Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 5

Capítulo 4: 20 de Outubro (Terça-Feira) - Saki Ayase

20 DE OUTUBRO (TERÇA-FEIRA) — SAKI AYASE

Eu ia sair com o Asamura depois da escola.

Só de pensar nisso, eu ficava tão ansiosa que não sabia o que fazer. Não conseguia prestar atenção nas aulas de jeito nenhum.

Já era difícil me concentrar depois do almoço, mas hoje eu nem me dei ao trabalho de anotar o que estava no quadro. Só fiquei ali, meio aérea, com os pensamentos girando.

Nunca imaginei que chegaria o dia em que eu teria que me preocupar com como agir perto de garotos ou com o que seria apropriado fazer com alguém que é mais do que um irmão, mas ainda não é exatamente meu namorado.

[Ayko: Ênfase no ainda…]

Espera, isso também não está certo.

Eu não estava interessada em como agir com garotos em geral. Não me importava com o que outros garotos pensavam. Eu só não queria que um garoto em específico passasse a não gostar de mim. Esses pensamentos ficavam rodando na minha cabeça, me distraindo dos estudos.

Quando a quinta aula acabou e tivemos um pequeno intervalo, Maaya veio até mim do canto da sala.

   "O que foi?", ela perguntou.

   "Hã...? Ah, nada."

   "Sei. Você ficou desligada a aula inteira."

   "Você não devia estar prestando atenção na aula em vez de ficar me observando?"

Como ela sabia que eu estava distraída? Ela nem devia estar olhando pra mim. Mas então lembrei que ela tinha tirado uma nota maior do que a minha na última prova.

...Melhor mudar de assunto.

   "Maaya, você é popular. As pessoas gostam de você. Não só as garotas, mas os garotos também. Tem algum segredo pra isso?"

   "Ah? Hmmm... Não sei, mas sempre dizem que eu sou amigável e fácil de abordar."

   "Amigável e fácil de abordar...", repeti.

Isso parecia meio difícil. O que exatamente significa ser "amigável e fácil de abordar"? Enquanto eu tentava encontrar uma resposta, Maaya se inclinou e sussurrou: "É só ficar sorrindo que você conquista o coração do Asamura na hora!"

   "Eu já disse que nem tudo gira em torno do Asamura."

   "Tem certeza? Você falou especificamente ‘garotos também’, então achei que queria que um garoto específico gostasse de você."

   "Para de tirar conclusões estranhas."

[Ayko: Conclusões estranhamente precisas.]

 

   "Hmmm."

Ela claramente não acreditou em mim. Tudo bem. Nesse momento, o sinal tocou, e eu a afastei da minha mesa.

Amigável e fácil de abordar... Será que eu só precisava sorrir?

Eu não era muito boa em sorrir, mas se isso fosse deixar o Asamura feliz, talvez eu pudesse tentar.

Mas, no fim, foi muito mais difícil do que eu imaginei.

Depois da escola, fui para casa me trocar. Então me sentei, olhei para o espelho redondo na minha mesa e comecei a testar várias expressões faciais.

Fiquei puxando e mexendo na pele ao redor da boca. Depois de um tempo, minhas bochechas ficaram cansadas. Os músculos do meu rosto deviam estar totalmente fora de forma. Um sorriso, hein? Como é que um sorriso deveria ser?

Normalmente eu tentava manter uma expressão neutra para que ninguém conseguisse ler minhas emoções. Olhar para o meu rosto no espelho agora me deixava muito desconfortável. Por que eu estava fazendo isso? Não, espera, Saki. Se você voltar ao seu normal, vai perder. Mas perder em quê, exatamente?

Depois de um longo duelo de olhares com o espelho, consegui produzir algo que parecia um sorriso. Vai ter que servir.

Criei coragem, saí para o corredor e bati na porta do Asamura.

Depois de perguntar se ele estava pronto, me sentei no sofá e esperei. Então a porta se abriu.

No momento em que me levantei e nossos olhares quase se encontraram, desviei o olhar e, meu coração estava disparado. Percebi que não tinha prestado muita atenção na minha roupa e comecei a torcer para estar bem.

"Vamos?", eu disse, indo em direção à porta sem esperar a resposta dele.

Eu já tinha decidido nosso destino: Ikebukuro.

Apesar do que se possa pensar, Maaya adorava anime e mangá, e ela me contava bastante sobre isso. Inclusive me avisava sempre que saíam novos produtos que ela gostava. Será que ela esperava que eu comprasse também?

Eu e Asamura fomos até a estação de Shibuya para pegar um trem da linha Yamanote.

Enquanto esperávamos na plataforma, dei uma olhada de relance nele.

Ele estava usando uma jaqueta preta com botões por cima de um suéter cinza.

Era bem o estilo do Asamura, e eu gostei — simples, mas não chamativo demais. Pensei que roupas funcionam melhor quando combinam com a personalidade da pessoa. É importante usar algo que combine com você.

Espera... Será que eu só acho que tudo fica bem no Asamura? Bom, tanto faz.

Eu podia perceber que eu estava mais chamativa ao lado do estilo casual dele. Eu não estava mostrando muita pele, mas estava usando verde e vermelho — cores de Natal. Cores assim são difíceis: se você errar na combinação, vira motivo de piada, mas quando acerta, fica ótimo.

Eu achei que estava bem no espelho, mas fiquei me perguntando o que o Asamura acharia.

Escolhi algo mais discreto do que o normal, puxando mais para o lado fofo do que bonito. Mas era o máximo que eu podia fazer, já que não tinha muitas roupas desse tipo. Estilos mais sóbrios não combinam muito comigo, que gosto de me expressar, mas não sou muito boa em negociar.

No trem, fiz um esforço para parecer amigável e acessível enquanto conversava com o Asamura. O tempo todo, fiquei me perguntando como eu estava me saindo.

Quando chegamos a Ikebukuro, usei o mapa do celular para nos levar até uma loja que eu tinha pesquisado antes. Eu não conhecia muito bem a região, mas o mapa me impediu de me perder. Agradeci mentalmente à tecnologia.

A movimentação ali era parecida com a de Shibuya. Se tivesse que apontar uma diferença, diria que havia mais pessoas da nossa idade — estudantes do ensino médio e universitários. Muitas lojas da rua Sunshine 60 eram voltadas para jovens; provavelmente havia mais adultos na área da saída oeste, onde ficavam bares e pubs.

Era impressão minha, ou havia mais casais por ali? Garotos e garotas juntos, quero dizer. Talvez eu só estivesse reparando mais nisso agora.

   "Uau..."

Asamura, que caminhava ao meu lado, falou de repente. Segui o olhar dele e quase tive a mesma reação.

Havia um casal à beira da rua se beijando intensamente. Estavam completamente envolvidos um com o outro.

Consegui manter a voz baixa.

Eu não estava beijando ninguém, claro, mas meu corpo começou a esquentar. Minha mente criou, sem pedir, uma imagem de mim e do Asamura fazendo a mesma coisa. O que eu estou pensando?, gritou a parte racional da minha mente, horrorizada.

Enquanto Asamura olhava fixamente para o casal, comecei a me preocupar que ele pudesse de algum jeito ler meus pensamentos, e dei um leve cutucão nas costelas dele.

   "É falta de educação ficar encarando."

   "Desculpa. Não consegui evitar. Foi falta de consideração da minha parte."

Eu o fiz se desculpar. Mas só estava tentando esconder minha própria vergonha, então me senti mal.

   "Eu entendo como você se sente", disse rapidamente. "É... surpreendente ver algo assim do nada."

Eu falava sério, e fiquei aliviada quando Asamura sorriu de forma sem graça e concordou. Fiquei feliz por não ter deixado ele irritado.

Depois disso, fomos a uma loja de anime.

Eu estava pensando em comprar algo para a Maaya relacionado a um anime que ela tinha mencionado antes — algo com um design mais casual, que ela pudesse usar no dia a dia. Enquanto procurávamos, eu e Asamura fomos andando pela loja.

Pegávamos item após item e perguntávamos um ao outro se seria um bom presente. Você acha infantil demais? Talvez combine com ela. Essa troca de opiniões me deu uma ideia de como ele via a Maaya, e sempre que concordávamos, eu me sentia estranhamente feliz.

Pensando bem, essa foi a primeira vez que eu e Asamura pegamos um trem e saímos para fazer compras só nós dois. Quando fomos à piscina nas férias de verão, estávamos em um grupo grande. Nunca imaginei que ficaria tão nervosa e animada por estar sozinha com ele.

Depois que Asamura terminou as compras, decidimos ir para casa.

Eu também pensei em comprar algo para a Maaya, mas isso revelaria que eu e o Asamura tínhamos saído juntos. Por outro lado, ela sabia que éramos irmãos, então talvez não fosse um problema.

De qualquer forma, eu poderia passar pela região da estação de Shibuya antes da aula no dia seguinte e comprar algo para ela.

Estávamos no trem de volta, e eu já estava aliviada por tudo ter corrido bem, quando Asamura disse algo inesperado.

Ele perguntou se a roupa dele estava estranha.

Eu não esperava uma pergunta dessas e fiquei muito surpresa. Para começar, eu não via nada de errado no que ele estava usando. Para mim, ele estava ótimo do jeito que estava.

Depois de pensar um pouco, tive uma ideia. Ofereci escolher algo para ele, desde que ele não se importasse de ser baseado no meu gosto pessoal. Isso significava parar em mais um lugar antes de irmos para casa — uma loja de roupas masculinas.

O que eu pensei foi o seguinte: primeiro, eu escolheria um conjunto estiloso que combinasse com a personalidade do Asamura. Depois, faria ele comparar com o que estava usando agora e montar um novo visual por conta própria. Em outras palavras, iríamos "conversar através disso", como sempre.

Eu não sabia se o resultado final seria uma roupa boa para um encontro, mas eu não me importava muito com esse tipo de coisa, então achei que estava tudo bem. O que eu não queria era que o Asamura começasse a se vestir como outra pessoa.

...Eu estava sendo egoísta?

Fomos a uma loja de roupas masculinas perto da estação de Daikanyama.

Fui na frente com confiança, dando ao Asamura a impressão de que eu frequentava aquele lugar.

Claro que não. Só parecia que eu sabia onde estava porque essas lojas de marca são bem parecidas. Talvez eu fosse lá com frequência se gostasse mais de moda masculina, mas não é o caso.

Quando contei isso ao Asamura, ele apontou para um manequim e disse que achava que aquelas roupas combinariam comigo. Comecei a me preocupar com a imagem que ele tinha de mim.

Uma jaqueta de couro preta e um cinto largo, é? Eu não gosto de ser subestimada, mas também não estou tentando intimidar ninguém.

Ele disse que achava que eu ficaria estilosa com aquilo. Que tipo de comentário é esse?

Estamos escolhendo roupas pra ele, não pra mim. Sério... qual é a dele?

Senti meu rosto esquentar. Será que estava quente ali dentro?

Fui olhando as peças, às vezes segurando algumas na frente do Asamura. Era divertido, como brincar de vestir alguém. Me perguntei se seria assim fazer compras juntos como um casal casado.

...Espera. Eu devia ter dito "irmãos". Casal casado já é um salto grande demais.

Eu estava gostando de passar tempo com o Asamura, mas estava começando a me deixar levar, e isso não era bom. Eu precisava me concentrar.

Demos uma volta completa na loja, e eu escolhi uma jaqueta e uma camisa para ele. Ambas chamaram minha atenção imediatamente e se mostraram boas escolhas.

Depois de mais uma parada, fomos para casa.

Enquanto caminhávamos pela escuridão, fiquei aliviada ao ver a luz da entrada do nosso prédio brilhando em nossa direção. Isso me surpreendeu — em algum momento, aquele apartamento tinha começado a parecer um lar.

Assim que atravessássemos a porta, nosso encontro terminaria, e eu voltaria a ser apenas a meia-irmã dele.

Foi então que pensei: e eu?

Eu não tinha percebido que o Asamura estava preocupado com moda, mas será que ele tinha notado que eu estava tentando ser amigável e acessível?

Perguntei: "A propósito, como eu fui?"

Ele demorou alguns segundos para responder, e pareceu muito mais tempo do que o normal. Mas quando murmurou "Suas expressões faciais?", eu fiquei muito feliz. Certo!

Então ele disse:
  "Parecia que você estava tentando não rir."

Hã?

   "Eu achei que você estava tentando segurar o riso."

Quase desabei ali mesmo. Do que ele estava falando?

   "Foi isso que pareceu pra você?"

Eu tinha me esforçado tanto para sorrir, achando que isso o deixaria feliz, e mesmo assim nada disso chegou até ele.

Fiquei com muita vergonha.

Quanto mais eu pensava nisso, mais meu rosto esquentava. Eu queria cavar um buraco e me enterrar. Ou talvez deitar e alguém me cobrir. Não, melhor ainda, queria simplesmente desaparecer do mundo sem deixar vestígios. Onde fica o botão de autodestruição?

Coloquei minha expressão séria de sempre de volta para que ele não visse que eu estava corando. Não é nada. Absolutamente nada. Não estou abalada. Nem um pouco.

Acho que eu realmente não me entendo. Eu estava tentando forçar uma expressão que não era capaz de fazer. Eu não sou o tipo de pessoa que consegue sorrir facilmente e ser amigável com os outros.

Apaguei qualquer emoção do meu rosto. Eu estava tentando agir como outra pessoa.

Esquece. Saki Ayase vai ser só uma garota sem graça e difícil de abordar pelo resto da vida. Não tem jeito.

Mas então, bem quando a porta do elevador estava se fechando, Asamura disse que não achava que eu precisava mudar — que assim eu era mais eu mesma.

Fingi que não ouvi.

Não sei por quê, mas senti algo quente se espalhar pelo meu peito com aquele comentário.

Era por isso que o Asamura era um problema pra mim. Ele me fazia oscilar de um lado para o outro, a ponto de eu perder de vista para onde esses sentimentos estavam indo.

Eu queria que fôssemos irmãos muito próximos ou queria que ele fosse meu namorado?

Que tipo de relação eu desejava?

E ele? O que ele queria?

Eu achava que já tínhamos decidido como seria nossa relação, mas a voz tentadora na minha cabeça sussurrava: "É só isso mesmo que você quer?"

Quando Asamura disse aquelas coisas gentis, senti um impulso repentino. Quis tocar o rosto dele e responder àqueles lábios gentis — não com palavras, mas com os meus.

Assim como naquela vez em que o abracei atrás de uma porta fechada, onde ninguém podia nos ver.

Mas, se eu fizesse algo assim de repente, iria assustá-lo. Então quando seria o momento certo? Eu não sabia… e acabei ficando sem agir.

Naquela noite, decidi usar meus sais de banho favoritos.

Esperava que me envolver em um aroma agradável ajudasse a acalmar minha mente, pelo menos um pouco.

 

Apoie a Novel Mania

Chega de anúncios irritantes, agora a Novel Mania será mantida exclusivamente pelos leitores, ou seja, sem anúncios ou assinaturas pagas. Para continuarmos online e sem interrupções, precisamos do seu apoio! Sua contribuição nos ajuda a manter a qualidade e incentivar a equipe a continuar trazendos mais conteúdos.

Novas traduções

Novels originais

Experiência sem anúncios

Doar agora