Gimai Seikatsu Japonesa

Tradução: Ayko

Revisão: Enigma


Volume 5

Capítulo 3: 20 de Outubro (Terça-Feira) - Yuuta Asamura

20 DE OUTUBRO (TERÇA-FEIRA) — YUUTA ASAMURA

Comecei a ficar ansioso na terça-feira por volta do meio-dia.

Minha primeira aula da tarde era Japonês Moderno, e as vozes dos meus colegas lendo o livro didático entravam por um ouvido e saíam pelo outro, como se estivessem falando em uma língua estrangeira.

O motivo de nada ficar na minha cabeça era simples: ela já estava cheia. Já fazia um tempo que só havia uma coisa ocupando meus pensamentos — meu encontro de compras com a Ayase.

Eu pensava e repensava em como fazer aquilo dar certo.

Eu não tinha confiança suficiente para dizer que queria que ela aproveitasse nosso tempo juntos, mas pelo menos não queria entediá-la.

   "O que você está resmungando, Asamura?"

Olhei para cima e vi que o Maru, sentado à minha frente, tinha se virado para me encarar.

   "Ah, qual é, Maru. Estamos no meio da aula."

Ele arregalou os olhos.
  "Do que você está falando? A aula já acabou faz tempo."

   "Hã?"

Olhei em volta, em pânico, e vi meus colegas se levantando. Só então lembrei que teríamos um experimento de Química e precisávamos ir para outra sala.

   "Você parece distraído", disse Maru. "Se algo está te incomodando, pode falar comigo. Não sei se vou conseguir ajudar, mas…"

   "Sem muita confiança, hein? Mas isso é bem a sua cara."

   "Eu não faço promessas vazias."

Era por isso que eu confiava nele. E mesmo assim…

   "Isso ainda é sobre aquilo de antes?" ele perguntou.

   "Não exatamente, mas…"

Ao olhar para ele, lembrei do conselho que ele tinha me dado.

   "Ei, Maru? Você disse que era importante deixar a pessoa ver que você está se esforçando por ela, né?"

   "Disse, sim… E é o processo que importa. Não dá pra confiar só no resultado final."

Ele me olhou como se dissesse "então era aquilo mesmo". Talvez fosse… ou não.

   "Mas o que você quis dizer com ‘não dá pra confiar só no resultado’?"

   "Pensa num cara que não entende nada de maquiagem", ele começou. "Você acha mesmo que ele conseguiria olhar pra uma garota e perceber se ela se esforçou para ficar bonita para ele?"

   "Hum…"

   "Para julgar isso direito, teria que ser alguém que entende de maquiagem também."

   "Faz sentido."

Lembrei da Ayase no dia anterior. Por ter visto como ela era ao acordar, consegui perceber o quanto ela se esforçava depois.

   "Resultado é só resultado. É como no beisebol."

   "Acho que seu treinador não gostaria de ouvir isso."

   "Quero dizer que você não deve focar só em ganhar ou perder. Se eu não perceber o esforço dos outros, paro de evoluir."

Ele é bem disciplinado…

   "Então você observa o processo dos outros… e isso vale para encontros também?"

   "Exato. Mas, no meu caso, não gosto de mostrar o esforço no beisebol. Já com uma garota que eu gosto, é diferente. Não te deixa feliz comer algo feito por ela, mesmo que não seja perfeito?"

A comida da Ayase era melhor que de restaurante, mas…

   "Tem situações em que mostrar esforço é o mais importante."

   "...Você não está se contradizendo?"

   "O que estou dizendo é que você é uma exceção."

Inclinei a cabeça.

   "Você é muito fácil de entender. Vai ficar tudo bem."

Fiquei surpreso.

   "Só seja você mesmo", ele disse.

   "...Hã?"

   "Você não é tão sutil quanto pensa. Então nem tente esconder. Só dê o seu melhor."

Isso não foi nada reconfortante.

   "O que eu devo fazer, então?"

Maru começou a rir e quase nos atrasamos.

Depois da aula, fui para casa me trocar.

Uniforme não parecia apropriado.

Mas… o que usar?

E aí percebi o problema de morar com a pessoa do encontro: era difícil checar minha aparência.

Usei a câmera do celular como espelho.

   "Vai ter que servir."

Escolhi algo simples: jaqueta preta, suéter cinza claro e calça preta.

   "...Outros caras também pedem ajuda, né?"

Hesitei, mas mandei uma foto pro Shinjou.

Logo veio a resposta.

   "Minha irmã disse que está ‘normal’."

   "Normal?"

Isso era bom ou ruim?

Antes que eu pudesse pensar mais, ele saiu.

Suspirei.

   "Normal" só me deixou mais ansioso.

Então pensei…

Se alguém me pedisse opinião, eu mostraria para Ayase?

Provavelmente não.

Então… Shinjou e a irmã devem ser próximos.

Talvez isso seja o normal.

Meus pensamentos estavam estranhos?

   "Pronto para ir?" ouvi da sala.

   "Sim… acho que sim."

Saí do quarto.

Olhei para a Ayase… e prendi a respiração.

Ela estava linda.

   "Vamos?" ela disse.

   "Sim… ah, espera."

   "Esqueceu algo?"

   "Não… só estava pensando se é ok irmos juntos assim."

   "Acho normal."

   "Tem razão."

Saímos.

Na estação, algo me incomodava.

Quando nossos olhares se encontraram, percebi.

Ela parecia segurar o riso.

Ela está rindo de mim?

Não… não é isso.

Talvez estivesse achando estranho.

Decidi ignorar.

Fomos até Ikebukuro.

   "Uau…"

Ayase me cutucou.

   "É falta de educação encarar."

   "Desculpa."

Conversamos e seguimos.

   "Você faria isso?" perguntei.

   "Não. Eu fugiria."

   "Também acho."

Seguimos até uma loja de anime.

   "Vamos comprar aqui."

   "Presente… aqui?"

   "Ela gosta disso."

Fiquei surpreso.

Entramos.

   "É grande."

   "Vamos procurar."

Andamos pela loja.

   "Nem parece coisa de anime…"

   "Pois é."

Eu estava realmente surpreso.

No fim, escolhi uma caneca.

   "Obrigado, Ayase."

   "De nada."

Saímos.

   "Você não comprou nada?"

   "Compro amanhã."

Voltamos de trem.

Parecia… mais um passeio do que um encontro.

Mas ainda assim, foi bom.

Criei coragem.

   "Eu estou estranho hoje?"

   "Hã? Não."

   "Não tenho muito senso de moda."

   "Você está bem."

   "Mas você parece se esforçar."

   "..."

   "Você está bonita."

   "...Obrigada."

Continuei:

   "Não sei o que combina comigo."

   "Quer aprender?"

   "Sim."

   "Então vamos parar em outro lugar."

   "O quê?"

   "Vou escolher algo pra você."

Fomos até Daikanyama.

Entramos numa loja.

Fiquei perdido.

   "Posso ajudar?"

   "Ah…"

Ayase respondeu por mim.

   "Vamos olhar primeiro."

Ela assumiu o controle.

   "Você vem sempre?"

   "Não."

   "Mas sabe bem o que faz."

Ela começou a escolher roupas.

   "Fique parado."

   "Sim."

Virei um manequim.

Isso… parece um encontro.

Mas… irmãos também fazem isso?

Então… o que eu quero, afinal?

Fiquei confuso.

   "Escolhi."

   "Isso é o quê?"

   "Uma jaqueta."

   "Entendi."

Experimentei.

   "Gostou?"

   "Sim… acho."

   "Quer pintar o cabelo também?"

Ela suspirou.

   "De quem você quer aprovação?"

   "..."

   "Confia em mim."

   "...Você tem razão."

Comprei.

Saímos.

   "Vamos passar no mercado?"

   "Claro."

   "Vou fazer oden."

   "Perfeito."

Sorri.

   "Do que está rindo?"

   "Me senti em outro planeta hoje."

   "Isso é… exagero."

   "Agora voltei à Terra."

   "Entendi."

   "Estou cansado."

   "Você se saiu bem."

   "Quero usar bastante essa roupa."

…Isso soou como querer sair mais com ela.

Fiquei nervoso.

Mas ela só disse:

   "Sim."

Voltamos.

No elevador:

   "Como eu fui hoje?"

   "Hã?"

   "Fui mais fácil de conversar?"

Pensei.

   "...Seu rosto?"

   "Sim."

   "Parecia que ia rir."

   "Eu estava tentando ser simpática."

Falamos ao mesmo tempo.

   "...Desculpa."

   "Eu também estava tentando mudar."

Entramos no elevador.

   "Mas você não precisa mudar."

   "Hã?"

   "Assim é mais você."

Ela ficou em silêncio.

Mais tarde, recebi mensagem do Shinjou.

   "Minha irmã disse que ‘normal’ é bom."

Sorri.

Algumas lições… só se aprendem errando.

 

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