Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 7

Capítulo 8: 18 de Fevereiro (Quinta-Feira) - Saki Ayase

18 DE FEVEREIRO (QUINTA-FEIRA) – DIA 2 DA VIAGEM DE CAMPO – SAKI AYASE

Hoje era o segundo dia da excursão escolar, e o caos começou assim que eu acordei.

Abri os olhos e vi a Maaya sentada na cama ao meu lado, escovando o cabelo. Do nada, ela disse: "Vamos passear hoje com o Asamura e os outros", me deixando completamente sem reação. Do que ela tá falando?, pensei.

   "O que você quer dizer com isso?", perguntei sem pensar muito.

   "Exatamente o que eu disse. Tudo bem por você, Ryou?", Maaya perguntou para a cama do outro lado.

   "Hmmm?" Satou Ryouko piscou para Maaya, ainda com um olhar sonolento. "Quem… é o Asamura?"

   "O garoto do grupo de outra turma. Tem o Maru, o Asamura e… Lembra do que eu disse? Nesse grupo também está a sua amiga, certo?"

   "Ah… é. Tudo bem, então." Ela ainda parecia meio dormindo ao concordar. Isso tá mesmo certo?

Além disso, parece que elas já tinham combinado isso antes.

   "Maaya, eu não ouvi nada sobre isso!"

   "Porque eu não te contei!"

   "Por quê?!"

   "Não é surpresa se você contar antes, né?"

Por que a gente precisa de surpresas numa excursão que já é estressante por si só?

 

[Ayko: Eu queria me estressar em Singapura também :3]

 

E eu achando que hoje íamos ficar só no nosso grupo.

   "A gente não tinha que ficar nos nossos grupos hoje também?"

   "Sim", Maaya assentiu com um sorriso inocente—ou melhor, um sorriso que definitivamente não dava para confiar. "E hoje o nosso grupo vai ao zoológico e ao safari noturno."

   "Eu sei disso."

   "Acontece que o grupo do Maru também vai ao zoológico e ao safari hoje! Que coincidência maravilhosa!"

   "Ei."

   "E assim… nós, alunos do Suisei High, podemos muito bem andar juntos em um grande grupo para fortalecer os laços entre os estudantes e dar ainda mais significado a essa excursão… foi o que simplesmente aconteceu."

   "Isso não ‘simplesmente aconteceu’, aconteceu?"

 

[Ayko: Siiiimplesmente aconteceu, siiiimplesmente]

 

   "Hm? Eu disse algo estranho? Ryou, o que você acha?"

   "Não, nada disso. Poder passar tempo com pessoas de quem gosto também me deixa feliz."

Ah, é. Uma amiga dela está na turma do Asamura. Mas… sério?

O grupo dele e o nosso vão andar juntos hoje.

Mas e os meus sentimentos?

E a minha solidão por não poder vê-lo durante toda essa viagem?

…E isso realmente está certo?

   "Você pode decidir isso assim do nada?"

   "Ué, você estava lá quando decidimos o cronograma do grupo, não estava?"

   "Ah."

Forcei a memória. Nosso grupo era liderado pela Maaya, comigo e a Satou Ryouko, além de dois garotos bagunceiros e mais um que ficava controlando eles.

Quando entregamos o cronograma, a professora parecia aliviada por ter a Maaya com a gente. Acho que juntaram todos os problemáticos no mesmo grupo.

Eu sei que não sou boa em me adaptar aos outros.

Por isso sou sinceramente grata à Maaya.

E também lembro dela pesquisando tudo, levantando informações sobre cada lugar possível e perguntando para todo mundo onde queriam ir.

Nós só escolhemos.

Nesse sentido, deveríamos ser muito gratos a ela.

Mas mesmo assim…

   "Fico feliz que ele tenha carisma suficiente para insistir nos lugares populares. Eu até disse que a gente podia se encontrar se os lugares coincidissem."

   "Com quem?"

   "É incrível como todos os lugares que queríamos visitar bateram tão perfeitamente!"

Ah… ela não quer me contar.

Com quem será?

Asamura? Não, ele teria me dito algo.

   "Ah, e amanhã também vamos para a Ilha Sentosa juntos."

   "Amanhã também?"

   "Sim. Não é, Ryou?"

   "É. Fico feliz."

   "Quanto aos garotos… bem, eles não se conhecem muito, mas o Maru deve dar conta."

   "...O Maru é amigo do Asamura, né? Eu não sabia que você era amiga dele."

   "Somos líderes de grupo, afinal."

Isso realmente é um motivo tão convincente assim?

 

[Ayko: Sei não hein… eu gostaria de ver os dois juntos pra ser honesto, ao meu ver eles combinam]

 

   "Enfim, eu quero conhecer melhor os garotos do grupo deles. E também preciso avisar os nossos para não incomodarem demais as meninas de lá."

…Entendi.

Então ela planejou tudo desde o começo.

Depois de terminar de arrumar o cabelo, ela se inclinou para mim e sussurrou:

   "Assim você vai poder ficar com seu irmão o tempo todo, né?"

Ela levou a mão à boca e deu uma risadinha de bruxa.

   "Maaya! Sério, não acredito em você!" explodi, irritada, fazendo a Satou se assustar.

Olha o que você fez, Maaya.

   "D-Desculpa por isso."

   "Tá tudo bem…"

   "E agora, vamos nos divertir no zoológico hoje! Primeiro o café da manhã, e depois… ‘let’s go Singapore!’"

Ela falou a última parte com um inglês todo travado enquanto pulava da cama.

   "Todos aqueles animaizinhos fofos estão esperando por nós!" disse, levantando o punho.

Só balancei a cabeça.

Quando ela está assim, ninguém consegue parar.

Ainda assim…

Eu e o Asamura vamos passear juntos no zoológico hoje.

…Hã.

Quando chegamos na entrada do zoológico, o grupo do Asamura também tinha acabado de chegar.

Mesmo tendo passado menos de um dia sem vê-lo, senti um alívio ao enxergá-lo de longe.

Como nossos grupos ficariam juntos, éramos doze pessoas andando pelo zoológico e pelo safari noturno.

Pensando bem, fazia tempo desde o verão passado, naquele dia na piscina, que estávamos em um grupo tão grande.

Os amigos do Asamura, Maru e Maaya, assumiram a liderança, cuidando dos dois grupos.

E, além disso, Maaya ainda puxava assunto de vez em quando.

   "Ei, Asamura, Saki, de que animais vocês gostam?"

Estávamos andando pelo zoológico quando ela perguntou isso.

Asamura respondeu primeiro:

   "Preguiças."

Hã… preguiças?

   "Que inesperado. Você parece alguém dedicado, Asamura. Aposto que ajudaria a cozinhar sem pensar duas vezes. Não acha, Saki?"

   "...Acho que ele é tipo uma preguiça."

Espera—ela perguntou de que animais gostamos, não qual animal representa a gente!

Ele não vai achar que estou insultando?

Mas é verdade que consigo relaxar quando estou com ele.

É como se o tempo passasse mais devagar.

Nesse sentido, combina com ele, mas não é que…

   "Não estou te chamando de preguiçoso."

   "Eu sei."

   "Que bom."

Ufa… isso me deixou nervosa.

Não sei por quê, mas falar com o Asamura na frente de todo mundo me deixa inquieta.

Mesmo que em casa eu fique totalmente à vontade com ele.

E acho que não sou a única.

Parecia que ele também estava se segurando.

Por isso, mesmo lado a lado, parecia que estávamos distantes.

Quando o sol começou a se pôr, fomos para o safari noturno.

Depois de observar os animais à noite, fomos a um restaurante jantar.

Era estilo buffet, então pegamos a comida e fomos para a mesa.

Depois de tanto andar, eu estava com muita fome.

   "Que voz bonita", disse Maru.

Ele devia estar falando da mulher no palco.

Quando a apresentação terminou, ela foi até o bar, pegou um coquetel e… veio na nossa direção.

Nossos olhares se encontraram, e ela sorriu.

Parecia japonesa ou do sul da Ásia.

Talvez uns vinte anos.

Cabelo loiro preso, vestido vermelho… e cortes laterais que deixavam as pernas à mostra.

Até eu, sendo mulher, acabei encarando por um instante.

Então ela olhou para todos nós e começou a falar em inglês.

   "Meu nome é Melissa Woo. De onde vocês vieram? Japão?"

Não era difícil, mas ela falava rápido demais.

   "Vocês estavam me assistindo, certo? O que acharam? Não quero atrapalhar a viagem de vocês, mas adoraria ouvir a opinião de vocês."

Ninguém respondeu.

Ela pareceu decepcionada.

Talvez tenha achado que estávamos ignorando.

Eu mal tinha conseguido entender.

Enquanto todos hesitavam, Asamura disse:

   "Talvez ela esteja perguntando quem somos ou de onde viemos."

Exato.

   "Melissa? Somos estudantes do Japão em excursão escolar", respondi.

Ela se virou para mim.

   "Excursão! Então vocês são do ensino fundamental? Seis meninos e seis meninas, vocês parecem bem próximos!"

Fundamental?!

   "Somos do ensino médio. Segundo ano. Viemos de Tóquio."

   "Você é incrível, Saki!"

   "Ayase, você fala inglês?"

   "Usei palavras simples. E o que o Asamura disse estava certo."

Expliquei rapidamente.

Depois, traduzi tudo para ela.

   "Melissa, ele disse que ouviu você ontem também. Perguntou se era música folk e disse que gostou da sua voz."

Ela sorriu feliz.

Depois, todos começaram a falar, e eu fui traduzindo.

Até que Maaya usou um tradutor no celular.

Uma voz robótica falou em inglês.

Funcionou… mas sem emoção.

   "Devíamos ter pedido para a Maaya desde o começo…", murmurei.

   "Nem pensar!", ela rebateu. "Isso perde toda a nuance."

Ela tinha razão.

Então Melissa se levantou, veio até mim e colocou as mãos nos meus ombros.

   "Qual é o seu nome? Saki?"

   "Sim… sou Saki."

Ela sorriu.

   "Que nome fofo. Graças a você pude ouvir o que todos acharam. Obrigada!"

Ela bateu no meu ombro—doeu um pouco.

   "Saki, ainda não ouvi sua opinião."

   "Eu achei maravilhoso."

   "Entendo! Obrigada. E o que acha de Singapura? Está gostando?"

   "Sim. É uma cidade linda. Só acho quente demais."

   "Haha! Claro, no Japão ainda é inverno. Mas me diga… tem alguém especial nesse grupo? Um namorado, talvez?"

   "Hã?!"

N-Namorado?!

   "Deve ter, né? Você é tão bonita."

O quê?!

   "Quem é o sortudo?"

Eu… olhei para o Asamura por um instante…

…e desviei o olhar rapidamente.

Por que ela está perguntando isso tão diretamente?

Ou será que entendi errado?

O inglês dela ficou mais difícil agora…

Talvez pelo jeito direto.

Ou pelo sotaque.

Até então eu entendia tudo, mas agora…

…talvez eu esteja interpretando errado o que ela está dizendo.

 

   "Eu-Eu não tenho ninguém assim!"

   "Sério?" Ela estreitou os olhos com um sorriso de canto.

Era quase como se ela tivesse enxergado através de mim e estivesse apenas me pressionando a admitir. E percebi que, só pelas palavras dela, isso talvez não tivesse ficado claro… A Maaya estava certa! Mas esse não era o problema agora.

Entrei em pânico quando Melissa soltou meus ombros. Um homem se aproximou, chamando o nome dela. Ela pulou nos braços dele e os dois trocaram um beijo apaixonado bem na nossa frente.

Sinceramente, achei que meu coração ia sair pela boca.

Meu instinto foi virar de costas, e acabei vendo o rosto de todo mundo. Todos estavam tão chocados quanto eu, mas continuavam olhando.

   "Vocês aí! Parem de encarar!" Maaya se inclinou para frente.

Virei devagar de novo… mas eles ainda estavam se beijando.

Melissa e o homem se abraçavam com força, como se quisessem absorver o calor um do outro. Depois de um tempo, se separaram, e Melissa voltou a olhar para mim.

   "Onde vocês estão hospedados?"

Eu estava distraída e não entendi na hora. Só depois de um breve silêncio percebi que ela tinha perguntado onde estávamos ficando durante a excursão.

Conferi com a Maaya e falei para Melissa o nome do ponto de ônibus mais próximo. Pelo menos isso não tinha problema.

Ao ouvir isso, Melissa comentou que a casa dela ficava na mesma direção e perguntou se queríamos voltar juntos.

Como já estávamos de saída, concordamos.

Durante o trajeto de ônibus, eu e Melissa conversamos quase o tempo todo.

Não esperava precisar usar meu inglês em uma situação tão inesperada, mas fiquei feliz por ter valido a pena praticar.

Claro, ela usava gírias e termos que eu não conhecia, então não entendi tudo, mas consegui captar o essencial.

Falamos de tudo um pouco—o que está em alta no Japão, músicas favoritas… Melissa também era fã de anime e mangá, então tocamos nesse assunto, mas como eu não acompanho tanto, não pude contribuir muito.

Talvez eu devesse ter pedido ajuda à Maaya.

Mas ela estava ocupada conversando com todo mundo, como sempre.

O namorado (?) da Melissa não veio com a gente. Eles se despediram no restaurante. Parece que moram em direções diferentes.

Descemos perto do hotel, e Melissa seguiu seu caminho, dizendo que esperava nos encontrar de novo algum dia.

Entramos no hotel, e conversei um pouco com as garotas do grupo do Maru no lobby.

Como consegui lembrar os nomes e rostos delas mesmo tendo conhecido hoje, acho que evoluí um pouco.

Mas, ao mesmo tempo, percebo que isso costuma acontecer quando a Maaya está por perto.

Enquanto voltávamos para o quarto, meu celular começou a vibrar com várias mensagens.

Era o grupo, com coisas como "Hoje foi divertido" e "Boa noite, pessoal".

Nada fora do comum, mas aquilo me deixou estranhamente feliz.

Acabei respondendo "Foi divertido".

Depois fomos para o grupo só das meninas, onde mandei um sticker de um gato sorrindo—o tipo que a Maaya adora usar.

Logo vieram vários outros stickers em resposta.

Todos com tema de sorriso, mas cada um com personagens diferentes.

Acho que isso mostra bem como cada pessoa é.

A Maaya, por exemplo, mandou um sticker estranho de um robô rindo. Que coisa é aquela?

Ao chegarmos no quarto, trocamos de roupa.

Fui conferir meu uniforme para ver se não estava amassado… e notei que minha saia estava um pouco desfiada.

Nada grave, sem buracos. Só um pequeno desgaste.

Deve ter sido no zoológico ou no safari, com galhos e arbustos.

Não era algo muito visível, mas também não dava para ignorar.

Para consertar de verdade, eu teria que levar a uma costureira no Japão.

Procurei na mala…

E percebi meu erro.

Não trouxe kit de costura.

O que eu faço…?

Talvez possa pedir emprestado.

A Maaya ou a Satou devem ter um.

"Hum…"

Levantei a cabeça para falar, mas vi que a Satou estava ao telefone.

Devia ser aquela garota, Mio, do grupo do Asamura.

Normalmente ela é quieta, mas estava animada conversando então não quis interromper.

E a Maaya… estava ocupada no celular.

Melhor não incomodar. Olhei o horário e vi que ainda dava para sair.

Por "sair", queria dizer ir até a loja de conveniência do hotel.

Talvez tivesse um kit lá.

Peguei minha carteira, avisei a Maaya e fui.

Depois de explicar a situação para a vice-diretora, desci.

A loja era grande, com entrada interna e externa.

Fui direto procurar o kit…

Quando ouvi uma voz familiar.

Ao me virar, vi Melissa, sorrindo, com uma garrafa na mão.

   "Oh! Você está hospedada aqui? Que coincidência! Tem um tempinho para conversar?"

   "Hum…"

Hesitei, mas vi como uma chance de praticar inglês.

E não tinha motivo para recusar.

Concordei.

Melissa pagou as compras e entregou a sacola ao homem ao lado dela.

Mas… não era o mesmo de antes.

O outro tinha cabelo preto. Esse tinha cabelo ruivo e parecia mais baixo.

Ele pegou a sacola, beijou o rosto dela… e saiu.

   "Tem certeza?"

   "Sobre o quê?"

   "De deixar seu amigo esperando."

   "Está tudo bem. Vamos passar a noite juntos depois. E ele não é meu amigo, é meu namorado."

 

[Ayko: hah? Isso me pegou de surpresa 0.0]

 

…Como assim? Eu ouvi direito?

Mas consegui comprar o kit e uma lata de café.

Depois fomos para o lobby.

Quando sentei, meu celular vibrou.

Era a Maaya.

   "Eu atrapalhei?"

   "Não, está tudo bem", respondi.

Melissa abriu uma lata de bebida.

Devia ser álcool.

   "Quer um pouco, Saki?"

   "Não, sou menor."

   "Sério? Achei que no Japão fosse permitido aos 18."

   "Não para isso. E eu tenho 17."

   "Entendi. Então nem posso te chamar para beber."

   "E ainda tenho toque de recolher."

   "Então você só vê seu namorado durante o dia…"

Ela demonstrou pena.

E então disse algo sobre não poder fazer certas coisas durante o dia.

…O quê?

   "Não entendeu?"

Não, eu entendi… só que—

ela usou palavras bem diretas.

   "Você ficaria bem com isso, Saki."

   "...Com isso?"

   "Tipo… relações. Aproximar mais o relacionamento."

De repente, ela começou a falar japonês.

   "O-O que você está dizendo?! Fala mais baixo!"

   "Mas você está falando mais alto que eu."

Olhei ao redor, desesperada.

Ninguém prestava atenção.

Ufa…

   "Você fala japonês…?"

   "Um pouco. Sou meio japonesa."

   "...O quê?"

Ela explicou.

Mãe de Taiwan, pai de Kyushu.

Nasceu no Japão.

   "Meu nome verdadeiro é Woo Meishen. Melissa é só o nome em inglês."

Mudamos para japonês.

Conversamos sobre a vida dela.

Então ela perguntou:

   "Quantos parceiros você gostaria de ter, Saki?"

…Quantos?

   "O normal não é só um?"

Ela suspirou.

   "Eu quero pelo menos dois."

   "O quê?!"

   "É tão estranho assim?"

   "Para mim, sim."

   "Mas você não se apaixona por várias razões?"

Isso me fez pensar.

   "Por hobbies, personalidade…"

   "Ou compatibilidade física."

…Hã?

   "Nem sempre uma pessoa tem tudo."

   "Isso é verdade, mas…"

   "Então por que limitar a uma só?"

   "Eu entendo, mas…"

   "Você acha estranho, né?"

   "..."

   "Não vou negar seus sentimentos… mas isso significa que a outra pessoa também pode ter vários, certo?"

   "Sim."

   "Eles sabem?"

   "Claro. Tem que ser justo."

Fiquei sem palavras.

   "Obrigada por não me julgar", ela disse.

E contou que ninguém no Japão a entendia.

Por isso veio para cá.

Mudou aparência, nome…

Para encontrar um lugar onde pudesse ser ela mesma.

E… eu entendi um pouco.

 

[Ayko: É plausível… se pensar MUITO logicamente, com base em necessidade nem toda pessoa teria capacidade de te oferecer absolutamente tudo que você precise ou possa querer, mas do meu ponto de vista e do meu sentimento, quando você ama você ama. Não há outra pessoa que seja como aquela que eu amo e não preciso racionalizar isso, com todas as imperfeições dela ela é perfeita, ela é como é, por isso a amo, e somente a ela.]

 

Talvez por isso eu também mude minha aparência.

   "Quando te vi, senti algo."

   "...?"

   "Somos parecidas."

Ela continuou:

   "Você se segura muito, não é?"

   "...Parece?"

   "Para mim, sim."

   "Você se importa muito com o olhar dos outros, né?"

   "...Sim."

   "É sufocante, não é?"

Quis rebater.

   "Mas fugir também não é limitar?"

   "Você precisa de um lugar onde possa ser livre."

…Ela tinha razão.

   "Se não, você vai acabar se quebrando."

Depois disso, ela foi embora.

Voltando para o quarto, encontrei a Maaya perdendo no jogo de cartas.

   "Era por isso que eu queria que você viesse!"

Jogamos mais uma rodada.

Satou venceu.

Depois fomos tomar banho.

Enquanto isso, contei tudo para a Maaya.

   "Faz sentido. Se diferentes pessoas atendem diferentes necessidades…"

   "Mas isso é estranho."

   "Desde que seja consentido, qual o problema?"

Ela continuou:

   "Se só existisse um homem no mundo, como seria?"

Entendi o ponto.

   "Ou seja, depender só de um pode ser problemático."

   "…"

   "Mas no fim, o importante é ninguém sair ferido."

Fiquei pensando.

Até que ela disse:

   "Mas no seu caso… você não gostaria que o Asamura fosse tirado de você, né?"

   "Claro que não!"

…Falei sem pensar.

Ela sorriu.

   "Agora você admitiu."

 

[Ayko: Narasaka sabe como jogar o jogo da Ayase…]

 

   "Ugh…"

   "Não precisa esconder mais."

   "M-Mas… somos irmãos…"

   "Vocês não são de sangue."

   "..."

   "No começo, você não pensava assim, né?"

…Ela me entende demais.

   "Você é transparente."

   "S-Sério?"

   "Para mim, sim."

Eu… não fazia ideia.

 

   "Eu tinha a sensação de que vocês dois poderiam acabar em um tipo de relacionamento assim."

   "Ugh… Era tão óbvio assim?"

Sinceramente, eu estava tão preocupada com o que ela pensaria se descobrisse, mas agora que o segredo veio à tona, me sinto mais cansada do que qualquer outra coisa.

   "E então?"

   "E então… o quê?"

   "Se você não quer que ele saia por aí te traindo, é melhor dar um jeito de mantê-lo por perto. Você está fazendo isso?"

   "F-Fazendo o quê?"

   "Tipo… saindo em encontros."

   "Ah, era isso que você quis dizer."

Espera… o que foi que eu pensei que ela estava perguntando? Nossa…

 

[Ayko: Oloco]

 

   "Isso também vale. Mas depois você vai ter que me contar tudo durante aquelas conversas antes de dormir."

   "Nada disso aconteceu, tá bom?"

   "Tá, tá. Enfim, você está em uma viagem, lembra? Tem que aproveitar isso ao máximo."

   "Mas não somos só nós dois. É uma excursão escolar."

   "Então por que vocês dois não saem juntos amanhã? Por sorte, o grupo do Asamura também vai para a Ilha Sentosa. E amanhã podemos andar livremente."

   "Será que…"

…isso é mesmo algo que podemos fazer?

   "Se você deixar ele solto, ele pode acabar andando com as garotas do grupo dele."

Hmph.

   "E ultimamente ele tem prestado mais atenção nas roupas. As pessoas também têm se interessado mais em conversar com ele."

Hmph…

   "Sério?"

   "Bom, foi o que eu ouvi."

   "Você hein…"

 

[Ayko: A Narasaka sabe mexer com a Ayase, uau]

 

Para de me assustar assim.

   "Enfim, é meu trabalho garantir que meu grupo se divirta e volte para o Japão com ótimas lembranças. E você faz parte do meu grupo, Saki. Então me diga… o que você quer fazer?"

Maaya enxaguou o shampoo do cabelo e então olhou para mim. Ela ainda estava sorrindo. Que injusto… Se ela pergunta assim…

   "Eu quero sair com o Asamura… só nós dois."

Maaya soltou uma risadinha.

   "Boa garota. Muito bem dito."

   "Ugh… isso é tão constrangedor."

Mas quando olho para a Maaya, e como ela me permite falar tão facilmente o que estou sentindo…

Talvez ela seja um desses “lugares” que me aceitam completamente… como a Melissa falou.

E eu ficaria feliz se pudesse ser assim para ela também.

   "Então você tem que dizer isso para o Asamura, certo?"

   "Vou dizer."

Fiquei com tanta vergonha que afundei mais na banheira, deixando só os olhos e a parte de cima da cabeça para fora.

   "Obrigada, Maaya…"

Meu murmúrio virou bolhas e se dissipou na água.

Terminamos o banho e, depois de secar o cabelo, fui direto para a cama.

Antes que o sono me vencesse, pensei nos planos para amanhã.

Vamos passar o dia inteiro na Ilha Sentosa, e embora devêssemos ficar em grupo, a Maaya disse que podíamos explorar por conta própria.

Acho que isso também vale para o grupo do Asamura.

Como isso parece outra coincidência conveniente… aposto que a Maaya combinou isso com o Maru.

E como a Satou tem uma amiga no grupo deles, ela provavelmente não vai se importar.

Na verdade, talvez até queira passar tempo com ela.

E a Maaya… o que será que ela vai fazer?

Peguei meu celular, que estava carregando.

Vou mandar uma mensagem para o Asamura.

Acho que todo o calor e a intensidade de hoje estão me deixando meio fora de mim.

E também porque a Maaya me pressionou assim.

Ela até descobriu…

Preciso contar isso para ele também.

   "Eu gostaria de sair sozinha com você amanhã na Ilha Sentosa. Você acha que é possível?"

Também acrescentei a desculpa de que não precisamos ficar sempre em grupo, desde que não saíssemos da ilha.

Vai ter muitos alunos do segundo ano do Suisei High por lá.

Mas, se evitarmos lugares cheios e tomarmos cuidado, não devemos encontrar ninguém conhecido.

Assim, dá para nos encontrarmos.

A mensagem foi visualizada, mas a espera pela resposta pareceu uma eternidade.

Comecei a ficar preocupada, pensando que talvez estivesse colocando pressão demais nele.

Quando a resposta chegou, senti o peito apertar.

   "Entendi. Vou avisar o pessoal do meu grupo e depois te digo se conseguimos nos encontrar e como vai ser amanhã."

Um suspiro escapou dos meus lábios.

Não foi um “ok”, nem um “não”… mas podia ser pior.

Não há garantia de que vamos conseguir ficar sozinhos mesmo.

Pelo menos ele não recusou…

O resto depende de amanhã.

Fiquei tão aliviada que o sono veio imediatamente.

Mas, quando minha consciência já estava se apagando, outra mensagem chegou.

Esfreguei os olhos e olhei o celular.

   "Eu também quero sair com você, Ayase."

…Hã?

Ah…

Isso me deixou tão feliz.

Como eu respondo?

Depois de pensar muito, mandei só um sticker.

Não queria parecer feliz demais, caso algo aconteça e ele acabe desistindo.

Tudo que eu podia fazer era torcer para que conseguíssemos estar juntos na ilha… enquanto fechava os olhos.

[Ayko: Que fofinha ela, muito fofinha]

 

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