Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 7

Capítulo 10: 19 de Fevereiro (Sexta-Feira) - Saki Ayase

19 DE FEVEREIRO (SEXTA-FEIRA) – DIA 3 DA VIAGEM DE CAMPO – SAKI AYASE

Para ler uma carta escrita em papel, você precisa de luz.
Por outro lado, uma mensagem no celular pode ser lida no escuro sem problema algum. Até mesmo uma mensagem do Asamura pode permanecer escondida de qualquer pessoa, desde que eu cubra a cabeça com o cobertor. Não chama a atenção de ninguém. Quanto a como eu pareço aos olhos dos outros—eu nem estava pensando nisso.

A primeira coisa que fiz ao acordar foi pegar meu smartphone e puxar o cobertor sobre o rosto, abrindo o LINE... No entanto, não havia resposta. Bem, ainda são seis da manhã. O café da manhã é às sete, então ele provavelmente ainda está dormindo. Talvez esteja dizendo ao grupo dele que quer andar sozinho hoje. A resposta pode chegar a qualquer momento. Não preciso me apressar.

   “Puwah!”

Afastei o cobertor da cabeça e soltei um suspiro. Ao lado da minha cama, Maaya estava penteando o cabelo, e nossos olhares se encontraram.

   “Oh, Saki. Estava participando de algum campeonato de mergulho de cobertor?”

Não acho que exista algo assim.

   “Tá bem quente, né?”

   “...Por que será?”, Maaya me lançou um olhar frio.

Eu sabia que devia estar parecendo uma idiota. Por isso, simplesmente ignorei. Me troquei, tomei café na cafeteria e conferi o celular de novo, mas ainda não havia resposta. Comecei a ficar inquieta, pensando que talvez não devesse ter perguntado. Será que mando outra mensagem? Mas não quero que ele pense que estou sendo grudenta. E enquanto eu hesitava, nos preparamos para sair.

Pensando bem, vamos para o mesmo lugar. Enquanto estivermos em grupo, devemos acabar nos vendo uma ou duas vezes, certo? Não tem motivo para entrar em pânico... foi assim que fui me convencendo enquanto partíamos.

A Ilha Sentosa é uma pequena ilha localizada ao sul de Singapura. É famosa como um resort de lazer, com vários pontos turísticos populares, como o Universal Studios Singapore, o Mega Adventure Park e a Palawan Beach. Não podemos entrar, mas também há cassinos. A ilha é conectada à principal por uma grande ponte, que pode ser atravessada de carro, ônibus, táxi, a pé, monotrilho, teleférico e assim por diante. No entanto, é preciso pagar uma taxa de entrada.

Nosso grupo escolheu ir de ônibus. Havia quatro faixas só de um lado da ponte, e todos estavam focados no vasto oceano azul que se estendia à esquerda e à direita. Só de olhar, não era tão diferente da Tokyo Bay Aqua-Line—na verdade, era sim. Aqui havia quatro faixas só para um lado, e a cor do mar parecia mais... tropical?

Todos estavam animados olhando pela janela, mas eu estava olhando para o celular. Enviei uma mensagem ao Asamura.

   “Me avise quando puder arrumar um tempo.”

Claro, depois que chegássemos à ilha. Agora, todos os alunos devem estar indo para lá. Talvez... levantei o olhar e encarei a janela. Havia vários carros ao lado do nosso, mas nenhum outro ônibus. Talvez ele já tenha chegado, ou esteja a caminho. Suspirei de novo quando o celular vibrou, me trazendo de volta à realidade. Olhei rapidamente.

   “Desculpa pela demora! Vou dar um jeito de sair à tarde, aí a gente se encontra!”

Era uma resposta curta, mas me trouxe alívio. Ainda bem. Pelo menos ele está tentando fazer dar certo. Mas será que ainda não contou ao grupo dele? Bom, Maaya já sabe do meu relacionamento com o Asamura, então tenho o apoio total dela como líder do grupo. Mas com ele não é assim.

Mesmo que diga que quer andar sozinho, podem ficar irritados com ele por agir como um solitário. Já que ele disse que pode à tarde, devo confiar.

Provavelmente quer passar a manhã com o grupo. Não quero atrapalhar as amizades dele, e se nos encontrarmos à tarde, isso já deve ser suficiente. Não posso ser gananciosa.

E então percebi que essa troca de mensagens me parecia estranhamente familiar. Foi como se uma pedra pesada afundasse no meu estômago. Me lembrei das conversas entre meu pai e minha mãe.

Ela trabalha como bartender em um bar em Shibuya e sempre chega tarde. Era por causa do trabalho, então não havia muito o que fazer, e meu pai deveria entender isso. Ainda assim, depois de perder a empresa e a confiança nas pessoas, ele passou a ver tudo com desconfiança. Todos os dias reclamava.

   “Chegando tarde de novo?”, perguntava.

A voz irritada dele me fazia encolher de medo. Eu ficava apavorada quando criança. Me perguntava como ele podia falar assim com a minha mãe. Naquela época, ele era o errado. A raiz de todo mal. Eu só queria que ele parasse de culpar a mamãe por tudo.

E ela... apenas suportava em silêncio. Provavelmente sabia que discutir não levaria a lugar nenhum. Não era lógica. Era sentimento.

Olhei o celular novamente. Ainda sem resposta. Mas ele tem suas próprias relações, e ainda estamos numa excursão. Não é como se tivesse tempo livre infinito. Sou egoísta por esperar resposta imediata. Eu sei que não deveria me sentir assim. Não é justo ficar irritada porque ele ainda não conseguiu tempo.

Não quero ser como meu pai, que dizia tudo o que vinha à cabeça.

Passei o dedo pela tela e digitei:

   “Você não precisa se forçar. Me avise quando for melhor para você.”

Depois de enviar, levantei a cabeça.

   “Ei, Maaya.”

   “O que foi, querida? Quer ir ao banheiro?”

   “Q-Quer calar a boca?”

Estamos rodeadas de gente!

   “Fwah fwurfs!”

   “Espero que doa! Chega de brincadeira!”

   “Ofay ofay, fwof fwuwing!”

Soltei as bochechas dela e pigarreei.

   “Só achei que você estava com dor de barriga, porque fez uma cara tão séria. Ou está    entupida?”

   “...Vou puxar suas bochechas de novo.”

   “Desculpa!”

   “Chega de brincadeira. Eu estava pensando no que vamos fazer quando chegarmos à ilha.”

   “Ah, certo. Desde que a gente esteja no lugar certo na hora certa, podemos fazer basicamente o que quisermos. Mas são opções demais, então pesquisei alguns lugares recomendados e anotei no LINE.”

   “Oooh!”

Até a Satou se impressionou.

   “Isso ajuda muito! Uau.”

Ela tinha razão. Com tanta liberdade, poderia ter simplesmente relaxado. Mas ela pensou em tudo. É isso que a torna confiável.

   “O Universal Studios fica logo depois da ponte. E mais a oeste tem o Mega Adventure Park.”

   “Hm. Qual seria melhor?”

   “Em qualquer um deles, não dá pra ver tudo em um dia. A menos que alguém tenha algo específico em mente.”

   “Entendi.”

   “E vamos pegar o mesmo ônibus de volta, então temos tempo limitado. Se acontecer algo, mantenham contato. Pelo menos aqui tem wi-fi gratuito em todo lugar.”

Todas respondemos “Tááá!” como crianças.

   “Mas, teoricamente, deveríamos começar pelo lugar mais distante. Comprar lembrancinhas cedo e ter que carregá-las seria um saco.”

Todos concordaram.

Logo depois descemos do ônibus, e os meninos decidiram ir ao Mega Adventure Park, enquanto nós três meninas encontraríamos a amiga da Satou, Mio, no caminho, e depois iríamos ao Universal Studios.

   “Não é qualquer aventura, é mega!”, disseram.

Não entendi o que tinha de tão especial nisso, mas Maaya disse que meninos gostam de palavras como “mega” ou “giga”.

 

[Ayko: Amo um Mega Rayquaza Ex…]

 

Seguimos até a entrada do parque. Era fácil de reconhecer por causa do grande globo azul com “Universal” escrito.

Quando nos aproximamos, Maaya sussurrou:

   “Tem certeza que quer entrar com a gente? Depois não vai dar pra sair rápido.”

Ela falava do encontro com o Asamura. Mas ele ainda não respondeu.

   “Tá tudo bem. Vamos nos divertir.”

Era disso que eu precisava agora.

Entramos.

O sol estava no auge. Mais forte que ontem. Difícil acreditar que ainda era fevereiro. Disseram que podia chover a qualquer momento, mas não havia nuvens.

Nos divertimos bastante. Só nós meninas, consegui relaxar mais. O mais surpreendente foi ver a Satou adorando a montanha-russa.

Depois comemos, passeamos mais e fomos até a Palawan Beach.

Por volta das três da tarde, o sol começou a enfraquecer. Fingi ver as horas, mas estava olhando mensagens. Nenhuma resposta.

Enviei:

   “Estamos indo para a Palawan Beach.”

Esperei. Nada.

   “Vou ficar lá. Aviso se mudarmos.”

Espero que chegue...

   “Vamos indo!”, disse Maaya.

Seguimos.

A ilha tem formato triangular invertido. A praia fica no sudoeste. Do Universal até lá são cerca de 2 km—uns 30 minutos a pé.

   “No pior dos casos, a Saki pede informação.”

   “Eu?!”

   “Você fala melhor inglês.”

Eu queria negar... mas era verdade.

Caminhamos, vimos o mar ao longe.

   “Uau!”

   “É o mar! Vamos correr e pular juntos?”

   “Não!”

Chegamos à praia.

   “É tão branca!”, disse Satou.

Também vimos uma pequena ilha ligada por uma ponte suspensa.

   “Aquela é a Ilha Palawan.”

A ponte parecia frágil...

Mesmo assim atravessamos. Tremia a cada passo. Foi mais assustador que qualquer montanha-russa.

Finalmente chegamos.

Era pequena, simples. Sentamos, relaxamos.

   “Amanhã já vamos embora...”, disse Maaya.

   “Parece surreal”, respondeu Satou.

Depois voltamos.

Maaya sugeriu que eu ficasse.

   “Você vai se encontrar com alguém, né?”

Ela percebeu.

Antes que eu respondesse, foram embora.

Fiquei sozinha.

Voltei à ponte e parei no meio. O sol se punha. O som do mar, do vento... parecia outro mundo.

Um casal passou por mim, de mãos dadas. Recém-casados, talvez.

   “Que bom...”, murmurei sem perceber.

Tapei a boca.

Desejo e razão... sempre paralelos.

Pensei no Asamura. Tenho medo de mostrar meus sentimentos.

Mas preciso ser honesta.

Desci da ponte, conectei o celular ao wi-fi e enviei:

   “Estou esperando na ponte suspensa da Palawan Beach. Por favor, venha.”

Logo apareceu:

   “Desculpa por te fazer esperar. Estou indo agora.”

Levantei a cabeça.

Voltei correndo à ponte.

O sol desaparecia.

Então... a ponte tremeu.

Eu ouvi passos. Me virei.

Era ele.

Ofegante, suado.

   “Desculpa... demorei...”

O alívio tomou conta de mim.

Mas eu sabia: guardar tudo não resolve.

   “Eu esperei bastante.”

Ele ficou tenso.

Continuei:

   “Mas você veio...”

Me aproximei e o abracei.

   “Fico feliz de poder te ver.”

E, enquanto o sol desaparecia no horizonte, nossas silhuetas se tornaram uma só.

 

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