir o motivo e o método… Não deveria ser o contrário?

— Uma forma de encontrar a resposta é olhar para tudo na direção oposta, Ziggs.

A intuição de Cleoh já durava mais do que um ou dois dias.

Por isso, Ziggs começou a se preocupar que Ed pudesse acabar envolvido em mais problemas em breve.

— Bem, Ziggs. Você não parece ser suspeito, e também não sabe muito sobre a situação. Então, eu vou te deixar ir.

— Então… Você vai chamar o Ed ao Trix Hall para um interrogatório?

— Não. Se eu lhe der tempo para preparar um monte de desculpas, ele vai escapar feito uma enguia. É por isso que vou pegá-lo de surpresa.

Isso significava que o plano de Ziggs de avisar Ed antecipadamente foi por água abaixo.

— Não sei exatamente onde ele está vivendo desde que saiu do dormitório… Mas aparentemente ele foi visto várias vezes pela floresta ao norte. Vou até lá interrogá-lo pessoalmente.

Se decidiu agir, então precisava fazer isso com força total.

Essa era a política de Cleoh.

Ela estava sempre ocupada, seja escrevendo propostas de pesquisa, revisando o material das próximas aulas, ou lendo as sugestões dos alunos.

Sua mente estava constantemente sobrecarregada, mas uma vez que lhe dessem uma missão, ela não permitiria a si mesma fazer um trabalho pela metade.

Ela planejava vasculhar a floresta antes do pôr do sol, mas acabou tendo mais trabalho do que o esperado.

Quando finalmente teve tempo livre, a floresta já estava completamente tomada pela escuridão.

‘Hmm… Talvez eu devesse ter vindo amanhã. Mas, tirando o fim de semana, eu quase não tenho tempo livre.’

A atmosfera da floresta envolvida pela escuridão era tão lúgubre quanto sempre.

Ela não conseguia enxergar muito à frente, então procurar por Ed naquela situação seria ineficiente.

Além disso, Ed dificilmente estaria vagando pela floresta à noite.

A menos que ele estivesse comendo e dormindo por ali, que motivo ele teria para sair andando pela floresta no meio da noite?

Ela decidiu que voltaria de manhã.

Foi nesse momento, quando Cleoh já estava virando para ir embora, que ela ouviu um barulho.

Swish, Swish.

Ao escutar o som da grama se movendo na trilha, Cleoh prendeu a respiração e rapidamente se escondeu atrás de uma árvore próxima.

Ela espiou cautelosamente, imaginando que poderia ser apenas um animal selvagem passando pela floresta.

Mas, em vez disso…

Era Ed.

O aristocrata caído, cercado por tantos rumores.

De um lado, ele carregava o corpo ensanguentado de um filhote de cervo.

E sobre o outro ombro… Ele carregava o corpo inconsciente de um humano.

‘O quê…? O que é isso…?!’

Huffff, Huffff…

A respiração ofegante de Ed soava como a de um animal selvagem exausto.

Seus olhos brilhavam na escuridão, como os de uma fera.

Cleoh ficou paralisada pelo choque, completamente pasma.

O corpo que ele carregava nos ombros era…

Alguém que até mesmo o Professor Glast elogiava como um gênio sem igual.

Lucy Mayreel.

Ela não demonstrava nenhuma intenção de resistir enquanto era carregada por Ed.

Parecia completamente derrotada.

‘Lucy… Essa estudante definitivamente é a Lucy…!’

Não havia um único professor da academia que não conhecesse esse nome.

Até mesmo o diretor da academia, Obel, que era comparável ao Arquimago Glockt, um dos fundadores de Silvenia, tinha dificuldades em lidar com Lucy.

Essa era Lucy Mayreel.

Uma garota nascida com um talento tão absurdo que era incompreensível para os outros.

E agora… Ela estava subjugada, sendo carregada nos ombros de Ed.

Cleoh permaneceu olhando fixamente para os dois, enquanto eles desapareciam na floresta.

Ela sequer pensou em sair de onde estava escondida.

Ela sabia que precisava investigar isso a fundo antes de agir.

Além disso… sua intuição não estava errada, afinal.

‘Eu… Eu realmente posso ter o talento de uma detetive…!’

Até mesmo o Professor Glast poderia ficar completamente surpreso com a informação que ela estava prestes a levar de volta.

Com os olhos brilhando de excitação, Cleoh seguiu os passos de Ed.

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora