Light Novel

Capítulo 37: A Ocupação do Salão Ophelis (7)

— Ugh-Heeeek! Heeeeeeek!

O ferido Taylee segurava Willain no chão. Ao atacar junto com Clevius, conseguiu romper os círculos mágicos e finalmente se aproximar de Willain.

No entanto, o Salão Ophelis já estava um completo caos. Móveis luxuosos e valiosas obras de arte haviam caído no chão. A parede externa estava coberta de buracos que pareciam estrelas, completamente destruída.

Taylee nocauteou Willain e o amarrou, soltando um suspiro enquanto limpava a chuva do rosto.

O corredor do quarto andar estava com a parede externa completamente destruída. Por causa disso, estavam expostos à chuva torrencial. O grupo estava encharcado e continuava a enxugar o rosto.

— Phew. Isso não significa que já está quase acabando? Agora só precisamos esperar os professores chegarem.

— Não, Taylee. Algo definitivamente está errado.

Ao ouvir as palavras de Elvira, Taylee demonstrou confusão.

— O quê? Do que você está falando?

— Você também sentiu que algo estava errado, Taylee. Não é qualquer um que pode acessar o círculo mágico de defesa do Salão Ophelis. Para manipular esses círculos livremente, sem interrupções, é necessário ser pelo menos o gerente geral do prédio ou a chefe das empregadas.

— Então isso significa…?

— Ainda não terminei. Há uma cortina negra por trás disso tudo.

No entanto, depois de atravessarem todo o corredor do quarto andar, não havia mais ninguém ali que pudesse ser considerado um inimigo.

Isso significava que só restavam as escadas para o quinto andar.

— O verdadeiro culpado deve estar no quinto andar. Se não o pegarmos antes que escape, todo esse sofrimento terá sido em vão. Já que viemos até aqui, vou terminar esse trabalho e garantir minha recompensa da escola.

Elvira arregaçou as mangas enquanto caminhava em direção à escadaria. Clevius gritava perguntando "O que foi agora?" enquanto Ayla estava completamente perdida, sem saber o que fazer.

— Elvira, se for como você disse… então essa cortina negra deve ser…

— Isso mesmo. Deve ser Elris, a chefe das empregadas que administra o Salão Ophelis. O que estão esperando? É óbvio que ela está no quinto andar, então vamos capturá-la logo e acabar com todos esses círculos mágicos defensivos.

Taylee suspirou ao ser arrastado por Elvira. Depois de tudo pelo que passaram e de terem chegado até ali, não havia como simplesmente ignorar aquilo.

Parecia haver, de fato, uma cortina negra por trás de toda a ocupação do Salão Ophelis. Pensando bem, estava claro que Elris, a chefe das empregadas, era a verdadeira culpada.

 

◇ ◇ ◇

 

Não existia bondade sem motivo ou fé sem fundamento no mundo.

Para Lortel, essa era uma verdade tão natural que ela nunca havia sequer questionado.

Ela vivia no mundo dos negócios, onde bastava um momento de descuido para levar uma facada nas costas.

Lortel era alguém que nunca experimentou o calor de uma família, irmãos, amizades próximas ou companheirismo. Para ela, um relacionamento baseado em confiança sempre foi uma estrutura racionalmente projetada com base em evidências concretas.

Por isso, um vínculo onde duas pessoas confiam incondicionalmente uma na outra era como uma flor que desabrochava no topo de um penhasco.

Ela existia, mas era inalcançável… Um tesouro que só poderia viver na imaginação de alguém.

Ela não se obcecava por isso, pois sabia que não poderia alcançá-la. Obsessão era um sentimento que surgia quando se estava a um passo de conseguir algo, mas ainda assim não o conseguia.

A única opção realista para ela era aumentar o número de pessoas que eram como ela.

Pessoas que quebrariam seus valores e venderiam suas crenças por dinheiro. Aqueles que provavam que não existia confiança ou favores incondicionais. Isso era o que realmente importava para ela.

Embora sua percepção pudesse estar errada e distorcida, isso não significava que era algo ruim.

Mas, de vez em quando, até mesmo algo tão resistente quanto o aço tremia.

Mesmo estando à beira do abismo, houve um homem que devolveu as três moedas de ouro que ela colocou em suas mãos.

Mesmo tendo aceitado o plano de Lortel em troca de vinte moedas de ouro, sua expressão mostrava que ele nunca teve muito interesse em dinheiro desde o início.

O código de conduta daquele homem estava longe de conceitos como valor de mercado, capacidade de pagamento, economia, racionalidade, entre outros.

Na verdade, existiam muitas pessoas assim. Seres humanos que agiam com emoção, que arriscavam suas vidas por lealdade e amor. Pessoas que, em vez de serem racionais, eram tolas.

Mas Ed Rothstaylor não parecia ser assim. Ele não era um homem guiado por suas emoções como Ziggs, nem era tão gentil quanto Yennekar. Isso também não significava que ele não fosse influenciado pelo dinheiro, e foi justamente isso que despertou nela o desejo de trazê-lo para o seu lado.

O cheiro de alguém semelhante a ela sempre parecia estar ali, provocando Lortel, preenchendo-a com a certeza de que ele era igual a ela.

‘Não.’

‘Você deve ser responsável por suas próprias escolhas, Lortel.’

E, assim, ela foi rejeitada.

O surpreendente era que, em vez de sentir frustração ou raiva, o que ela sentiu foi um alívio.

Como dissera antes, havia luzes demais na Academia Silvenia. Era um mundo completamente diferente daquele em que ela vivia nos negócios.

Quando se caminha por um jardim repleto do aroma de flores, corre-se o risco de confundir aquele perfume como algo que vem de si mesmo. Não importa o quanto tentasse se lembrar de que era apenas um rato de esgoto vagando pelos esgotos, seu coração se partiu.

Olhando para pessoas como Taylee e Ayla, Ziggs e Elka, os sentimentos que ela havia rejeitado antes voltavam a aflorar dentro dela.

Ciúme.

Obssessão.

Ela se perguntava se um dia conseguiria construir um relacionamento baseado em confiança, livre de interesses pessoais e preconceitos. No fim, talvez o penhasco onde aquela flor desabrochava não fosse tão alto ou íngreme assim.

“Não devemos sonhar com essas coisas. Eu sou uma vilã, e continuarei vivendo no mundo dos negócios, traindo outras pessoas até o dia em que eu morrer.”

Esse era o juramento ao qual ela se agarrava.

Mas, ao olhar para Ed e Yennekar, o desejo que havia sido enterrado no fundo de seu coração finalmente despertou por completo.

— Não se mova. O Sr. Elte chegará ao Salão Ophelis em breve.

O resultado foi um florete apontado para seu pescoço.

Elris, a chefe das empregadas do Salão Ophelis, era uma veterana que havia passado a maior parte de sua vida em Silvenia. No entanto, sua saúde estava deteriorada pelo excesso de trabalho e por uma doença crônica que a atormentava sem cessar. Ela havia pedido à escola para reduzir sua carga de trabalho, mas… Havia poucas pessoas com a experiência necessária para assumir suas funções.

A administração do Salão Ophelis, sempre repleto de convidados ilustres, precisava ser estável e segura. A vida de Elris foi uma constante de sacrifícios para garantir que esse sistema permanecesse funcionando.

No dia em que fizeram o acordo secreto, ao se aproximar de Elris e ouvir sua história… Lortel acabou revelando um pouco da sua própria história também.

Esse era um erro que ela jamais cometeria no mundo dos negócios. Ela havia chegado apressadamente à conclusão de que poderiam compreender e compartilhar a dor uma da outra. Quando visitou o acampamento de Ed acompanhada de Elris, até conseguiram trocar sentimentos entre si.

— Não esperava que você reagisse dessa forma… Achei que fosse um pouco mais fria… Bem, não sou a melhor pessoa para dizer isso.

Que expressão Lortel havia feito? Nem ela mesma sabia, então não tentou entender.

— Srta. Lortel, você disse que buscava vingança contra o Rei Dourado Elte. No entanto, me desculpe, mas do meu ponto de vista, vocês dois não são tão diferentes. Não existe ser humano neste mundo sem sua própria história e razões.

Ela fechou os olhos e acrescentou.

— E eu também sou assim.

Bang!

Naquele momento, a porta do quinto andar foi arrombada.

— Te encontrei, chefe das empregadas Elris!

— Ela está segurando um refém! Cuidado, Taylee!

Aproveitando o momento de surpresa de Elris ao olhar para a entrada, Lortel rapidamente rolou para fora do seu alcance.

— Lortel! Você está bem?!

Elvira gritou, verificando seu estado.

‘Estou bem.’

‘Olhem para lá.’

‘Essa é a pessoa por trás de todo esse incidente.’

‘Precisamos derrubá-la rapidamente.’

O melhor a se fazer seria colocar toda a culpa em Elris e fugir… Mas Lortel não conseguiu abrir a boca.

— L-Lortel! O que há com essa sua expressão?

Que tipo de expressão ela estava fazendo? Lortel olhou de um lado para o outro, entre Elris, que permanecia imóvel e inexpressiva, e seus colegas, que diziam coisas que ela não conseguia compreender.

Então, após prender a respiração por um momento, Lortel desceu correndo para o primeiro andar.

O Rei Dourado Elte estava chegando.

O plano para a destituição de Elte estava em seus estágios finais. Se ela conseguisse inventar uma desculpa qualquer, ele estaria praticamente concluído.

Mas se Lortel, o centro de todo o plano, fosse capturada… tudo estaria arruinado.

Por mais firme que fosse sua determinação, Lortel ainda era uma garota com um corpo extremamente frágil. Se fosse torturada, mesmo que apenas um pouco, acabaria confessando tudo.

Há males que vêm para o bem.

A boa notícia era que Elte havia ido pessoalmente a Silvenia.

Ele não tinha certeza de quais de seus seguidores haviam decidido apoiar Lortel, então veio resolver a questão ele mesmo.

Se, naquele instante, ela conseguisse entrar em contato com alguém na sede da Elte, tudo ficaria bem. Lortel conhecia vários executivos comerciais que estavam na matriz.

O plano era manipular os registros contábeis, desviar propriedades, maximizar os danos e, no fim, colocar toda a responsabilidade sobre Elte… O plano já era bastante sólido. No entanto, sua escala era grande demais, e se Elte estivesse na sede, ele certamente descobriria tudo.

A ida de Elte a Silvenia não era apenas uma viagem. Ele estava decidido a esmagar Lortel de uma vez por todas. No momento em que saiu de sua posição, ele se comprometeu a levar isso até o fim. Os dados haviam sido lançados.

Lortel precisava voltar ao seu quarto no primeiro andar e enviar o pombo-correio que mantinha escondido. Depois disso, teria que encontrar um lugar para se esconder até que tudo acabasse.

Cerrou os dentes enquanto descia as escadas em disparada.

Um desejo que estava ao alcance das mãos, mas que escapava no último instante, era suficiente para enlouquecer qualquer um. Se nunca tivesse chegado perto de tocá-lo, talvez nunca tivesse ficado tão obcecada.

Mas não havia nada que pudesse fazer. Por mais que fingisse ser fria e implacável, a falta de afeto era um veneno mortal que, aos poucos, consumia qualquer pessoa.

Só naquele momento ela percebeu que a diferença estava no período de latência, e que, no fim, tudo desmoronava de uma só vez.

Tudo por causa do romantismo na Academia Silvenia. Se nunca tivesse saído de seu mundo frio e calculista, esse período de latência teria durado muito mais.

Ela já havia tido o suficiente de traições e facadas nas costas. E agora, depois de entrar para a Academia, seu coração estava partido e suas ações perdiam coerência.

Mesmo assim, Lortel não tinha escolha senão continuar fugindo.

De qualquer forma, precisava correr. Se Elte chegasse ao saguão principal antes dela, o caminho de volta ao seu quarto estaria completamente bloqueado.

Slam!!

A magia de Yennekar atingiu a parede, e o som do colapso ecoou pelo espaço.

— ………?

Olhando para dentro do quarto, viu Ziggs. Ele continuava treinando sozinho, apesar da situação caótica ao redor.

Quando a parede desabou de repente, ele olhou para mim com uma expressão confusa.

— O-O que está acontecendo, Ed? Isso é…

— Por que você ainda está no seu quarto com toda essa confusão lá fora? Você não ouviu nada?

— Bem… Não vou agir precipitadamente. Mesmo que o prédio desmorone, não é como se eu fosse morrer de qualquer jeito.

Como nasceu naturalmente forte, Ziggs não via a situação como uma crise real. Ele acreditava que o corpo docente resolveria tudo e que ele podia simplesmente continuar fazendo o que precisava fazer.

Na verdade, alguns outros alunos também não haviam saído de seus quartos. Mesmo que o prédio desmoronasse, desde que tivessem as habilidades para se proteger, não havia necessidade de ficar na chuva.

— Mas Ed, não esperava que você simplesmente derrubasse a parede do meu quarto assim. Não vai ficar muito frio para dormir agora?

— Você só está dizendo isso porque ainda não viu a situação lá fora. De qualquer forma, esse prédio inteiro vai precisar ser reformado.

— A situação está tão ruim assim?

Ziggs se levantou dos exercícios de flexão e sacudiu os braços.

Quem no mundo acreditaria que Ziggs era um mago…?

— Ah. Yennekar também está aqui. Essa é a primeira vez que nos cumprimentamos direito. Durante o incidente de Glasskan… não tivemos uma relação muito boa, né?

— É… bem… me desculpe por aquilo.

Yennekar abaixou o olhar, hesitante. Para ela, aquele episódio foi o pior momento de sua vida. No entanto, Ziggs não era uma pessoa boa o bastante para fingir que aquilo nunca aconteceu.

O que aconteceu, aconteceu.

— Não precisa ficar tão abatida, Yennekar. A punição disciplinar já acabou, sabia?

— É… é verdade. Obrigada, Ed.

Só quando ouviu nossa troca de palavras, Ziggs soltou um suspiro, percebendo que talvez tivesse trazido à tona algo desnecessário.

— Fico feliz que você esteja bem desde então. Vocês dois parecem estar bem próximos.

— Hm?

— Eu tenho percepção suficiente para notar essas coisas. Ed, você não é do tipo que prefere manter distância dos alunos do primeiro ano? Bem, muitos dos meus colegas simplesmente ignoram os outros se acham que parecem fracos… então, como veterano, faria sentido se você fizesse o mesmo.

Ziggs se espreguiçou e sentou-se na cama, relaxando as pernas.

— Mas ver você agindo de forma tão natural com Yennekar… é refrescante ver esse seu outro lado. Vocês dois estão namorando?

— Não! Não! Não é nada disso!

Naquele instante, Yennekar começou a tremer, balançando os braços enquanto lançava um olhar para mim. Talvez tenha pensado que eu neguei com força demais…

— E-Ed, isso te incomoda?

— Não, estou bem. Foi só uma pergunta rude do Ziggs.

— Ah, entendi. Me desculpe por isso.

Após um pedido de desculpas educado de Ziggs, sua expressão lentamente ficou mais séria enquanto se sentava na cama.

— Então, deve haver um motivo para você ter derrubado minha parede e vindo até aqui.

— Preciso de um favor. Prometo que vou te recompensar depois.

— Para começo de conversa, não sou eu quem está te devendo um favor?

Ziggs respondeu com um sorriso irônico. Ele se referia a uma dívida que ainda não havia quitado.

Decidi responder mencionando o quanto ele havia me ajudado, sempre que tinha tempo, na construção do meu chalé e em outros trabalhos que exigiam esforço físico.

— Isso… eu só queria te ajudar. Só isso. Foi por isso que fiz aquilo.

Depois dessa resposta, vesti meu sobretudo.

— Pelo clima da conversa, isso não parece ser um trabalho fácil.

De acordo com a linha do tempo original, Elris deveria ter cooperado com Lortel até o final do evento da Ocupação do Salão Ophelis.

Não havia uma maneira imediata de descobrir por que ela estava envolvida com Elte.

No entanto, isso não significava que não havia resposta alguma.

A batalha pelo Selo do Sábio, que deveria acontecer após a ocupação do Salão Ophelis.

A escola e a Loja Elte travariam uma disputa acirrada pelo registro das pesquisas sobre Magia Celestial, deixadas pelo grande sábio Silvenia. Com esse evento, o plano de Lortel para derrubar Elte floresceria.

Durante a longa estadia de Elte em Silvenia, as forças que pretendiam derrubá-lo começariam a se reunir na sede da Loja Elte.

Não haveria momento melhor do que agora.

Elte tentou, sem sucesso, monopolizar a venda de grãos das grandes fazendas da região noroeste do Império. Ele também assinou um contrato de distribuição exclusiva para monopolizar o algodão com a Loja Collet, do Reino de Theron, do outro lado do mar, mas falhou novamente devido a uma queda drástica nos preços.

Não importa quão bem-informado e calculista fosse um comerciante, era natural que, em algum momento, enfrentasse fracassos e perdesse dinheiro ao longo dos anos.

Se o azar fosse grande, tais incidentes poderiam ocorrer três ou quatro vezes seguidas. Do ponto de vista da empresa, isso teria um impacto negativo significativo, chegando até mesmo a comprometer a posição de Elte como chefe da loja. Especialmente porque ele era um defensor ferrenho da meritocracia.

Há quanto tempo Lortel vinha planejando tudo? Eu não sabia muitos detalhes.

No entanto, no momento da ocupação, o plano de destituição de Elte deveria estar praticamente concluído. Se ela conseguisse inventar algum tipo de desculpa, tudo ficaria bem. Mas naquele instante, Lortel, o centro do plano, tinha acabado de perder o chão sob seus pés.

Lortel era alguém que sempre resolvia tudo com confiança e racionalidade. Em que ponto ela havia cometido um erro?

 

◇ ◇ ◇

 

Saguão Principal do Primeiro Andar.

Wham!

Um grupo de mercenários, cerca de quinze ao todo, havia sido contratado na cidade comercial de Oldek. No centro do grupo estava Elte, vestindo suas roupas luxuosas.

O tamanho do grupo que Elte trouxera era pequeno demais para alguém de seu status. Só isso já me convencia de que ele não queria transformar essa situação em um grande problema.

— São estudantes? Saiam do caminho e evacuem imediatamente.

Eu era o único bloqueando Taylee, mas desta vez não estava sozinho para recebê-lo. Ao meu lado estavam dois dos alunos mais promissores da academia: a estrela do segundo ano, Yennekar Palerover, e o vice-campeão do primeiro ano, Ziggs Eiffelstein. Mesmo sendo estudantes, ambos eram indivíduos que não decepcionariam.

Yennekar estava atrás de mim, lançando olhares ao redor, enquanto Ziggs permanecia apoiado em um dos pilares próximos.

— Por acaso… O senhor é Elte Kehelland, chefe da Loja Elte?

Chamei Elte com uma voz astuta. Cercado pelos mercenários, o comerciante assentiu, sinalizando para que saíssemos do caminho.

— Não pode ser! É uma honra conhecê-lo. O grande Elte, o comerciante que governa todo o continente! Não sei por que uma figura tão importante como o senhor veio até Silvenia, um local tão remoto…

A Filha Dourada, Lortel.

O Rei Dourado, Elte.

A Chefe das Empregadas, Elris.

No fim, apenas esses três compreendiam completamente a situação.

Lortel, que buscava derrubar Elte, vingar sua infância e tomar o posto de liderança.

Elte, que tentava impedir o plano de Lortel e garantir a compra do Selo do Sábio.

E Elris, que se via presa entre os dois.

Afinal, a verdadeira razão para a história ter saído dos trilhos era o comportamento inesperado de Elris. A causa ainda era desconhecida, mas, de qualquer forma, não havia necessidade de correr até o quinto andar e derrotar a chefe das empregadas.

Como o restante da história ainda seguia a linha do tempo original, o grupo de Taylee deveria conseguir derrotar a chefe das empregadas no final. Eu já havia confirmado que seus atributos eram altos o suficiente e que todos os membros de sua equipe eram confiáveis.

Com isso resolvido, o grupo do qual eu estava encarregado tinha a responsabilidade de lidar com Elte.

— Estamos garantindo que ninguém entre no prédio… Como há risco de desabamento, por segurança, ninguém tem permissão para entrar até que os professores cheguem.

— Você recebeu essa ordem da escola?

— Não, estamos agindo por conta própria. Não é uma situação inesperada? Aqui em Silvenia, em casos como este, temos um sistema que concede recompensas.

Essa era a desculpa perfeita. Mas Elte também poderia entender as intenções ocultas por trás disso.

— Se alguém tão nobre quanto você está aqui, então deve haver uma razão justificável… No entanto… por que não tenta conversar com a escola primeiro e ser tratado conforme o necessário?

Após dizer tudo isso, permaneci em silêncio.

Elte definitivamente não queria que a situação se tornasse um grande escândalo.

O envolvimento de Lortel como a força por trás do incidente não poderia ser revelado.

Não importava sua idade, Lortel ainda pertencia à Loja Elte e era filha adotiva de Elte.

Se fosse descoberto que havia qualquer tipo de influência da Loja Elte nesse incidente… então a empresa não poderia escapar da responsabilidade de arcar com os custos da reconstrução do Salão Ophelis.

Na tentativa de armar uma armadilha para seu inimigo, Lortel havia acabado caindo na própria armadilha. Se houve algo que a chefe das empregadas, Elris, não percebeu, foi isso.

Do ponto de vista de Elte, simplesmente mandar Lortel para o inferno não significava que tudo ficaria bem.

Lortel precisava ser tratada diretamente por Elte, não pela escola.

E aqueles que conheciam a verdade por trás do incidente éramos eu, Elris, Shaney, Kelly e Willain. Portanto, também precisaríamos ser convencidos a manter a boca fechada. Ele ainda tinha um longo caminho pela frente.

— Você está do lado da Lortel, não está?

Eu não havia conversado com ele por muito tempo, mas ele já havia percebido que eu sabia pelo menos parte da verdade por trás do incidente.

— Eu te darei o dobro de ouro que aquela garota te prometeu, agora mesmo. Então saia do meu caminho.

Este não era o momento para despertar emoções desnecessárias ou buscar compromissos. Considerando as condições do incidente e a urgência da situação, ele rapidamente mencionou o valor máximo que poderia oferecer. Um número que o outro lado nunca poderia recusar.

— Agradeço. Mas eu ainda nem recebi as moedas de ouro que me prometeram, então qual é o sentido de me oferecer o dobro?

— Haha!

Elte soltou uma breve risada.

— Você não tem um bom olho para pessoas. Acha que vou tratá-lo de forma especial apenas porque é leal a essa garota? Será que foi enfeitiçado pela bela aparência dela?

Ao ouvir isso, Ziggs sorriu e soltou um "Ohhh", enquanto Yennekar apenas assentia, olhando de um lado para o outro entre mim e Elte. Parecia não se importar nem um pouco com ele.

— Aquela garota nasceu com o sangue de uma raposa. Ela é alguém que apunhala os outros pelas costas no momento em que os conhece. Eu a criei desde pequena, então sei melhor do que ninguém. Não esperava que ela virasse essa lâmina contra mim, depois de tudo que fiz por ela.

— É mesmo?

— Ela é alguém que trairia o próprio pai. Em vez de confiar em moedas de ouro que pode ou não receber, aceite o lucro garantido que está bem na sua frente. Essa seria a única escolha natural e correta.

Ele então voltou a me encarar. O motivo pelo qual ainda não havia dado ordens aos mercenários provavelmente era porque não queria escalar a situação.

— Ou há outra razão para confiar tanto nessa garota?

— Precisa mesmo existir um grande motivo para isso?

— Entendo. Vejo que não estamos nos entendendo.

Eu não sentia necessariamente um grande afeto por Lortel.

No entanto, não havia como explicar para ele que isso era por causa da linha do tempo original. Por isso, acabei usando uma justificativa baseada no simples "porque sim".

Não havia outra razão além da minha crença nela.

Elte certamente estalaria a língua diante de uma justificativa tão absurda, mas eu tinha minhas próprias razões. E não precisava da compreensão dele.

Abaixei a voz e falei discretamente para Yennekar e Ziggs.

— Vou checar a situação. Comprem um pouco de tempo para mim.

Ziggs assentiu com a cabeça, enquanto Yennekar parecia um pouco ansiosa. Deixando os dois para trás, bati a porta com força e entrei rapidamente no saguão principal.

Precisava encontrar Lortel e informá-la da situação.

— ………

No fim, não precisei correr pelo Salão Ophelis…

Ela já estava me olhando, suas pupilas dilatadas, do canto oposto da porta. Não era preciso dizer que já tinha percebido a situação do lado de fora, com Elte tentando entrar no prédio.

— Você não conseguiu sair?

— Bem…

Ela não exibia seu habitual sorriso astuto. Lortel tentava dizer algo, mas sua voz não saía. Em vez disso, apenas assentiu com a cabeça.

Sua expressão habitual, sempre calma e composta, independentemente da crise, tinha desaparecido. Provavelmente ficou surpresa ao me ver coberto de manchas de sangue, resultado da minha tentativa de bloquear Taylee.

— Bom, pelo menos não preciso perder tempo explicando as coisas. Vamos sair pelos fundos. Ainda tem forças para correr?

A chuva misturava-se ao sangue enquanto a água escorria pelo dorso da minha mão. Rapidamente sacudi o braço para limpar e afastei a franja molhada que atrapalhava minha visão.

— Não fique para trás. Fique comigo.

Eu estava me envolvendo com os personagens principais da história mais do que deveria, mas a situação já havia saído do esperado. Era apenas para corrigir o fluxo da narrativa, que já estava quebrado. Depois, voltaria a manter distância deles.

Para começo de conversa, já havia me envolvido o suficiente para não poder mais voltar atrás.

Assenti com a cabeça e acelerei o passo, acompanhando Lortel.

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