Light Novel

Capítulo 16: Treinamento Conjunto de Combate (3)

— Penia, você nasceu com a bênção de Deus.

A primeira pessoa a reconhecer os Olhos Perspicazes de Penia foi seu pai, o Imperador Kroel.

A vida de um imperador não era nada além de um desfile sem fim de batalhas secretas e conspirações.

E, como seu pai sempre mostrava apenas seu lado honrado ao público, ninguém jamais poderia imaginar quão suja era a escuridão que ele escondia.

E o imperador estava errado sobre os Olhos Perspicazes de Penia.

Não era um presente de Deus.

Era algo que ela adquiriu ao tentar se proteger de um abismo depressivo.

Ela tinha plena confiança em sua habilidade.

Ela viu a intenção assassina nos olhos do chanceler, que planejava envenenar sua tia.

Ela percebeu o desejo da duquesa de transformar seu filho em um membro da realeza.

Ela captou o olhar trêmulo de um servo que tentava roubar uma corrente de ouro do quarto.

Ela ouviu os passos hesitantes de um líder que tentou desviar os fundos de armamento dos cavaleiros.

Ela sentiu o olhar invejoso de um jovem nobre que desejava seu poder.

E reconheceu a voz trêmula de uma espiã disfarçada de empregada, coletando informações.

A princesa sabia do abismo escuro por trás do olhar de cada membro da realeza que a admirava por sua benevolência.

Mas, apesar de conhecer os segredos mais sombrios de todos, Penia sempre viveu sua vida fingindo que não sabia de nada.

— Estou ansiosa para trabalhar com você.

Ela olhou diretamente para o garoto que a cumprimentou com tanta educação.

A princesa possuía um nível único de sexto sentido.

Para superá-lo, alguém precisaria da habilidade de ler mentes.

 

◇ ◇ ◇

 

— Hahaha! O que aconteceu com ele?! Não é o Ed Rothstaylor? Ele sempre usava roupas chiques e joias, mas agora parece um camponês!

— Esse visual frugal combina muito bem com ele!

— Ele sempre foi arrogante, mas agora finalmente vão descobrir que ele não tem talento nenhum para magia.

Os sussurros dos estudantes ecoavam por toda a arena.

Eles queriam zombar e humilhar Ed o máximo que podiam, mas se continham por estarem diante da princesa do reino.

— Sim, também estou ansioso para trabalhar com você.

Ela levantou a mão suavemente, sentindo o fluxo de sua magia.

Seu corpo estava em condições ideais.

Uma das características mais importantes de um grande arquimago era cuidar constantemente do próprio corpo.

Ela estreitou os olhos para o garoto à sua frente.

'Seus esforços serão recompensados! Não desanime! Ei! Endireite as costas! Não há nada do que se envergonhar!'

'Caminhe com confiança! Você fez um ótimo trabalho! Isso só aconteceu porque sua oponente era forte demais! Não se deixe abalar por isso!'

Ed Rothstaylor gritava para um aluno à beira do fracasso, e ao mesmo tempo, ignorava a princesa da nação.

Mas, mais do que o fato dele tê-la desrespeitado, o que realmente surpreendeu a princesa foi a urgência na voz de Ed.

— Você ouviu ele gritando para o Taylee mais cedo? Esse cara é realmente teimoso.

— Ha… depois de intimidá-lo no começo do ano, ele ainda está causando confusão. Ele devia parar de atormentar aquele fraco.

— Talvez ele só esteja tentando pagar de bonzinho. Algo tipo, 'Pelo menos estou ajudando agora, mesmo tendo feito bullying antes.' Talvez ele esteja pensando assim.

— Nossa, se for isso, então as intenções dele são bem suspeitas.

— Mas ele sempre foi assim, não foi?

As palavras da plateia já não podiam mais ser consideradas sussurros.

Mesmo a princesa conseguia ouvir claramente de onde estava.

Não havia como Ed Rothstaylor não ter escutado tudo aquilo.

Mas seus olhos permaneceram calmos.

Suas pupilas não tremiam nem um pouco.

Era fácil para a princesa ler as emoções das pessoas através dos olhos.

Indiferença.

Apatia.

Mas, fora isso, nada de errado.

Era um sentimento familiar.

O mesmo que sentiu na época em que viu Ed em seu acampamento.

Ed sempre foi esse tipo de pessoa.

As zombarias da plateia não o afetavam nem um pouco.

Havia muitas pessoas como Ed.

Pessoas que tendem a manter uma atitude indiferente, nascidas com um temperamento calmo, independentemente do que os outros digam.

Pessoas que acreditam ser o centro de suas próprias vidas.

Uma convicção inabalável, imune à opinião alheia.

Não era difícil encontrar pessoas assim.

Os calouros estavam cheios delas.

Estudantes como Lucy Mayreel, A Filha Dourada Lortel e Ziggs, a Lança da Natureza.

Esse pensamento trouxe alívio para a princesa.

De alguma forma, isso fazia Ed parecer mais humano.

Levou tempo para aceitar isso, mas ele estava em um nível acima dos Olhos Perspicazes da princesa.

Por isso, conseguia manter-se firme com tanta convicção.

No entanto, suas palavras desconcertantes de antes… e o fato de tê-la ignorado…

Ed estava encorajando um aluno do primeiro ano, alguém que ele tentou prejudicar antes.

O contraste a deixava tonta.

Sempre que a princesa achava que tinha entendido Ed, ele fazia algo como aquilo e se tornava um peixe escorregadio, atormentando sua mente.

Ele estava gritando com Taylee para zombar dele?

Ou tudo não passava de uma farsa, tentando parecer alguém arrependido, enquanto fingia apoiar Taylee?

Sem entender suas intenções, suas ações pareciam apenas reforçar as especulações da plateia.

Mas a princesa viu sua sincera e desesperada urgência mais cedo, algo que ele nunca havia mostrado antes.

Se ele tivesse apelado da mesma forma quando se encontraram no acampamento, então a princesa não estaria tendo tanta dor de cabeça com ele agora.

'Por favor, não me expulse da escola. Estou sinceramente arrependido. Por favor, me dê uma chance.'

Se ele tivesse se ajoelhado e suplicado com todas as forças, se tivesse esfregado as mãos e implorado, a princesa não estaria se sentindo tão desconfortável agora.

Muitas pessoas já se ajoelhavam e imploravam diante dela todos os dias.

Mas Ed tratou sua própria expulsão com indiferença, da mesma forma que ignorou todas as zombarias da plateia.

E, no entanto…

Diante de um calouro arrasado pela derrota, Ed Rothstaylor não demonstrou indiferença.

Pelo contrário, sua reação foi uma súplica desesperada, vinda do fundo do coração.

— Você está me confundindo, Ed Rothstaylor.

A princesa suspirou.

Valia mesmo a pena gastar tanta energia com isso?

Ela estava cansada de ser afetada pelo comportamento imprevisível de Ed.

No fim das contas, ele era apenas um estudante que teve sua nobreza arrancada.

Ele não era um traidor conspirando contra a família real.

Não era um primeiro-ministro corrupto desviando fundos.

Não era um oficial ganancioso tentando roubar riquezas da realeza.

O que importava se seus Olhos Perspicazes não podiam avaliá-lo?

Sim. Esse duelo era a oportunidade perfeita para resolver tudo de uma vez.

Para colocar um fim nisso aqui e agora.

A princesa se acalmou.

Era sua chance de enfrentar Ed Rothstaylor, alguém que ela simplesmente não conseguia entender.

— Quero acabar com isso de forma limpa neste duelo.

O mundo estava cheio de incógnitas.

Mas, desde que houvesse uma maneira simples de lidar com algo, então não importava o contexto.

O fato de não conseguir compreendê-lo não era o fim do mundo.

A princesa já havia analisado a quantidade de mana de Ed Rothstaylor.

Não era nada impressionante, mas a maneira natural como ele controlava seu fluxo de magia indicava que ele não era um oponente fácil.

Este era o primeiro duelo entre um aluno do segundo ano e um do primeiro ano.

Portanto, uma restrição foi imposta, apenas magia elemental de nível básico poderia ser usada, para equilibrar o poder de luta.

O controle de Ed sobre magia elemental básica era evidente.

A maneira como ele fluía sua mana pelo corpo mostrava que havia treinado bastante.

Era difícil dizer quanto domínio ele tinha sobre magia intermediária, mas ele certamente dominava a magia básica.

A habilidade mágica da princesa não era tão impressionante quanto a de Lucy ou Lortel.

Mas ela nunca negligenciou seu treinamento.

— Por favor, iniciem o duelo agora.

Princesa Penia assumiu sua posição.

O primeiro ataque.

Era usualmente usado para avaliar as habilidades do oponente.

A magia elemental da água da princesa se especializava em ataques irregulares.

Responder às mudanças súbitas em seus movimentos não seria nada fácil.

— Estou indo!

A princesa levantou a mão, onde a magia elemental básica Bola d’Água se formou.

Usar magia para criar uma massa de água era uma técnica complicada.

Ela poderia surpreender o inimigo através de seus pontos cegos, aplicando uma grande pressão.

Ela era capaz de invocar até cinco Bolas d’Água ao mesmo tempo, permitindo-lhe atacar de todas as direções.

No entanto, para avaliar primeiro as habilidades de Ed, ela invocou apenas uma.

Seu elemento era vento e fogo.

Como ele reagiria?

A princesa planejava mudar sua estratégia de acordo com a resposta de Ed.

Ela iria aumentar seu poder mágico pouco a pouco, lutando com toda a sua força.

Através desta última batalha dramática, Princesa Penia queria esquecer tudo o que pudesse sobre Ed Rothstaylor, um enigma que ela não conseguia entender.

Havia tantas outras coisas que ela poderia estar prestando atenção além dele.

Ela lançou sua Bola d’Água com toda a força, a massa de água mudando de direção conforme voava para atacar Ed.

A princesa viu tudo com clareza.

Seus olhos seguiam o trajeto da Bola d’Água.

Ele usaria vento?

Como ele se defenderia?

E, após a defesa, qual seria o próximo golpe...

Bang!

A Bola d’Água acertou Ed bem no abdômen.

Seu corpo foi lançado pelo ar antes de rolar pelo chão.

Uma nuvem de poeira subiu no local onde ele aterrissou.

Ele havia caído completamente, estatelado no chão.

— Eu perdi…

— O que você disse?

Os olhos da Princesa Penia começaram a tremer.

— HAHAHAHA!

— Nossa! O que foi isso?! Ele foi ainda mais inútil que Taylee!

— Ele posou de durão e caiu de uma vez só!

— Princesa Penia! Você foi incrível! Isso foi fantástico!

A plateia aplaudiu e comemorou.

Eles pareciam extremamente satisfeitos em ver o inimigo público ser derrotado.

Mas não foi assim que pareceu do ponto de vista da princesa.

Os olhos de Ed Rothstaylor haviam seguido a trajetória da Bola d’Água até o impacto.

Não era que ele não conseguia parar o golpe.

Ele simplesmente não o parou.

— O que exatamente você…

— Ótima luta. Graças a você, aprendi uma lição hoje, princesa.

Ele removeu as proteções do duelo e se levantou, encontrando seu olhar ao cumprimentá-la.

Foi nesse momento que Princesa Penia percebeu, ele nunca havia feito contato visual com ela até agora.

Ele nunca teve interesse algum no duelo.

Desde o início.

A princesa sentiu algo quente preso em sua garganta, e não conseguia se livrar da sensação.

O desconforto que tentou afastar através da luta agora começava a consumi-la por completo.

Isso realmente era hora para um duelo?

Saí rapidamente da arena o mais rápido que pude. As zombarias infantis e o escárnio dos alunos hoje… Deve ter sido ótimo para eles me verem ser derrubado tão facilmente com um único golpe da princesa.

'Taylee… onde aquele cara foi?'

Havia uma ordem de prioridade para tudo. E cada coisa tinha seu próprio nível de importância.

Era essencial minimizar o impacto ao máximo ao lidar com Princesa Penia. Isso era necessário para que eu não afetasse a história, pois a princesa era uma personagem extremamente importante no jogo.

Mas Taylee, como o protagonista deste mundo, era ainda mais importante do que a princesa.

Se ele sucumbisse completamente a essa provação e perdesse sua determinação, isso criaria uma falha fatal no meu grande plano de usá-lo como um trampolim para a formatura.

Eu tinha que fazer algo, não importava o quão importante a princesa fosse. Nada era mais importante do que fazer Taylee superar isso.

'De qualquer forma, encontrar Taylee é minha prioridade máxima.'

Ignorando os insultos e zombarias, corri pelo corredor que levava à saída do Nail Hall. A aula ainda não tinha terminado, mas eu deveria conseguir me misturar à multidão e sair despercebido.

Desde que eu encontrasse um jeito de ajudar Taylee a recuperar o ânimo, eu poderia simplesmente me esforçar mais para compensar qualquer impacto que isso tivesse em minhas notas.

Caminhei a passos largos com esse pensamento em mente, mas percebi que havia outra pessoa atrás de mim.

— Ed Rothstaylor!

A princesa surpreendentemente havia saltado da arena e me seguido. Sua Vitalidade devia ser baixa, pois ela estava apoiada na parede, recuperando o fôlego.

Olhei para trás, confuso.

— Hã? Princesa Penia, para você ter vindo até aqui sem seus cavaleiros…

— Não faça essa cara de quem não sabe de nada!

Sinceramente, a princesa gritando comigo com tanto desprezo foi um pouco surpreendente. Ela era assim no jogo?

Não, a pergunta mais importante era: havia algo que poderia tê-la deixado tão furiosa assim?

— Sempre… Ficar na dúvida se é certo ou errado… Você sabe como é frustrante ter que medir uma pessoa assim?

— Uh… Não sei do que você está falando. Se for sobre o duelo, aprendi uma lição graças a você…

— Que lição, o quê…!

Eu podia ver claramente seus punhos cerrados tremendo. Ela estava realmente furiosa.

— Princesa Penia, por favor… acalme-se.

— Você nunca pensou em vencer desde o início. Tudo o que queria era sair da arena o mais rápido possível!

— Princesa Penia, sua voz está muito alta…

A princesa não era o tipo de pessoa que se deixava abalar a ponto de demonstrar isso publicamente. Isso foi completamente inesperado, vindo dela.

Princesa Penia era uma nobre que odiava usar sua autoridade para oprimir as pessoas. Ela também era alguém que nunca esquecia o valor de sua dignidade, em qualquer momento.

Então, para pressionar alguém, cerrar os punhos e levantar a voz, sem a menor dignidade, contra alguém inferior a ela… isso ia contra suas próprias crenças. Se alguém visse ou ouvisse isso, os rumores não seriam nada bons.

Eu tentei acalmá-la primeiro.

— É difícil o bastante acompanhar minhas aulas, mas aquela mercadora astuta continua escondendo suas intenções e tentando devorar toda a academia para o próprio ganho! E o temperamento do Professor Glast não está melhorando! Enquanto isso, as pessoas ao meu redor continuam mencionando as leis reais… mesmo que eu não quisesse, tive que prestar atenção nelas! É tudo difícil demais!

Ela sempre teve tanta raiva acumulada assim?

Mas por que ela estava descontando tudo isso em mim? Era um pecado duelar com ela? Eu entendia que ela tinha muitas frustrações reprimidas, mas ela não ia explodir tudo isso em cima de mim, não é?

— Princesa, por favor, acalme-se.

Pronto para ser criticado por minha atitude desrespeitosa, toquei o corpo real da princesa, colocando ambas as mãos em seus ombros e fazendo contato visual.

— Respire fundo.

Assim que minhas mãos envolveram seus ombros, a princesa inspirou profundamente. Ninguém ousaria tocar na princesa deste reino. Mas, numa situação onde estávamos apenas nós dois… provavelmente ela ficou surpresa com o meu toque repentino.

— Não há necessidade de se agitar tanto. Apenas respire fundo, inspire e expire.

A princesa obedeceu e respirou algumas vezes, profundamente…

Em situações como essa, as pessoas geralmente sentem um desconforto depois de recuperar a compostura.

— Ahh… Ack…!

A Princesa Penia percebeu o quão indigno era o jeito que estava agindo e cobriu o rosto.

Esse foi o momento em que a realidade a atingiu, e a vergonha veio de uma vez só.

— Uhm… Sobre o que aconteceu antes… Por favor, esqueça tudo…

Ótima ideia!

— Ah… Claro…

A princesa manteve a mão cobrindo o rosto por um tempo, completamente vermelha de vergonha.

Então… ela já estava bem?

Eu já podia ir?

— Sim, eu sei que tenho o péssimo hábito de tentar entender as pessoas e juntar seus planos secretos, mesmo sabendo que às vezes é melhor simplesmente perguntar caso eu tenha dúvidas. Acho que é porque cresci na família real.

Ela começou a falar sobre coisas que ninguém perguntou.

'Não, eu entendi! Podemos conversar sobre isso outra hora, e eu te darei minha reação sincera depois!'

'Agora, por favor, me deixe ir! Eu preciso encontrar Taylee!!!'

— Esse mau hábito… Eu sabia que o tinha, mas…

Eu não podia simplesmente dizer na cara dela: “Ah, eu não ligo. Só me deixe ir, é urgente, estou ocupado.” Então, tive que apenas acenar com a cabeça por enquanto.

— Entendo. Princesa, então…

— Então, vou perguntar diretamente.

O que agora?!

— Aqui está o que eu penso: você sabia de algo sobre a escuridão secreta dentro da família Rothstaylor, ou foi ferido por eles, então tentou cortar seus laços com toda a família. Mas você precisava de algum tipo de justificativa para ser excomungado, então decidiu atormentar um estudante chamado Taylee. Estou correta?

A princesa continuou falando enquanto mantinha contato visual comigo. Era uma dedução bastante afiada. A maior parte estava errada, mas o raciocínio sobre o lado sombrio da família Rothstaylor estava correto.

Eu já devo ter mencionado isso antes, mas o chefe da família Rothstaylor, Lorde Krepin Rothstaylor, estava estudando a magia da imortalidade com o poder de Mebula, um deus maligno da Era Mítica. No processo, muitas pessoas foram sacrificadas como experimentos.

Mas essa era uma parte que a princesa investigaria diretamente ao mobilizar o poder dos assuntos acadêmicos concedido a ela, apenas na segunda metade da história. Isso ainda estava muito longe de acontecer.

— Então, se você sabe algo sobre a escuridão da família Rothstaylor…

Havia alguma razão para contar a ela?

— Eu não sei nada sobre isso.

— Isso não pode ser verdade…

A princesa rapidamente interrompeu minha resposta.

— Logicamente, isso não faz sentido. Por que você gritou com Taylee? Por que está encorajando e apoiando a pessoa que tentou expulsar da escola? Você nunca odiou Taylee desde o início, não é?

— Uh… Isso é…

'Ei, essa garota… por que as perguntas dela são tão afiadas?'

— Isso é… eu só estava provocando ele. Ou… uhm… isso… bem… hmm… Todo mundo me odeia, certo? Então, quando torci por Taylee, queria mostrar um lado diferente de mim… Eles não veriam esse lado meu então…? Algo assim…

— Qualquer um pode ver que isso é uma mentira!

— Não, eu não estou mentindo…

— Eu tenho algo que me ajuda a julgar uma pessoa melhor do que qualquer um. É meu orgulho, meus Olhos Perspicazes.

A princesa ergueu a cabeça e falou com firmeza. Era verdade. A Benevolente Princesa Penia era incomparável quando se tratava de julgar as pessoas.

— Mesmo que todo mundo no mundo acreditasse em você, eu claramente enxerguei através de você, nem que fosse por um momento. E naquele momento em que você encorajou Taylee, você estava realmente desesperado.

'Não, eu tive que estar extremamente desesperado… Se ele desanimasse, eu estaria ferrado…'

Mas isso era algo que eu não poderia explicar para ela. Em vez disso, decidi usar a estratégia de defesa absoluta que todos no mundo usavam. Desde alunos do ensino fundamental até adultos.

— Estou falando sério…

'Você tem provas?'

'Você não tem provas, né?'

'Você só tem suas suspeitas, não é???'

— Não, isso é…

— Mas é verdade… estou dizendo a verdade…

Essa estratégia não deixava espaço para argumentação. Mesmo que ela tivesse seus Olhos Perspicazes, porque eu disse que não era, então não era. Se ela continuasse insistindo, não teria escolha a não ser apresentar evidências físicas.

— Estou falando sério… é a verdade…

— Ahh… Sério…!

Nesse momento, sem classe ou etiqueta, a princesa segurou o próprio cabelo com ambas as mãos, sua expressão tomada pela frustração. Ela pisoteou o chão e repetia a mesma coisa.

— AHHH! SERIAMENTE!!!

Estar tão perto de descobrir a verdade, apenas para vê-la escapar repetidamente de suas mãos, definitivamente a deixaria frustrada a ponto de soltar fumaça pela cabeça. Não apenas por um ou dois dias, mas por várias semanas.

Além disso, seus Olhos Perspicazes sempre permitiram que ela enxergasse facilmente através de qualquer um. Como essa era uma experiência nova para ela, era natural que estivesse duas ou três vezes mais frustrada e sufocada.

Mas não havia nada que eu pudesse fazer. Era minha responsabilidade garantir que o futuro fosse estável e seguisse o curso mais tranquilo possível.

'Se outra pessoa estivesse no meu lugar… será que estaria disposta a contar para ela?'

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