Volume 3
Capítulo 5: 26 de Agosto (Quarta-feira)
26 DE AGOSTO (QUARTA-FEIRA)
Era a manhã de quarta-feira, 26 de agosto, e as férias de verão estavam quase no fim.
Na noite anterior, eu havia ajustado o despertador para acordar mais ou menos no mesmo horário de sempre da Ayase: seis e meia da manhã.
…Eu estava bem cansado.
Fui até a sala de estar e encontrei Ayase já preparando o café da manhã. Observei por um momento enquanto ela se movimentava com eficiência pela cozinha. Eu me lembrei do que ela havia dito sobre nunca dormir até mais tarde, como fizera no dia anterior, e aquilo soava perfeitamente verdadeiro.
“Bom dia, Ayase.”
“Bom dia, Asamura. Você acordou cedo hoje”
Disse ela, virando-se por um instante.
“É. Vai ser um dia cheio”, respondi, sentando-me à mesa.
Toc, toc… toc.
Ayase parou de cortar as cenouras na tábua e se virou, com uma expressão preocupada.
“Um dia cheio? Tudo o que fizemos foi trocar os turnos. Você tem outros planos?”
“Não, nada disso.”
Ela provavelmente estava preocupada com a possibilidade de eu ter outro compromisso e de a troca de turnos por causa da festa na piscina ter me causado algum problema.
“Tem certeza?”
“Prometo. Hoje eu estava totalmente livre. Se ainda não tivesse colocado os estudos em dia, faria isso, mas já resolvi essa parte.”
“Então…”
Era natural que ela ficasse confusa. Como poderia saber? O meu problema era algo bem específico de garotos introvertidos do ensino médio como eu.
“Eu não tenho um traje de banho”, confessei.
“…E como você faz nas aulas de natação da escola?”
“…Sempre escolho esportes com bola em vez de natação, seguindo o conselho de um amigo.”
“Ah, entendi.”
“Mas aprendi a lição. Você acaba perdendo quando aceita tudo o que seu amigo diz.”
Deixei os ombros caírem, pensando em Maru.
[Ayko: Maru sendo guia de decisões do Yuuta, Ayase preocupadinha, os detalhezinhos em que cada um repara e se preocupa…]
Na nossa escola, as aulas de educação física no verão consistiam em escolher entre natação ou esportes com bola. Claro, eu duvidava que fosse uma boa ideia ir à piscina com amigos usando um maiô ou sunga escolar. Talvez fosse só um preconceito meu, mas eu tinha a sensação de que existia uma espécie de código de vestimenta quando se saía com o pessoal mais popular.
“Ah-ha-ha, você está exagerando. Então vai sair para comprar uma roupa de banho, é?”
“Vou sim. Meio que não tenho escolha. Ainda bem que posso pagar por um, já que trabalho. Hoje saio às seis da tarde, então devo ter bastante tempo para fazer compras.”
Eu vinha trabalhando, na maioria das vezes, em turnos longos, então normalmente saía bem tarde da noite. Mas naquele dia eu terminaria mais cedo, já que estava cobrindo o turno que seria meu no dia vinte e sete.
“Você vai fazer compras depois do trabalho?”
“Não tem alternativa. Eu procurei, mas não encontrei nenhuma loja que vendesse roupas de banho aberta logo cedo. A maioria só abre às onze.”
“Ah… e aí você não chegaria a tempo para o trabalho.”
“Eu chegaria muito em cima da hora, no mínimo, e isso é algo que quero evitar.”
Eu não queria me atrasar logo depois de o gerente ter nos advertido para fazermos o nosso melhor.
Até dava para ir a uma loja às onze e chegar no trabalho a tempo do meu turno ao meio-dia — mas isso só se eu não tivesse dificuldade para escolher um traje de banho. E esse era um grande “se”.
“Você acha que vai ser tão difícil assim? Ah, é verdade… eu esqueci que você não liga muito para moda.”
Exatamente. Assenti, fazendo uma careta.
Moda era como minha kriptonita. Eu não fazia ideia de como escolher. Por que havia tantas opções? Qual era a diferença entre elas? Era como gêneros diferentes de livros? Eu conseguia me imaginar parado no meio da loja, completamente perdido. A quem eu pediria ajuda? E o que diria?
[Ayko: Por isso eu uso preto, com preto, no preto, de preto]
Era quase certo que eu acabaria confuso. Em vez de correr o risco de me atrasar para o trabalho, preferia evitar essa ansiedade e fazer tudo com calma.
Além disso, eu precisava me preparar para o dia seguinte.
Eu não achava que ir à piscina durante as férias exigisse tanto preparo, mas também não queria chegar lá e descobrir que tinha esquecido alguma coisa importante.
Eu havia dito à Ayase que estava livre o dia todo, mas, como não sabia que acabaria trabalhando a tarde e a noite, agora tinha um monte de tarefas — como lavar roupa — que precisava resolver naquela manhã.
“Tudo bem, entendi”, disse ela. “Ah, olha, a Maaya me mandou o cronograma de amanhã.”
“É mesmo?”
“Depois eu te encaminho.”
“Certo.”
É claro que tínhamos avisado a Narasaka no dia anterior que iríamos. Esperamos até o último momento porque precisávamos confirmar a troca de turnos. Não dava para dizer que iríamos e, no mesmo dia, mandar outra mensagem dizendo que não daria certo.
Ayase mandou mensagem assim que conseguimos a autorização do gerente, e a resposta chegou em menos de um minuto.
Bem a cara da Narasaka.
Enquanto pensava nisso, ouvi meu pai acordar. Já estava quase sete da manhã. Ele passou pelo banheiro e depois foi para a sala de estar.
“Bom dia, Saki. Ah, Yuuta. É raro te ver acordado tão cedo.”
“Bom dia.”
“Bom dia”, respondeu ele, sentando-se.
Levantei-me imediatamente e servi o arroz no prato dele. Sua decepção era visível.
Tá bom, tá bom, pai. Aposto que você queria que a Saki fizesse isso. Ela vai trazer a sopa de missô, então se contente com isso.
“Aqui, pai.”
“Obrigado, Saki.”
“De nada.”
O café da manhã era o prato habitual da Ayase, pensado para economizar tempo. Naquela manhã, era tofu cozido com espinafre, coberto com gengibre ralado, lascas de peixe seco e cebolinha picada. Bastava regar com molho de soja para ficar pronto.
Eu não sabia disso, mas existiam vários tipos de vegetais semelhantes à cebolinha que podiam ser usados sobre o tofu. Ayase disse que o tipo daquele dia se chamava “scallion”. Fiz uma rápida pesquisa na internet e descobri ainda mais variações: scallions, wakenegi, brotos de cebolinha, cebolinha chinesa e cebolinhas verdes. De repente, percebi que não fazia ideia do que vinha usando todos esses anos.
De qualquer forma, as que eu estava comendo naquele momento eram scallions.
Além do tofu, Ayase colocou diante do meu pai um prato azul com três peixes shishamo.
“O seu vai levar só um minutinho, Asamura.”
“Não precisa se apressar. Pode comer primeiro, pai.”
Se Ayase e eu tivéssemos aula, já precisaríamos estar comendo rápido para não nos atrasarmos. Mas, naquele momento, ainda estávamos de férias.
“Obrigado, pessoal”, disse meu pai, começando a comer.
Ele saiu pontualmente às sete e meia, e eu coloquei o prato e a tigela dele na lava-louças.
Pouco depois, por volta das oito, Akiko chegou em casa. Ela foi direto para o quarto, dizendo que já tinha comido.
Desde que Akiko e Ayase se mudaram para cá, essa vinha sendo nossa rotina matinal. Pensei em como tudo era quando estávamos frequentando a escola. Já estava na hora de começar a voltar aos poucos ao ritmo antigo, já que as férias estavam chegando ao fim.
Depois de ajudar com a louça, fui para o meu quarto e conferi o cronograma do dia seguinte até chegar a hora de ir trabalhar.
Ayase havia me encaminhado várias mensagens da Narasaka. O cronograma do dia seguinte vinha todo em uma única mensagem enorme, detalhada como o programa de uma excursão escolar.
Ayase disse que Narasaka estava viajando, e eu me perguntei se ela havia começado a montar tudo enquanto estava fora. Talvez fosse o tipo de pessoa que se dedicava ao máximo quando se tratava de se divertir.
Havia também uma mensagem extra da Ayase:
A Maaya se deu todo esse trabalho para montar o cronograma, então leia com atenção, ok?
Ayase tinha insistido que não queria ir, mas agora parecia extremamente animada com tudo aquilo. Era exatamente como Akiko havia dito.
“Ela era um pesadelo quando era mais nova. Implorava por sorvete, fazia escândalo para ir à piscina…”
Pensar que Ayase estava voltando a se empolgar com a ideia de se divertir me deixou genuinamente feliz.
Ayase e eu saímos de casa pouco antes do meio-dia e chegamos à livraria com bastante antecedência.
“Tudo bem, Ayase. Vamos dar o nosso melhor!”
“Sim. Vamos nos esforçar!”
Assim que entramos, ela passou a falar de maneira mais formal.
Trabalhamos ainda mais duro do que o normal, como forma de agradecer ao gerente por ter concordado em trocar nossos turnos. Assim que começamos, já fomos designados para o caixa. Atender ali era a parte mais estressante do trabalho. Não dava para esperar grandes habilidades de comunicação de um introvertido como eu, mas era minha função, e eu precisava cumpri-la.
Quando o movimento no caixa diminuía, dobrávamos capas de livros usando um pedaço de papelão do mesmo tamanho de um exemplar. Primeiro dobrávamos a parte de cima e a de baixo, depois apenas um dos lados. Como os livros variavam muito de tamanho, não podíamos dobrar os dois lados de uma vez, ou a capa não serviria. Tecnicamente, dava para desfazer a dobra, mas não podíamos entregar a um cliente um livro com a capa amassada.
Certa vez, cometi o erro de dobrar os dois lados. Só alguns livros específicos cabiam nas capas que eu havia preparado, e tive um trabalhão para dar fim a todas elas — sem contar a bronca que levei. Ayase não cometia erros desse tipo. Ela era uma funcionária exemplar; como Yomiuri dizia, era até melhor do que eu.
Naquele dia, também precisávamos limpar o escritório dos fundos e os vestiários.
Yomiuri nunca estava por perto quando surgia uma grande quantidade de tarefas assim. Cheguei a pensar se ela não teria tirado folga de propósito, até me dar conta de que eu também deveria estar de folga naquele dia.
“Certo”, eu disse.
“Depois que jogarmos esse lixo fora, terminamos.”
“Eu faço isso.”
“Não, deixa que eu termino.”
Eu estava prestes a sair do escritório, com os sacos de lixo nas mãos, quando o gerente entrou.
“Oh, está tudo brilhando! Bom trabalho. Dá para ver que vocês se esforçaram bastante.”
Eu sabia que ele estava só sendo educado, mas mesmo assim foi bom ouvir aquilo. Ele sabia muito bem como nos motivar. Os boatos estavam certos — aquele cara realmente entendia do que estava fazendo.
“Obrigado”, respondi.
Percebi que Ayase também estava sorrindo.
Às seis em ponto, nós dois terminamos o expediente e saímos juntos.
“Bom, eu vou comprar uma roupa de banho, então hoje não posso te acompanhar até em casa.”
“Você não precisa se preocupar com isso. Ainda são só seis horas.”
“Verdade. Então vai logo para casa.”
“E você vai aonde?”
Contei o nome de uma loja de departamento onde ficava a filial da rede que eu havia escolhido.
“Ah, entendi”, ela disse. “Eu vou com você.”
Meu coração deu um pulo. “Por quê?”
“Aquela loja também tem seções de roupas femininas. Eu também vou comprar uma roupa de banho. Experimentei o meu ontem e não tenho certeza se ainda veste bem. Então, por precaução, achei melhor comprar um novo.”
Dito isso, ela saiu andando. Eu a segui rapidamente.
A gente ia mesmo fazer compras juntos? Com base na minha pouca experiência e na minha imaginação limitada, comprar roupas de banho juntos era coisa de casal. Eu sabia que estava sendo tendencioso, mas que outro motivo haveria para um garoto e uma garota irem juntos?
…Não consegui pensar em nenhum.
Escolher roupas de banho com nervosismo, conversar através da divisória do provador enquanto experimentávamos coisas, acabar em situações estranhas — esse tipo de coisa só acontecia em romances e mangás. Não era algo da vida real.
Mas a calma absoluta da Ayase me deu a impressão de que talvez eu fosse apenas inexperiente, e que sair para comprar trajes de banho fosse algo perfeitamente comum entre irmãos.
Ainda assim, se isso fosse realmente acontecer, como eu deveria agir? A loja não ficava longe. Será que eu conseguiria me preparar mentalmente até chegarmos lá…?
No fim das contas, não houve necessidade de me preocupar.
Lojas de departamento geralmente vendem itens femininos nos andares inferiores e masculinos nos superiores.
Ayase desceu da escada rolante no andar correto, virou-se para mim e disse:
“Certo, é aqui que nos separamos. Se terminarmos ao mesmo tempo, nos encontramos na entrada. Caso contrário, podemos ir para casa separadamente, sem nos preocupar um com o outro.”
“…Certo.”
Aquilo fazia todo o sentido. Essa era a realidade. Ao que parecia, eu estava certo desde o início — um irmão mais velho não tinha motivo algum para ir comprar traje de banho com a irmã.
Bom… provavelmente não, pelo menos.
No fim, levei mais de uma hora para escolher uma roupa de banho.
Viu só? Vir depois do trabalho tinha sido a decisão certa.
[Ayko: Por fim, eu provavelmente escolheria um shorts preto :) Dito isso, realmente amo as pequenas ações, atenção e preocupação com detalhes em relação ao que deixa um ao outro feliz, preocupado, triste… Muito bonitinho ]
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