Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 7

Capítulo 11: 20 de Fevereiro (Sábado) - Yuuta Asamura

20 DE FEVEREIRO (SÁBADO) – ÚLTIMO DIA DA VIAGEM DE CAMPO – YUUTA ASAMURA

A chuva caía sem parar no Aeroporto de Changi naquele dia, como se fosse uma espécie de compensação pelo tempo limpo que tivemos nos últimos dias. O céu agora estava coberto por nuvens cinzentas, e gotas prateadas de água despencavam em direção ao chão.

Ainda assim, isso não afetaria nosso voo, então seguimos os mesmos procedimentos de quando partimos do Japão e nos dirigimos da área de espera até o embarque. Depois de passar pelo portão, entramos no avião.

Talvez fosse coincidência eu ter ficado no mesmo assento da vinda, mas quando olhei pela janela, a paisagem era completamente diferente. Ou melhor, eu nem conseguia ver o céu. As gotas de chuva batiam contra o vidro, deixando tudo do lado de fora embaçado. Eu estava contando as gotas enquanto me recostava no assento quando ouvi uma voz ao meu lado.

   “Hoje você tá bem tranquilo, hein?”

   “Sinto que aceitaria de boa até se a gente caísse e morresse.”

   “Para de mentir.”

   “Foi tão óbvio assim?”

   “Eu apostaria mais que até o próprio diabo mandaria você voltar pra casa.”

   “Então você já decidiu que eu vou pro inferno?”

   “Se o Yoshida soubesse disso, com certeza diria isso”, disse Maru, olhando de relance para o lado.

Assim como na ida, estávamos sentados em fileiras de quatro: eu na janela, depois Maru e Yoshida. Este último estava ocupado conversando com a garota ao lado—

   “Mas, pelo que parece, ele tá bem satisfeito, não?” sussurrei para Maru.

O motivo era simples.

   “Eles até trocaram LINE”, disse Maru.

Ele se esforçou, então acho que mereceu.

   “Mas então por que você tá pegando no meu pé?”

   “Escuta aqui. Quer que eu cite a frase do dono da estalagem do jogo mais famoso do mundo?”

   “E qual seria?”

   “‘Tiveste uma boa noite de sono—’”

 

[Ayko: Quem jogou Skyrim deve ter pegado a ref! Essa foi das boas inclusive]

 

   “Eu não cheguei tão tarde assim, tá?!”

Acho que falei mais alto do que pretendia, porque até Yoshida e outras pessoas ao redor olharam para mim. Que imagem péssima ele pintou de mim. Só ficamos vendo o pôr do sol em silêncio e depois voltamos para o hotel juntos.

E, pelo jeito como ele falou, deve ter percebido o tipo de relação que eu tenho com a Ayase. Ele até usou a palavra “relacionamento” na mensagem que me mandou antes. E não parou por aí. Ele estreitou os olhos enquanto eu pigarreava.

   “Então, o que aconteceu?”

…Eu já esperava isso. Mas com tanta gente por perto, não era algo que eu pudesse declarar abertamente. Então fui vago.

   “Bom… deu tudo certo.”

   “Eu sei.”

Suspirei. Mas então… como ele sabia disso?

Eu nunca disse que fui encontrar a Ayase.

   “Posso perguntar como você descobriu?”

   “Infelizmente, não posso divulgar informações pessoais do meu cliente.”

   “Você trabalha em que tipo de agência de detetives?”

   “Enfim, fico feliz que deu certo. Vai admitir isso pelo menos?”

   “Bom…”

No caminho de volta, eu e a Ayase conversamos sobre algumas coisas. Ela pediu desculpas por ter deixado a Narasaka descobrir sobre nós, mas eu disse que o Maru provavelmente também já sabia, então estávamos quites. E decidimos parar de tentar esconder tudo à força.

Nosso relacionamento não é algo que possamos exibir abertamente, mas também não é algo pelo qual devamos sacrificar nossos sentimentos só para esconder.

Talvez, para outros casais, nossa relação como irmãos e amantes seja vista com desprezo. Ainda assim, já caminhamos até aqui a ponto de não querer voltar atrás. O calor que sentimos ao nos abraçarmos naquela ponte… é algo que passamos a valorizar.

   “Eu precisava dar uma ajudinha, né?”

   “Você não é nenhum profeta… eu não esperava que acabasse assim.”

   “Sério? Bom… tudo que esquentou agora provavelmente vai esfriar quando os exames de admissão chegarem.”

Ele falou como se tivesse me empurrado por causa disso. Parecia que eu era só uma peça num jogo comandado pelo melhor receptor do time de beisebol do colégio Suisei.

   “Você sabe, mas não exagere. Em abril a gente vira candidato aos exames.”

E agora ele fala pra não exagerar… O que ele acha que eu e a Ayase estamos fazendo?

   “Você não é minha mãe.”

   “Meu caro amigo, você parece racional agora porque suas experiências te fizeram frear quando necessário. Não acelera demais.”

   “Tá, tá.”

   “Ei, do que vocês estavam falando?” Yoshida perguntou.

   “Que eu ajudei o Asamura a estudar pros exames.”

   “Já tá preocupado com isso?!”

   “Yoshida… você sabe que daqui a pouco mais de um mês todos nós seremos candidatos, né?”, disse Maru.

   “Não quero pensar nisso!”

   “O tempo não para pra ninguém.”

Agora ele virou sábio também.

O avião tremeu levemente e começou a acelerar pela pista. As linhas de água ficaram horizontais. Quando senti meu corpo pressionar contra o assento, já estávamos inclinando para trás e subindo através de uma nuvem escura. O avião balançava mais do que na vinda, e o aviso de cinto não desligava.

   “Queria lembrar melhor dos últimos momentos antes de irmos embora…”, disse Maru, meio frustrado.

   “Dá pra voltar de novo, né?”, respondeu Yoshida despreocupado.

Concordei.

Podemos voltar.

Eu e a Ayase… juntos.

Quando atravessamos a nuvem, fomos recebidos por um céu azul infinito. O aviso de cinto apagou.

Lá embaixo, ainda dava para ver a costa de Singapura.

Durante todo o voo, não dormi nem um minuto. Aproveitei finalmente a famosa comida de avião.

Quando chegamos ao Japão, o sol já estava se pondo. Depois que a escola se dispersou no aeroporto, eu e a Ayase fomos esperar o trem.

Estava bem mais cheio do que na ida, mas como era o ponto inicial, conseguimos sentar.

O trem começou a se mover com um forte balanço.

Estávamos exaustos. Só bocejávamos. Nenhuma conversa de verdade.

Depois de um tempo, senti um peso no ombro.

Olhei ao lado.

A Ayase dormia, respirando suavemente.

Já a tinha visto cochilar de longe, mas talvez fosse a primeira vez que via seu rosto de tão perto.

O cheiro do cabelo dela chegava até mim.

Os cílios… tão longos…

Cada pequeno detalhe chamava minha atenção.

Seu peito subia e descia lentamente. Quase dava para sentir o pulso dela, o que fez meu coração acelerar. Fiquei até preocupado se ela perceberia.

Quando fomos visitar minha família, dormimos no mesmo quarto, mas nem assim vi seu rosto dormindo.

Agora… ela parecia completamente indefesa.

E perceber o quanto nos aproximamos me trouxe uma sensação de calor e felicidade.

—Mas isso é porque suas experiências te fizeram frear quando necessário.

As palavras do Maru voltaram à minha mente.

Freios, huh?

Será que eu abri meu coração tanto quanto ela abriu o dela?

Talvez eu devesse tentar equilibrar isso.

Afinal, depender um do outro em momentos assim é importante.

O som rítmico do trem se misturava ao leve balanço do meu corpo.

Embora… provavelmente seria ainda mais agradável se tudo simplesmente permanecesse em silêncio.

[Ayko: AAAAA que screen LINDA]

 

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