Volume 4
Capítulo 12: 27 de Setembro (Domingo) - Saki Ayase
27 DE SETEMBRO (DOMINGO) — SAKI AYASE
“Saki! Aqui!”
Maaya acenava para mim do outro lado da catraca da estação. Apressei o passo ao perceber que ela estava cercada pelos nossos colegas — talvez eu fosse a última a chegar. Enquanto me aproximava, contei as pessoas: dois meninos e três meninas, incluindo Maaya. Eu era a sexta e última, como imaginei.
“Desculpa. Fiz vocês esperarem?”, perguntei.
“Imagina! Você até chegou cedo!”, respondeu Maaya com um sorriso. Não tinha certeza se acreditava nela.
Hoje faríamos uma sessão de estudos na casa da Maaya. Ela morava em um apartamento ali perto, mas quase nunca convidava alguém.
Ela tinha vários irmãos mais novos e estava sempre cuidando deles; se trouxesse amigos para casa, não conseguiria dar conta. Mas, naquele dia, os pais tinham levado os meninos para sair. Enquanto isso, poderíamos usar a enorme sala da família — a verdadeira razão de estudarmos ali.
Depois de uma curta caminhada desde a estação, chegamos ao prédio.
“Uau, é enorme!”, comentou uma colega.
“Gigante!”, disse outra.
“Eu me esforcei!”, respondeu Maaya.
“Como se você tivesse construído o prédio, Maaya”, retruquei.
“Ei! Não precisa ser grossa, Saki!”
Maaya tinha talento para manter todo mundo rindo — ao contrário de mim.
Lembrei do que a professora Kudou disse no dia anterior enquanto observava os outros cinco. Éramos quatro meninas, contando comigo e Maaya, e dois meninos, incluindo Shinjou, que sugeriu a sessão de estudos. Eu tinha decidido que aproveitaria a oportunidade para conhecê-los melhor.
Entramos no saguão e pegamos o elevador. Era pequeno para o tamanho do prédio; mal cabíamos os seis. No fim, os dois meninos decidiram esperar o próximo.
Logo ouvimos o sopro de ar quando as portas se abriram e saímos.
Na porta do apartamento da Maaya, havia uma placa de madeira com a palavra “WELCOME” escrita em letras fofas. Não havia o sobrenome da família exposto — provavelmente por segurança.
Entramos, e Maaya nos guiou até a sala, que devia ter pelo menos quinze metros quadrados. Todos ficaram impressionados.
“É muito grande…”
“Cabe todo mundo tranquilo.”
“Sorte a sua.”
“Gente, sentem onde quiserem!”, disse Maaya.
Ela apontou para uma mesa grande o bastante para seis, e todos nos acomodamos. Percebi então que nossa anfitriã tinha ido até a cozinha. Deixei minha bolsa e fui atrás dela.
“Saki? O banheiro não é por aqui.”
“Não estou procurando o banheiro, sua boba. Me dá isso.”
Peguei três garrafas de chá de um litro dos braços dela e levei até a mesa.
“Obrigada, Saki! Gente, peguem o chá!”, anunciou Yumi. Shinjou se levantou apressado para ajudar.
Copos e porta-copos já estavam postos.
“Se quiserem, usem os lenços para secar o copo”, disse Maaya.
“Maaya, senta logo. Você está deixando todo mundo nervoso.”
“Você é gentil demais, Saki. Os petiscos estão aqui. São daqueles que não sujam os dedos.”
“…Nós não íamos estudar?”, perguntou outra colega.
“Claro! Por isso mesmo os doces são obrigatórios!”
“Maaya, acho que sua definição de sessão de estudos é diferente da minha…”
Todos riram. Mas eu não tinha certeza se ela estava brincando. Do jeito que ia, viraríamos um chá da tarde.
Embora… considerando meu objetivo ali, talvez isso não fosse tão ruim.
“Então, como vamos organizar?”, perguntou Maaya.
“Tem alguma matéria específica?”, perguntei.
“Qualquer uma!”
“A Narasaka é a primeira da turma, afinal”, disse alguém.
“Ela não entende nosso sofrimento!”, acrescentou outra.
“He-he. Continuem me elogiando. Mas falando sério, que tal cada um trazer sua pior matéria?”
“Hã? Pior matéria?”, repetiu Yumi, sílaba por sílaba.
“A sua é japonês, né, Yumi?”
Ela inflou as bochechas e fez bico. Ficou até fofo.
“Somos seis. Cada um é bom em alguma coisa. Então podemos ser tutores uns dos outros.”
Fazia sentido.
Na maioria das vezes, ser bom ou ruim em uma matéria não era sobre saber a resposta, mas sobre saber como encontrá-la. Quem era bom sabia onde procurar, ou como pensar.
Já quem tinha dificuldade nem sempre sabia usar o dicionário, buscar um exercício semelhante ou pesquisar online.
O que fazer nesses casos? Meses atrás, eu não saberia. Agora sabia: pedir ajuda.
Era como enxergar mais longe ao subir nos ombros de alguém.
Estudar com colegas, compartilhando conhecimentos… Era algo novo para mim. Embora Asamura — quer dizer, meu irmão — já tivesse estudado comigo antes.
Ali, todos teríamos que admitir nossas falhas e pedir ajuda. Em troca, ouviríamos as fraquezas dos outros e tentaríamos orientar. Era troca mútua — um princípio familiar, mas que eu nunca tinha conseguido aplicar.
[Ayko: Já ensinou Fullmetal Alchemist: Troca equivalente!]
Agora eu entendia.
Pedir ajuda era uma habilidade. E precisava ser praticada.
Eu odiava depender dos outros — e que dependessem de mim. Porque nunca sabia o que as pessoas queriam ou o que as deixaria felizes. Sempre pensei que, se não podemos ler mentes, então as pessoas deveriam simplesmente dizer o que querem.
Se querem algo, digam. Se não querem, digam também. Sendo honestos, poderíamos resolver tudo.
Eu ainda acreditava nisso. Mas… ali estava eu, violando minha própria regra. Nem conseguia dizer o que sentia para a pessoa com quem mais precisava falar.
Pensei na minha mãe e no meu pai biológico. Ela só começou a trabalhar para sustentá-lo depois que ele fracassou. Quando ela teve sucesso, ele passou a ressentir-se dela. Sempre achei isso cruel.
Não o perdoei por magoá-la. Mas talvez agora o entendesse um pouco. Ele não soube mostrar vulnerabilidade. Não soube depender dela.
Eu não estava fazendo o mesmo?
Eu conseguia admitir que tinha dificuldade em Japonês Moderno. Mas não conseguia revelar o que escondia no coração. Dizia que era porque Asamura não podia descobrir… mas era só isso?
“…Saki! Saki!”
“Hã?!”
Maaya acenava na minha frente.
“Está com fome?”
Assim que ela falou, percebi que estava mesmo. Olhei o celular: faltavam três minutos para meio-dia.
“Já é meio-dia?”
“É. O que vamos fazer? Pedir comida? Ou eu preparo algo?”
Cozinhar para seis parecia trabalhoso. Mas pedir delivery sairia caro.
“Eu vou ao mercado de conveniência.”
“Que tal irmos todos?”
“Seríamos um incômodo. Me digam o que querem.”
“Prefiro ajudar. Eu preparo algo simples enquanto você compra o resto.”
Anotei os pedidos no celular. Deu bastante coisa — especialmente bebidas. Mas eu estava acostumada a carregar compras pesadas.
“É muita coisa para uma pessoa”, disse Shinjou.
“Eu vou com você.”
“…Certo. Obrigada.”
Saímos juntos. Os outros ajudariam Maaya na cozinha.
O mercado ficava de frente para a avenida principal. Do outro lado, havia um restaurante italiano popular entre estudantes.
Ali perto também tinha um grande cursinho… Será que era o do Asamura? Não havia muitos na região.
…Não. Eu precisava parar de pensar nele. Não tinha decidido focar em novas relações?
Entramos na loja de fachada vermelha e verde e compramos pães, onigiris e sanduíches. Pegamos três garrafas extras de bebida.
Enquanto esperávamos no caixa, Shinjou puxou discretamente a sacola mais pesada — a das bebidas.
“Posso levar uma”, eu disse.
“Então fica com essa”, respondeu, colocando um pacote volumoso, porém leve, de batatas na minha sacola.
Astuto.
“Entendi.”
“Hm?”
Observei seu sorriso e lembrei dos comentários das meninas da turma. Não era à toa que gostavam dele. Era um cavalheiro.
“Obrigada.”
“Você também está carregando.”
“Sim, mas…”
Para mim era mais fácil carregar peso do que dever algo a alguém. Preferia sustentar meu próprio fardo.
Mas, ao sair, quase tropecei no meio-fio. Shinjou segurou meu ombro e me impediu de cair.
“O-obrigada.”
“Não foi nada.”
Foi, sim. Ele estava com as mãos ocupadas e ainda assim me segurou.
“Você podia confiar mais em mim”, murmurou.
Eu queria ser capaz de carregar tudo sozinha. Se nem isso eu conseguia, como poderia ser independente?
“Ayase?”, ele chamou.
“O que foi?”
“Você e o Asamura são irmãos, né?”
Eu me encolhi.
“Ah… já sabem?”
“Não sei se todos. Eu soube por ele.”
“O quê?!”
“Vi sua mãe sair da reunião dele e ir para a sua, então perguntei.”
“Ah…”
Suspirei, aliviada.
“Você parece tão centrada. Achei que tivesse um irmão mais novo.”
“Não… nada disso.”
Eu era um caos por dentro.
“É a impressão que passa.”
“Você é mais confiável que eu. Parece um irmão mais velho.”
“Eu tenho uma irmã mais nova.”
“Vocês se dão bem?”
“Como irmãos costumam se dar.”
“Você carrega coisas pesadas para ela?”
“Carrego.”
“Segura a mão dela para não cair?”
“Quando ela era pequena, sim.”
Sorri, imaginando a irmã se gabando do irmão confiável.
“Isso é bonito.”
“Qualquer irmão faria.”
É. Qualquer irmão faria.
Pensei nas coisas que Asamura fez por mim. Talvez fossem coisas normais de um irmão.
Nossa sessão terminou pouco antes das seis.
O sol já se punha. O céu a leste escurecia; a oeste, restava um vermelho sanguíneo.
Maaya quis nos acompanhar até a estação, mas pedimos que ficasse para receber os irmãos.
Foi a primeira vez desde o passeio à piscina que caminhei assim com meus colegas. Eu me diverti mais do que esperava.
“Ayase?”, chamou Shinjou.
“O que foi?”
“Posso falar com você um minuto?”
Algo no tom dele me deixou inquieta.
“Desde que não se importe de ficar para trás.”
Ele caminhou ao meu lado.
“Está quente demais para essa época, né?”
“Está mesmo.”
As nuvens de verão já tinham sumido. O alerta de calor no noticiário agora era amarelo e verde.
Ele parou.
Virou-se para mim.
“Eu estou apaixonado por você.”
[Ayko: Os personagens de Gimai ultimamente estão bem diretos né? Uau]
Quase deixei escapar um grito.
“Ayase. Eu gosto de você.”
“Ah… gosta?”
Silêncio.
“Obrigada… mas…” procurei palavras.
Por que eu já estava pensando em recusar?
Ele era bonito. Gentil. Um bom partido.
Mas…
“Desculpa. Eu não consigo te ver assim.”
“Você não está com ninguém, está?”
“…Não.”
“Então passa um tempo comigo. Talvez mude de ideia.”
Era assim que funcionava?
“Ou você gosta de outra pessoa?”
“N-não.”
“E mesmo assim é não?”
“É.”
Eu não conseguia imaginar me apaixonando por ele.
“É por causa do Asamura?”
“O quê?”
“Esquece. Podemos continuar amigos.”
“Shinjou…”
“Talvez eu vire amigo do Asamura.”
“Por quê?”
“Você está apaixonada pelo seu meio-irmão, não está?”
[Ayko: Cara, os personagens de Gimai estão REALMENTE muito diretos.]
Eu hesitei.
“Ha-ha. Você não negou.”
“Eu amo ele como irmão.”
“Se você diz.”
Nossos colegas nos chamaram.
Quando cheguei em casa, havia uma mensagem do Asamura dizendo que chegaria tarde.
Meu peito apertou… mas também senti alívio.
Seria melhor não vê-lo hoje.
Lembrei das palavras da professora Kudou:
“Mas, se você conviver com outros garotos e seus sentimentos continuarem os mesmos, então eles são genuínos — e você deve valorizá-los.”
Se, amanhã, depois de me acalmar, a resposta continuasse a mesma…
“Com licença…”

“Quê? Ah! Desculpa, pode entrar!”
Outro morador do prédio aguardava para pegar o elevador. Só então percebi que eu estava parada bem na frente do botão, completamente distraída.
A pessoa entrou e me lançou um olhar desconfiado enquanto o elevador subia, andar após andar. Acenei de leve, sem graça, e então suspirei.
Eu estou mesmo em um caso perdido.
[Ayko: Os últimos capítulos de tem sido incriveis! O detalhismo dessa obra, o comportamento de Ayase e Yuuta, a autoconsciência de ambos. Surreal!]
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