Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 7

Capítulo 7: 18 de Fevereiro (Quinta-Feira) - Yuuta Asamura

18 DE FEVEREIRO (QUINTA-FEIRA) – DIA 2 DA VIAGEM DE CAMPO – YUUTA ASAMURA

Quando acordei, a primeira coisa que me confundiu foi a cor do teto acima de mim. Não era o mesmo de casa — tinha um tom levemente esverdeado que me pegou de surpresa. Mas então me lembrei de que ainda estava na viagem escolar.

   “Hora do café da manhã.”

Ouvi a voz do Maru e me virei. Tanto ele quanto o Yoshida já estavam prontos, o que me assustou por um instante. Peguei o celular para conferir — 6 da manhã.

Ué? A saída de hoje estava marcada para as 9, e o café só começava às 7. Por que eles já estavam completamente prontos?

   “Nos dias de treino matinal, eu já teria terminado o café a essa hora.”

   “Pois é.”

…Seus fanáticos por treino.

   “Asamura, a gente vai explorar. Vem com a gente.”

   “...Vou passar. Divirtam-se.”

Maru e Yoshida partiram para a “segunda fase da aventura”, enquanto eu me arrumei com calma e fui tomar banho. Quando voltei para o quarto, tirei o celular do carregador e o guardei no bolso. Foi então que reparei no formato da tomada — tipo BF, com três entradas.

 

[Ayko: Um adaptador BF é tipo o famoso “T” ou “Benjamin” brasileiro, que adapta as tomadas do exterior para o padrão de tomadas japonesas (O padrão de tomada no Japão é tipo A)]

 

Estranhamente, foi isso que finalmente fez cair a ficha de que eu estava fora do Japão.

Aliás, isso me lembrou do que aconteceu na noite anterior: alguns dos garotos esqueceram o adaptador de tomada, o que gerou um pequeno pânico momentâneo. Na nossa turma também teve gente assim. Foi aí que o Maru entrou em ação, emprestando alguns extras que tinha levado.

Ele foi tratado como um herói por isso.

Mais uma vez, fiquei impressionado com o quanto ele era preparado, até para pequenos imprevistos. Ou será que ele previu isso e levou vários de propósito? Não… não é possível, né?

O café da manhã era no mesmo lugar do jantar de ontem, então encontrei fácil. Novamente, era um buffet.

Decidi comer algo leve, então montei meu prato com uma boa e confiável torrada. Como na noite anterior comi bastante carne, hoje optei por uma salada pequena. Talvez isso seja influência da comida da Ayase em casa.

Com a bandeja na mão, olhei ao redor e encontrei o Maru — alto como sempre — com o Yoshida ao lado. Sentadas em frente estavam as três garotas do nosso grupo, então trocamos cumprimentos matinais. Isso é o mais importante.

   “Escutem aqui, pessoal.”

Enquanto comíamos, Maru levantou a mão de repente, pedindo atenção.

   “Hã? O que deu em você, Maru?” Yoshida perguntou, desconfiado.

Com razão — nunca vi o Maru falar assim.

   “Sério, escutem.”

   “Ué… a gente tá escutando.”

As três garotas também pareciam confusas.

   “Hoje, no segundo dia, vamos andar por vários lugares em grupo.”

   “Sim,” Yoshida respondeu, e eu concordei com a cabeça.

   “A gente sabe disso, mas e daí?” perguntou a líder do grupo das garotas.

   “É que existe a possibilidade de encontrarmos outro grupo com planos parecidos.”

   “Ah, faz sentido. Não tem tantos lugares assim pra escolher.”

   “Pois é! Eu até falei pra Ryou que talvez a gente se encontrasse. Tomara que aconteça!”

Uma das garotas comentou que tinha uma amiga em outra turma com um roteiro quase idêntico ao nosso. Nosso plano era visitar o zoológico à tarde e depois fazer o safari noturno — que ficava logo ao lado. Pelo visto, eram pontos turísticos bem populares.

   “Justamente por serem populares, não seria estranho encontrarmos alguém, certo?”

Todos assentiram.

   “Entendeu, Asamura?” Maru sorriu pra mim.

   “...Entendi.”

   “Ótimo.”

Enfim, às 9 da manhã, nosso grupo se reuniu como planejado e pegamos o ônibus rumo ao zoológico, localizado na região de Mandai. Ficava ao norte do hotel, a cerca de vinte minutos de distância.

Durante o trajeto, tivemos um guia explicando sobre a região — história de Singapura, desenvolvimento, problemas sociais como abastecimento de água… tudo em japonês perfeito.

De novo, fiquei sem saber se isso era bom ou ruim. Afinal, viemos aqui para aprender inglês… mas também não acho que entenderia tudo se fosse só em inglês.

Ele começou explicando que Singapura tem uma área um pouco maior que os 23 distritos de Tóquio. Nosso hotel ficava ao sul, enquanto Mandai ficava ao norte — cerca de 20 km de distância, equivalente ao trajeto entre as estações Shinagawa e Akabane.

Não sei se ele conhece bem o Japão ou pesquisou antes por nossa causa, mas foi útil.

Logo, avistamos o destino: o Zoológico de Singapura, em Mandai.

Descemos no estacionamento e fomos direto para a entrada. Tudo ao redor era verde, como se tivéssemos entrado numa selva. Dava até para ouvir o canto dos pássaros.

Enquanto isso, o Maru parecia inquieto, murmurando algo sobre “já estar na hora”.

   “Não estamos com o tempo tão apertado assim…” pensei em voz baixa.

Foi então que ouvi uma voz familiar:

   “Ah! Não é o Asamura da turma ao lado? Que coincidência!”

Olhei na direção do som, completamente surpreso. Era… o grupo da Narasaka?

Eu tinha achado aquele grupo perto da entrada familiar, mas não imaginei que realmente nos encontraríamos ali.

A Ayase também se virou, olhando para mim com a mesma surpresa.

No letreiro da entrada estava escrito “Singapore Zoo”… mas eu nem tive tempo de prestar atenção nisso.

Pela expressão dela, ficou claro que também não esperava esse encontro.

Foi aí que percebi: eu nem sequer tinha perguntado quais eram os planos do grupo dela para a viagem. Na verdade, nem pensei nisso — não imaginava que teríamos a chance de nos encontrar.

Mas o Maru… e provavelmente a Narasaka também… sabiam.

   “Isso tá com cara de armação,” murmurei para o Maru.

   “Não forcei nada, pode ficar tranquilo,” ele respondeu — o que só me deixou mais desconfiado.

Então, Maru deu um passo à frente e se aproximou do grupo delas.

   “Olha só quem está aqui. A famosa Narasaka!”

   “Oh! Não é o Maru Tomokazu! Que coincidência!”

   “Pois é!”

[Aykp: KKKKKKKK nem um pouco suspeito não]

Eles são péssimos atuando, meu Deus do céu. Mesmo assim, Maru se virou na nossa direção, enquanto Narasaka se voltou para o próprio grupo.

   "Parece que acabamos encontrando outro grupo por pura coincidência. Acho que isso deve ser o destino, então não devemos lutar contra e, em vez disso, passear pelo zoológico juntos. O que acham?"

   "Eu não me importo. E vai ficar mais animado também!" Yoshida concordou, animado.

As garotas do nosso grupo também assentiram.

   "Por mim, tudo bem. E tenho quase certeza de que vão ter outros grupos andando por aí também."

Ela ergueu a mão acima do rosto para bloquear a luz forte do sol enquanto olhava ao redor. Como ela disse, dava para ver vários outros alunos do Suisei High.

   "Eu não me importo. Vamos andar todos juntos, em um grupo grande!"

   "Ryou! Que bom que conseguimos nos encontrar!" disse uma garota, batendo um high-five com uma das meninas do grupo da Narasaka.

A garota de aparência dócil chamada Ryou também sorriu, dizendo que estava muito feliz. Isso significa que o grupo da amiga dela era, no fim das contas, o grupo da Ayase. Quem diria? Bem, se alguns grupos da mesma escola escolhem o mesmo lugar para visitar, não é tão estranho que algo assim aconteça. Acho que posso considerar isso só uma coincidência…

Não, é conveniente demais.

   "Maru, você é amigo da Narasaka?"

   "Ela é amiga de todo mundo, lembra?"

Isso… é um argumento válido, mas não era isso que eu quis dizer. Só parece que fomos manipulados.

Ficamos na fila para comprar os ingressos, e eu continuei questionando o Maru sobre essa suposta coincidência, mas ele só se justificou dizendo algo como: "A gente viu os lugares que o outro grupo queria visitar, então pensamos em nos encontrar aqui."

Pensando bem, ele foi estranhamente insistente quando o assunto era o zoológico. Não dei muita importância na hora, já que é um lugar bem popular. E como a Ayase não estaria conosco, achei que seria melhor escolher um lugar mais tranquilo, como turistas.

   "Eu vou comprar os ingressos", disse Maru, indo até a bilheteria.

Ele pegou o dinheiro que demos e comprou entradas para seis pessoas. Do outro lado, Narasaka fez o mesmo para o grupo dela.

Estavam mesmo agindo como líderes de grupo, hein? Comparando com a minha dificuldade só de organizar algo assim, tive que respeitar ainda mais os dois.

Depois disso, todos recebemos nossos ingressos e entramos no zoológico. Com um grupo grande de doze pessoas, não havia muito espaço para conversa fiada, então atravessamos o portão de entrada.

O zoológico localizado no distrito de Mandai era enorme. Segundo o panfleto, ele cobria cerca de 28 hectares—difícil de imaginar, mas basicamente seis vezes o tamanho do Tokyo Dome.

O único zoológico que me lembro de ter visitado foi o de Ueno. E ele tem três vezes o tamanho do Tokyo Dome.

Ou seja, este aqui era o dobro do que eu estava acostumado…

Cara, que monstruosidade.

Dentro de todo esse espaço, havia uma área enorme o mais próxima possível de um ambiente subtropical natural, cheia de animais vivendo como viveriam na natureza, enquanto nós observávamos de longe.

Eles também instalaram cercas e canais para manter os animais contidos, mas tudo ficava escondido para parecer o mais natural possível.

Isso eliminava a sensação de confinamento, e os animais pareciam viver com bastante tranquilidade.

Apesar do tamanho do grupo, nos entrosamos rapidamente.

Provavelmente graças à Rainha da Comunicação Narasaka e ao "zelador supremo" Maru.

Quanto ao “zelador”… ele basicamente cuidava de todo mundo.

E esses dois estavam carregando o grupo nas costas.

   "Pessoal! Vou criar um grupo!" anunciou Narasaka.

Seguindo sua ordem, todos nos reunimos e entramos no grupo do LINE que ela criou.

   "Certo, primeiro vejam isso", continuou Maru, enviando uma imagem do mapa do zoológico.

Enquanto olhávamos, conferimos onde estávamos.

   "Esse mapa também está em japonês?" Yoshida comentou, surpreso.

Além do inglês, havia também chinês e japonês. Imagino que recebam muitos turistas japoneses aqui.

E, pensando bem, também podíamos usar o wi-fi do local.

O alcance do wi-fi gratuito e o avanço digital aqui em Singapura não eram nada básicos.

Maru continuou explicando o plano do dia.

   "Acho difícil alguém se perder, mas isso aqui é bem grande. Se alguém se separar, avise imediatamente pelo LINE."

   "Okaaay."

Todos responderam em uníssono.

   "Então vamos ver os tigres brancos primeiro!" declarou Narasaka, assumindo a liderança.

Todos a seguimos.

A maioria já havia esquecido que éramos de turmas diferentes, conversando livremente. Como todos pareciam se divertir, isso já era missão cumprida para Narasaka e Maru.

Todo mundo está se divertindo, né?

Considerando minha personalidade, essa ideia de formar um grupo para se divertir parece tão estranha para mim.

Eu nunca teria pensado nisso sozinho. Sei o quanto posso ser egocêntrico.

Mas depois de irmos à piscina juntos nas férias de verão, percebi o quanto interagir com os outros pode ser importante.

Claro, se eu conseguisse colocar isso em prática imediatamente, não estaria sofrendo tanto.

Mas isso também me fez valorizar ainda mais Maru e Narasaka.

Eles puxavam assunto o tempo todo, misturando os dois grupos com facilidade.

Era o completo oposto de mim e da Ayase, que preferimos agir de forma independente—o que nos permitia apenas seguir o fluxo sem esforço.

Mas há um problema que não consigo resolver.

Sempre que eu falava com a Ayase—ou ela comigo—um de nós acabava sendo direto demais e a conversa morria.

É estranho, considerando que conseguimos conversar por horas no dia a dia. Mas nessa situação diferente, tudo ficava estranho rapidamente.

Ao mesmo tempo, sentíamos que, se começássemos de verdade, talvez não conseguiríamos parar.

E se isso acontecesse, acabaríamos estragando o esforço de Maru e Narasaka de integrar todo mundo.

E ainda assim…

Quero falar com ela.

Quero ouvir a voz dela.

Esses sentimentos eram tão fortes que, se começasse, talvez eu não conseguisse parar—e não demoraria para os outros perceberem que tipo de relação temos.

Por exemplo, se alguém dissesse: "Vocês dois são bem próximos, né?", eu provavelmente travaria.

Por isso estou evitando falar muito com a Ayase. E ela parece estar fazendo o mesmo.

Como resultado, conversamos normalmente com os outros, mas entre nós dois… tudo travava.

   "Vocês dois ficaram bem próximos, hein!" disse Ashida, fazendo meu coração disparar.

   "Maru… quando você e a Narasaka começaram a conversar?"

Ah, não era sobre nós.

 

[Ayko: Yuuta gelou até a alma aqui]

 

   "Somos líderes de grupo."

   "Isso! E líderes devem se dar bem entre si também!"

   "...É assim que funciona?"

   "Sim."

   "Sim!"

   "Bom, se vocês dizem…" Yoshida aceitou rápido.

Para mim, só parecia confuso.

Agora que penso bem, tanto Maru quanto Narasaka sabem que eu e Ayase somos meio-irmãos.

Esse é o vínculo deles conosco.

Eles sabem do nosso segredo.

Duvido que Maru saiba sobre nosso relacionamento amoroso, e o mesmo vale para Narasaka…

Acho.

Mas e se eles já conversaram sobre nós?

E se planejaram tudo isso?

Enquanto pensava nisso, observei os dois.

Maru checava o celular, organizando o trajeto. Narasaka mantinha todos engajados na conversa.

Talvez eu esteja pensando demais.

Eles não parecem o tipo de pessoa que forçaria uma situação dessas.

Na verdade, Narasaka trata todos igualmente.

E mesmo agora, ela lançou outro assunto.

   "De que animais vocês gostam?"

   "Preguiças."

   "Tigres, eu acho."

   "Inesperado. Você parece dedicado, Asamura. Não concorda, Saki?"

   "...Acho que ele é tipo uma preguiça", murmurou Ayase.

   "Sério?! E como você se sente sendo comparado a uma preguiça?"

   "Não sei o que responder."

   "Não estou te chamando de preguiçoso", disse ela.

   "Eu sei."

   "Que bom."

E então… silêncio de novo.

Outro assunto morto.

Maru e Narasaka suspiraram ao mesmo tempo.

   "Eu gosto de crocodilos! Graaah!"

   "Acho que crocodilos não fazem esse som."

   "Mas entendo gostar de tigres, Ayase."

   "Né? Eles são tão legais!"

   "V-Você acha?"

Ela ficou visivelmente sem jeito.

Graças a essas intervenções, o clima não morreu.

Continuamos andando até a noite, quando fomos para o safari noturno ao lado.

Depois do show, fomos comer.

Enquanto pegava comida, notei uma mulher cantando no palco.

Ao voltar à mesa, Maru comentou:

   "Que voz bonita."

Segui seu olhar. Era alguém familiar.

   "Não é a mulher de ontem?"

Era ela.

Depois, ela se aproximou… e começou a falar conosco. E ninguém entendeu.

Até que—

Ayase respondeu em inglês.

Fluentemente.

Todos ficaram chocados.

Ela traduziu tudo para nós, conversou com a cantora—Melissa Woo—e até transmitiu nossas impressões.

No fim, até Narasaka tentou usar tradução automática.

Mas Ayase explicou:

   "Máquinas perdem nuances. Comunicação também é expressão."

Fazia sentido.

Melissa parecia genuinamente feliz.

Depois, um homem apareceu—provavelmente namorado dela.

E, sem aviso…

Eles se beijaram.

Ali mesmo. Em público.

As garotas ficaram agitadas. Os garotos, sem reação.

Mas, estranhamente…

Aquilo me pareceu natural.

Como algo cotidiano. Como os animais que vimos o dia inteiro.

Mais tarde, voltamos de ônibus com Melissa.

No hotel, Yoshida só falava do beijo.

Mas eu… Pensei em outra coisa.

   "É isso que significa ser amante."

Na cama, recebi uma mensagem.

Da Ayase.

   "Quero sair com você amanhã, só nós dois. É possível?"

Meu coração disparou.

Respondi organizadamente.

Mas depois percebi— Ela foi sincera, mas eu não.

Então mandei outra mensagem:

   "Eu também quero sair com você."

Ela respondeu com um emoji de gato sorrindo.

E então, finalmente, dormi.

Naquela noite…

Sonhei com aquele beijo.

Mas, dessa vez—

Éramos nós dois.

 

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